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Com a ideologia e a moral revolucionária proletária, enfrentar o machismo! Nota de repúdio às agressões machistas na UnB.

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Vimos por meio desta manifestar nosso repúdio às agressões machistas, denunciadas recentemente (entre agosto e setembro de 2014), que envolvem estudantes de Ciências Sociais de nossa universidade (UNB). Diante da situação e por fazermos parte da gestão do Centro Acadêmico de Sociologia, juntamente com estudantes independentes e a CCI/RECC-DF (organização diretamente envolvida nos casos), nos sentimos no dever de nos posicionar e ser parte ativa no combate a tais práticas.

 

Com a ideologia e a moral revolucionária proletária, enfrentar o machismo! 

Nota de repúdio às agressões machistas na UnB.

 

“... Uma paixão e uma união efêmera são mais poéticas e mais ‘puras’ que os ‘beijos sem amor’ de cônjuges lastimosos e detestáveis. É isso o que você descreve... A oposição é lógica? Os beijos sem amor de cônjuges lastimosos são sujos. De acordo! Que é necessário opor a eles? Se poderia acreditar que beijos com amor. Porém você opõe uma ‘paixão’ (por que não o amor?), efêmera (por que efêmera?). O resultado lógico é que se pareça opor beijos sem amor (efêmeros) a beijos sem amor conjugal ... estranho! Não seria melhor opor um matrimônio lastimoso e sujo sem amor, de pequeno-burguês-intelectual-camponês, a um matrimônio civil proletário com amor?...”

Lenin em carta a Inês Armand, militante comunista de origem francesa que viveu a maior parte de sua vida na Rússia. Inês Armand foi membro do Comitê Executivo do Partido Bolchevique e da Seção Feminina do Comitê Central que presidiu de 1919 até sua morte em setembro de 1920.


 

 

Vimos por meio desta manifestar nosso repúdio às agressões machistas, denunciadas recentemente, que envolvem estudantes de Ciências Sociais de nossa universidade. Diante da situação e por fazermos parte da gestão do Centro Acadêmico de Sociologia, juntamente com estudantes independentes e a CCI/RECC-DF (organização diretamente envolvida nos casos), nos sentimos no dever de nos posicionar e ser parte ativa no combate a tais práticas.

Em primeiro lugar, repudiamos toda e qualquer prática machista de indivíduos, sejam eles organizados em coletivos ou não. O machismo é uma das mazelas milenares surgidas com a propriedade privada que deu origem à forma patriarcal de família e à consequente divisão da sociedade em classes dominantes e dominadas, de que o capitalismo se serve para manter e reproduzir a situação de exploração e opressão das massas trabalhadoras, já que metade delas são as mulheres. Quando a violência física contra as mulheres é praticada por militantes organizados que dizem combater as opressões, a crítica deve ser mais dura e profunda para permitir o crescimento ideológico e político de todo o coletivo, homens e mulheres.

A luta revolucionária do proletariado pela transformação da sociedade se expressa nos planos ideológico, político, econômico, moral e cultural. Se expressa, portanto na luta de classes, na luta dos operários, camponeses, das mulheres trabalhadoras, estudantes e intelectuais progressistas, por seus interesses imediatos e estratégicos, a conquista da sociedade sem classes e da completa e onímoda emancipação da Humanidade. E, consequentemente, deve se expressar na maneira como nos relacionamos na esfera pessoal, familiar, no trabalho e na militância política, enfim em toda nossa prática social, em nosso vocabulário e em como nos colocamos na prática ombro-a-ombro, mulheres e homens das classes oprimidas. Ser revolucionário é lutar por destruir esta hipócrita, reacionária e putrefata moral burguesa, construindo e praticando uma nova moral revolucionária, a moral proletária.

A moral prevalecente em uma sociedade é a moral da classe dominante. Nós que lutamos por derrocar a sociedade burguesa e construir a sociedade sem classes, lutamos e devemos desde já praticar a moral mais avançada e libertadora que nos arme nesta feroz luta de classes. A nossa moral é a moral proletária. Ao contrário da moral das classes exploradoras que ao longo da história nasce e se apoia na justificativa da exploração do homem pelo homem e nas variadas formas de opressão, a moral proletária nasce e se apoia no trabalho, no viver de seu próprio suor e na solidariedade de classe explorada e oprimida, empurrada à luta contra a exploração e opressão e condenada à vitória. A forma hipócrita com que a burguesia e outras classes reacionárias manifestam sua moral é somente consequência e agravante da essência de sua moral apodrecida. Portanto rechaçamos não somente sua hipocrisia, mas toda sua moral inevitavelmente promíscua. Como definem com menosprezo os fundadores do socialismo científico Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista: “Nossos burgueses não contentes em ter à sua disposição as mulheres e as filhas dos proletários, sem falar da prostituição oficial, têm singular prazer em cornearem-se uns aos outros.”

A prática revolucionária tem que corresponder ao propósito proclamado de transformação da realidade. Como não é possível qualquer revolução sem a participação da metade das classes trabalhadoras que são as mulheres, as organizações populares revolucionárias não podem negligenciar ou secundarizar a importância fundamental da participação feminina em suas fileiras e direções. Pelo contrário, devem estimular e mobilizar este contingente forte e numeroso do nosso povo, potencialmente revolucionário na proporção do ódio milenar contido contra toda essa carga de opressão que suportam. Por sofrerem ademais de sua condição de classe explorada uma opressão específica, enquanto sexo feminino, as mulheres têm também necessidade de organizações especiais, tanto para ajudá-las a participar plenamente no movimento revolucionário, expressando a importância e o peso de serem metade da população, quanto para assegurar a necessidade de se erradicar essa especial opressão, como condição ineludível para o triunfo completo da causa.

Condutas atrasadas, preconceituosas, reacionárias que se manifestam em nossas organizações são expressão da ideologia burguesa em nosso meio que exigem um processo de crítica e autocrítica severo e profundo. Avançar no processo revolucionário implica em nos revolucionar permanentemente, admitir nossas debilidades, vencer as concepções burguesas que permeiam e contaminam toda a sociedade, construindo na luta a mulher e o homem novos.

O Movimento Feminino Popular sempre se posicionou radicalmente contra todas as formas de opressão sobre o povo, especialmente a opressão da mulher, seja na forma mais explícita que é a violência física seja nas formas veladas, no ambiente familiar, no trabalho e no público. Estimulamos e praticamos a discussão aberta sobre todas as denúncias de violência sofridas pelas mulheres, particularmente por sabermos da necessidade de romper o silêncio das vítimas deste tipo de violência, silêncio este que é sintoma da opressão. Nós ativistas das organizações populares revolucionárias, mulheres e homens, temos de estar dispostos a cortar na própria carne, avaliando cada caso denunciado, pois sabemos que esta é uma luta de vida e morte entre a moral burguesa e a moral proletária.

As sucessivas denúncias de agressões machistas de integrantes da CCI/RECC-DF nos chamam a atenção para a necessidade de combater a falácia da propaganda de governos e do feminismo burguês de avanços na condição de igualdade das mulheres e para a necessidade de reconhecermos a opressão feminina, inclusive a violência sexual contra as mulheres, também no meio da juventude, neste caso a juventude universitária e sobre a necessidade de nossa intervenção para combater essas práticas inadmissíveis. É preciso reconhecer que o machismo é uma enfermidade que afeta toda a sociedade, a homens e mulheres e que nos homens ele só é sua manifestação mais aberta e brutal.

Cabe a nós mulheres o papel de vanguardear esta luta não bastando atacar os sintomas desta opressão, pois a libertação da mulher só é possível com a libertação de toda a classe, só é possível com a revolução que destrua as relações sociais de exploração e opressão. Esta é, portanto uma tarefa fundamental das organizações revolucionárias, democráticas e populares, que desde já têm de combater todas as práticas fundadas no machismo e todos os preconceitos, cabendo a nós decidir sobre acatar as denúncias e promover as punições necessárias segundo os critérios de nossa moral e de nossa luta. Precisamos fortalecer esta prática em nossas organizações para que cada dia menos mulheres necessitem usar de maneira desesperada, como única alternativa, as instituições policiais e judiciárias desse velho Estado opressor, reacionário e consequentemente machista.

O debate em torno destas denúncias tem mobilizado intensamente os estudantes em nossa universidade, mostrando o crescimento da disposição de luta contra toda forma de opressão. A postura de todas e todos nós têm de ser o reconhecimento da necessidade de superação destas práticas inaceitáveis, entendendo que os homens têm de fazer um esforço adicional para se policiarem e combaterem a tendência a serem instrumento consciente ou inconsciente desta opressão sobre a metade da classe, educando-se permanentemente como parte ativa na luta contra a opressão feminina.

Dirigimo-nos às companheiras e companheiros da CCI/RECC-DF: que entre todos tipos de ameaças que a reação exerce contra as organizações populares e revolucionárias está a de utilizar das mazelas que permeiem nossas fileiras como ponto de apoio para fomentar provocações, cizânias e desagregações. Porém mais grave para nossa luta é a passividade frente a existência destas mesmas mazelas. Nisto, o que ameaça os movimentos revolucionários não são as denúncias, nem possíveis exageros que possam existir nelas. O que nos ameaça é a forma como reagimos a estas denúncias, que muitas vezes expressa nossa resistência em reconhecer a existência destas condutas reacionárias e intoleráveis em nosso meio e, principalmente, a necessidade de lutarmos com humildade revolucionária por superá-las. E esta é uma luta de mulheres e homens. Nossa expectativa é de que os companheiros da CCI/RECC-DF expressem na prática a autocrítica a estas condutas condenáveis como declarado em sua nota “Nem machismo, nem calúnias!” (Disponível em: https://lutafob.wordpress.com/2014/09/05/recc-df-nem-machismo-nem-calunias-2/comment-page-1/).

Nossa posição e crítica não trata de forma alguma de fazer coro com o feminismo burguês que coloca a questão de gênero como critério absoluto para a “união de todas as mulheres”. A via classista do movimento feminino rejeita a opressão de todo o povo e destaca a opressão sexual das mulheres como uma das contradições mais importantes que cobram solução na luta revolucionária contra o imperialismo, a grande burguesia e o latifúndio na perspectiva da construção do socialismo e do comunismo.

Diante deste debate e luta não podemos deixar que esta situação contribua para um abatimento moral e político, frustrando nossa militância e retrocedendo a construção de nosso Centro Acadêmico. Fazemos um chamado a todas/os companheiras/os para nos mantermos altivas/os e fortalecidas/os nesse momento, seguindo na luta ideológico-política permanente, por acreditarmos que é plenamente possível construirmos juntas/os, mulheres e homens, a luta revolucionária por uma sociedade emancipada, livre de todas as opressões, onde as mulheres terão autonomia sobre seus corpos e suas vidas.

               

DESPERTAR A FÚRIA REVOLUCIONÁRIA DA MULHER! 

 

Movimento Feminino Popular – MFP


Movimento Estudantil Popular Revolucionário - MEPR

 

 

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