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Diz que vai virar

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Diz que vai virar”: mais uma canção consagrada de Gonzagão e Gonzaguinha para o povo brasileiro


O ano de 2012 foi repleto de comemorações, celebrações, tributos em homenagem aos 100 anos de nascimento do rei do baião Luiz Gonzaga. Pelo Brasil afora artistas populares entoaram diversos “clássicos” que se consagraram como verdadeiros hinos que retratam o sofrimento, a luta pela sobrevivência e a alegria do povo brasileiro.

O “Gonzagão” teve um papel muito importante na música popular, já que no início de sua carreira o samba, choro, valsinhas (músicas urbanas) eram vistas como únicas expressões dos ritmos nacionais, o que nunca correspondeu à realidade (longe de desconsiderar a importância desses gêneros), pois o nosso país devido a sua grande miscigenação de povos, sua extensão territorial e diferenças geográficas, sempre proporcionou uma variedade rítmica e artística como um todo.

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E foi assim que o “Mestre Lua” saído lá de Exu, sertão de Pernambuco, “servindo” dez anos o exército como soldado em Fortaleza (não por um ideal ás “tropas” serviçais do imperialismo, mas simplesmente por uma questão de sobrevivência) e posteriormente imigrando para o Rio de Janeiro, já sem a farda, mas com a sanfona nas mãos, impôs com mestria ao Brasil e ao mundo o “universo” sertanejo, as dificuldades do homem do campo, sua luta diária, a opressão sofrida pelo latifúndio, o descaso do Estado com a problemática da seca (muito distante, ainda hoje, de ser resolvida) que submete milhões de brasileiros a fome e a miséria.

Gonzaga ao longo de sua carreira firmou parcerias com diferentes compositores, possuindo uma imensa riqueza em seu repertório.



Um dos que brilhantemente contribui com sua obra foi o seu filho, o grande artista Luiz Gonzaga do Nascimento Junior, Gonzaguinha. Ele que também nos deixou muitas obras consagradas, muitas delas de conteúdo progressista e revolucionário, elaboradas de forma simples e “direta”, porém com muita riqueza poética.

Como uma singela homenagem a esses dois grandes artista segue uma belíssima gravação de 1968, do disco Canaã de Luiz Gonzaga. Composta por Gonzaguinha “Diz que vai virar” nos faz refletir que diante de tanta opressão, miséria e todo tipo de violência do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo contra o povo não “vale a pena ser de paz” e sim ser “de muita garra”, audácia e rebeldia para “virar o velho mundo” e construir o novo!

Diz que vai virar

Quero estar bem acordado
Quando o povo despertar
Pra sair com ele à Praça
Em meio a sua massa
Espero que pra cantar

Na frente de peito aberto
Vou com ele, meu senhor
Passo a passo, braço dado
Ombro a ombro, lado a lado
No caminho que ele for
Mas diz que vai virar
E eu não vou
Diz que vai virar
E eu não vou
Diz pra nós
Que afinal lembrou
Que o castigo
Já nos foi demais
Diz que agora
Vai ser tudo igual
E que vai matar
O que seja de mal
Dá pra gente ao menos, o final
E que vale a pena ser de paz
E eu não vou

Meu senhor veja se entende
Deste canto a pretensão
Vê se atende este pedido
De um cansado e sofrido
Que pede de coração

Esperança foi semente
Que alguém um dia plantou


E hoje é quase desespero
Que quer vir, seja primeiro
Nosso pranto já secou

Mas diz que vai virar...

E eu não vou
Diz pra nós
Que afinal lembrou
Que o castigo
Já nos foi demais
Diz que agora
Vai ser tudo igual
E que vai matar
O que seja de mal
Dá pra gente ao menos, o final
E que vale a pena ser de paz
E eu não vou

E o senhor tenha a certeza
Toda fé que assim vai ser
Toda pobreza e desgraça
Vão se perder na fumaça
Do fogo que vai nascer
Do toque de nossa mão
Por sua força e valor
Esta terra por inteiro
Como este violeiro
Vai saber o que é o amor...

 

RVI