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Biografia de Frida Kahlo

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Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón nasceu em Coyoacán, subúrbio da Cidade do México. Se declarava filha da Revolução Mexicana, por isso dizia ter nascido em 1910 (sendo na realidade, 1907). Frida foi casada com o grande e famoso mundialmente painelista e comunista Diego Rivera. Ambos se amavam muito, militavam juntos e acima de tudo, admiravam um ao outro. Essa frase mostra muito bem isso, dita pelo personagem Diego Rivera (interpretado pelo ator Alfred Molina) no filme Frida (2000):

“Uma magricela com as sombracelhas juntas gritou para mim: ‘Diego, quero que veja meus quadros!’ E me fez descer óbvio. Eu desci e ainda estou vendo até hoje. Mas quero falar de Frida não como marido, e sim como artista e admirador. Sua obra é ácida e frágil. Dura como aço e fina como asa de uma borboleta. Cativante como um sorriso e cruel como as agruras da vida. Creio que jamais, até hoje, uma mulher depositou tanta agonia e poesia nas telas.”

Aos seis anos de idade Frida contraiu poliomielite e ficou manca da perna esquerda. Mas a tragédia que marcou a sua vida aconteceu em 1925, quando tinha 18 anos. O ônibus onde estava chocou-se com um bonde, uma barra de ferro entrou pelo seu quadril e saiu pela vagina causando-lhe: a coluna quebrada em três lugares; a perna direita em onze; a clavícula, a terceira e a quarta costela fraturadas; o pé direito esmagado e a pélvis quase destruída. Ficou inconsciente durante três semanas, ficou várias semanas no hospital e muito tempo sem movimentos. Infelizmente, por causa do acidente Frida ficou imobilizada com um gesso que lhe cobria do peito até o joelho, mas foi a partir disto que ela descobriu a sua verdadeira vocação: pintar. Seu pai colocou um espelho em cima da sua cama, onde ela se via e assim passou a pintar auto-retratos (“Eu me pinto porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o tema que conheço melhor.”).

Nas telas, Frida pintava muito sobre a sua própria realidade: Suas dores físicas – causadas pelo acidente – retratado, por exemplo, na pintura “A Coluna Quebrada” (1944), onde sua coluna vertebral é representada por uma pilastra que está desmoronando, e realmente estava, conseqüência irreversível do acidente; seu corpo está cheio de pregos, representação de como seria a sua dor e uma lágrima escorre de seus olhos. Suas dores “mentais” pela impossibilidade de ter filhos – também causada pelo acidente, pois seu corpo não suportava o desenvolvimento de um bebê – retratado, por exemplo, na obra “Hospital Henry Ford” (1932), onde ela está deitada numa maca, sangrando e entre várias coisas que ela está segurando, há um bebê; nessa época ela havia recentemente perdido uma criança, conseqüência de um aborto natural. Seus problemas no casamento, retratado por exemplo, na pintura “Cabelo Cortado” (1940), onde ela está vestida com um terno masculino e está com o cabelo curto; esta obra representou um fato que realmente aconteceu, por conseqüência do término do seu casamento com o muralista Diego Rivera (mas depois de alguns anos casaram-se novamente). Sua admiração pelo povo mexicano e repugnância ao imperialismo norte-americano e europeu, ou seja, seu amor pelo povo oprimido e seu ódio aos opressores, retratado na obra “As Duas Fridas” (1939), onde ela mostra uma Frida vestida com uma roupa típica mexicana segurando a mão da outra Frida vestida com uma roupa vitoriana (tipicamente européia), ambas estão com seus corações expostos, porém inteiros, ligados apenas pela artéria aorta, tendo na roupa da Frida “européia” sangue gotejando, mostrando assim a vivacidade do México enquanto a Europa está perdendo sangue, morrendo. Também sobre este tema, há uma pintura que podemos citar: “Entre o México e o Estados Unidos” (1932), nesta, ela está com uma roupa européia e com uma bandeira mexicana na mão - na época ela estava no USA – ela, na obra está entre o USA e o México, ambos conectados (através dos fios das máquinas norte-americanas e as raízes das plantas mexicanas), ou seja, apesar de estar no USA seu pensamento estava no México.

Explicamos um pouco sobre algumas de suas obras para tocarmos num assunto muito polêmico, a classificação de sua arte. Diziam que ela não gostava de ser classificada como surrealista, mentira, era mais, ela não aceitava ser classificada como tal (“Pensaram que eu era surrealista, mas não era, nunca pintei sonhos, pintava minha própria realidade.”). Quando conhecemos o mínimo sobre a sua vida vemos que a sua pintura não é incoerente com a realidade, abstrata, fora do normal ou imaginária, ou seja, surrealista. Por exemplo, ao vermos a obra “O Veadinho” (1946), onde há um veado numa floresta, cheio de flechas, sangrando e com o rosto da Frida: se não conhecêssemos a sua vida, o que entenderíamos? Nada, mas baseado na sua pura realidade de vida, veremos que essas flechas que perfuram o veado correspondem à barra de ferro que a perfurou no acidente. Tornando então, uma simples comparação (uma metáfora das telas) com o seu acidente e com sua dor. Por isso, não podemos classificar uma arte pela forma e sim pelo seu contexto.

Agora falaremos do seu principal papel como artista e perante a vida: sua militância política. A sua obra “O marxismo dará saúde aos doentes” (1954) é uma das suas mais belas pinturas. Nessa obra ela está largando as muletas com um livro vermelho (Manifesto do Partido Comunista) na mão e o rosto de Karl Marx no alto do quadro. Ela disse que depois que conheceu o marxismo se libertou da dor. Frida foi militante da Juventude do Partido Comunista e depois militou no PCM (Partido Comunista do México) durante sua vida toda. Sua devoção era tamanha que pintou vários quadros, inclusive o quadro onde ela estava junto com o rosto do Stálin (ao fundo) – feito no final da sua vida. Em seu diário e em vários quadros cita e retrata os grandes revolucionários comunistas: Marx, Engels, Lenin, Stalin e Mao Tsetung. Seu último quadro foi um retrato de Stálin, que ficou inacabado. Mas ela não demonstrava a sua ideologia comunista somente nas pinturas, nesta frase vemos claramente o objetivo de sua arte e da sua vida:

“Estou muito preocupada com a minha pintura, acima de tudo, por que quero transformá-la em algo útil, até agora tenho simplesmente veiculado uma atitude honesta de mim mesma, mas que infelizmente está muito longe de servir ao Partido. Tenho que lutar com todas as minhas forças para assegurar que a única coisa positiva que a minha saúde me permite fazer beneficie também a revolução, a única razão de viver.”

No gesso que teve que re-colocar no final da sua vida estava desenhado a foice e o martelo. E o seu caixão foi coberto pela bandeira do Partido Comunista, a sua maior paixão.

Frida em 1953 teve que amputar os pés, por causa de uma gangrena – conseqüência do seu problema de saúde – mas como ela mesmo disse: “Pés para que os quero se tenho asas para voar?” E apesar de tanto sofrimento Frida militou e pintou até o último momento. Sua última aparição pública foi onze dias antes de sua morte – de cadeira de rodas – numa manifestação contra a derrubada do governo eleito da Guatemala, de Jacobo Arbenz, pelo USA.

Seu fim foi muito sofrido, teve que tomar altas doses de morfina para suportar a dor. Morreu de embolia pulmonar, e a última frase do seu diário mostra que ela sentia-se preparada para morrer e se permitiu – ela que era uma materialista – uma ironia com a cultura mexicana de reencarnação: "Espero alegremente a saída, e espero nunca mais voltar - Frida".

Hoje sua casa, conhecida como A CASA AZUL, virou um museu sobre ela, expondo ao público tudo que deixou. Rivera morreu um ano após a sua morte, e como não podia ter filhos, não deixaram descendentes. Frida eternizou-se nas pinturas; no seu diário, traduzido em outras línguas; nas telas, com os filmes: Frida Natureza Viva (1983) do diretor Paul Leduc – filme mexicano. E Frida (2000) da diretora Taymor – filme norte-americano.

 

RVI