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Trilha sonora do filme "A Noite do Espantalho"

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A NOITE DO ESPANTALHO (1974)

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Trilha sonora do filme "A Noite do Espantalho" (direção de Sérgio Ricardo), interpretadas por Alceu Valença, Ana Lúcia de Castro, Geraldo Azevedo e Sérgio Ricardo. No filme, Alceu Valença também atua como cantor.

Baixe as músicas separadas no final da página ou clique aqui para baixar todas (7,5 Mb).

 


1-Canção do espantalho


Quando o corpo vai pra um lado e vai pro outro o coração
Cante que só passarinho, jogue o corpo na canção, eeê boi...
Que o coração vê caminho e os pés se movem no chão, eeê boi...
Ah ei!
Sou cantador de Cajazeira e vim cantar a minha gente
Gente que não foge do laço, gente que não corre de macho, nem de onça ou de mulher
Vem cantar a minha gente lá das bandas de Cajazeira onde o coronel diz que é dono de tudo
Coronel Fragoso...! horroroso, viúvo, velho, barrigudo, como dizia o bom Joaquim, pelas ruas de Pinhancó, fazendo chacota quando alguém dizia que em compensação... ele tinha a casa mais bonita da cidade...
Ahei! Eeeeê.. ahhhh!
Quero um cantinho nessa feira pra cantar a minha gente
Gente que não foge de fera, gente que não corre de guerra, de arruaça e o que vier...
E não foge tampouco do coronel Fragoso, de quem todo mundo corre ou quase se borra de medo, quando ele vem subindo a Jaqueira enfezado com a debandada de sua gente...
Ou com a seca do sertão...!
Quem quiser que venha ver os causo que eu conto com satisfação pra clarear as cabeças que vão pensar sobre os acontecidos em Cajazeira... lá onde o coronel diz que é bom que só Deus porque dá a metade pra quem planta e cuida do seu gado...
Quem quiser que venha ver se tá tudo certo ou errado pelos causo acontecido
Se gostar que faça uso e bom proveito!
Se não gostar...
Continue deixando tudo esquecido...


2-História que se conta


Toda história que se conta tem mentira dentro
Tem valente que não é valente, tem tristeza que não leva a gente
Tem amor que acaba de repente..., tem chão verde que não dá semente...

Eita mineiro eeê, eita mineiro ah... venha cá que eu trago história, venha cá se arrepiar,
Venha cá, venha cá, venha cá que eu trago história... venha cá se arrepiar!

Toda mentira que se conta tem verdade dentro
Tem covarde que um dia é valente, tem tristeza funda que só cacimba,

Tem amor que acaba de repente..., até chão seco um dia dá semente...


3-Meu nome é Zé do Cão

Atenção se esconda agora...
Põe a capela no padre, tira o padre da capela, põe a janela na moça, tira a moça da janela,
Que aí vem desembestado o mais cruel e malvado jagunço dessa onça de terra. (2X)

"Meu nome é Zé do Cão, jagunço não nego não
A vida me deu por sorte levar a morte pelo sertão
Meu nome é Zé do Cão, de morte eu inteiro mil
Meu Deus é minha peixeira e meu padroeiro Santo Fuzil."

Novamente o refrão com o coro no fundo: Põe a capela no padre...


4-Pena e penar

Lamento (aboio)
Não sei mais sorrir, não sei mais chorar...
Vou fazer das penas o meu penar
Numa ave branca, e sair pro céu
E seguir no céu os caminhos do mar
E olhar o mar e ficar no mar
E deixar no mar a pena e o penar
E depois voltar, sem pena e penar
E depois sorrir e depois chorar.


5-Tulão das Estrelas

É do povo: sofrimento traz sabedoria
Filho que sai da terra volta diferente
Volta trazendo uma vontade dentro
volta trazendo uma vontade dentro!

É do povo: sofrimento traz sabedoria
Filho que sai da terra volta diferente
Volta trazendo uma vontade dentro...

Trote de cavalo ao fundo

- Bento, Terêncio, Severino e Luca... vem cá, vem cá me ouvir...
Não ta certo ir-se embora, não tá certo não partir.
Quem parte morre lá fora, quem fica morre de não ir êh, êh...
Nossa reza é fé na terra, fé nas "mão" que a gente tem

- Cuidado Zé Tulão, a vontade do coronel é faca de duas pontas!

- Eu sei disso meus irmão! O ano todo a gente só plantou pra semente dar.
Temo é que ficar pra cumprir nosso trato com seu coronel que vai ter de pagar

- Não adianta Zé Tulão, chuva que é bom não cai e não vai ter nada pra ninguém.
Vem o coronel pra levar a metade dele, a nossa parte a seca já levou.

- Nada disso não oxente a nossa parte o coronel vai ter que nos entregar
Se a terra é dele e a seca é da terra, a terra e a seca são lá do seu coronel!

Trote de cavalo ao fundo

Lá vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão das estradas lá vou eu , Eeê boi...
Lá vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão das estradas lá vou eu , Eeê boi... Eeê boi...


6-Pé na estrada

Vamo falar lá com seu coronel, que não ta certo não a gente dividir
De tanta vaca ficou umazinha só, de tanto milho umas espiguinha só
E todo mundo quer, e tem razão de se querer, e todo mundo quer e tem seus filhos e tem mulher
Não tá certo ficar vendo o mundo se acabar, no refrão das amarguras, no sonho do mar
E todo mundo quer, e tem razão de se querer, e todo mundo quer e tem seus filhos e tem mulher
e todo mundo quer e tem razão de se querer e todo mundo quer...

Fé na terra e pé na estrada, ferra o pensamento e vamo andar
Olha a morte chegando na dança do amanhecer
Olha os anjos trazendo excelência no seu cantar
Olha o que é vem lá longe os capetas todos de terno...
Vêm pra levar mais um pecador...
Olha os olhos da morte espiando em toda a nação
Ouve o cantar dos anjos abrindo as portas do céu
Veja a vereda e o fogo trazendo o inferno em festa
Olho por olho em cada olhar...
Virgem Santa meu medo é tanto que chego a me arrepiar
Quando vejo meus companheiros partindo pra não voltar
Nessa estrada desesperada: chegança em nenhum lugar
Quando a terra se arrebenta sem jeito de consertar...


7-Noite de Maria

Em noite de luar no céu, Maria do Grotão, ai, se deu
Um cão latindo ao longe, Zé Tulão derrubou sua fulô
E os gemidos de Maria, só quem pode ouvir foi mandacaru

Homem, que só é bom sonhar, sonhar que o mundo vai se acabar
Que a gente foi pra longe, onde ninguém tem carência de levar
O que a gente fez nascer, com trabalho e dor, morte e amor.


8-Mutirão

Primeiro dia de folga, combinaram o mutirão
Veio todo o povoado ajudar o Zé Tulão:
Bento, Terêncio, Severino e Lucas, homem, mulher, velho, criança e cão
Todo mundo deu seu pouco até Maria do Grotão.

"Amarra o pau, bate o pau segura com o pau de forquilha e bota o outro pau,
Macacada amarra o pau, bate o pau, segura com o pau de forquilha e bota um outro pau...
Macacada amarra o pau, bate o pau, segura com o pau de forquilha e bota um outro pau,
Macacada amarra o pau..."

"Lá vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão das estradas lá vou eu, eeê boi... (2X)"

"Amarra o pau, bate o pau segura com o pau de forquilha e bota o outro pau,
Macacada amarra o pau, bate o pau, segura com o pau de forquilha e bota um outro pau...
Macacada amarra o pau, bate o pau, segura com o pau de forquilha e bota um outro pau,
Macacada amarra o pau..."

"Lá vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão das estradas lá vou eu, eeê boi... (2X)"


9-Festa do mutirão

Hei!Aê Jackson, é do pandeiro! Segura!

Zé Tulão pagou com festa o trabalho dos irmãos
Teve canto, desafio, xaxado, côco e rojão
Bento, Terêncio, Severino e Luca, homem, mulher, velho, criança e cão
Todo mundo abriu a roda pra Maria e Zé Tulão.

"Amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco..."

"Lá vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão das estradas lá vou eu , Eeê boi...
Tulão das estrelas, tulão raio, tulão das estradas lá vou eu Eeê boi..."

Bento, Terêncio, Severino e Luca, homem, mulher, velho, criança e cão
Todo mundo abriu a roda pra Maria e Zé tulão

"Amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco, vai Tulão, segura na cintura dela e bate o pé no chão,
Sanfoneiro amarra o côco..."

"Lá vou eu, Tulão das estrelas, Tulão raio, Tulão das estradas lá vou eu , Eeê boi..."(2X).


10-Briga de faca

- Bento, Terêncio cadê eles?...

- Foi o jagunço que matou!

- Bento, Terêncio cadê eles?...

- Foi o jagunço do coronel!

A noite que vinha era escura, um santo aí podia "lumiá"?
Noite de zona, lobisomem, dos homem do "Seu" coronel
Mataram Terêncio dormindo e Bento fazia um bentinho.
Pegaram todo o milho que tinha, a pobre da vaquinha Zabé.
Severino ta morto no mato e Luca ficou sem cabeça.
Só falta você Tulão...!

- Eê... sai da toca seu jagunço, que eu não mato à traição,
sai da toca seu macaco, vem que eu te pego e te capo!

Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!

- Eê ... vem que eu dou conta de cinco, vem que eu dou conta de seis...
vem jagunço traiçoeiro que eu mato um de cada vez.

Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!

- Eê... tome peixeira no bucho! Agora é cinco que era seis...
tome peixeira no bucho, lá se foi um, dois e três...

Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!

- Eê tome peixeira no bucho, agora só tem nós três...
tome peixeira no bucho falta um sendo que eram seis.

Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!
Vem macaco, vem macaco, vem que eu te pego e te capo!


11-Martelo, bala e facão

Som de troca de tiros

Zé do Cão:
"Zé tulão é chegada a tua hora, vá fazendo teu último pedido
É na faca é na foice é no estampido, é no verso é na rima é sem demora
Já que tu vai correr comece agora, que no fim da peleja esta Maria
Vai levar das minhas mãos a luz do dia, pois só sendo jagunço em qualquer lida
Pode o cabra possuir tudo na vida, e entregar a uma mulher toda a alegria..."

Zé Tulão:
"Treme a terra e trovão se arrebenta, toda vez que um vaqueiro se enfurece
mãos pro céu se levantam numa prece, corre o fraco e o forte não se agüenta
para o rio mais não se movimenta, e se então é por amor a luta dobra
pois coragem de amar tenho de sobra, se acabou Zé do Cão prepara a cova
que eu te capo, de aleijo, dou-te sova, e te faço rastejar pior que cobra..."

Zé do Cão:
"É o inferno no meu canto de guerra, pois consigo arrancar da pedra o pranto
O meu nome é temido em todo o canto, onde voam as aves sobre a terra
E se existe um amor atrás da serra, não há nada que feche o meu caminho
Eu enfrento a vereda e todo espinho, onde vem Zé Tulão segura o tombo
Te sangro te esfolo castro e zombo, sou leão e tu és um passarinho..."

Zé Tulão:
"Se é um inferno o seu canto de guerra, é um inferno o meu canto de paz
por amor eu derrubo Satanás, bem e mal são a luta dessa terra
Mas comigo o que é mau a lança ferra, corre Cão, Pé-de-Vento e Lúcifer
Corre todo diabo que vier, pelo bem desse amor divino eu nego
Eu enfrento um batalhão e não me entrego, Zé do Cão tu pra mim é [um qualquer]..."


12-Macauã

Vem dos porões do reino animal, Macauã.
Satanás diz que ele é seu pai e a mãe do Zebedeu, Macauã.

Lamento cantado ao fundo.

Rei dos dragões do reino animal, Macauã.
Rei dos trovões do reino animal, Macauã.
Satanás diz que ele é seu pai e a mãe do Zebedeu, Macauã.
Satanás diz que ele é seu pai e a mãe do Zebedeu, Macauã.



Todas as músicas (download):

1. Canção do espantalho (Sérgio Ricardo) 1 - 724 KB

2. História que se conta (Sérgio Ricardo) 1 - 456 KB

3. Meu nome é Zé do Cão (Sérgio Ricardo) 2 - 468 KB

4. Pena e o penar (Sérgio Ricardo) - 563 KB

5. Tulão das estrelas (Sérgio Ricardo) 3 - 678 KB

6. Pé na estrada (Sérgio Ricardo) - 701 KB

7. Noite de Maria (Sérgio Ricardo) 4 - 598 KB

8. Mutirão (Sérgio Ricardo) 2 - 798 KB

9. Festa do Mutirão (Sérgio Ricardo) 2 - 658 KB

10. Briga de faca (Sérgio Ricardo) 2 - 765 KB

11. Martelo a bala e facão (Sérgio Ricardo) - 558 KB

12. Macauã (Sérgio Ricardo) - 742 KB

 

Baixar o disco inteiro

 

 


1-Interpretada por Alceu Valença
2-Interpretada por Alceu Valença com Sérgio Ricardo
3-Interpretada por Alceu Valença com Sérgio Ricardo e Geraldo Azevedo
4-Interpretada por Alceu Valença com Sérgio Ricardo e Ana L. de Castro

 


 

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