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Lígia Maria: Uma heroína do verdadeiro Movimento Estudantil

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Ligia_MariaNo último dia 29 de março completaram-se 38 anos da morte da heróica combatente revolucionaria Lígia Maria Salgado Nóbrega. E no ano do centenário do Dia Internacional da Mulher Proletária o MEPR tem orgulho de reacender à memória esta revolucionária e verdadeira militante da causa proletária.

Lígia Maria, Presente!

Lígia Maria, natural da cidade de Natal/RN, nasceu no dia 30 de julho de 1947, filha de Georgino Nóbrega e Naly Ruth Salgado Nóbrega. Ainda pequena muda-se com a família para a cidade de São Paulo, onde forma-se Normalista no Colégio Estadual Fernão Dias Pais. Posteriormente, aos 20 anos, ingressa na Universidade de São Paulo no curso de Pedagogia e, três anos depois, começa sua militância revolucionária como militante da Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares). Lígia representa para o povo e, particularmente à juventude e ao movimento estudantil, grande e heróico exemplo de luta, de dedicação e de perseverança na causa revolucionária, pela qual guiará o significado de sua vida, à busca de soluções concretas aos problemas que infligem à sociedade. Inicialmente como educadora debruçava-se sobre como desenvolver o ensino ligado à realidade prática da sociedade, e com isso, aplicava em seu trabalho como docente suas características próprias: criativa, brincalhona e amorosa. Em seguida dirige sua vida à derrota da repressão do regime militar fascista, por uma nova sociedade. E assim foi, até o dia 29 de março de 1972.

Neste dia ocorre a morte em combate da revolucionária Lígia Maria Salgado Nóbrega, também conhecida pelos seus companheiros como “Ana”, “Célia”, “Cecília”. Aos seus 24 anos de idade é violentamente morta pela repressão fascista da ditadura militar burguesa, junto a ela estavam Maria Regina Logo Leite de Figueiredo - Pedagoga, mãe de duas filhas e ex-integrante da Juventude Universitária Católica, formada em Filosofia pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro; e Antônio Marcos Pinto de Oliveira - Antônio atuou no movimento estudantil carioca nos anos de 1966 a 68, como secundarista. Foi estudar no Seminário e, em 1970/71, passou a fazer parte de um trabalho comunitário em Osvaldo Cruz, subúrbio do Rio de Janeiro. Em 1971 entra para a VAR-Palmares. A casa onde foram assassinados servia de base para o trabalho revolucionária da VAR-Palmares, localizada no Bairro de Quintino na cidade do Rio de Janeiro – RJ. A necropsia, assinada pelos médicos legistas Eduardo Bruno e Valdecir Tagliari confirmaram a versão oficial das mortes causadas por arma de fogo. A descrição do monopólio da imprensa burguesa na época, como os Jornais “O Globo” e “Correio da Manhã”, como é de praxe, classifica os revolucionários como terroristas, pois é claro a quem a verdadeira luta de classe pela nova sociedade está a serviço - ao povo sem dúvida. Assim, o grupo de que Lígia Maria participava é, também, acusado de justiçar o representante do imperialismo Inglês que estava no Brasil para “festejar” os 150 anos da “independência”, o marinheiro David A. Cuthberg, da flotilha inglesa, que visitava o Rio de Janeiro em fevereiro de 1972.

A necessidade de derrubar o reacionário Estado brasileiro levou não só Lígia como centenas de jovens a decidirem-se pelo caminho que julgavam o único cientificamente capaz de faze-lo, o da  luta armada revolucionária. Em que pese os erros de concepção da maior parte delas, sobretudo a carência de uma autêntica direção proletária (uma vez que a maior parte dessas organizações, dentre elas a própria VAR-PALMARES estavam influenciadas pelas concepções militaristas pequeno-burguesas de CUBA), devemos entender como justas as aspirações que moveram aquelas organizações e militantes a praticar tantos e tão poderosos atos de heroísmo, e o justo Balanço daquela experiência serve não a apaga-la ou renega-la (como faz toda a “esquerda” canalha e oportunista) mas sim a encontrar o caminho correto que nos conduza de fato à vitória. Toda essa experiência deve nos fazer enxergar que  cabe a nós assumirmos a luta em defesa do povo e da construção do novo, a sociedade sem classes. Temos uma responsabilidade maior que a juventude que nos antecedeu, pois contamos com suas experiências: erros e a certos.

Abaixo reproduzimos uma descrição que a família de Lígia faz sobre a combatente:

“Chegou pequena a São Paulo, onde estudou, terminando o curso de normalista no Colégio Estadual Fernão Dias Pais. Em seu trabalho de normalista, soube como ensinar as crianças de uma maneira criativa, brincalhona, amorosa.

Em 1967, entrou no curso de Pedagogia da Universidade de São Paulo e se destacou pela sua capacidade intelectual, pela liderança e empenho em abrir horizontes, modernizar métodos de ensino, implicar as pessoas em sua responsabilidade social e em uma vida digna, onde os direitos humanos fossem respeitados e o indivíduo um verdadeiro cidadão, participando ativamente dos destinos do Brasil.

Tendo todos os canais de participação fechados pela ditadura militar e as manifestações reprimidas violentamente, em 1970, Lígia Maria se engaja na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e, com outros companheiros, passa à luta armada para enfrentar a violência do regime autoritário instalado no Brasil.

Morreu acreditando num Brasil mudado, no seu povo feliz, fruto da Justiça Social e da Paz. Lígia Maria, assim como muitos outros brasileiros, jogou tudo, inclusive a vida, na tentativa de mudar os destinos deste nosso Brasil.”

(fonte: dossiê  dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964; comissão de familiares de mortos e desaparecidos políticos, instituto de estudo da violência do estado – IEVE; grupo tortura nunca mais - RJ e PE )

Viva os heróis do povo!!!

Viva a Revolução Brasileira!!!

Lígia Maria, Presente!!!


 

RVI