Se nas
cidades o Estado já mostra sua verdadeira face policial-fascista
matando pobres diariamente, no campo, onde a situação de miséria
é ainda mais agravante o Estado, através de suas instituições
militares, somado aos bandos armados particulares do latifúndio,
se mostra ainda mais feroz contra os trabalhadores na sanha de
garantir os privilégios da classe latifundiária.
O Estado
sempre reprimiu os camponeses pobres e assegurou o monopólio da
terra por um punhado de pessoas. Hoje, num momento em que cresce
uma direção revolucionária no movimento camponês brasileiro,
representada principalmente pela Liga dos Camponeses Pobres, o
velho Estado e todo conjunto de organizações reacionárias
aumentam ainda mais a perseguição e repressão contra os pobres
do campo.
Assim temos
as mega-operações militares que prendem, matam e torturam
camponeses em luta por um pedaço de terra. Servindo a esta
política sanguinária do velho Estado o monopólio dos meios de
comunicação faz a sua parte, encobrindo a realidade e
criminalizando os pobres.
O Movimento
Estudantil Popular Revolucionário sempre denunciou as
tergiversações feitas pela imprensa monopolista. Particularmente
denunciamos neste último período a chamada “operação paz no
campo” em dezembro de 2007, realizada no Sul do Pará, dirigida
pela então gerente estadual Ana Júlia Carepa do PT, que
mobilizou centenas de militares e grande armamamento bélico para
reprimir as 1.100 famílias que ocupavam o latifúndio Forkilha.
Foi denunciado na época a tortura que dezenas de camponeses
sofreram.
Também
denunciamos a campanha horrenda feita pela Revista Istoé nos
meses de março e abril deste ano contra o povo e a Liga dos
camponeses Pobres, que era atacada sem prova alguma de ser um
“grupo armado”. Também a Folha de S. Paulo publicou matéria
fazendo o mesmo jogo sujo de criminalização da LCP.
Eis que, em
maio, por um “azar” (vamos dizer assim) dos latifundiários, da
imprensa vendida, enfim, de toda a reação, surge um vídeo
comprovando exatamente o oposto do que disseram, ou seja, que
são os latifundiários os verdadeiros criminosos.
Acontece que
todas as atenções do país estavam voltadas para os fatos que
ocorriam no norte do país, particularmente no caso da Raposa
Serra do Sol em Roraima. Estava em foco o conflito entre nações indígenas
da região e os latifundiários.
E em meio ao
conflito, que era tema principal no país, alguém consegue filmar
a ação de jagunços (pessoas armadas a serviço do latifúndio)
invadindo uma terra indígena e atacando os moradores com bombas
e tiros de fuzil. Não teve como abafar. Como iria se espalhar de
uma forma ou de outra, o próprio monopólio de imprensa foi
obrigado a passar o vídeo – que conseguimos agora, e
disponibilizamos ao final do texto.
Curioso é
que todas as descrições que as revistas Istoé e Veja e o jornal
Folha de S. Paulo deram meses antes de pessoas “encapuzadas” e
“armados” apareciam ali, mas não caracterizando os camponeses,
como disseram, e sim as forças do latifúndio – que eles tanto
defendem.
Ainda para
piorar a situação, o latifundiário era ninguém menos que o
prefeito da cidade, o latifundiário Paulo César Quartieiro. Nem a desculpa
esfarrapada de que o governante local não sabia pôde ser
utilizada, pois precisamente o prefeito era o mandante do crime,
o responsável pelos homens encapuzados e fortemente armados,
chamado de jagunços, e que, como todo o mundo sabe, servem para
garantir as grandes propriedades privadas, executando e
torturando trabalhadores.
Se não
soubéssemos que Veja, Istoé e Folha de S. Paulo, além de outros
tantos, constituem órgãos venais porta-vozes das classes
dominantes, indagaríamos com curiosidade o fato de espernearem
tanto quanto à “denúncia” (sem prova alguma) que fizeram de
existir camponeses “armados” e “mascarados” e não darem tanta
atenção assim aos jagunços fortemente armados e mascarados
(estes sim, comprovados pelo vídeo), que atuam como exércitos
particulares de latifundiários por todo o Brasil.
O vídeo é
apenas um exemplo de como o velho Estado comporta forças legais
e ilegais para reprimir o povo. Quando é possível, são enviados
os aparelhos militares legais do Estado, as polícias ou o
Exército; quando é inconveniente – quando a lei não ampara – são
utilizados os órgãos ilegais do Estado, como é caso dos jagunços
para combater os pobres no campo e os traficantes e
paramilitares (chamados erroneamente de milícia) que atuam em
bairros pobres nas cidades para controlar e reprimir a vida das
massas.
As mentiras divulgadas na mídia:
“Encapuzados, armados e bem treinados”
(Istoé edição 2007)
“militantes assaltam, torturam, matam e aterrorizam”
(istoé
edição 2003)
“Encapuzados, armados com metralhadoras, pistolas, granadas e
fuzis AR-15, FAL e AK-47” (istoé
edição 2003)
“os integrantes da Liga andam encapuzados e armados"
(Veja 2/11/2007)
"uma recém-criada organização de sem-terra [LCP] começou a
aterrorizar a região”