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Gonzaguinha canta em homenagem aos filhos do povo tombados na luta contra o gerenciamento militar

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Gonzaguinha Gonzaguinha é um dos mais importantes cantores e compositores da autêntica música popular brasileira. Luiz Gonzaga Júnior, filho de Luiz Gonzaga, morreu aos 46 anos de idade, em 1991, e deixou uma vasta e profunda obra. Em suas músicas este grande artista sempre cantou a vida dura e a luta do povo. Muito conhecido por bélissimas composições românticas como “Diga lá, coração” e  “não dá mais pra segurar”, memoráveis obras primas de grande qualidade  poética, poucos conhecem os importantes posicionamentos políticos deste artista, propositalmente “esquecidos” pelo monopólio da imprensa e da música.

Durante o regime militar, Gonzaguinha desafiou a censura com canções  como “E vamos a luta”,  “Plano de Voô”, “nunca pare de sonhar”, “a cidade contra o crime”, entre outras. De forma mais ou menos explícita a temática política, da luta de resistência popular ao gerenciamento militar, sempre este teve presente nas obras de Gonzaguinha.

Como muitos outros artistas, engajado na luta popular participou de inúmeros eventos organizados pelo movimento sindical e estudantil, onde com seus inflamados discursos sempre questionou a falsa democracia em que vivemos, durante e depois da dita “abertura política”. Em memorável show gravado em 1981, na série "Grandes nomes", da TV Globo, no auge da traição capitulacionista de inúmeras direções revolucionárias por meio do sujo acordo da Anistia, Gonzaguinha declara em alto e bom som: “violência não é só quando alguém te assalta, ou quando um policial bate em sua cabeça, violência também, e muito maior, é não ter acesso a cultura, saúde, felicidade...”

No contexto do inicio da importante campanha desenvolvida pelo movimento pela punição dos torturadores e assassinos do gerenciamento militar, publicamos esta bélissima canção, na qual Gonzaguinha se une ao povo brasileiro com seu grito poético e combativo, em homenagem aos verdadeiros heróis do povo brasileiro:

Achados e Perdidos  - Gonzaguinha.

 

Quem me dirá  onde está  
Aquele moço fulano de tal  
(Filho, marido, irmão, namorado que não voltou mais)  
Insiste os anúncios nas folhas  
Dos nossos jornais  
Achados perdidos, morridos  
Saudades demais  
Mas eu pergunto e a reposta  
É que ninguém sabe  
Ninguém nunca viu  
Só sei que não sei  
Quão sumido ele foi  
Sei é que ele sumiu  
E que souber algo  
Acerca do seu paradeiro  
Beco das liberdades  
Estreita e esquecida  
Uma pequena marginal  
Dessa imensa Avenida Brasil

 


 

RVI