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Presidente Mao discursa para a juventude

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Celebramos, nesse dia 26 de dezembro, o 118º aniversário de nascimento do grande chefe revolucionário proletário, o Presidente Mao Tsetung. Filho de camponeses do Hunan, desde cedo tomou à peito a sorte do seu povo e a luta pela libertação do seu país, participando como soldado da derrubada do imperador em 1911. “Fundador do Partido Comunista da China e do Exército Vermelho de operários e camponeses estabeleceu o caminho de cercar as cidades desde o campo, desenvolveu a guerra popular e com ela a teoria militar do proletariado. Teórico da Nova Democracia, fundou a República Popular; gestor do Grande Salto Adiante e impulsor do desenvolvimento do socialismo; guia da luta contra o revisionismo contemporâneo de Kruschev e seus sequazes, chefe e mando da Grande Revolução Cultural Proletária. Estes são fatos que marcam uma vida dedicada cabal e plenamente à revolução. Três gigantescos triunfos tem o proletariado neste século (se refere ao triunfo da Revolução de Outubro, em 1917; ao triunfo da Grande Revolução Chinesa, em 1949; e à Grande Revolução Cultural Proletária, no período 1966-1976 –nota do MEPR); dois correspondem ao Presidente Mao Tsetung e se um é glória suficiente, dois o são mais”. (“Sobre o Marxismo-Leninismo-Maoísmo” –Partido Comunista do Peru).

Reproduzimos abaixo discurso pronunciado pelo Presidente Mao em maio de 1939, durante celebração aos 20 anos do Movimento 4 de Maio realizada em Yenan. Neste discurso, voltado para a juventude, ademais de desenvolver suas idéias a respeito da revolução chinesa, Mao Tsetung expõe sobre o papel da juventude revolucionária na luta pela transformação radical da sociedade e a necessidade desta ligar-se profundamente com as massas populares para alcançar seus objetivos.

Acreditamos que o texto abaixo possui grande interesse para todos os estudantes revolucionários da atualidade.

Presidente_Mao_com_dezessete_anos

 

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Hoje se cumpre o XX aniversário do Movimento 4 de Maio, e a juventude de Yenan se tem congregado aqui para este mítin comemorativo. Quero aproveitar a ocasião para falar de algumas questões concernentes à orientação do movimento juvenil da China.

Primeiro. O 4 de Maio tem sido proclamado, com toda justiça, Dia da Juventude Chinesa[i]. Têm transcorrido vinte anos desde o Movimento 4 de Maio; não obstante, só este ano se tem designado esta data como Dia da Juventude para todo o país. Este é um fato por demais significativo, já que indica que a revolução democrática popular antiimperialista e antifeudal da China chegará logo a um ponto de viragem. Esta revolução tem experimentado repetidos fracassos no curso de várias décadas, porém agora tem de produzir-se uma viragem; já não se tratará de um novo fracasso, senão de uma viragem para a vitória. A revolução chinesa está avançando, avançando para a vitória. A situação do passado, com seus numerosos fracassos, não pode continuar, nem se deve permitir que continue; tem que transforma-la e passar dos fracassos à vitória. Porém, tem ocorrido já a mudança? Não. Não tem ocorrido, e não temos logrado ainda a vitória. Não obstante, a vitória pode ser ganha. Na Guerra de Resistência contra o Japão, nos esforçamos precisamente para alcançar o ponto de viragem que nos permita passar dos fracassos à vitória. O Movimento 4 de Maio esteve dirigido contra um governo vende-pátria, um governo que se confabulava com o imperialismo e traficava com os interesses da nação, um governo que oprimia o povo. Era ou não necessário combater um governo desse tipo? Se não houvesse sido, o Movimento 4 de Maio teria sido um erro. Resulta a todas as luzes óbvio que a um governo de tal índole tem de combate-lo; a um governo vende-pátria tem de derroca-lo. Vejamos. Muito antes do Movimento 4 de Maio, o Dr. Sun Yat-Sem foi já rebelde ao governo de então; se opôs ao governo da dinastia Ching e o derrocou. Tinha razão ao atuar assim? Em minha opinião, tinha toda razão, porque combatia a um governo que, em vez de resistir ao imperialismo, se conluia com ele, um governo que não era revolucionário, senão que reprimia a revolução. O Movimento 4 de Maio foi um movimento revolucionário justamente porque se opôs a um governo vende-pátria. Assim é como a juventude de toda a China deve considerar o Movimento 4 de Maio. Hoje, quando o povo inteiro se levanta heroicamente para resistir ao Japão, todos estamos decididos a derrotar, custe o que custe, o imperialismo japonês, e não deixaremos que surgem novos vende-pátrias nem permitiremos que a revolução volte a fracassar, pois temos aprendido a lição dos fracassos do passado. À exceção de um pequeno setor, a juventude chinesa tem despertado e está decidida a vencer; reflexo disso é a proclamação do 4 de Maio como Dia da Juventude. Marchamos pelo caminho da vitória, e sempre que o povo reúna seus esforços, a revolução chinesa triunfará na Guerra de Resistência.

Segundo. Contra quem se dirige a revolução chinesa? Quais são seus alvos? Como todo mundo sabe, um é o imperialismo, e o outro, o feudalismo. Quais são os alvos da revolução nesse momento? Um é o imperialismo japonês, e o outro, os colaboracionistas chineses. Para levar a cabo a revolução devemos derrocar o imperialismo japonês e os colaboracionistas. Quem faz a revolução? Qual é a força principal da revolução? O povo. As forças motrizes da revolução são o proletariado, o campesinato e os membros de outras classes que estejam dispostos a lutar contra o imperialismo e o feudalismo. Estas são as forças revolucionárias antiimperialistas e antifeudais. Porém, quais delas são as forças básicas, a espinha dorsal da revolução? Os operários e os camponeses, que constituem 90% da população. Qual é o caráter da revolução chinesa? Que revolução estamos realizando agora? Estamos levando a cabo uma revolução democrático-burguesa, e nada do que fazemos rebaixa esse marco. Ainda não é hora de eliminar a propriedade privada burguesa em geral; o que devemos destruir é o imperialismo e o feudalismo. Isto é o que chamamos revolução democrático-burguesa. Porém a burguesia já não é capaz de leva-la até o fim, e seu cumprimento será possível só com os esforços do proletariado e das amplas massas populares. Qual é o objetivo dessa revolução? Derrocar o imperialismo e o feudalismo e estabelecer uma república democrática popular. Esta república estará baseada nos Três Princípios do Povo revolucionários. Se diferenciará tanto do sistema semicolonial e semifeudal do presente como do sistema socialista do futuro. Os capitalistas não terão lugar na sociedade socialista, porém sob a democracia popular ainda deve permitir-se sua existência. Haverá sempre lugar para os capitalistas na China? Não, no futuro não haverá em absoluto. Assim será não só na China como também em todo o mundo. No futuro, em nenhum país, seja Inglaterra, Estados Unidos, França, Japão, Alemanha ou Itália, haverá lugar para os capitalistas, e a China não pode ser uma exceção. A União Soviética tem estabelecido já o socialismo, e sem dúvida alguma o mundo inteiro seguirá seu exemplo. A China, em seu desenvolvimento, chegará necessariamente ao socialismo; esta é uma lei inelutável. Porém, na etapa atual, nossa tarefa não é implantar o socialismo, senão destruir ao imperialismo e ao feudalismo, pôr fim à atual condição semicolonial e semifeudal da China e estabelecer um regime de democracia popular. Nisto deve empenhar-se a juventude de todo o país.

Terceiro. Quais são as lições da revolução chinesa? Esta é também uma questão importante que deve compreender a juventude. A rigor, a revolução democrático-burguesa antiimperialista e antifeudal da China foi iniciada pelo Dr. Sun Yat-Sen e dura já mais de cinqüenta anos. Quanto à agressão capitalista estrangeira contra a China, leva já cerca de cem anos. Durante este século, se produziu primeiro a Guerra do Ópio, em que se lutou contra a agressão inglesa, e logo a Guerra do Reino Celestial Presidente_Mao_em_YenanTaiping, a Guerra Sino-Japonesa de 1894, o Movimento Reformista de 1898, o Movimento Yijetuan, a Revolução de 1911, o Movimento 4 de Maio, a Expedição ao Norte e a guerra sustentada pelo Exército Vermelho. Ainda que essas lutas diferissem umas das outras, todas tiveram como propósito repelir o inimigo estrangeiro ou mudar a situação existente. Não obstante, só com o Dr. Sun Yat-Sen começou uma revolução democrático-burguesa mais ou menos claramente definida. Durante estes cinqüenta anos, a revolução iniciada por ele tem tido êxitos e fracassos. Vejamos. Não foi acaso um êxito que a Revolução de 1911 derrubasse o imperador? Não obstante, dizemos que essa revolução fracassou porque se limitou a expulsar um imperador e a China seguiu sob a opressão imperialista e feudal, e a tarefa revolucionária antiimperialista e antifeudal ficou inconclusa. Contra que esteve dirigido o Movimento 4 de Maio? Igualmente contra o imperialismo e o feudalismo; porém também fracassou, pois a China continuou sob sua dominação. Sucedeu o mesmo com a Expedição ao Norte; esta revolução, com todos seus êxitos, terminou também no fracasso. Quando o Kuomintang se voltou contra o Partido Comunista[ii], na China se restaurou o domínio total do imperialismo e do feudalismo. O resultado inevitável foi a guerra de dez anos sustentada pelo Exército Vermelho. Porém nestes dez anos de luta se cumpriu a tarefa da revolução só em algumas partes da China, e não em todo o país. Se fazemos um balanço da revolução nas décadas passadas, poderemos ver que se tem logrado unicamente vitórias temporais e parciais, e não uma vitória permanente e em escala nacional. Como disse o Dr. Sun Yat-Sen, “Não se tem consumado ainda a revolução; todos meus camaradas devem continuar lutando”. Cabe perguntar agora: Por que, depois de várias décadas de luta, a revolução chinesa não tem alcançado ainda sua meta? Em que reside a causa? A meu entender, reside em que, primeiro, o inimigo tem sido demasiado poderoso, e segundo, nossas forças têm sido demasiado débeis. Por ser uma parte forte e a outra débil, a revolução não tem logrado a vitória. Ao afirmar que o inimigo tem sido demasiado poderoso, queremos dizer que têm sido demasiado poderosas as forças do imperialismo (o fator principal) e do feudalismo. Ao dizer que nossas forças têm sido demasiado débeis, nos referimos a que o tem sido nos planos militar, político, econômico e cultural; porém nossa debilidade e o conseqüente fracasso no cumprimento da tarefa antiimperialista e antifeudal se devem principalmente a que não têm sido ainda mobilizadas as massas trabalhadoras, os operários e camponeses, que constituem 90% da população. Resumindo a experiência da revolução nos últimos decênios, podemos dizer que o povo de todo o país não tem sido ainda plenamente mobilizado, e que os reacionários, invariavelmente, se têm oposto à dita mobilização e a tem sabotado. Só quando estejam mobilizados e organizados os operários e os camponeses, que constituem 90% da população, será possível derrocar o imperialismo e o feudalismo. O Dr. Sun Yat-Sen disse em seu Testamento:

“Durante quarenta anos me tenho dedicado à causa da revolução nacional com o fim de alcançar a liberdade e a igualdade para a China. Minha experiência destes quarenta anos me tem convencido profundamente de que, para lograr este objetivo, devemos despertar as massas populares e unirmo-nos em uma luta comum com as nações do mundo que nos tratem em pé de igualdade”.

Tem transcorrido mais de dez anos desde a morte do Dr. Sun, e se os somamos aos quarenta anos mencionados por ele, teremos em total mais de cinqüenta. Qual é a lição desses anos de revolução? Fundamentalmente, “despertar as massas populares”. Vocês devem estudar cuidadosamente esta lição; toda a juventude chinesa deve faze-lo. Os jovens têm que saber que, só mobilizando as amplas massas operárias e camponesas, que formam 90% da população, poderemos derrotar o imperialismo e o feudalismo. E hoje, a menos que mobilizemos os operários e camponeses de todo o país, não lograremos vencer o Japão nem estabelecer uma nova China.

Quarto. Voltemos ao movimento juvenil. Neste mesmo dia, há vinte anos, se produziu na China um importante acontecimento, conhecido na história como o Movimento 4 de Maio, no qual participaram os estudantes; foi um movimento de grande significação. Que papel tem desempenhado a juventude chinesa a partir de então? Em certa medida, um papel de vanguarda, que, salvo os recalcitrantes, todo o país reconhece. Em que consiste este papel de vanguarda? Em marchar à cabeça, em marchar à frente das fileiras revolucionárias. Nas fileiras antiimperialistas e antifeudais do povo chinês milita um contingente de jovens intelectuais e estudantes. É um contingente de considerável magnitude que, apesar dos muitos que têm dado sua vida, soma hoje vários milhões. Forma um exército, e muito importante, na luta contra o imperialismo e o feudalismo. Porém este exército só não é suficiente; não podemos derrotar o inimigo contando unicamente com ele, já que, em que pese a tudo, não constitui a força principal. Qual é, então, a força principal? Os operários e camponeses. Nossos jovens intelectuais e estudantes devem ir às massas operárias e camponesas, que representam 90% da população, e mobiliza-las e organiza-las. Se não tivéssemos esta força principal, os operários e camponeses, se não contássemos mais que com o contingente de jovens intelectuais e estudantes, não poderíamos vencer o imperialismo e o feudalismo. Portanto, os jovens intelectuais e estudantes de todo o país devem integrar-se com as amplas massas operárias e camponesas e formar com elas um só corpo; unicamente assim se poderá criar um exército poderoso. Um exército de centenas de milhões de homens! Só com esse imenso exército destruiremos as sólidas posições do inimigo e seus últimos baluartes. Ao avaliar o movimento juvenil do passado sob esse ponto de vista, é preciso assinalar uma tendência errônea: no movimento juvenil das últimas décadas, um setor dos jovens se têm negado a unir-se com as massas operárias e camponesas e se têm oposto ao movimento operário e camponês; isto constitui uma contracorrente dentro do movimento juvenil. Na realidade, estes jovens são pouco inteligentes, pois rechaçam unir-se com as massas operárias e camponesas, que abarcam 90% da população, e inclusive se opõem radicalmente a elas. É boa esta tendência? Considero que não, porque ao opor-se aos operários e camponeses, estes jovens estão opondo-se à revolução; por isso dizemos que é uma contracorrente dentro do movimento juvenil. Um movimento juvenil que tivesse tal natureza não chegaria a nada de bom. Faz um dias escrevi um breve artigo[iii] no qual assinalei:

 

“Em última instância, o critério para distinguir entre os intelectuais revolucionários e os não-revolucionários ou contrarrevolucionários é ver se estão dispostos ou não a integrar-se com as massas operárias e camponesas, e se realmente o fazem”.

Cartaz_celebrativo_sobre_a_base_de_apoio_revolucionria_de_Yenan

 

Aqui, coloco um critério que considero como o único válido. Como julgar se um jovem é revolucionário? Só tem um critério: ver se está disposto a integrar-se, e se integra-se na prática, com as grandes massas operárias e camponesas. É revolucionário se o quer fazer e o faz; de outro modo é não-revolucionário ou contrarrevolucionário. Se se integra hoje com as massas operárias e camponesas, é hoje revolucionário; se amanhã deixa de faze-lo ou passa a oprimir a gente simples, se transformará em não-revolucionário ou contrarrevolucionário. Há jovens que se limitam a discursar sobre sua fé nos Três Princípios do Povo ou no marxismo, porém isso não prova nada. Fixem-se. Não fala Hitler de sua fé no “socialismo”? Também Mussolini era “socialista” há vinte anos! E que é no fundo seu “socialismo”? Fascismo! Não “acreditou” em outro tempo Chen-Tu-Siu no marxismo? E que fez mais tarde? Passou à contrarrevolução. Não “acreditou” Chang-Kuo-Tao no marxismo? Que tem sido dele? Tem desertado e se tem afundado na lama. Algumas pessoas se auto-denominam “seguidores dos Três Princípios do Povo” e até velhos partidários destes Princípios; porém, que fazem? Resulta que seu Princípio do Nacionalismo significa conluiar-se com o imperialismo; seu Princípio da Democracia, oprimir a gente simples, e seu Princípio da Vida do Povo, chupar o povo até a última gota de sangue. São partidários dos Três Princípios do Povo só da boca pra fora. Por isso, quando queremos julgar a uma pessoa e saber se é um verdadeiro ou um falso partidário dos Três Princípios do Povo, ou se é um verdadeiro ou um falso marxista, basta ver qual é a sua relação com as amplas massas operárias e camponesas, e deste modo tudo ficará claro, imediatamente. Este é o único critério, não há outro. Espero que a juventude de todo o país jamais se deixará arrastar por essa sinistra contracorrente, senão que compreenderá bem que os operários e camponeses são seus amigos e marchará para um luminoso futuro.

Quinto. A presente Guerra de Resistência contra o Japão é uma nova fase, a mais grandiosa, vigorosa e dinâmica da revolução chinesa. Nesta fase, aos jovens se lhes incumbe uma grande responsabilidade. Nas últimas décadas, nosso movimento revolucionário tem atravessado numerosas fases de luta, porém em nenhuma delas tem tido tanta amplitude como na atual Guerra de Resistência. Ao sustentar que a revolução chinesa tem agora características que a distinguem do que era, e que passará dos fracassos à vitória, estamos dizendo que as amplas massas populares da China têm progredido, do que é uma clara prova o progresso da juventude. Daí que a Guerra de Resistência tenha de triunfar, e assim será inelutavelmente. Como todos sabe, nossa política básica na Guerra de Resistência é a da frente única nacional anti-japonesa, que tem por objetivo derrocar o imperialismo japonês e os colaboracionistas, transformar a velha China em uma nova China e libertar toda a nação de sua condição semicolonial e semifeudal. A atual falta de unidade no movimento juvenil chinês é uma grave deficiência. Vocês devem continuar esforçando-se por alcançar a unidade, porque a unidade faz a força. Devem ajudar a juventude de todo o país a compreender a situação atual, a alcançar a unidade e a levar a Resistência até o fim.

Sexto e último. Me referirei agora ao movimento juvenil de Yenan. Este é o modelo para o movimento juvenil de todo o país. Sua orientação é a orientação para o movimento juvenil do país inteiro. Por que? Porque esta orientação é correta. Vejamos. A juventude de Yenan não só tem trabalhado pela unidade, senão que o tem feito muito bem. Tem logrado a coesão e a unidade. Em Yenan, os jovens intelectuais, estudantes, operários e camponeses estão todos unidos. Grande número de jovens revolucionários de todo o país, e até de comunidades chinesas no estrangeiro, têm vindo a Yenan estudar. A maioria dos assistentes ao mítin de hoje procedem de lugares situados a milhares e inclusive dezenas de milhares de kilômetros; chamem-se Chang ou Li, sejam homens ou mulheres, operários ou camponeses, a todos os une uma mesma vontade. Não deve considerar-se isso como um modelo para todo o país? A juventude de Yenan, ademais de estar unida, se integra com as massas operárias e camponesas, o qual, com maior razão todavia, constitui um modelo para todo o país. Que faz a juventude de Yenan? Aprende a teoria da revolução e estuda os princípios e métodos para resistir ao Japão e salvar a nação; leva a cabo a campanha pela produção, e tem arado milhares de mu de terra. O arado e cultivo de terras é algo que nem o próprio Confúcio fez. A escola que ele dirigia contava com um bom número de estudantes; “setenta notáveis e três mil discípulos”; uma escola florescente! Com tudo isso, tinha muito menos estudantes do que têm em Yenan, e, ademais, eles não sentiam o menor interesse às campanhas pela produção. Quando seus discípulos perguntaram como arar os campos, Confúcio respondeu: “Não sei; eu não valho nisso o mesmo que um agricultor”. Em outra ocasião lhe perguntaram como cultivar hortaliças, e contestou: “Não sei; eu não valho nisso o mesmo que um cultivador de hortaliças”. Na China antiga, os jovens que estudavam com um sábio não aprendiam a teoria da revolução nem tomavam parte no trabalho físico. Hoje, em vastas regiões do nosso país, apenas se ensina nas escolas a teoria da revolução e não se fala da campanha pela produção. Só aqui, em Yenan, e nas bases de apoio anti-japonesas, situadas na retaguarda do inimigo, a juventude é radicalmente diferente; é verdadeiramente a vanguarda na causa da resistência ao Japão e da salvação nacional, porque sua orientação política é correta e o são também seus métodos de trabalho. Por isso digo que o movimento juvenil de Yenan é o modelo para o movimento juvenil de todo o país.

Considero que o mítin de hoje tem grande significação. Pela minha parte, tenho dito tudo o que queria dizer. Espero que vocês estudarão as experiências da revolução chinesa nos últimos cinqüenta anos, desenvolverão o que tem de positivo e descartarão o errôneo, de maneira que a juventude se integre com o povo de todo o país e a revolução passe dos fracassos à vitória. Quando a juventude e o povo inteiro se achem mobilizados, organizados e unidos, o imperialismo japonês será derrotado. Todo jovem deve assumir esta responsabilidade. Cada um de vocês deve ser diferente do que era no passado e dedicar-se com grande resolução a unir toda a juventude e organizar a todo o povo para derrocar o imperialismo japonês e transformar a velha China em uma nova China. Isto é o que espero de vocês.

 



[i] A princípio, o 4 de Maio foi proclamado Dia da Juventude Chinesa pela organização juvenil da Região Fronteiriça de Shensi-Kansú-Ningsia. Pressionado pelo auge patriótico das amplas massas juvenis, o governo do Kuomintang o aceitou. Porém posteriormente proclamou Dia da Juventude o 29 de março (dia comemorativo dos mártires revolucionários caídos durante o Levantamento de Cantão em 1911), porque, temendo que a juventude se revolucionarizasse, considerou perigoso celebrar o 4 de Maio. Não obstante, nas bases de apoio revolucionárias, dirigidas pelo Partido Comunista, se continuou considerando 4 de Maio o Dia da Juventude. Depois da fundação da República Popular da China, o Conselho Administrativo do Governo Central Popular o proclamou oficialmente Dia da Juventude Chinesa, em dezembro de 1949.

[ii] Se refere aos golpes de Estado contrarrevolucionários dados em 1927 por Chiang Kai-Shek em Xangai e Nankin, e por Wang Ching-Vei em Wuhán.

[iii] Se refere ao artigo “O Movimento 4 de Maio”.

 

RVI