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Viva os 117 anos do Presidente Mao

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Discurso_de_proclamao_da_Repblica_Popular_da_China Como prometemos na última atualização, quando da homenagem ao aniversário do camarada Stalin, celebramos agora os 117 anos de nascimento do Presidente Mao Tsetung, que cumprir-se-ão no próximo dia 26 de dezembro.

Publicamos parte de uma obra, “A Grande Marcha”, que contém depoimentos de veteranos combatentes do Exército Vermelho e militantes do Partido Comunista da China que participaram desse grandioso episódio histórico, que marcou indelevelmente a revolução chinesa e mundial, e revelou ante ao mundo a firmeza e caráter inquebrantável do Partido e sua chefatura: o Presidente Mao.

A Grande Marcha foi sem dúvida uma das maiores epopéias que tem visto a Humanidade. Iniciada em outubro de 1934, percorreu 25.000 li, ou 12.500 km. No seu transcurso o Exército Vermelho de Operários e Camponeses venceu 18 cadeias de altas montanhas, cinco delas cobertas de neve; atravessou 24 grandes rios profundos e tormentosos; doze províncias localizadas em regiões inóspitas, nas quais ocupou temporariamente 62 cidades, chegando a Shensi do Norte em outubro de 1935.

Mais do que um feito heróico, ao seu término o Comitê Central do Partido Comunista da China, fazendo um balanço rigoroso de todo o período anterior, e dos erros cometidos quando do enfrentamento à quinta campanha de cerco e aniquilamento desprendida pelo Kuomintang, estabeleceu uma nova e sólida orientação ideológica e política, firmemente traçada pelo Presidente Mao Tsetung, estabeleceu suas imbatíveis bases de apoio e arrancou pela senda da tomada do poder em todo o país, completada após um longo período de guerra antijaponesa e, posteriormente, nova guerra civil contra o Kuomintang.

Esperamos que a publicação desse texto seja de grande utilidade para a juventude interessada em estudar a história gloriosa da revolução proletária, armando a todos da certeza de que não há inimigo ou ferocidade capaz de vencer as massas populares, quando estas estão guiadas pela poderosa e invicta ideologia do proletariado e o Partido Comunista que a encarna e aplica com justeza.


A Grande Marcha

Recordações

Uma visão retrospectiva

Liu Po-cheng

Nos dois anos que vão de outubro de 1934 a mesmo mês de 1936, o Exército Vermelho de Operários e Camponeses da China, partindo de suas bases de apoio na província [estado] de Kiangsí, realizou uma marcha de 25.000 li [12.500 km], que assombrou o mundo inteiro. Durante esta marcha capturou numerosos pontos estratégicos defendidos pelo inimigo, repeliu às numerosas tropas que o perseguiam ou interceptava seu avanço, forçou a passagem de rios de correntes impetuosas, cruzou montanhas nevadas que se erguiam até alcançar as nuvens e atravessou pântanos jamais pisados pelo ser humano. Com seu maravilhoso heroísmo e espírito de luta árdua, demonstrou cabalmente a incomparável tenacidade e vitalidade do movimento comunista e a irresistível força de combate do exército dirigido pelo Partido Comunista.

Porém por que razão foi necessário efetuar a Grande Marcha? Por que o Exército Vermelho pôde cumprir exitosamente esta grandiosa façanha? Dela se pode tirar muitas experiências e lições.

I

Chu-Te_um_dos_principais_comandantes_do_Exercito_VermelhoDesde a IV Sessão Plenária do VI Comitê Central do Partido Comunista da China em janeiro de 1931, começou a dominação sobre o Partido da terceira linha oportunista de “esquerda” representada por Wang Ming, durante o período da Revolução Agrária (1927-1937). O Congresso do Partido da base de apoio central celebrado em novembro de 1931 e a Reunião de Ningtu em outubro de 1932, baseando-se no errôneo programa de dita sessão plenária, taxaram a correta linha do camarada Mao Tsetung de “linha de camponeses ricos” e de “gravíssimo erro de oportunismo direitista de sempre” e mudaram a acertada direção partidária e militar na referida base de apoio. A coomeços de 1933, o comitê central provisório se transferiu para a base de apoio central em função de seu trabalho realizado nas regiões controladas pelo Kuomitang havia sofrido sérias perdas sob direção da linha errônea. Como resultado disto, a linha errônea foi aplicada mais todavia na base de apoio central e nas vizinhas.

Confundindo as tarefas das duas etapas históricas – a revolução democrática e a revolução socialista – e sem fazer distinção entre ambas, a linha “esquerdista” tratou, na forma subjetivista e precipitada, de saltar a revolução democrática; subestimou o papel decisivo que desenpenhava a luta antifeudal do campesinato na revolução chinesa, e advougou por combater à burguesia em seu conjunto e inclusive a camada superior da pequena-burguesia. A terceira linha “esquerdista” foi ainda mais longe ao pôr num mesmo plano a luta contra a burguesia e a luta anti-imperialista e antifeudal, negou por completo as importantes mudanças políticas produzidas dentro do país pela agressão japonesa e considerou, em troca, como “o inimigo mais perigoso” os grupos intermediários que se encontravam em contradição com a reacionária dominação do Kuomitang e que haviam entrado em ação ativa. Sem entender as características da sociedade chinesa semicolonial e semifeudal, nem a revolução democrática burguesa chinesa que era em essência uma revolução camponesa, nem o desenvolvimento desequilibrado, a tortuosidade e o caráter prolongado da revolução chinesa, menosprezou a importância da luta militar, particularmente da guerra de guerrilhas camponesas e as bases de apoio rurais, e exigiu injustamente do Exército Vermelho que tomasse cidades chaves.

No entanto, graças à profunda influência dos corretos princípios estratégicos do camarada Mao Tsetung, o Exército Vermelho saiu vitorioso na operação da primavera de 1933 contra a quarta campanha de “cerco e aniquilamento” do Kuomitang, antes de que a linha errônea do comitê central provisório fosse levada totalmente à prática no exército. Porém na operação contra a quinta campanha de “cerco e aniquilamento”, que se iniciou a fins de 1933, a linha militar extremamente errônea havia alcançado já o domínio completo. A V Sessão Plenária do VI Comitê Central do Partido reunida em janeiro de 1934 marcou o ponto culminante do desenvolvimento da terceira linha “esquerdista”, cujos expoentes estimavam, de maneira equivocada, que “a crise revolucionária chinesa chegou a uma nova etapa de agudização: existe no país uma situação revolucionária imediata”, e que a luta contra a quinta campanha de “cerco e aniquilamento” “é uma luta por conquistar a vitória total da revolução chinesa”. A terceira linha “esquerdista” formou um sistema integral também no militar. No referente à questão da construção do exército, reduziu as três tarefas do Exército Vermelho – de combater, realizar trabalho entre as massas e produzir – a uma só, a de combater, preconizou a regularização indevida do exército e combateu contra seu justo caráter guerrilheiro e móvel de então, tachando-o de “guerrilheirismo”, além de dar azas ao formalismo no trabalho político. Quanto às questões das operações, negou a premissa de que o inimigo era forte e nós éramos débeis; advogou pela guerra de posições e pela suposta “guerra regular” que se apoiava unicamente nas forças principais; propugnou uma guerra de rápida decisão no estratégico e operações prolongadas nas campanhas; exigiu “atacar em toda frente” e “golpear com os dois punhos em duas direções ao mesmo tempo”; opôs-se a atrair o inimigo para que penetrasse profundamente em nosso campo e considerou o necessário deslocamento de nosso exército como “tendência para a retirada e a fuga”; pronunciou-se por uma linha fixa de operações e um comando militar absolutamente centralizado e coisas do tipo. Em resumo, recusou a guerra de guerrilhas e a guerra de movimentos com caráter guerrilheiro e não compreendeu a guerra popular.

Ao iniciar a operação contra a quinta campanha de “cerco e aniquilamento”, os oportunistas de “esquerda” optaram pelo aventureirismo no ataque. Tomando como fundamento a acidental vitória no encontro de Sunkou, deslocaram tropas na região inimiga para pôr em prática o errôneo princípio de “deter o inimigo do outro lado da porta do Estado”.

Foi então quando ocorreu o Incidente de Fukien1 e o inimigo se viu obrigado a transferir suas tropas para o leste. Se tivéssemos sabido aliar-nos com as forças da oposição a Chiang kai-shek e de resistência ao Japão, para juntos fazer frente aos reacionários chiangkaishequistas, isto teria contribuído enormemente a apoiar as crescentes demandas no país por combater a invasão japonesa e implantar a democracia, e, ao mesmo tempo, militarmente estaríamos em plena condição de aproveitar a oportunidade para pôr fora de combate uma parte das tropas do inimigo e destroçar a quinta campanha de “cerco e aniquilamento”. Os oportunistas de “esquerda”, não obstante, consideraram terminantemente como “o inimigo mais perigoso da revolução chinesa” aos grupos intermediários e deixaram escapar a ocasião. Depois de derrubar o governo popular instaurado em Fukien, o inimigo pôde retornar cômodamente para se lançar de novo contra nossas bases de apoio.

A batalha de Kuangchang, na província [estado] de Kiangsi, causou grandes perdas ao Exército Vermelho. Daí em diante os oportunistas de “esquerda” praticaram o conservadorismo na defesa. Propugnaram a divisão das forças para defender vários lugares ao mesmo tempo. Isto jogou o Exército Vermelho em completa passividade. Quando resistia num ponto, o inimigo atacava noutro. O Exército Vermelho se encontrava em demasiados apertos para se arrumar. Foram diminuindo seu número e o território que ocupava.

Por último, os oportunistas de “esquerda” recorreram ao fugidismo rechaçando a correta proposição do Presidente Mao sobre a transferência das forças principais do Exército Vermelho para as linhas exteriores a fim de aniquilar o inimigo e defender e ampliar nossas bases de apoio. Em outubro de 1934, decidiram de repente que se abandonasse a base de apoio central. O Exército Vermelho começou a deslocar-se precipitadamente sem que se explicasse de antemão a razão aos quadros e às massas nem sequer fizeram os preparativos necessários para passar da guerra de posições à guerra de movimentos, para mudar a estratégia de apoiar-se na base de apoio pela de atuar sem ela e para travar combates durante uma longa marcha.

II

O erro de fugidismo cometido pela linha “esquerdista” nas operações militares seguiu inflingindo graves perdas no Exército Vermelho durante o período inicial da Grande Marcha. Desde que partira da base de apoio central, por muito tempo, o V Grupo de Exércitos do Exército Vermelho Central marchou na retaguarda para cobrir todas as tropas e o contingente de transporte de provisões em seu deslocamento para o oeste ao longo da fronteira do Kuantung-Kuangsi-Hunan. Apinhados, nossos 80.000 homens avançavam lentamente pelos estreitos caminhos montanheses. Com freqüência atravessavam só um monte por noite e ao final se sentiam muito fatigados. Por muito que se esforçaram, não lograram livrar-se da perseguição do inimigo, que se movia rapidamente pelos caminhos largos.

Quando nosso exército após árduos combates rompeu três linhas de bloqueio levantadas pelo inimigo, Chiang kai-shek não tardou em enviar 400.000 soldados para que, divididos em três colunas, interceptara-o e perseguira-o, com a intenção de aniquilá-lo junto ao rio Siangchiang, na fronteira de Hunan-Kuangsi.

Enfrentada sem remédio à numerosa força inimiga, a direção “esquerdista” não fez mais que ordenar combates temerários, tratando de romper o cerco e cifrando sua esperança numa possível reunião com os II e VI Grupos de Exércitos. Durante a encarniçada batalha à margem leste do rio Siangchiang ao sul de Chuansien (hoje Chuanchou), nordeste da província [estado] de Kuangsi, que durou toda uma semana, empregaram-se grandes forças para cobrir pelos flancos o avanço do exército formando para ele uma espécie de corredor. Ainda que nosso exército abriu uma brecha na quarta linha de bloqueio inimigo e logrou cruzar o rio, pagou muito caro, perdendo mais da metade de seus efetivos.

Em vista dos repetidos reveses sofridos desde o início da operação contra a quinta campanha de “cerco de aniquilamento” e da situação quase desesperada em que se encontravam, os quadros fizeram uma comparação com o que se passou antes da operação contra a quarta campanha de “cerco e aniquilamento”. Gradualmente se deram conta de que a atual província [estado] de coisas era resultado do rechaço à linha correta representada pelo camarada Mao Tsetung e da aplicação de uma linha errônea. Nas tropas surgiram em forma notória o ceticismo, o descontentamento e a ativa exigência de troca de direção. Este ressentimento foi crescendo foi crescendo com os reveses de nosso exército e chegou a seu apogeu durante a batalha ao longo do rio Siangchiang.

Entretanto, trabalhando em apoio ao Exército Vermelho Central, os II e VI Grupos de Exércitos lançaram poderosas ofensivas na fronteira do Sechuán-Kuichou-Hunam. Com vistas a impedir que as unidades do Exército Vermelho reunissem suas forças, Chiang Kai-shek enviou uma numerosa tropa para deter seu avanço, interceptando-os e perseguindo-os. Se não tivessem abandonado o plano original, teriam tido que travar uma batalha decisiva contra uma força inimiga quatro ou cinco vezes superior. E como a capacidade combativa de nosso exército estava mais debilitada que nunca, obviamente resultaria exterminado se continuasse adotando a burra tática de lançar-se em combates frontais com um inimigo que se encontrava em superioridade.

Precisamente neste momento crítico, o Presidente Mao salvou o Exército Vermelho. Propugnou em forma enérgica para que se abandonasse a idéia de reunir as forças do Exército Vermelho Central com as dos II e VI Grupos de Exércitos e se avançasse sobre a província [estado] de Kuichou donde o inimigo era débil, com o propósito de conquistar a iniciativa e ganhar alguns combatentes, de modo que as tropas pudessem descansar e consolidar-se. Esta proposição foi aprovada pela maioria dos camaradas. Então, nosso exército, depois de tomar em dezembro a cidade de Tungtao, na fronteira sul-ocidental da província [estado] de Hunán, entrou de imediato em Kuichou e capturou de um só golpe Liping, sudeste desta última província [estado]. Se não fosse pela resoluta insistência do Presidente Mao em mudar de tática, os 30.000 integrantes do Exército Vermelho que restaram não teriam tido outro fim que sua destruição total.

Numa reunião do Birô Político do Comitê Central do Partido realizada em Liping decidiu-se que o Exército Vermelha continuaria em Kuichou, pronvíncia [estado] em que a força inimiga era débil. Uma vez reorganizado, o exército saiu de Liping, forçou a passagem do rio Wuchiang em janeiro de 1935 e tomou a cidade de Tsuny, norte de Kuichou. A marcha e os combates eram tão intensos como antes, porém, graças à sábia proposição do Presidente Mao, as batalhas transcorriam sem tropeços e a moral das tropas se elevava gradualmente.

O exército teve 12 dias de descanso e consolidação em Tsuny. Enquanto isto, o Comitê Central do Partido realizou uma reunião ampliada de seu Birô Político.

III

O_Presidente_Mao_Tsetung_durante_a_Longa_Marcha A Reunião de Tsunyi centrou seus esforços em corrigir o erro militar e orgânico que desempenhava um fator decisivo naquele tempo. Os dirigentes da linha “esquerdista” haviam tratado de substituir a guerra de guerrilhas e de movimentos pela de posições, a guerra popular pelo que eles chamavam de guerra “regular”. Esta linha militar errônea decidiu a derrota da operação contra a quinta campanha de “cerco e aniquilamento” e deu lugar às sérias perdas sofridas pelo Exército Vermelho no período inicial da Grande Marcha.

A Reunião de Tsunyi acabou com a dominação da linha “esquerdista” no Comitê Central do Partido e deu origem a uma nova direção encabeçada pelo camarada Mao Tsetung, salvando o Partido e o Exército Vermelho na conjuntura mais crítica. Foi uma viragem de imensa significação histórica, graças a qual nosso Partido coroou com êxito a Grande Marcha, conservou e temperou com aço a força vertebral do Partido e do Exército Vermelho nas dificílimas condições da mesma, frustrou a posição derrotista de Chang Kuo-tao2 e seus complôs endereçados a cindir o Partido. O Exército Vermelho chegou vitoriosamente ao Norte do Shensi, o qual fomentou a criação da frente única nacional antijaponesa e acelerou o auge da resistência contra o Japão.

Todo o exército se sentiu animado ao conhecer as decisões da Reunião de Tsuny, como se tivesse visto a luz do sol dissipando a neve. O ceticismo e o descontentamento se esfumaçaram por completo. As tropas recobraram sua energia ao cabo de algo mais de dez dias de descanso e consolidação e após uma reorganização começaram a transferir-se para o norte.

Nessa época, o II e VI Grupos de Exércitos haviam desenvolvido bastante suas forças na região fronteiriça de Hunan-Hupei-Shechuan-Kuichou, porém não puderam estabelecer contato com o Exército Vermelho Central porque o inimigo já havia se estacionado na frente de Chichiang, oeste de Hunan. O Exército da IV Frente, por sua vez, desbaratou na base de apoio de Sechuán-Shensi um ataque convergente lançado desde seis direções pelos caudilhos militares Sechuáneses. Quando o Exército Vermelho Central, passando por Tungsi e Sichuí ao norte de Tsuny, dirigiu-se a oeste, cruzou o rio Chisuí e dobrou para o norte, o inimigo se alarmou extremamente.

Os caudilhos militares de Sechuán se apressaram a enviar soldados para defender a região limítrofe entre as províncias [estados] de Sechuán e Kuichou, dando ordens à sua divisão modelo (sob o mando de Kuo Sun-chi) para que patrulhassem diversos lugares e para bloquear a passagem do rio Yantzé, com a intenção de impedir-lhe de atravessar o rio e marchar para o norte para reunir-se com o Exército da IV Frente. Quando chegou a Weisin, no nordeste da província [estado] de Yunan, uma coluna do inimigo sob o mando de Chou Jan-yuan e Wu Chi-wei veio desde Hunan. Não podendo aniquilar a divisão de Kuo Sün-chi na batalha de Tucheng e tendo enfrentado a uma numerosa tropa de reforço, abandonou o plano de cruzar o Yantzé para ir para o norte. Apartando-se de repente do inimigo lançou-se para o leste, voltou a passar o rio Chishui, a ocupar de novo Tungsi, Loushan-kuan e Tsuny deixando fora de combate duas divisões de um caudilho militar de Kuichou. No entando, a coluna de Hunan alcançou-lhe e travou-se com ele um renhido combate. Chovia a cântaros e os caminhos nas montanhas eram escorregadios. Nosso III Grupo de Exércitos e regimento de quadros lutaram repetidas vezes com o inimigo por tomar um ponto de controle no monte Laoya. Nosso I Grupo de Exércitos, ao amparo da escuridão penetrou pela encosta oeste no campo do inimigo. Os toques de cornetas retumbaram por todo o monte. Atacadas pela frente e por traz, as tropas do inimigo fugiram esbaforidas e em debandada para o sul. Nosso Exército as perseguiu até o rio Wu-chiang, donde pôs fora de combate mais de uma divisão de soldados. Parte dos remanescentes das tropas inimigas conseguiu cruzar o rio e desmantelou a ponte flutuante a fim de conter nossa perseguição. A parte restante, que não alcançou a outra margem do rio, foi liquidada por inteiro. Esta foi a primeira grande vitória obtida desde o início da Grande Marcha.

Após a Reunião de Tsuny, nosso exército operava ao contrário que antes, como se estivesse dotado de uma nova vida. Seguindo uma trajetória tortuosa, movia-se entre as unidades do inimigo. Aparecia no oeste quando o inimigo estimava que marchava para o leste, e quando o inimigo acreditava que se afastava em direção do norte depois de cruzar um rio, voltava para atacá-lo. Mantendo sempre a iniciativa, nosso exército atuava vigorosamente, submetendo o inimigo à sua vontade. A cada movimento seu, o inimigo se via compelido a mudar sua ordem de batalha, o que lhe permitia descansar tranquilamente, mobilizar as massas e engrossar suas fileiras. Quando o inimigo terminava de deslocar pela enésima vez suas forças, nosso exército se mostrava noutro lugar: desorientado, recebia golpes a cada passo e se esgotava correndo de um lado para outro. Contrastando esta situação com a que havia prevalecido sob a dominação da linha “esquerdista”, os mandos e combatentes de todo o exército chegaram a compreender mais profundamente que a correta linha do Presidente Mao e sua arte militar marxista altamente desenvolvida eram a única garantia da invencibilidade do Exército Vermelho.

Na região de Tsuny, o Exército Vermelho buscou em várias ocasiões combate com o inimigo, porém este se manteve cautelosamente na defensiva. Em março saiu de Tsuny rumo ao oeste, tomou Yenjuai, atravessou pela terceira vez o rio Chishuí desde Maotai e voltou a entrar no sul de Sechuán. Acreditando que se dirigia para o norte para cruzar o Yangtsé, o inimigo, muito assustado, apressou-se a construir grande quantidade de fortificações na fronteira entre as províncias [estados] de Sechuán, Kuichou e Yunán, com a tentativa de bloqueá-lo, cercá-lo e aniquilá-lo. Porém este virou de súbito retornando do sul do Sechuán a Kuichou e cruzou o rio Chishuí pela quarta vez nas imediações de Maotai. Deixando ali um pequeno destacamento para imobilizar o inimigo, o resto do exército se transferiu velozmente para o sul, atravessou o rio Wuchiang e se lançou sobre Kuiyang, além de evitar ao leste para de sua força para que atacasse a Wengan y Juang-ping.

Nesse momento o próprio Chiang Kai-shek esteve em Kuiyang para dirigir a guerra. Chamou com precipitação em seu socorro as tropas dos caudilhos militares de Yunán e ordenou às unidades sob o mando de Süe Yue e as de Hunan que defenderam a Yuching e Shichien na parte leste de Kuichou, com o propósito de evitar que nosso exército marchasse para o leste e juntasse suas forças com as do II e VI Grupos de Exércitos. Ao planejar as operações de nosso exército, o Presidente Mao disse: “Se conseguirmos fazer as tropas de Yunán, ganharemos a vitória.” Com efeito, o inimigo atuou totalmente de acordo com o que planejava o Presidente Mao. Então, nosso I Grupo de Exércitos assediou Lungli, ao sudeste de Kuiyang, fingindo uma ofensiva para confundir o inimigo, enquanto que o resto das forças principais cruzou a estrada Hunan-Kuichou e se encaminhou diretamente a Yunán, em direção contrária à que seguiam as tropas yunanesas que acudiam em socorro do inimigo em Kuiyang. Uma vez mais, o Presidente Mao aplicou exitosamente a ágil tática de ameaçar no leste para atacar pelo oeste, “fazendo-se presente” no leste de Kuiyang para desorientar o inimigo, de modo que o Exército Vermelho explorasse a oportunidade para afastar-se com rapidez para o oeste.

Depois de cruzar a estrada apartando-se do inimigo, nosso exército avançou a marchas forçadas, fazendo 120 li [60 km] por dia. Durante sua marcha capturou uma após outra cabeceiras distritais de Tingfam (hoje Huishuí), Kuangshu e Singyi, na parte sudoeste de Kuichou e atravessou o rio Peipan. Ao fim de abril se dividiu em três colunas para entrar no leste de Yunán. Uma coluna, o IX Grupo de Exército, que era um destacamento de reserva deixado ao norte do rio Wuchiang para conter o inimigo, ao desbaratar a perseguição convergente de cinco regimentos, entrou em Yunán e capturou Süanwei, passou por Hitse e cruzou o rio Areias Douradas. As outras duas colunas, que eram as forças principais do Exército Vermelho, aproximaram-se a Kunming depois de tomar Chanyi, Malung, Süntien e Sungming. Como as forças principais das tropas de Yunán haviam sido enviadas em sua totalidade ao leste, a retaguarda inimiga ficou sem defesa. Presa de pânico pela entrada do nosso exército em Yunán, Lung Yun, caudilho militar dessa província [estado], congregou precipitadamente as unidades milicianas de diversas localidades em Kunming, para que defendessem essa cidade. Entretanto, com uma simulação de ataque, nosso exército mudou de rumo e se dirigiu para o noroeste em direção ao rio Areias Douradas.

Este rio, largo e impetuoso, que corre entre altas montanhas e estreitos vales na fronteira de Sechuán-Yunán, encontra-se num terreno de difícil acesso. Se nosso exército não conseguisse cruzá-lo para seguir seu caminho para o norte, correria o risco de ser aniquilado nos profundos vales. Ao que parece, Chiang Kai-shek o havia descoberto nesse momento, pois diariamente enviava aviões de reconhecimento. As três colunas avançaram de noite, pelas vias paralelas e a toda pressa, para o Areias Douradas. O I Grupo de Exércitos foi tomar a passagem de Lungchie; o III Grupo de Exércitos, a passagem de Hungmentu; e oregimento de quadros, a passagem de Chiaoping. O V Grupo de Exércitos as seguia na retaguarda para cobri-las.

O regimento de quadros obteve êxito na travessia furtiva do rio. Atacou e aniquilou a um pelotão das tropas de Sechuán e destacou de imediato uma parte de sua força para controlar ambas as margens da passagem de Chiaoping e após uma busca conseguiu sete pequenos barcos. A força principal de dito regimento, entretanto, chegou rapidamente, por um profundo vale na ribeira norte, a uma meseta a várias dezenas de li (0,5 km) de distância, donde derrotou os reforços inimigos de Sechuán. Quanto a Hungmentu, foi impossível cruzar o rio por ali já que a correnteza era demasiado torrencial. Tampouco convinha fazer o cruzamento pela passagem de Lungchie donde o rio era demasiado largo e estava exposto aos fustigamentos da aviação inimiga. Portanto, o I e III Grupos de Exércitos, cobertos por uma divisão do V Grupo de Exércitos, concentraram-se em Chiaoping para atravessar o Areias Douradas.

Três dias mais tarde, cerca de 6 regimentos da 13ª Divisão, uma força de choque do inimigo, chegou a perseguir nossos exércitos. Porém, tomados desprevenidos por um ataque do V Grupo de Exércitos, retiraram-se ao longo do rio. Chiang Kai-shek havia se dado conta das novas mudanças em nossa tática e convocou em Kuiyang uma reunião na que se estudaram os traços peculiares das recentes operações de nosso exército e se estabeleceu a tática de “perseguição longa e combate seguro” para evitar que suas unidades fossem aniquiladas. Agora bem, estando muito separada de suas tropas principais e sem saber que íamos fazer, a 13ª Divisão se entrincheirou em Tuanchie e não se atrevia a mover-se à ligeira. Ao cabo de 9 dias com suas noites, todo nosso exército havia cruzado o rio pela passagem de Chiaoping. Quando o grosso das tropas inimigas chegou, as embarcações haviam sido queimadas e o Exército Vermelho já estava longe.

Dali em diante o Exército Vermelho se libertou das manobras inimigas e ganhou uma vitória decisiva em seu deslocamento estratégico. Após cinco dias de descanso em Huili, sudoeste de Sechuán, continuou em direção ao norte. Passando Sichang e Luku, entrou na zona donde vivem em densas comunidades os compatriotas da nacionalidade os compatriotas da nacionalidade Yi. Prosseguindo firmemente com a política formulada pelo Presidente Mao, nosso Exército travou amizade com os chefes do clã Kchi, neutralizou o clã Laowu, e, pelo que faz o clã Luojung, que o fustigava com frequência instigado por agentes secretos de Chiang Kai-shek, explicou-lhe reiteradamente seu objetivo de ajudar às minorias nacionais a conquistar a emancipação. Assim foi como, graças à política nacional do Partido, cruzou sem maiores dificuldades pela região dos Yi subindo pela passagem de Anshunchang.

Situado à margem sul do rio Tatu, Anshunchang havia sido o cenário donde Shi Ta-kai do Reino Celestial Taipingch3 e suas tropas sofreram a derrota final ao fracassar no cruzamento do rio para dirigir-se ao norte. Ao entrar neste profundo vale, de 40 li [20 km] de largura e flanqueado por altas montanhas, um exército tem sua margem de operação reduzida e poucas possibilidades de deslocar-se e pode ser aniquilado facilmente por um inimigo emboscado. Por isto os caudilhos militares de Sechuán afirmavam que ao Exército Vermelho lhe esperava a mesma sorte que a de Shi Ta-kai. Em Anshunchang, estava acantonado um batalhão dos caudilhos, com uma pequena embarcação para o transporte enquanto as demais permaneciam na margem norte. Ao cercar as tropas sechuanesas em Anshunchang na margem sul, nosso exército se encontrou com uma única embarcação. Então se organizou um grupo de choque para atravessar o rio. Assim que os 17 valentes, que conformavam o grupo, alcançaram a outra margem, derrotaram o inimigo e ocuparam a passagem, os seguiram sucessivamente os homens da 1ª divisão, os quais varreram com todos os soldados inimigos na margem norte e desbarataram em Hualinping uma brigada da força de reserva das tropas de Sechuán nessa margem. Logo, avançou rio acima para a ponte Luping paralelamente com a 2ª divisão que se encontrava na ribeira sul. A 2ª divisão foi a primeira em chegar ao destino. Seus combatentes forçaram o cruzamento do Tatu agarrando-se às correntes de ferro da ponte antes que o inimigo tivesse tempo para destruí-la completamente e se reuniram com a 1ª divisão.

Em junho de 1935, após o cruzamento do Tatu, o Exército Vermelho travou um combate em Hanyuan, donde desbaratou quatro regimentos dos caudilhos militares de Schuán. Assim que passou por Tienchuán, Lushan e Psoding, no oeste desta província [estado], atravessou a montanha Chiachin, o primeiro dos nevados no caminho da Grande Marcha, capturou Tawei e Maokung, noroeste de Sechuán, e reuniu vitoriosamente sua força com a do Exército da IV Frente.

IV

Presidente_Mao_aparece_na_foto_ao_lado_de_Chou-en-Lai_e_do_reporter_norte-americano_John_Roderick_em_Yenan Quando o Exército Vermelho Central fazia a Grande Marcha, o Exército da IV Frente na base de apoio de Sechuán-Shensi esmagou os ataques convergentes que desde seis direções o inimigo lançou sobre ela. Porém, Chang Kuo-tao, persistindo na linha fugidia de seu oportunismo de direita, abandonou esta base e, à cabeça de todas suas unidades, retirou-se para o oeste. Depois de cruzar os rios Chialing, Fuchiang e Minchiang, ditas unidades alcançaram a zona de Lifan (hoje Lisien) e Maokung, donde se reuniram com o Exército da I Frente.

Com respeito aos erros cometidos por Chang Kuo-Tao, o Presidente Mao sempre aderiu à política correta em relação com a luta dentro do Partido. Depois do encontro das forças, em Liangjekou teve lugar uma reunião do Birô Político do Comitê Central do Partido, a que decidiu continuar a marcha para o norte. O Presidente Mao conduziu o exército, ao fim de junho, para atravessar os montes nevados Mengpi, Changpan e Taku até chegar a Maoerkai, próximo de Sungpan. Chang Kuo-tao seguia aferrando-se à sua linha fugidia. Antes de que os Exércitos da I e IV Frentes juntassem suas forças, havia estabelecido um “governo federal do noroeste”, Com isto revelava que havia posto os olhos no noroeste, nas áreas de Sikang, Chingjai, o noroeste de Kansú e até Sinchiang. Obstinando-se em seu plano original, retrocedeu até as zonas habitadas por minorias nacionais no Sikang e Chingjai, fazendo caso omisso dos muitos telegramas do Comitê Central do Partido contra este procedimento.

Entretanto, o Presidente Mao ordenou às unidades preparar víveres para atravessar os pântanos. Permaneceu em Maoerkai por um mês inteiro, esperando com paciência uma mudança na atitude de Chang Kuo-tao. Nesse momento, os imperialistas japoneses intensificaram sua agressão contra China. Em menos de quatro anos a partir do Incidente do 18 de Setembro de 1931, invadiram e ocuparam as três provCíncias do nordeste da China e Yeje4, e logo diversas províncias [estados] do norte: quase a metade do território chinês! Já a em janeiro de 1933, o Partido Comunista da China havia publicado uma declaração, na qual expressou seu desejo de unir-se com os outros exércitos do país para combater juntos contra a agressão japonesa, na condição de que cessasse de atacar as bases de apoio revolucionárias e o Exército Vermelho, dessem liberdades e direitos ao povo e o armassem. Porém os reacionários kuomintanistas, fechando seus olhos frente ao perigo que ameaçava a própria existência da nação, renderam-se aos invasores japoneses e traíram a pátria. Ao mesmo tempo, enviavam continuamente tropas para realizar campanhas de “cerco e aniquilamento” contra o Exército Vermehgo, tratando em vão de liquidá-lo de tudo. Sua traição provocou suma indignação. Em contraste com isto, a opinião pública do país mostrou profunda simpatia pela firme e justa posição de nosso Partido e depositou nele a esperança de que assumisse a importante missão de resistir ao Japão. Fazia tempo que nosso Partido havia chamado a pôr fim à guerra civil e a unir-se para combater contra os invasores japoneses. Chamamento que recebeu o sincero apoio de todos os setores do povo e golpeou a reacionária política chiangkaishekista de persistir na contenda civil.

Pouco depois, o Birô Político do Comitê Central do Partido reuniu-se em Maoerkai e adotou resoluções sobre a situação política e as tarefas a cumprir após a reunião das forças dos Exércitos da I e IV Frentes. Além do que, decidiu que o Exército Vermelho marchasse para o norte em duas colunas. A coluna direita, dirigida pelo comitê Central e o Presidente Mao, abarcava o I e III Grupos de Exércitos do Exército da I Frente e o 4º e 30º corpos de exército do Exército da IV Frente. A coluna esquerda, encabeçada pelo comandante Chu Te e Chang Kuo-tao, estava composta pelos 9º e 31º corpos de exército do Exército da IV Frente, e pelo V e IX Grupos de Exércitos do Exército da I Frente.

A coluna direita cruzou os pântanos e avançou para Panyou, Pasi e Asi. Aniquilou uma das divisões sob o mando de Hu Tsung-nan em Chiuchisi, na margem do rio Paotsuo. A coluna esquerda partiu de Chuokechi e, através dos pântanos, dirigiu-se para Apa e Panyou. Chang Kuo-tao revelou em maior grau sua ambição pessoal de cindir o Partido. Telegrafou ao Comitê Central, pedindo que toda a coluna direita fosse para o sul. O Comitê Central lhe enviou várias mensagens assinalando que a única saída era marchar para o norte, com a esperança de corrigir seu erro de tentar ir para o sul. Logo, inclusive, ordenou-lhe severamente que continuasse o avanço para o norte. Chang Kuo-tao, não obstante, empenhou-se em sua linha errônea desafiando sem escrúpulos as instruções do Comitê Central.

Ainda que nestes momentos a coluna direita estivesse reduzida a só 7.000/ 8.000 homens, a determinação do Comitê Central de continuar a marcha para o norte foi inquebrantável. Em setembro, esta coluna saiu de Pasi, cruzou o rio Paotsuo, avançou ao longo do rio Pailung, ao sul da província [estado] de Kansu, percorreu caminhos sobre despenhadeiros e conquistou a barreira natural de Latsikou. Mais tarde, venceu a cordilheira Minshan, deixou para trás os montes nevados e os pântanos e chegou a Jatapu situado entre Minisien e Siku, ao sul de Kansú. O inimigo congregou apressadamente cerca de 300.000 soldados para interceptar o Exército Vermelho junto ao rio Weije. Nossas unidades, após dois dias de descanso em Jatapu, fingiram mover-se para Tienshul, atraindo para ali as forças principais do inimigo. Entretanto, a marcha forçada entre Wuchan e Changsien, cruzaram com êxito o cordão kuomitanguista ao longo do rio Weije e tomaram sucessivamente a Pangluo e Tungwei. Em outubro, atravessaram as zonas habitadas pelos jui e romperam as defesas inimigas entre Juining e Chinagning, ao leste de Kansú; e entre Pingliang e Kuyuan (hoje pertencente a Ningsia) desbarataram a perseguição de quatro regimentos de cavalaria do adversário, cruzaram o elevado monte Liupan dentro da região Kuyuan, passaram por Huansien e subiram para Wuchichen, na base de apoio revolucionária do norte da província [estado] de Shensi, donde se reuniram vitoriosamente com o XV Grupo de Exércitos que operava ali. Durante a batalha de Chiluochen, a terceira campanha de “cerco e aniquilamento” desatada por Chiang Kai-shek contra a região fronteiriça de Shensi-Knsú foi esmagada limpando de obstáculos o caminho para estabelecer no Noroeste da China o quartel-general nacional da revolução por parte do Partido Comunista da China.

Depois de sua chegada ao norte do Shensi, o Comitê Central do Partido convocou em Wayaopao, em dezembro de 1935, uma reunião de seu Birô Político. A reunião criticou o ponto de vista errôneo existente no Partido segundo o qual a burguesia nacional chinesa não podia ser uma aliada dos operários e dos camponeses chineses na resistência conjunta contra o Japão, e adotou a tática de estabelecer uma frente única nacional antijaponesa. Assinalou o caráter prolongado da revolução chinesa e criticou a atitude estreita de “portas fechadas” e o mal da precipitação com respeito à revolução, que existiram durante longo tempo no seio do Partido. Estes erros foram as causas fundamentais dos graves reveses sofridos pelo Partido e o Exército Vermelho durante o período da Segunda Guerra Civil Revolucionária. A Reunião de Tsuny, que aconteceu no curso da Grande Marcha do Exército Vermelho, não pôde tomar mais que resoluções sobre os problemas militares e organizativos mais urgentes nesse momento. Só depois da subida do Exército Vermelho ao norte do Shensi, o Comitê Central do Partido e o camarada Mao Tsetung puderam expor sistematicamente as questões concernentes às táticas políticas. A reunião de Wayaopao foi uma reunião de suma importância. Após ela, o camarada Mao Tsetung rendeu o informe intitulado “Sobre a tática da luta contra o imperialismo japonês”5. Este informe não só definiu a política do Partido naquele tempo e apresentou de forma sistematizada o problema de estabelecer a frente única nacional antijaponesa, senão que resumiu as experiências básicas obtidas na primeira e segunda guerras civis revolucionárias e formulou a linha fundamental do Partido para o período da revolução democrática.

V

Depois de romper abertamente com o Comitê Central do Partido, Chang kuo-tao conduziu de forma arbitrária a coluna esquerda e os dois corpos de exércitos da coluna direita subordinados originalmente ao Exército da IV Frente, a atravessar de novo os pântanos e montes nevados e retirar-se para Tienchüan e Lushan, na fronteira de Sechuán-Sikang, passando por Maoerkai, Maokung e Paosing. Quando chegou a Chuomutiao, deixou a descoberto todo seu desígnio maquiavélico entregando-se descaradamente a atividades de traição ao Partido; e anunciou a formação de um espúrio comitê central sob sua própria presidência. Ante esta situação, o comandante em chefe Chu Te perseverou na correta política do Presidente Mao relativa à luta no seio do Partido e manteve uma firme posição política de princípios. Chang Kuo-tao pediu-lhe publicar uma declaração contra o Comitê Central do Partido. Chu Te não só rechaçou, senão que explicou com paciência aos quadros a justa política do Comitê Central.

O Exército da IV Frente permaneceu três meses na região de Tienchüan e Lushan. Nestes momentos, uma parte do Exército Central do Kuomitang entrou em Sechuán e o atacou em coordenação com as unidades dos caudilhos militares desta província [estado]. Os combates cresceram em ferocidade e causaram graves perdas ao Exército da IV Frente. Porém Chang Kuo-tao seguia indeciso. Só quando um setor de sua linha defensiva foi rompida, viu-se obrigado a retirar-se a Tsofu, Lujuo, Chanjua, Lantsi e Tachinsi, nordeste de Sikang, tratando ainda de fugir em direção de Sining, província [estado] de Chingjai.

Entretanto, o Exército do II Frente que havia saído da base de apoio nas fronteiras de Hunán-Hupei-Sechuán-Kuichou, chegou a Kantsi, via Kuichou e Yunán, percorrendo uma longa distância e combatendo continua e arduamente, Chu Te, Yen Pi-shi, He Lung, Kuan Siang-ying e outros camaradas defenderam com firmeza a acertada linha do Comitê Central do Partido. Os quadros do Exército da IV Frente também chegaram a compreender pouco a pouco o errôneo que era ir ao sul e demandaram marchar para o norte para resistir aos invasores japoneses, de modo que o complô divisionista do renegado Chang Kuo-tao resultou totalmente frustrado. Foi forçado a dissolver seu espúrio comitê central e dirigir as unidades para o norte.

Partindo de Kansú, estas unidades passaram por Tungku, Apa e Paotsuo, tornaram a cruzar os montes nevados e os pântanos, subiram em agosto à parte sul de Kansú e tomaram a Jatapu, Tatsaotan e Lintan. Nesse tempo, o Comitê Central do Partido havia enviado aos camaradas Nie Yung-chen e Tsuo Chüan numa expedição ao oeste com o fim de preparar o caminho para a marcha ao norte dos Exércitos da II e IV Frentes. Também fez preparativos para uma batalha com as forças kuomitanguistas na área entre Chingning e Juining. Então os Exércitos da II e IV Frentes avançaram em duas colunas: o primeiro na coluna direita e o segundo, na esquerda. A coluna direita marchou para o leste tomando o caminho entre Sije e Wushan, conquistou sucessivamente Chengsien, Juisien, Kangsien e Liangtang, sudeste de Kansú e cercou e atacou a Fengsien, oeste de Shensi. Estas ações estavam destinadas a imobilizar as forças inimigas sob mando de Hu Tsung-nan. As unidades de Nie Yungchen e Tsuo Chüan, por sua parte, habiam cercado as tropas inimigas sob mando de Mao Ping-wen e Sü Ke-siang. Quando Nie Yung-chen e Tsuo Chüan advertiram a Chang Kuo-tao para que se lhes unisse a fim de aniquilar juntos as tropas kuomitaguista rodeadas, este se aferrou em seus erros fugidios. Sob pretexto de fazer preparativos para combates na zona de Minsien e Lintao, conduziu por sua própria conta a coluna esquerda a retirar-se para o oeste, rumo a Sining, província [estado] de Chingjai. Mais tarde, pelo descontentamento das tropas e a dificuldade de cruzar o rio Amarelo, não teve outra alternativa que voltar com elas.

Não obstante, Chang Kuo-tao não abandonou por isso sua ambição pessoal. No pretexto de cumprir o plano da batalha de Ningsia, mandou outra o Exército da IV Frente dirigir-se para o oeste para cruzar o rio Amarelo. Só uma parte do exército logrou fazer o cruzamento antes da chegada das tropas kuomitanguistas de Hu Tsung-nan, que se apoderaram da passagem. De acordo com o plano de Chang Kuo-tao, as unidades que haviam atravessado o rio marcharam para o oeste e foram rodeadas uma vez e outra pelas tropas do Kuomitang na região de Kanchou (hoje Changye) e Suchou (hoje Chiuchüan), oeste de Kansú. Mesmo tendo lançado heróicos contra-ataques, foram derrotadas finalmente.

Os erros de Chang Kuo-tao trouxeram sérias perdas para o Partido e para o Exército Vermelho. Só não causaram maiores danos à revolução porque depois da Reunião de Tsuny, a adequada direção do Comitê Central encabeçado pelo camarada Mao Tsetung, foi estabelecida em todo o Partido. A acertada direção do camarada Mao Tsetung jogou um papel decisivo para salvar o Exército da IV Frente da errônea linha de Chang Kuo-tao, conservar o Exército Vermelho de Operários e Camponeses da China ainda sob condições extremamente difíceis e assegurar a vitoriosa conclusão da Grande Marcha.

Em outubro de 1936, as três forças principais do Exército Vermelho: os Exércitos das I, II e IV Frentes, lograram por fim unirem-se em Juining. E em seguida travaram uma batalha em Shanchengpao, aniquilando uma divisão das tropas de Hu Tsung-nan e a Grande Marcha foi coroada com a vitória. Desde então, nosso exército, estreitando suas fileiras sob a acertada direção do omite Central encabeçado pelo camarada Mao Tsetung, embarcou-se na luta pela realização da política do Partido de formar a frente única nacional antiaponesa e por acelerar a chegada do auge da resistência contra o Japão.

Lançando uma mirada retrospectiva a todo o processo da Grande Marcha, vemos claramente que sua vitória foi lograda graças à completa retificação da linha errônea “esquerdista” e ao estabelecimento da direção da justa linha do camarada Mao Tsetung, graças à resoluta luta contra a linha oportunista de direita de Chang Kuo-tao e seu complô de cisão e à firme execução da apropriada proposta do camarada Mao Tsetung.

Vemos também que o pensamento estratégico revolucionário largamente provado do camarada Mao Tsetung, que integra o marxismo-leninismo com as condições concretas da China, é o único pensamento guia correto para a revolução chinesa. Só por ele, o Exército Vermelho logrou superar milagrosamente os numerosos rigores e dificuldades, completar a Grande Marcha e avançar para novas vitórias.

Com fatos fidedignos, a Grande Marcha declarou que os comunistas chineses armados com o pensamento Mao Tsetung são invencíveis.

1 Incidente de Fukien – Influenciados pelo apogeu antijaponês do povo chinês, Tsai Ting-kai, Chiang Kuang-nai e outros mandos do XIX Exército do Kuomitang, ao compreender que a luta contra o Exército Vermelho não tinha nenhuma perspectiva, romperam abertamente com Chiang Kai-shek em novembro de 1933, em união com o setor do Kuomitang encabeçado por Li Chi-shen e outros. Formaram em Fukien o “Governo Revolucionário Popular da República Chinesa” e concluíram com o Exército Vermelho um acordo para resistir ao Japão, porém sucumbiram sob os golpes das forças armadas de Chiang kai-shek. Desde então, Tsai Ting-kai e outros foram revolucionando para a cooperação com o Partido Comunista.

2 Renegado da revolução chinesa. Especulando com a revolução se filiou em sua juventude no Partido Comunista da China, dentro do qual cometeu uma multidão de erros e gravíssimos crimes. Seu crime mais notório o cometeu em 1935, quando se opôs à marcha do Exército Vermelho para o Norte, preconizou, numa atitude derrotista e liquidacionista, a retirada do Exército Vermelho para zonas de minorias nacionais situadas a sudoeste da China, e se entregou a abertas atividades traidoras contra o Partido e seu Comitê Central, formando um espúrio comitê central e solapando a unidade do Partido e do Exército Vermelho. De tal maneira, causou graves perdas ao Exército da IV Frente do Exército Vermelho. Entretanto, graças ao paciente trabalho de educação realizado pelo camarada Mao Tsetung e o Comitê Central do Partido, o Exército da IV Frente e seus numerosos quadros prontamente se colocaram novamente sob a justa direção do Comitê Central e desempenharam um papel glorioso nas lutas posteriores. Porém o próprio Chang Kuo-tao se tornou incorrigível: na primavera de 1938, fugiu completamente só da base de apoio revolucionária do Norte do Shensi e se incorporou nos serviços secretos do Kuomitang.

3 Guerra revolucionária camponesa que teve lugar a meados do século XIX, contra a dominação feudal e a opressão nacional da dinastia Ching. Em janeiro de 1851, Hung siu-shüan e outros dirigentes desta revolução organizaram um levantamento na aldeia de Chintien, distrito de Kuiping, província [estado] de Kuangsí e proclamaram o Reino Celestial Taiping. Em 1852, o exército camponês partiu do Kuangsí e, em 1853, depois de atravessar Hunan, Hupei, Kiangsi e Anjui, tomou Nankin. Uma parte de suas forças continuou para o norte e chegou até as imediações de Tientsin. Entretanto, o Exército Taiping não estabeleceu sólidas bases de apoio nos territórios que ocupava e seu grupo dirigente, depois de haver feito Nankin sua capital, cometeu muitos erros políticos e militares. Por esse motivo, o Exército Taiping não pôde resistir aos ataques conjuntos das tropas contrarrevolucionárias da dinastia Ching e os agressores ingleses, norte-americanos e franceses, e foi derrotado em 1864. Shi Ta-kai (1831-1863) foi um dos principais generais do Reino Celestial Taiping. Nos momentos críticos do Reino, por própria conta conduziu a seus mais de cem mil combatentes a separar-se das forças principais do Reino. Ele e suas tropas, combatendo isolados em diversos lugares, terminaram aniquilados por completo ao lado do rio Tatu, situado na província [estado] de Sechuán, em maio de 1863.

4 As três províncias [estados] do nordeste se referem às províncias [estados] Liaoning, Jilin e Jeifungchiang. A província [estado] de Yeje foi suprimida em 1955, cujo território se fundiu com as províncias [estados ] de Hopei e Liaoning e a região autônoma de Mongólia Interior.

5 Ver Obras Escolhidas de Mao Tsetung – Tomo I