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Chael Charles Schreier

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chaelNasceu em 23 de abril de 1946, na cidade de São Paulo, filho de Ary Schreier e Emília B. Schreier.

Estudante da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e membro da Comissão Executiva da União Estadual de Estudantes de São Paulo. O AI-5 o obriga à clandestinidade. Liga-se à Dissidência de São Paulo, trabalhando jundo a bases operárias e participando da redação e distribuição do jornal Luta Operária.

Posteriormente, militou na VAR-Palmares, participando de sua direção regional. Foi preso no dia 21 de novembro de 1969, na casa em que morava, na Rua Aquidabã, nº 1053, em Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro, juntamente com Antônio Roberto Espinoza e sua mulher, Maria Auxiliadora Lara Barcelos. Segundo o testemunho de Espinoza, Maria Auxiliadora e de alguns soldados que serviam no Quartel da Polícia do Exército (PE), na Vila Militar do Rio de Janeiro, Chael foi o mais torturado entre os três presos.

A equipe responsável pela prisão era chefiada pelo Comissário Brito e composta pelo inspetor Vasconcelos e mais 11 policiais dirigidos pelo detetive Antero. Presos, foram imediatamente levados para o Quartel da PE onde ficaram sob a responsabilidade do capitão João Luís. Nessa ocasião, Chael não apresentava nenhum ferimento, conforme declarações dos próprios policiais que o prenderam, transcritas nos jornais cariocas que circularam no dia seguinte.

Chael foi torturado por uma equipe de oficiais e sub-oficiais comandada pelo tenente Lauria, segundo denúncia de Espinoza e Maria Auxiliadora na Auditoria Militar, quando descrevem os chutes e pontapés que levou do Capitão Airton Guimarães, hoje banqueiro do jogo do bicho, e acusado de fazer parte de grupos de extermínio no Espírito Santo.

De acordo com declarações do diretor-médico do HCE, general de brigada Galeno de Penha Franco: “Chael deu entrada no hospital já morto”, sendo que “o envio do corpo foi apenas uma formalidade, uma vez que provinha de uma unidade militar.”

Na certidão de óbito a causa mortis é “contusão abdominal com rupturas do mesocólon transverso e mesentério, com hemorragia interna.” A necrópsia foi feita no HCE, em 24 de novembro de 1969, pelos Drs. Oswaldo Caymmi Ferreira, Guilherme Achilles de Faria Mello e Rubens Pedro Macuco Janini.

Sua família, sem ter recebido qualquer notificação da morte, aguardava a promessa de uma visita. No dia 25 de novembro foram informados de que ele se encontrava morto, tendo sido possível comprovar os evidentes sinais de tortura.

Segundo relatório do II Exército datado de 24 de novembro de 1969, arquivado no DOPS/SP, “Antonio Roberto Espinosa, Maria Auxiliadora de Lara Barcelos e Chael Charles Schreier, ao serem presos, reagiram violentamente com disparos de revólver, espingarda e mesmo com bombas caseiras. Da refrega os três terroristas sairam feridos, sendo Chael o que estava em estado mais grave, foram medicados no HCE, entretanto Chael sofreu um ataque cardíaco, vindo a falecer.”

O relatório do Ministério do Exército encaminhado ao Ministério da Justiça em 1993, sequer menciona o nome de Chael.

 

HONRA E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO!