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Poesias
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Sáb, 06 de Maio de 2017 Cultura Popular - Poesias

frei_caneca

 

Político e religioso brasileiro, Joaquim da Silva Rabelo, popularmente conhecido como Frei Caneca, foi uma importante figura histórica nas lutas de libertação nacional em nosso país. Tendo atuado como forte liderança nos movimentos democráticos da Revolução Pernambucana (1817) e da Confederação do Equador (1824), Frei Caneca mobilizou as massas e os intelectuais de Pernambuco para se rebelarem contra as políticas autoritárias de D. Pedro I. Por ser uma figura política de oposição direta à monarquia, Frei Caneca logo foi capturado e sentenciado à forca pelas forças do Império. No entanto, nenhum escravo ou soldado mostrou-se disposto a conduzir seu enforcamento. O Império Brasileiro decretou então seu fuzilamento, com o intuito de enfraquecer os demais movimentos de libertação nacional por meio da execução dessa grande liderança.  Mas o Império não foi capaz de frear as rebeliões do povo brasileiro, como se comprovou nos diversos movimentos que estouraram no primeiro reinado e no período regencial a partir do exemplo das lutas de Pernambuco. Segue abaixo um poema de Frei Caneca em que reafirma seu compromisso de lutar até a morte por sua pátria, bem como sinaliza que as gerações futuras devem levar essa luta adiante.

 


 

Entre Marília e a Pátria - Frei Caneca

Entre Marília e a pátria

Coloquei meu coração:

A pátria roubou-m'o todo;

Marília que chore em vão.

 

Marília, pede a teus filhos,

Por minha própria abenção,

Morram, como eu, pela pátria;

Marília que chore em vão.

 

Apenas forem crescendo,

Cresçam co'as armas na mão,

Saibam morrer, como eu morro;

Marília que chore em vão.

 

Defender os pátrios lares,

É dever do cidadão.

Quando exalem pela pátria;

Marília que chore em vão.

 
Seg, 03 de Novembro de 2014 Cultura Popular - Poesias

 

Compartilhamos, poema de David Huerta, publicado na página http://dazibaorojo08.blogspot.com.br/ sobre os estudantes normalistas de Ayotzinapa, em espanhol:

 

 

AYOTZINAPA

Mordemos la sombra
Y en la sombra
Aparecen los muertos
Como luces y frutos
Como vasos de sangre
Como piedras de abismo
Como ramas y frondas
De dulces vísceras

Los muertos tienen manos
Empapadas de angustia
Y gestos inclinados
En el sudario del viento
Los muertos llevan consigo
Un dolor insaciable

Este es el país de las fosas
Señoras y señores
Este es el país de los aullidos
Este es el país de los niños en llamas
Este es el país de las mujeres martirizadas
Este es el país que ayer apenas existía
Y ahora no se sabe dónde quedó

Estamos perdidos entre bocanadas
De azufre maldito
Y fogatas arrasadoras
Estamos con los ojos abiertos
Y los ojos los tenemos llenos
De cristales punzantes

Estamos tratando de dar
Nuestras manos de vivos
A los muertos y a los desaparecidos
Pero se alejan y nos abandonan
Con un gesto de infinita lejanía

El pan se quema
Los rostros se queman arrancados
De la vida y no hay manos
Ni hay rostros
Ni hay país

Solamente hay una vibración
Tupida de lágrimas
Un largo grito
Donde nos hemos confundido
Los vivos y los muertos

Quien esto lea debe saber
Que fue lanzado al mar de humo
De las ciudades
Como una señal del espíritu roto

Quien esto lea debe saber también
Que a pesar de todo
Los muertos no se han ido
Ni los han hecho desaparecer

Que la magia de los muertos
Está en el amanecer y en la cuchara
En el pie y en los maizales
En los dibujos y en el río

Demos a esta magia
La plata templada
De la brisa

Entreguemos a los muertos
A nuestros muertos jóvenes
El pan del cielo
La espiga de las aguas
El esplendor de toda tristeza
La blancura de nuestra condena
El olvido del mundo
Y la memoria quebrantada
De todos los vivos

Ahora mejor callarse
Hermanos
Y abrir las manos y la mente
Para poder recoger del suelo maldito
Los corazones despedazados
De todos los que son
Y de todos
Los que han sido

David Huerta
2 de noviembre de 2014. Oaxaca

 

 
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Qua, 07 de Agosto de 2013 Cultura Popular - Poesias
carlos-drummond-de-andradeUm dos maiores poetas da nossa terra, tem uma interessantíssima poesia para o momento atual de manifestações. Versa justamente sobre os "inocentes do Lebon", o bairro nobre e belo da capital do Rio de Janeiro. Ainda mais nestes tempos em que as manifestações ocuparam as ruas do famoso bairro a poesia ganha maior valor. E que fique a pergunta no ar, até que ponto muitos dos moradores do Leblon são realmente inocentes, até que ponto eles ignoram tudo o que se passa, até que ponto não sabem da fome e da miséria que lhes passa lindeira?

Os Inocentes do Leblon - Carlos Drummond de Andrade

Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
Trouxe imigrantes?
Trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
 


RVI