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Coletânea de Poemas Revolucionários Chineses

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Coro*
Ke Ciun-Ping

Se nos perguntam de onde viemos,
nós respondemos: viemos do povo.
Se nos perguntam para onde vamos,
respondemos: vamos ter com o povo,
para aprender com a experiência autêntica
de milhares e milhares de anos.

Viemos para mobilizar a gente,
para produzir e resistir ao inimigo.
A força do povo é ilimitada
e só dele é que a podemos obter;
viemos para aprender como prestar auxílio,
libertar as terras e abrir vias novas.

Dentro destes limites, nas zonas democráticas
já nos movemos com liberdade;
aqui cultivaremos a flor da vitória
para que possa florir sobre estas áridas colinas.*


* Canto escrito antes de 1949, nas áreas já libertadas e dominadas pelo Exército Comunista.

 

 


Profecia
Tien Cien

Eu não preciso que me leiam o futuro
ou coisa desse gênero;
hoje, tenho a certeza que o meu destino
é certamente bom.

É na realidade grande sorte
ter nascido neste dia
com a responsabilidade
dum mundo novo sobre os ombros;

sabendo que só
onde acenar uma bandeira vermelha
pode nascer
um novo dia.

Recusarei a velha sociedade
e saudarei o novo dia
Porei nos meus cantos todo o meu coração
para que o mundo os escute.

Agora, sou um homem novo
e escrevo novas poesias:
ao som dos timbales revolucionários
dentro da minha grande nova família.*
* Poesia escrita no dia da libertação de Pequim, no outono de 1949.

Depois chegou o Partido Comunista
Anônimo

Em pequeno, era pobre demais para ir à escola;
apascentava os animais com qualquer tempo
mas odiava os animais, porque outros os comiam
enquanto eu tinha fome.

Depois, veio o Partido Comunista
e as coisas mudaram;
juntei-me ao Exército
para defender a minha terra e a casa.

Dantes, ninguém era capaz de escrever
nem o mais simples caracter;
hoje, nós estudamos ao mesmo tempo
a teoria e a prática.


Por favor, tomem conta da minha “casa”
EPL

Deponho o uniforme,
Mas não dez anos de recordações:
Deixar a unidade
É como deixar a casa.

Abandonei a minha casa com voz firme
e uma vontade superior aos meus anos;
abandonei o meu pai e a minha mãe
para combater pela libertação.

Deram-me nessa altura um casaco almofadado,
Consertaram as minhas meias e os meus sapatos de pano:
Uma camaradagem que não vos digo,
uma gratidão que não sei exprimir.

Em sete dias aprendi a disparar
(...) e, sem receio de nada
segui o Partido onde se lutava,
marchando por milhares de li sem ceder.

A construir fortificações para defender as colinas,
as minhas mãos encheram-se de calos;
para me abrir uma estrada entre os rios,
o meu corpo cobriu-se de cicatrizes.

Juntei-me ao Partido durante a luta,
aprendi a ler sem ir à escola:
um pastor que se juntou ao Exército
e que o Exército tratou como um filho.

Deponho o uniforme,
Mas não dez anos de lembranças:
deixar a unidade
é como deixar a casa.

Agora, regresso a casa para me unir à produção;
limparei pela última vez a minha espingarda
e entrego-a, para que,
se houver necessidade, outros a usem.

Aperto as mãos dos meus companheiros,
Abraço-os, e não consigo afastar-me:
camaradas de combate,
por favor, tomem bem conta da minha “casa”!


Os pobres tornam-se senhores
Anônimo


Se bem que sejamos pobres,
o nosso destino não é permanecê-lo.
Se bem que sejamos pobres,
os nossos ideais realmente não o são;
quero apagar a injustiça do tempo antigo
e fazer do pobre o senhor.


O grupo de Socorro Mútuo
Anônimo

O grupo de socorro mútuo
significa que todos juntos
trabalharemos a terra.

Ninguém explorará os outros,
Ninguém fará nada sozinho;
o produto será de quem o produz
ninguém terá pouco
e cada um terá o mesmo lucro:
todos nós desejamos
participar nisto!


A alvorada
Anônimo

Formamos a Liga dos Camponeses
e desde então é como ver a aurora
e descobrir que a força dos pobres é invencível;
durante gerações o rico foi enriquecendo,
mas hoje, subitamente, tudo isso
vai cair a nossos pés.

E neste presente exigimos
o saldo daquilo que nos foi tirado;
penso na minha vida passada,
no meu “haver” nunca “havido”.
Seriam na verdade precisos uns anos
só para fazer as contas.


Este ano
Anônimo

Porque é que este ano
a nossa colheita foi tão boa?
Porque é que este ano
o Kaoling é tão vermelho?

Não porque o céu nos tenha olhado
com benevolência
mas porque este ano os pobres
iniciaram uma nova vida.

Ninguém se admire se este ano
os camponeses trabalharam muito:
não é porque muita gente cultiva pouca terra,
mas porque as coisas agora mudaram.

A terra mudou de dono,
e se nós os novos proprietários
não a tratássemos com amor,
quem havia de o fazer?

 



 

 

RVI