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Idalísio Aranha, herói do povo brasileiro e exemplo de luta para todos os estudantes

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pg12_Idalsio_Aranha Idalísio Soares Aranha Filho nasceu no dia 27 de agosto de 1947 na cidade de Rubim, interior de Minas gerais, filho de Idalísio Soares Aranha e de Aminthas Rodrigues Pereira.

Afetivo, carinhoso, observador e de pouca conversa, assim era Idalísio, que também era cantador, seresteiro e tocador de violão.

Grande lutador de nosso povo, participou ativamente do movimento estudantil durante a década de 60. Quando secundarista estudou na principal escola de Minas Gerais, Escola Estadual governador Milton Campos (conhecida como Estadual Central) situada na cidade de Belo Horizonte.

Entrando para o curso de Psicologia na UFMG - Universidade Federal do Estado de Minas Gerais - participa e dirige a grande “Luta dos Excedentes” de 68. A questão dos “excedentes” era bastante grave à época uma vez que o vestibular era classificatório, ou seja, todos que superassem o mínimo de pontos tinham direito à vaga nas universidades. Com o tempo cresceu enormemente o número de alunos aprovados, porém o Estado não atendia mais à demanda e muitos estudantes, mesmo tendo o direito à vaga, ficavam sem ela na prática. Estes eram os excedentes. Logo após essas grandes mobilizações, Idalísio foi eleito presidente do Diretório Acadêmico (DA) de Psicologia.

pg12_Manifestao_dos_excedentes_em_1968 Junto a outros colegas e militantes do movimento estudantil, lutou em defesa dos interesses dos estudantes, contra o corte de verbas que precarizava cada vez mais o ensino científico; contra o fechamento de restaurantes universitários e cortes na assistência estudantil; contra o acordo MEC/USAID (que expandia a intervenção dos EUA na elaboração das políticas educacionais brasileiras) e o reacionário Decreto-lei 477, que instituía a expulsão de militantes do movimento estudantil das universidades.

Em janeiro de 1971 Idalísio e sua companheira, Walkíria Afonso Costa, ambos militantes do Partido Comunista do Brasil, mudam-se para a região do Araguaia aonde o PC do B concluía os preparativos para a deflagração da luta armada revolucionária, como Guerra Popular Prolongada.

Em 12 de abril de 1972, os militantes do Partido Comunista e camponeses da região iniciam o episódio que marcará a história de nosso país, como a mais alta tentativa já realizada até hoje em nosso país de tomada do Poder para as massas populares: era a gloriosa Guerrilha do Araguaia, que se desenvolveria com a participação da massa de camponeses pobres objetivando cercar a cidade a partir do campo. Em que pesem os erros de concepção, apontados pelo grande dirigente comunista Pedro Pomar em seu relatório “Sobre o Araguaia” (soterrado pela direção revisionista de Amazonas e consortes) essa foi uma grande experiência revolucionária, de grande valor e inapagável lembrança na história de nosso povo.

Já região do Araguaia, Idalísio Aranha foi viver na região do Gameleira e incorporou-se ao Destacamento B comandado por Osvaldo Orlando da Costa – o Osvaldão. Na ocasião a organização militar do Partido dividia os Destacamentos em 3 agrupamentos guerrilheiros e Idalísio compunha o “Grupo do Castanhal”, com mais 5 combatentes, dentre eles sua companheira Walkíria.

Segundo o “Relatório Sobre a Luta no Araguaia”, produzido por Ângelo Arroyo, membro da Comissão Militar do Partido Comunista, Idalísio tombou em combate em julho de 1972. Segue abaixo o trecho do Relatório:

“A Comissão Militar resolveu enviar um grupo de companheiros, chefiados pelo Juca (João Carlos Haas Sobrinho), para conseguir reatar o contato com o Destacamento C. Faziam parte do grupo: Flávio (Ciro Flávio de Oliveira Salazar), Gil (Manoel José Nurchis), Aparício (Idalísio Soares Aranha Filho) e Ferreira (Antônio Guilherme Ribeiro Ribas), do Destacamento B. Esta medida se impunha porque o Destacamento C não atendeu aos pontos previamente estabelecidos. Este grupo caiu numa emboscada do Exército na Grota Vermelha a uns 50 metros da estrada. Juca levou dois tiros: um na perna e outro na coxa, mas conseguiu, juntamente com os outros companheiros, embrenhar-se na mata. Ficaram parados alguns dias para que Juca se restabelecesse. Durante esse período, Aparício saiu para caçar e se perdeu. Procurou a casa de um morador chamado Peri por onde sabia que os demais iriam passar. Lá ficou à espera. O dono da casa onde se refugiou levou-o para um barraco no mato próximo à casa. Nesse local lhe serviam a comida. Dias depois apareceu o Exército e travou tiroteio com Aparício”.

Emboscado e mesmo ferido, Idalísio conseguiu se embrenhar na mata e escapar ainda por dois quilômetros, antes de ser atingido fatalmente. Mesmo o “Relatório Oficial do Ministério da Guerra”, documento em que o podre Estado brasileiro assume suas ações criminosas no Araguaia, destaca que Idalísio Aranha “foi morto por ter resistido ferozmente”.

Mesmo após seu covarde assassinato pelo exército fascista, foi ainda julgado e condenado à prisão pelo Poder Judiciário burguês-latifundiário, esse mesmo que até hoje mantém sua posição anti-povo.

Idalísio foi um, dentre centenas de jovens de uma geração, que deu sua vida pela libertação de nosso povo e pela Revolução. Devemos nos mirar nestes grandes exemplos que, rejeitando o conforto e as facilidades da vida pequeno-burguesa nas cidades, tomaram firme decisão de servir às massas de todo o coração, inclusive no nível mais elevado da luta de classes, que é a luta armada.

 

Oswaldos, Tucas e Aris
Nunes, Landins, Amauris
Nada se faz em vão
E apesar da noite que disfarça
Apesar dos tiros, dos choques
Da boca que delata
Ainda nos restam as pedras
Os gritos
Os cânticos
Os punhais!
Aos guerrilheiros
do Araguaia/1970

 

Rendemos honras e glórias a esse grande combatente de nosso povo.

Viva Idalísio Aranha! Viva os heróis do Movimento Estudantil!