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Guerra de Trombas e Formoso: Exemplo de Luta de Nosso Povo!

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Trombas_e_Formoso Dentre as várias e gloriosas lutas do povo brasileiro, uma das mais importantes da nossa época, a época do imperialismo, foi a chamada Revolta de Trombas e Formoso, que ficou conhecida como a “Guerrilha de Porfírio” e aconteceu na região onde é hoje o norte de Goiás. A luta camponesa da década de 50 tem sua história escondida, por ter sido a primeira assim dirigida pelo Partido Comunista do Brasil, marcando o encontro da luta camponesa com a ideologia proletária, em que os camponeses defenderam armados o seu direito à terra.

Formoso e Trombas eram pequenos arraiais da região próxima à atual fronteira de Goiás e Tocantins, onde na época os camponeses já viviam e trabalhavam, chegados anos antes do Nordeste. Com a construção da rodovia BR-153, aumenta a sanha dos latifundiários e grileiros de terra. É quando dois grileiros chamados José Martins e José Navarro, depois de comprarem juiz e advogados, armam uma farsa sob os olhos da justiça do latifúndio, alegando serem donos das terras, que na verdade mesmo legalmente eram devolutas, públicas, portanto de quem nelas trabalhasse e as requeresse. Foi quando as famílias começaram a resistir, ao verem oficiais de justiça e jagunços entrarem em suas casas para levar parte da colheita, um suposto arrendo, “meia” ou “terça”, por estarem pisando em propriedade que os grileiros diziam ser deles.

Inicialmente, Zé Porfírio em Trombas e também José Firmino em Formoso, tentaram manter as suas terras por meios legais, mas a violência dos “bate-paus”, jagunços, e da polícia a serviço dos grileiros era cada vez maior: destruíam as plantações, prendiam e torturavam camponeses, os obrigavam a comer fezes e sapos vivos (violência esta para a qual não perde em nada a atual repressão sobre os camponeses pobres, desencadeada pelo Estado burguês-latifundiário e serviçal do imperialismo). O Partido Comunista então trava conhecimento com José Firmino, e depois com José Porfírio, e começam a fazer um trabalho paciente de politização dos camponeses para a luta, ao mesmo tempo que se uniam a eles, até a criação de uma Associação dos posseiros, em que se organizaram as massas camponesas. Dessa associação, da qual participavam todas as famílias, surgiram outras, o chamado Conselho dos córregos, que tinha em cada região um conselho que era eleito por todos da área. Até mesmo um Quartel General Feminino, organizado por mulheres sob a direção de Dirce Machado, à época membro do Partido Comunista do Brasil. Dirce conta:

 

“— Nós pegamos em armas. Não houve enfrentamento porque os grileiros não entraram, mas se houvessem entrado, estaríamos preparadas.”

Dirce Machado Em um tempo de colheita, em que os jagunços iam tentar pegar parte da produção, foi que aconteceu o episódio do “Nego Carreiro”, que marcou o estopim para a luta. Nego Carreiro era um camponês inconformado com as injustiças feitas contra o seu povo e que atirava muito bem. Quando um dos grileiros, levando um sargento e jagunços, foi cobrar o “arrendo” e ele se recusou a entregar, o sargento sacou um revólver, mas o Nego Carreiro foi mais rápido. Pulou para o chão e pegou a “garruchinha”, um 38, acertando o sargento com um tiro na testa, além de ferir um outro soldado e fazer os outros fugirem.

O primeiro confronto, em que os camponeses defenderam as terras e expulsaram os jagunços e tropas policiais, ficou conhecido como Batalha de Tataíra. Em abril de 1954, um comboio tentou entrar em Trombas, mas foi uma tentativa frustrada: os camponeses se prepararam e fizeram um piquete na mata, na beira da estrada. Quando os jagunços chegaram foram recebidos a tiro, morrendo dois deles, e tiveram que fugir enquanto os camponeses já estavam longe. Porém, fizeram as mulheres e crianças no local de reféns e as usaram para se esconder das balas, como escudo humano. Dessa forma os jagunços e os reforços policiais foram expulsos levando a impressão de uma enorme força dos camponeses.

Depois disso, aumentou a preocupação com a politização e a preparação para os confrontos armados. Lia-se um texto do Presidente Mao Tsetung sobre a tática da guerra de guerrilhas, que dizia “O inimigo avança, nós recuamos, o inimigo imobiliza-se, nós flagelamos, o inimigo esgota-se, nós golpeamos, o inimigo retira-se, nós perseguimos.'

Então, com os camponeses mobilizados na Associação, travaram-se combates mais massivos até a conquista definitiva da terra, cuja posse era reconhecida pelo Estado, e formou-se um governo baseado nos conselhos dos córregos. Mas devido ao oportunismo da direção do Partido, que passou a vigorar a partir de 55 resultando numa política de alianças com Juscelino, e consolidado com a Declaração de março de 1958 do PCB, a luta foi interrompida. Mesmo assim a massa ficou organizada e só foi desarmada em 1964, depois do golpe dos militares.

A luta de Trombas e Formoso deixou numerosas lições, estando aqui apenas parte da história, para ser conhecida e ter eco nas escolas e universidades. Mas são lições de grande atualidade para o movimento camponês de hoje, em particular, e para a libertação de todo o povo brasileiro do imperialismo do latifúndio e da grande burguesia, em geral. Esse exemplo, do que podem conquistar as massas organizadas por uma direção proletária conseqüente, temos que levar a todos os estudantes que não têm direito a conhecer a verdadeira história do seu povo.

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DERRUBAR OS MUROS DA UNIVERSIDADE, SERVIR AO POVO NO CAMPO E NA CIDADE!

VIVA A REVOLUÇÃO AGRÁRIA!