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Carta Aberta a Comunidade Acadêmica da UFMG: Defender o DA da FAFICH, a democracia e a autonomia universitárias: Fora PM da UFMG!

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Numa atitude digna de representantes do regime militar fascista que infelicitou o nosso país por longos 21 anos, a Congregação da FAFICH aprovou em reunião, nesta segunda-feira (30), o fechamento por tempo indeterminado da sala do Diretório Acadêmico. Esta atitude representa um verdadeiro atropelo à democracia e autonomia universitárias e um ataque aberto ao movimento estudantil da UFMG e aos direitos democráticos à livre reunião, expressão e manifestação dos estudantes na instituição. Seguranças privados já circulam, de forma intimidatória, por todos os andares do prédio e o patrulhamento ostensivo do campus da UFMG na Pampulha pela PM é cobrado pelo monopólio da imprensa e debatido em reuniões as portas fechadas pela Reitoria e a burocracia universitária. Este ataque frontal ao movimento estudantil na UFMG se deu após uma enxurrada de matérias sensacionalistas veiculadas pelo monopólio da imprensa.

 

Nos últimos dias, o jornal Estado de Minas, diretamente ligado ao PSDB de Aécio Neves em Minas Gerais e parte do monopólio da imprensa fascista no país, tem publicado uma série de "denúncias" sobre o consumo e o tráfico varejista de drogas ilícitas no Diretório Acadêmico da FAFICH (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas), associando tais supostos atos à atuação do “crime organizado” na entidade estudantil e ao crescimento de furtos e assaltos no campus da UFMG na Pampulha. Tais "denúncias", que são parte de uma odiosa campanha em defesa da militarização da UFMG, da criminalização do movimento estudantil e contra a autonomia e democracia universitárias, foram prontamente repercutidas por outros órgãos da imprensa fascista, notadamente a TV Alterosa (pertencente ao mesmo grupo dos Diários Associados do qual o Estado de Minas é parte). Ademais, o Estado de Minas de Aécio Neves (PSDB) tira proveito do clima de insatisfação generalizada na universidade contra o absurdo corte de 30% do orçamento da UFMG imposto pelo governo federal de Dilma Rousseff (PT), visando desgastar ainda mais o gerenciamento petista e capitalizar eleitoralmente para as eleições presidenciais de 2018. De forma sensacionalista, tais órgãos do monopólio da imprensa buscam difundir um clima de insegurança entre os estudantes, servidores e professores para justificar medidas antidemocráticas como a restrição e controle da circulação de pessoas externas à comunidade acadêmica no campus Pampulha e, principalmente, incrementar a presença da Policia Militar, já absurda e inconstitucionalmente estabelecida desde 1996 através de um espúrio convenio entre a PM e a Reitoria da UFMG, mantido pela atual administração do reitor Jaime Arturo Ramirez.


Em suas declarações, a Reitoria da UFMG e a burocracia universitária na FAFICH deixam claros os seus escusos objetivos de aprofundar a política de controle e segregação social iniciada com a instalação das catracas nos prédios, medida amplamente questionada por estudantes, professores e servidores. Assim como o verdadeiro "Big Brother" imposto à comunidade universitária pelas câmeras espalhadas por todo o campus, estabelecendo a completa falta de privacidade e liberdade, particularmente para aqueles que questionam a ordem estabelecida na universidade. Estas medidas antidemocráticas são parte de uma mesma lógica que tem se perpetuado na UFMG por meio da recorrente proibição de festas e atividades culturais organizadas por estudantes e a absurda proibição de alojamento no campus durante eventos estudantis, o que tem gerado constantes conflitos terminando, na grande maioria dos casos, em processos administrativos contra estudantes.


Os setores governistas ligados à UNE que participam da diretoria do DA FAFICH se limitam em questionar o notório caráter preconceituoso e racista das matérias sensacionalistas veiculadas pelo monopólio da imprensa e das medidas tomadas pela diretoria da FAFICH, encobrindo a relação de tais matérias e medidas com o crescente processo de criminalização do protesto popular e do movimento estudantil por todo o país, do qual o gerenciamento oportunista de Dilma Rousseff (PT) e sua frente oportunista e eleitoreira de PMDB/PSB/pecedobê é o principal protagonista desde as grandes jornadas de luta de junho/julho de 2013. Além do que, fazem questão de desassociar o aumento dos casos de furtos e assaltos na instituição com o absurdo corte de verbas imposto à UFMG pelo governo de Dilma Rousseff (PT) no início deste ano por meio do Decreto Nº 8.389, de 7 de janeiro de 2015.

 

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A política fascista de "segurança" da Reitoria da UFMG

Toda a política de segurança na UFMG não tem como objetivo garantir a segurança dos estudantes e demais membros da comunidade acadêmica. Haja vista que incidentes como furtos, assaltos e até mesmo estupros dentro do campus Pampulha são recorrentes há vários anos, muito antes dos episódios reportados pelo jornal Estado de Minas. Pelo contrário, a segurança privada terceirizada da UFMG tem se caracterizado como um instrumento nas mãos da Reitoria e da burocracia universitária na repressão às mobilizações estudantis no campus. Como quando seus seguranças agrediram estudantes (posteriormente processados) que participavam de uma ocupação do prédio da Reitoria exigindo que o campus não fosse usado novamente como base militar durante a Copa do Mundo da Fifa no ano passado. É importante lembrar que, nesta ocasião, a repressão à ocupação estudantil foi comandada diretamente pelo atual Pró-reitor de Assuntos Estudantis, Tarcísio Mauro Vago, que hoje posa de democrático.

Tampouco, a presença da PM tem garantido a segurança da comunidade universitária. Esta instituição reacionária que assassina pobres diariamente em nosso país sob o pretexto de combate ao tráfico varejista de drogas, se utiliza do mesmo pretexto para reprimir e criminalizar o movimento estudantil, como o fez em 2008 no Instituto de Geociências (IGC), quando a PM, atendendo ao chamado da então diretora do prédio, Cristina Helena Augustin e da então vice-reitora Heloisa Starling (assecla petista que hipocritamente posa de crítica ao regime militar), invadiu uma atividade do Diretório Acadêmico do IGC que exibia um filme sobre a descriminalização da maconha. Na ocasião, utilizando um grande efetivo e com um helicóptero sobrevoando o campus, a PM cercou o IGC agredindo indiscriminadamente os presentes e prendendo a um estudante, que foi arrastado e algemado pelos policiais. No ano passado, essa mesma PM "visitou" o CAFCA - Centro Acadêmico de Filosofia - para investigar e intimidar estudantes que organizavam uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus. Estes são apenas alguns exemplos de como a presença da PM na UFMG ameaça a autonomia e a democracia universitárias. São por situações como estas que a presença da PM dentro das universidades públicas é historicamente repudiada pelo movimento estudantil, uma vez que sempre foi e segue sendo utilizada pelos diferentes governos, Reitorias e pela burocracia universitária para suprimir os direitos democráticos à livre reunião, expressão e manifestação.


O corte de verbas na UFMG agrava a insegurança no campus


Com a sua hipócrita Pátria Educadora, Dilma Rousseff (PT) cortou 7 bilhões de reais do orçamento da educação. Na UFMG, o impacto desse corte foi de mais de 33 milhões de reais e a segurança foi um dos serviços gravemente afetados. A insegurança no campus piorou com a demissão de pelo menos 80 seguranças terceirizados, ademais de funcionários das portarias. Não é possível afirmar estarem os furtos e assaltos no campus diretamente associados à presença de jovens negros que supostamente frequentam o Diretório Acadêmico da FAFICH (como o faz de forma preconceituosa e racista o jornal Estado de Minas), mas é indiscutível que a existência por todo o campus da UFMG na Pampulha de lugares ermos e mal iluminados e de obras inacabadas favorecerem a ocorrência de assaltos, furtos e estupros contra estudantes e demais membros da comunidade acadêmica. Por este motivo, afirmamos que a luta pela segurança na UFMG é parte da luta contra o corte de verbas na universidade.


UNE governista desvirtua o caráter político dos ataques contra o DA da FAFICH


Os representantes da UNE governista no movimento estudantil da UFMG buscam restringir a uma questão de preconceito social e racismo os ataques desferidos pelo Estado de Minas e a TV Alterosa e da Diretoria da FAFICH contra o Diretório Acadêmico, no claro objetivo de blindar o governo federal petista contra as críticas aos cortes de verbas na instituição. Não podemos encarar como coincidência o fato de ser o Diretório Acadêmico da FAFICH (local histórico de luta dos estudantes desde o regime militar) o escolhido como alvo de tais matérias sensacionalistas. Apesar de ser inconteste o tom preconceituoso das matérias do Estado de Minas e da TV Alterosa, as suas infundadas denúncias são parte de toda uma escalada fascista do velho Estado (da qual o racismo é parte), contra a juventude que ameaça retomar as ruas com o mesmo espírito combativo das grandes jornadas de luta de junho/julho de 2013. Mas, devido a sua essência oportunista, os governistas da UNE não podem e não se interessam em entrar nestas questões mais de fundo, uma vez que o governo de Dilma Rousseff (PT) que tanto defendem é a maior protagonista desta mesma política de criminalização da juventude combatente, com prisões, processos e perseguições políticas de ativistas populares por todo o país, sendo o responsável pela ocupação militar do campus da UFMG em 2013 e da repressão fascista aos protestos populares para garantir os lucros da Fifa no ano passado.


O fato de muitas entidades estudantis em nossa universidade terem se transformado em locais distantes da maioria dos estudantes e, por este motivo, ficarem reduzidas a atividades meramente recreativas, muitas vezes regadas a muito álcool e outras drogas, se dá em grande parte, devido a atuação dos governistas da UNE no movimento estudantil, que jogam invariavelmente para a despolitização e desmobilização do movimento no objetivo de transformar as entidades estudantis como CA`s, DA`s e DCE`s em apêndices de partidos políticos eleitoreiros como o PT e o revisionista pecedobê para defender os governos que estes apoiam e/ou desgastar governos de oposição. O estilo "festivo" e burocratizado, imperante na maioria das entidades estudantis de nossa universidade é o modelo de movimento incentivado pela UNE desde o Fora Collor e o seu movimento dos manipulados "cara pintadas" dirigido pela reacionária Rede Globo. No atual momento crítico por que passa a UFMG, a situação deplorável a que tem chegado as entidades estudantis controladas pelos governistas da UNE, serve para que os oportunistas sabotem a necessária luta contra o corte de verbas na UFMG.


Além do que, restringir a criminalização da pobreza e a segregação social como uma política exclusiva de setores da direita declarada como o PSDB, como dão a entender os governistas da UNE, não passa da mais barata hipocrisia. O povo brasileiro jamais irá esquecer que foi a falsa "esquerda" de PT/pecedobê, hoje no governo federal, quem ordenou a ocupação dos complexos da Maré e do Alemão no Rio de Janeiro pelo Exército e quem, junto ao governo de Cabral/PMDB, implementou as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP's), (a "policia companheira" de Luiz Inácio) internacionalmente conhecida pelo genocídio de incontáveis Amarildos.


Derrubar os muros da universidade, servir ao povo no campo e na cidade!


O ponto central do debate suscitado pelos ataques do monopólio da imprensa e da diretoria da FAFICH e Reitoria da UFMG ao Diretório Acadêmico da FAFICH é sobre o papel social a ser cumprido pela universidade pública e gratuita. Não podemos ficar reféns da visão estreita veiculada pelo jornalismo policialesco hegemônico no país, que visa justificar a crescente fascistização da sociedade brasileira cobrando o sangue dos pobres como a solução de problemas sociais gerados pelo próprio sistema capitalista. A dependência química e toda a criminalização da pobreza imposta pelo Estado sob o pretexto do combate ao tráfico varejista de drogas são o reflexo de uma sociedade externamente injusta e opressora, na qual a quase totalidade das riquezas produzidas pelo trabalho das massas populares da cidade e do campo é destinada ao imperialismo, principalmente norte americano, à grande burguesia e ao latifúndio. A UFMG, como parte desta sociedade, não poderia ficar incólume aos gravíssimos problemas sociais que são o reflexo do próprio caráter semicolonial e semifeudal de nosso país e da política de subjugação nacional adotada pelos diferentes gerenciamentos de turno do velho Estado brasileiro. Cabe a toda a comunidade acadêmica compreender o fenômeno da delinquência juvenil e da dependência química como problemas sociais e de saúde pública, extirpando a percepção preconceituosa e segregadora das classes dominantes reacionárias que, por meio de sua burocracia e a inexistência de democracia em todas as instâncias deliberativas, controlam nossa universidade.


Reafirmamos que o agravamento dos problemas da falta de segurança na UFMG é um reflexo imediato da política de "ajuste fiscal" que sacrifica as verbas de nossa universidade para atender aos ditames dos banqueiros, visando atingir metas impostas pelo FMI/Banco Mundial. E que, como parte da luta em defesa da UFMG e da universidade pública no país, o problema da insegurança no campus Pampulha da UFMG assim como todas as demandas de estudantes, servidores e professores, só podem ser resolvidas pelo enfrentamento resoluto de toda a comunidade acadêmica contra o cortes de verbas e em defesa da democracia e autonomia universitária, através de um crescente movimento pela deflagração da GREVE GERAL por tempo indeterminado, junto a todas as lutas populares contra os pacotaços de cortes de verbas e direitos, levados a cabo por todos os governos, mas que são encabeçados pela frente oportunista e eleitoreira de Dilma Rousseff (PT/PMDB/PSB/pecedobê).


E o que é mais importante, sem uma universidade realmente democrática, onde os estudantes tenham assegurado o direito de opinar e decidir sobre todos os seus problemas e interesses, é impossível fazer com que a UFMG deixe de ser tratada como um feudo, onde as mobilizações estudantis são caso de polícia e a presença da juventude do povo pobre é vista como uma ameaça à segurança da comunidade acadêmica. É necessário "gerar o caos nas velhas ideias" e derrubar os muros da nossa universidade para que esta possa cumprir o seu verdadeiro papel histórico de produzir e difundir conhecimentos científicos a serviço povo no campo e na cidade. Objetivo que só pode ser completamente alcançado como parte da luta popular pela transformação revolucionária de toda a sociedade.

 

Preparar a GREVE GERAL contra os cortes de verbas e direitos na educação!

FASCISTAS, NÃO PASSARÃO!

FORA PM DA UFMG!


MEPR - Movimento Estudantil Popular Revolucionário

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