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Iara Iavelberg

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iaraQuando menina lara queria ser atriz e bailarina. Na adolescência, gostava de teatro e cinema. Cresceu lendo a poesia que empolgava os jovens mais valorosos da sua geração. Aos 16 anos, casava-se com um estudante de medicina e já tinha a base humanista que norteou seus dias futuros. Decidiu estudar psicologia, levada por sua permanente sensibilidade para as suas relações pessoais.

Aos 21 anos, estava divorciada. lrreverente, libertaria, mulher de sedutora beleza, lara começa intensa prática política, sem deixar de se fazer charmosa, a ponto de pedir às amigas alguma roupa nova emprestada, quando a política não lhe dava tempo ou recursos para buscá-la nas lojas. lara não via motivos para descuidar da beleza em meio às lides políticas. Professora universitária, feminista, defensora da igualdade dos direitos, sonhava também com o amor que chegaria um dia, e com os filhos que traria ao mundo, ao mundo de injustiças que devia ser transformado. Para cooperar nesta transformação, lara ingressa na POLOP, onde logo participa da dissidência e das discussões sobre a via da luta armada. Foi esse rumo que tomou. Na VRP, encontra Carlos Lamarca, o amor que ela buscava. A partir daí, foi a companheira de Lamarca de todas as horas e agruras.

Foram protagonistas heróicos da história de amor e combate, esperança e luto que passou a ganhar contornos de mito e minar as fundações da ditadura.

Em abril de 1971, em discordância com a VPR, Lamarca e lara ingressam no MR8. Em junho, vão para a Bahia, onde Lamarca se envereda no sertão, para estabelecer bases da organização no interior. Com a prisão de companheiros, dos órgãos de segurança obtém informação e iniciam o cerco ao guerrilheiro. Em Salvador, lara é morta, aos 27 anos, em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Sobre sua morte, há duas versões. Uma delas, a oficial, diz que teria ocorrido após tiroteio com policiais deslocados do Rio para prendê-la; consta que lara se matou para escapar à perseguição e à tortura. A outra versão, sustentada por alguns companheiros, é de que teria sido presa e levada para a sede do DOPS local, onde a torturaram e mataram.

lara foi sepultada por sua família no cemitério israelense de São Paulo. Seus sonhos de amor e revolução foram covardemente destruídos. Os assassinos ignoram que amor e justiça são da essência humana; por isso, simplesmente, a fugaz trajetória de lara é imortal.

 

HONRA E GLÓRIA AOS HERÓIS DO POVO!