Grandes avanços na construção do MEPR

meprNo final do segundo semestre de 2004, organizamos as Assembléias Regionais do MEPR como etapa preparatória para a IV Assembléia Nacional. As Assembléias Regionais foram um importante momento para realizarmos o balanço da construção do Movimento em cada região. A organização das Assembléias demandou um grande esforço das Coordenações Regionais. Apresentamos agora trechos das teses de cada região, importantes documentos que debatem a fundo os desafios da construção do Novo Movimento Estudantil.

Goiânia

A luta política que travamos em 2003 empurrou o DCE/UFG para apoiar o boicote às taxas de matrícula. Isto ampliou a luta e mais de 300 estudantes da UFG participaram. Na UEG, o boicote iniciou-se com 5 calouros, e logo depois mais de 80 estudantes da Educação Física e Fisioterapia sairam vitoriosos. No segundo semestre de 2004, materializa-se a grande vitória que se iniciara pequena: a UFG, na Justiça, foi proibida de cobrar quaisquer taxas, e condenada a ressarcir tudo o que foi pago desde 2003. Por outro lado a intervenção deliberada do governador Marconi Perillo na Justiça provoca a derrota da maioria dos 300 estudantes que tentaram novo boicote na ESEFEGO.

O início do ano de 2004 foi marcado pelo aclaramento da aplicação da contra-reforma universitária. Na UFG, manifestou-se principalmente na privatização dos Restaurantes Universitários. Organizamos um boicote que foi levantado pelas estudantes. A Reitoria e a empresa que fornece a alimentação tentaram criar obstáculos às nossas ações, que sempre foram bravamente rompidos. Durante a luta, fizemos uma denúncia no Ministério Público, foi um exemplo de como usar as vias legais para poder romper com elas. Também foi marcante a aproximação com os moradores de Casas Estudantis, que são companheiros que vivem duramente os maiores problemas da universidade. O boicote continua até hoje, e precisamos saber atuar com mais planejamento, e para isso, é necessário que a Coordenação do MEPR na UFG esteja funcionando.

Na UCG, logo no início das aulas denunciamos com uns poucos panfletos a face fascista que se esconde atrás da mascara democrática de sua reitoria petista. Mesmo que pese nossa pouca organização, temos mantido reuniões de estudo, debates, e apoiado chapas independentes e combativas para os CA´s, o que têm influenciado alguns destes.

Ocupamos a reitoria e fomos para a ofensiva depois que obtivemos a decisão judicial em nosso favor e a reitoria tentou retaliar com cortes na Assistência Estudantil. A decisão foi suspensa até julgamento do recurso impetrado pela reitoria, mantivemos em guarda e organizamos o recolhimento de procurações para que não sejamos pegos desprevenidos no caso da reitoria retomar a cobrança durante as férias. Mais uma vez puxamos CA´s e o DCE para a luta concreta contra a “reforma”. Onde estamos em CA´s atuamos com responsabilidade, independência e combatividade, como no caso da Enfermagem que tem realizado debates e paralisou as aulas em protesto contra a “reforma” universitária. Na Pedagogia, conseguimos realizar a paralisação do dia 15 de setembro, cumprindo o plano tirado no ENEPe com uma vibrante manifestação e outras atividades. Isto nos tem possibilitado construir um núcleo estável do MEPR neste curso.

Realizamos uma campanha de solidariedade concreta aos camponeses em luta da LCP-CO, com arrecadações de alimentos, roupas e remédios nas faculdades, entre os companheiros e ainda passando de casa em casa em alguns bairros. Organizamos um seminário de preparação para a visita ao Acampamento Floresta, Patrocínio-MG. Doze estudantes passaram entre 5 e 22 dias aplicando o princípio dos “Três com”: Viver com o povo, trabalhar com o povo e lutar com o povo”. Desta experiência saímos ainda mais decididos, o MEPR cumpre seu papel de servir ao povo e cresce qualitativamente. Companheiros que acercavam do movimento tomam em mãos a sua construção, lutam, conosco, por assimilar nossa linha política e servir a revolução em nosso país.

Foi uma experiência muito rica a formação de uma chapa para concorrer DCE/UFG, junto com outros companheiros que estavam atuando na luta contra a reforma universitária. A chapa não ganhou, mas cumpriu seu objetivo de politizar a campanha, polarizá-a entre luta contra a “reforma” vs UNE defensores da “reforma” universitária; é importante ressaltar que as chapas governistas foram derrotadas. Obtivemos quase 600 votos, sendo que ganhamos na Química, Medicina e na Pedagogia – neste último temos um trabalho mais enraizado — fomos bem votados nas outras faculdades que temos trabalho, e isso significa muito.

A luta na UCG tem sido muito intensa e em contrapartida a reitoria tem endurecido a perseguição numa clara e vã tentativa de nos intimidar.

No CEFET conformamos nossa coordenação, estamos participando da construção de dois CA´s e retomando nossa propaganda. Enfrentamos forte perseguição, os cartazes do MEPR são proibidos de serem colados e tudo que queremos fazer é dificultado pela direção da reitoria, porém os companheiros têm se esforçado e rompido este cerco. Foi o que aconteceu no último dia 25/11 com o debate “Sobre o direito do passe livre estudantil”, que ocorreu no mini-auditório do CEFET. Já vislumbramos duas importantes formas de romper com o cerco que nos é imposto desde a manifestação contra o Ministro Cristovam Buarque: 1º) Construção de CA’s, e mais tarde do DCE e reconstrução do Grêmio, estas entidades possibilitarão um maior respaldo contra a perseguição da diretoria; e 2º) Unidade com os professores progressistas com os quais podemos organizar debates e atividades.

Um outro direito retirado foi a merenda escolar para o ensino médio. O movimento vem se esforçando para chegar nas escolas públicas de ensino médio e estimular estes debates com os estudantes e professores progressistas, de forma organizada, combativa e independente.

É de extrema importância ressaltar a participação de um número muito superior de companheiras, e o desenvolvimento destas, são resultados de lutas travadas nos últimos tempos fruto da construção do Movimento Feminino Popular em nossa cidade, que é recente e já nos faz sentir o que significa a consigna: Despertar a fúria revolucionária da mulher!

Defender e propagandear a cultura popular nacional nas escolas e faculdades

Uma questão crucial que buscamos resolver é a maior elaboração, divulgação e atuação na cultura popular. Reconhecemos que não falamos de qualquer cultura, mas sim de uma cultura popular que vem sendo subjugada, oprimida e não se encontra pura e acabada. Após críticas feitas pelas companheiras como resultado de discussões do MFP e por seus exemplos começamos a nos preocupar mais e já há espaço para uma discussão mais aprofundada para o planejamento do próximo ano.

Pará

No último período, o MEPR no Pará tem avançado no princípio de servir o povo. Temos aumentado a ligação com a massa de camponeses em luta pela terra no Sul do Estado. Realizamos com o movimento camponês freqüentes reuniões e debates sobre a luta pela terra, fazendo estudos de textos, que tratam da luta pela terra e da luta do povo em geral. Nos fins de semana são realizadas visitas aos acampamentos, onde são feitas atividades culturais, exaltando a cultura popular com canções de luta e animando os camponeses para seguir lutando. Dentro das atividades de apoio, realizamos campanhas de solidariedade com arrecadação de roupas e alimentos. Entendemos isso como o principal avanço no momento.

Tivemos dificuldades para prosseguir com a alfabetização de crianças e adultos, na escola popular. Durante esse semestre não mantivemos aulas regulares, principalmente por falta de professores. Está planejado para o inicio do ano, aumentar o trabalho de propaganda da escola popular e também, nossa organização e concentração para prosseguir nesta importante tarefa. Um dos problemas que fez o trabalho da escola popular decair foi à baixa concentração coletiva dos militantes do MEPR. A coordenação do movimento se reuniu pouco para problematizar esse assunto e mobilizar companheiros para dar aula.

reforma_universitariaNa luta contra a “reforma” universitária e em defesa da educação pública, o movimento estudantil da região conseguiu importantes vitórias. Através de uma greve de 40 dias, o campus de Conceição do Araguaia conseguiu barrar uma medida do governo que tiraria 40 vagas da cidade. Além disto, foi conquistado: o fim da taxa de protocolo, mais estrutura para o núcleo, mais livros para biblioteca, e a eleição para coordenação. O comando que dirigiu a greve montou uma chapa para disputar a eleição do DA; combatendo o oportunismo e exaltando o caminho da luta combativa, os companheiros venceram com uma grande diferença. A greve foi um importante aprendizado para todos. Avaliamos que poderíamos ter feito mais atividades políticas, no período da greve – debates, seminários, reuniões etc.

A realização da assembléia regional estava marcada para novembro, logo depois da greve. Não realizamos, principalmente por uma incompreensão de que seriam necessário muitos companheiros participando.

No balanço final percebemos que são grandes os avanços do movimento no Estado, temos feito várias atividades e apontado o caminho da luta. Precisamos avançar em muitos aspectos: Reunir e discutir mais as atividades, abrir mais espaço para que mais companheiros participem – fazendo debates sobre Escola popular, Iraque, educação etc. Precisamos também aumentar o trabalho de propaganda, e envolver mais companheiros no apoio a luta camponesa.

A assembléia regional está marcada para fevereiro. Temos já grandes perspectivas, pois entendemos que a forma mais justa é discutir os problemas e apoiar nos acertos para seguir avançando.

Paraná

A luta pela construção do MEPR no Paraná se iniciou apenas há dois anos e temos obtido, neste pouco tempo, êxitos importantes e, também, cometido erros, que muito têm nos ensinado. Iniciamos nossa atuação no curso de Pedagogia da UFPR, organizando a luta pela contratação de professores efetivos e exigindo aulas. Desde então, organizamos uma série de lutas importantes e atividades que nos levaram a formar uma chapa independente para o CA de Pedagogia. A Chapa “Nadando Contra a Corrente” se elegeu no ano passado pela segunda vez consecutiva, disputando com a chapa da UNE governista e derrotando-os com mais do dobro de votos válidos.

O Centro Acadêmico de Pedagogia passou a ser referência de luta e organização para os demais centros acadêmicos e estudantes independentes da universidade. Em certa ocasião, estudantes calouros do curso de Design nos procuraram para que os ajudássemos a organizar a luta por professores em seu curso. Casos assim se repetem constantemente, o que demonstra quão correta é a linha de concentrarmos em algumas faculdades e desenvolvermos aí um trabalho de qualidade para que sirva de exemplo e se reproduza.

Temos lutado desde o início por organizar o dia a dia dos estudantes, compreendendo que o movimento deve atuar no cotidiano das universidades. Tivemos importantes avanços. Organizamos atividades na Pedagogia como: Semana dos Calouros, Semana da Pedagogia (uma semana de atividades políticas e acadêmicas, com oficinas, mini-cursos e etc, ministrados pelos estudantes e professores do curso), Festa Junina (que reuniu seis centros acadêmicos), Shows de cultura popular (com o grupo paranaense Mundaréu e outros) e lutas reivindicativas importantes (como pela eleição do coordenador do curso de Educação à Distância, que havia sido indicado pela direção do setor de forma anti-democrática), assim como outras.

As conquistas obtidas nas lutas reivindicativas e o êxito dessas atividades, possibilitaram que os estudantes adquirissem confiança no seu Centro Acadêmico. Fruto disso foi a manifestação que o CA de Pedagogia organizou no dia 27 de abril contra a “reforma” universitária do Banco Mundial nas ruas de Curitiba. Esta, que foi a primeira manifestação estudantil contra a “reforma” no país, aconteceu de maneira bastante organizada e combativa; os estudantes saíram às ruas com fitas vermelhas amarradas nos braços e em colunas, demonstrando muita disposição de luta.

A Pedagogia da UFPR foi, desde então, vanguarda na luta contra a “reforma” universitária do governo Lula/FMI. Organizamos uma palestra que reuniu cerca de 150 estudantes de diferentes cursos e partimos para a denúncia política do caráter privatista da “reforma” universitária em curso. Participamos e ajudamos a organizar diversas manifestações, distribuímos milhares de panfletos, confeccionamos dezenas de cartazes e fizemos ecoar na Universidade Federal do Paraná a rebeldia estudantil.

Paraná: “Nossa oposição decidida frente à "reforma" foi decisiva em diversos momentos.”Nossa posição combativa frente à “reforma” foi decisiva em diversos momentos. Na plenária setorial do Setor de Educação a intervenção de nossas companheiras, somada à de professores progressistas, levou todo este Setor (professores, funcionários e estudantes) a se posicionar contra a “reforma”. Além disso, foi redigido por uma comissão conjunta um documento que foi publicado na página do Setor na internet que colocava claro o conteúdo da “reforma”. Influenciado por esta posição, o Setor de Exatas também se posicionou contrário à “reforma” e os demais Setores se viram obrigados a se posicionar. Isso dificulta a implementação da “reforma” na UFPR e representa uma enorme conquista do movimento estudantil independente e combativo da federal.

Para dar maior profundidade à luta contra a “reforma” e estreitar nossa relação com os estudantes independentes da UFPR, o MEPR participou da conformação de uma chapa que disputou as eleições para o Diretório Central dos Estudantes. A Chapa Resistência e Luta era a mais decidida e ousada e se diferenciava pela posição combativa perante a “reforma” e à UNE governista. Passamos em sala em todos os setores da universidade, mas nossa condição era ainda limitada, pois éramos um “pequeno grupo compacto”. Porém, atuamos enquanto tropa de choque e tivemos uma excelente resposta dos estudantes: nossa chapa recebeu 580 votos, sendo que éramos praticamente desconhecidos. Nos outros curso os estudantes acreditaram na nossa seriedade e toda a propaganda do oportunismo contra nós não foi capaz de impedir que recebêssemos uma votação expressiva. Os oportunistas do PT chegaram ao cúmulo do desespero de acusar nossa chapa de “Amigos da Escola”, tentando atribuir à nós (por defendermos a Escola Popular de novo tipo) um projeto que é do seu governo e do seu partido.

Depois das eleições, nosso trabalho cresceu em quantidade e qualidade. Também surgiram novas dificuldades, particularmente porque agora o oportunismo já identificou nossa posição classista e combativa e concentra seu ataque sobre nós. Estamos tendo que aprender como construir o movimento nas condições atuais em que o cerco do oportunismo sobre o movimento é maior e quando os ataques do governo ao movimento estudantil seguem sem cessar. Nossos companheiros estão se forjando muito nestas novas condições, estamos construindo um movimento sólido e crescente em organização e combatividade.

Nossa principais debilidades se manifestaram no aspecto da defesa da revolução agrária e da solidariedade internacional. Concentramos na organização da propaganda e luta contra a “reforma” universitária e fizemos uma ainda tímida propaganda revolucionária. Estamos lutando por corrigir nossos erros e um importante avanço neste aspecto foi a banquinha que montamos na rua Quinze, que é o centro comercial e intelectual da cidade. Erguemos uma faixa de “Viva a heróica resistência do povo iraquiano!” e a banquinha movimentou o centro naquele dia. Persistiremos na correção dos erros e solução dos problemas e temos certeza de que não só manteremos nossa atuação nestes momentos difíceis, como seguiremos avançando, construindo passo a passo o novo movimento estudantil no Paraná e em todo o sul do Brasil.

Realizaremos nossa primeira Assembléia Regional dos Estudantes do Povo no mês de Março e convidamos todos a participar. Essa assembléia representará um importante passo na consolidação de nosso movimento no Paraná e na preparação para a desde já vitoriosa IV Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo.

Outra importante experiência é o Núcleo de Estudos Makarenko, conformado por estudantes de Pedagogia, Direito e Economia da UFPR. O Núcleo tem como objetivo inicial sistematizar o pensamento do grande educador soviético Antón Semionovitch Makarenko, buscando compreender como seu pensamento pedagógico pode auxiliar na construção de Escolas Populares no campo e na cidade em nosso país. Compreendemos que as escolas populares cumprem um papel decisivo no impulsionamento e auxílio à luta pela destruição do latifúndio e pela revolução agrária em nosso país e que o Núcleo deve lutar por construí-las. Estamos iniciando uma experiência de construção de uma escola popular em uma região de campo perto da cidade de Curitiba, que muito têm nos ensinado. O Núcleo se reúne todos os sábados no período letivo.

Nordeste

A luta na FFPP iniciou em 2002, o decorrer destes 3 anos é marcado pela disputa acirrada dos estudantes contra a cobrança de mensalidades, esta dura batalha envolveu tentativas de suspender o salário dos professores prisão de estudantes e todo tipo de repressão por parte diretora da FFPP. Por outro lado estudantes responderam a altura, organizando manifestações e ações judiciais, sempre permanecendo convictos da defesa da educação pública e gratuita.

Podemos afirmar sem a menor sombra de dúvida que a luta se fortaleceu. Durante o CONEUPE (Congresso dos Estudantes da UPE) os estudantes da FFPP conseguiram que fosse aprovada a proposta de que o DCE entre com uma ação judicial contra a cobrança de mensalidades em nome de todos os estudantes da UPE. Esta simpatia expressa pelos estudantes presentes no CONEUPE, demonstra por um lado que a própria luta tem forjado companheiros capazes de defendê-la e propagandeá-la e, por outro lado, demonstra que a os estudantes cada vez mais vêem a necessidade de radicalizar a luta em defesa da educação frente a este projeto de “reforma” universitária do MEC. A posição do boicote hoje encontra maior espaço, em grande parte devido as próprias condições do momento, mas também devido a nossa ação que alcançou vitórias e acumulou ensinamentos muito valiosos.

Uma outra ação que expressa o fortalecimento da luta foi o debate sobre a “reforma” universitária realizado dentro da FFPP com representantes do ANDES. No debate foi possível compreender que a nossa luta tem um caráter nacional, que lutamos contra o duríssimo golpe, que foi arquitetado e que já esta sendo desferido contra a educação no nosso país. Não foi por coincidência que os professores demitidos tenham conseguido seus empregos de volta logo após a realização do debate. Reunimos cerca de duzentos estudantes neste debate, o que deu uma demonstração do nosso potencial de organização. Isto tudo foi o que fizemos sob difíceis condições, deixamos profundas marcas na história da FFPP e de Petrolina, a luta não acabou, vislumbramos muitos embates pela frente, aproxima-se mais um período de renovação de matricula e as nossas perspectivas são brilhantes.

Do sertão para todo o país

Ao mesmo tempo que a luta pelo boicote em nossa região faz parte da luta nacional contra a privatização, ela guarda as suas particularidades. Podemos afirmar seguramente que foi na FFPP onde a luta mais se radicalizou. Por mais que houvessem ameaças dos reitores, em outras regiões, nunca haviam fechado a universidade como aqui; somente na FFPP se conseguiu manter a expulsão de uma liderança do movimento e ainda a diretora mandou prender dois companheiros; em nenhum outro lugar aconteceu a demissão dos professores contratados. Vejamos este último fato cuidadosamente. 45 professores foram demitidos sumariamente pela diretora, sem que a reitoria ou o governo do estado fizessem qualquer oposição. Este é um fato inédito na história do Brasil, demissões em massa desta forma não ocorreram nem durante o regime militar. E por que isto foi feito? Foi para intimidar os estudantes, para tentar acabar com o boicote que ganhou neste semestre uma grande massividade e está colocando em risco a existência das mensalidades.

Se analisarmos rapidamente, podemos concluir que quando comete uma ação desta a diretora demonstra sua força. Por um lado ela realmente mostra como dirige esta universidade, como um senhorzinho feudal, um coronel, que comanda seu feudo de acordo com suas próprias leis. Por outro, quando é forçada a mostrar sua cara fascista tão escancaradamente revela o desespero e o medo de que as taxas acabem. E este último aspecto é o principal, porque é conseqüência das lutas estudantis. O que a diretora mais teme são os estudantes organizados, e é somente isto que pode derrubar de vez a privatização de nossa faculdade.

Não somos uma simples faculdade no meio de sertão nordestino. Somos os estudantes que têm resistido mais bravamente à todas as pressões de privatizar. É isto que somos companheiros! Somos um espinho venenoso da caatinga enfiado nos pés destes malditos que querem privatizar nossa universidade. Reflitamos, tantos absurdos fizeram, tantas pressões, ameaças, atos ilegais, medidas fascistas e… a luta prossegue. E mais! O número de estudantes que aderiram ao boicote foi ainda maior, mais de mil companheiros aderiram! É por isto que metemos medo nesta gente. Somos feitos da carne sertaneja, do espírito nordestino que não se dobra diante das piores secas nem dos mais terríveis senhores. É o medo, companheiros, de que o nosso exemplo de luta inspire os estudantes de todo o Brasil, que faz com que eles ajam desta maneira. Mas nós não decepcionaremos nossos companheiros. Seguiremos a luta, mesmo nas mais difíceis condições, porque quanto mais difícil é a batalha mais importante e grandiosa é a vitória.

Belo Horizonte

A luta que todo o movimento tem empreendido por dar massividade ao MEPR tem produzido bastantes resultados positivos. Grandes avanços em dar massividade foram obtidos durante o primeiro semestre de 2004, destacando-se uma melhora significativa em nossa agitação e propaganda. Todos estes avanços se deram em meio às lutas concretas das massas, particularmente contra a “reforma” universitária e em defesa do Passe Livre. Organizamos debates, Seminários e manifestações. Além disso, avançamos na construção do movimento da pedagogia, participando ativamente do ENEPe – Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia.

emepeDurante o período de preparação e mobilização para o EMEPe – Encontro Mineiro de Estudantes de Pedagogia – conquistamos uma vitória de grande importância: junto com outos estudantes derrotamos o Pecedobê nas eleições para o D.A. da Faculdade de Educação da UEMG, onde se encastelavam a mais de dois anos. A Une/Pecedobê foi desmascarada uma vez mais e os estudantes responderam defendendo o movimento independente e de luta. Esta vitória foi resultado de um persistente trabalho de base, durante o ano de 2004 organizamos: o movimento contra aulas aos sábados, comemoração da Semana do Pedagogo e projeto Criança na Universidade.

A realização do EMEPe significou uma grande vitória dos estudantes na luta pela construção do movimento da pedagogia e expressou uma vinculação mais profunda do MEPR com estes companheiros. A pauta do EMEPe incluía o debate “Quemeducaquem: Por uma educação que sirva ao povo” e, contava com a realização de oficinas, que tiveram a participação ativa dos estudantes. A definição acertada da pauta garantiu o caráter massivo do encontro. Participaram cerca de 65 estudantes, da Faculdade de Educação da UEMG e UFMG, companheiras da UNI-BH, e ainda, dois companheiros de Montes Claros e uma de Divinópolis.

É importante destacar a aliança que foi estabelecida com professores democráticos da UFMG e UEMG. Esta frente foi muito importante para ampliar o caráter do Encontro. Participaram também companheiros estudantes de Curitiba (UFPR) e do Rio Grande do Norte (UFRN) na discussão sobre o movimento estudantil. Atividades culturais que valorizam a cultura popular fizeram parte do encontro e animaram a todos. Ao final, foi eleita a Executiva Mineira dos Estudantes de Pedagogia, composta por todas as faculdades presentes no encontro, que organizará o próximo Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia e encaminhará o Plano de Lutas aprovado na Plenária Final. A principal concretização do avanço na luta por dar maior massividade ao MEPR foi a participação na realização do EMEPe.

Na UFMG concentramos nossa atuação no curso de pedagogia, o que foi muito acertado. Iniciamos as atividades do segundo semestre com a denúncia sobre a repressão policial em Patrocínio-MG. Junto com duas camponesas do Acampamento Floresta passamos em sala e fizemos debates e campanhas de arrecadação para os camponeses. Realizamos atos contra a “reforma” universitária, que envolveram a massa mais ativa, e, organizamos uma sessão de cinema com o filme “Fahrenheit 11 de setembro”, que teve a participação de mais de 50 estudantes. Todas estas atividades foram importantes para a conformação de nossa chapa para o DA da Fae-UFMG, eleita no final do semestre.

O Congresso da UCMG 2004 demonstrou o avanço na construção de um movimento massivo entre os secundaristas. Reunimos cerca de 120 estudantes em uma das principais escolas municipais de Belo Horizonte (IMACO) e também contamos com a participação de pais, diretores e professores democráticos. O Congresso foi vitorioso, sua realização se deu debaixo de um grande cerco, com diretorias e a Secretaria de Educação impedindo a passagem em salas de aula. Houve uma intensa propaganda, com a participação da Ubes, para criminalizar o movimento estudantil e impedir a mobilização dos estudantes. O principal avanço alcançado no Congresso foi a eleição de uma nova diretoria disposta a elevar a organização do movimento dentro de cada escola. Os integrantes dessa diretoria tem se forjado em várias lutas durante o ano e a própria realização do congresso foi uma delas.

O tema do Congresso era “Queremos uma educação de verdade”. Foi discutida a luta dos estudantes contra o sucateamento da educação pública, a falência da escola plural e a luta por uma escola de verdade que garantisse o nosso direito de estudar e aprender. A qualidade da participação dos estudantes foi boa e muito concentrada. A nossa dificuldade em aprofundar na discussão da escola plural/aprovação automática expressou o pouco desenvolvimento destas lutas particulares em cada escola. Como resultado dessa luta logo após o congresso, conseguimos realizar um debate no Marconi sobre a escola plural com intensa participação dos estudantes e professores. Este debate foi importante, pois em 2003 nosso trabalho havia centrado muito na luta contra oportunistas, deixando um pouco de lado as lutas específicas.

Durante o ano organizamos e vencemos eleições de grêmios importantes. Na cidade de Mariana, na escola Dom Silvério, puxamos o processo e disputamos com uma chapa da Ubes/Pecedobê. Mesmo tendo debilidades em nosso material de propaganda conseguimos vencer as eleições. Em Vespasiano, na escola Renato Azeredo, depois de muitos enfrentamentos com a diretoria da escola conseguimos organizar o processo eleitoral e uma chapa vitoriosa. Nos dois casos, isto ampliou as nossas condições de atuar junto aos estudantes dentro das escolas.

Independência e Auto-sustentação

Outra tema debatido foi o pequeno número de carteirinhas feita pelos militantes do MEPR. A carteirinha de estudante cumpre um importante papel na defesa da entidade, na ligação da UCMG com os estudantes e na garantia da independência desta. Porém, a maior parte das carteirinhas feitas em 2004 não foram fruto do esforço dos militantes, mas da iniciativa dos estudantes que se dirigiram até a sede da entidade. Os militantes do MEPR devem dedicar tempo à organização do trabalho de divulgação, recolhimento e confecção das carteirinhas nas escolas, bem como fazer a defesa ativa de sua aceitação em cinemas, teatros e shows.

Para a concretização de maior massividade é necessário que dediquemos tempo à construção material do movimento. Sem esta dedicação, nossas atividades políticas ficarão comprometidas. Apesar de termos organizado atividades importantes neste sentido, esse trabalho ainda é insuficiente. Uma luta importante é a de garantir a independência das entidades que participamos. Uma das formas de garantir a independência do movimento estudantil é a de confeccionar a carteirinha de estudantil. A carteira de estudante é uma forma dos estudantes demonstrarem seu reconhecimento e contribuírem diretamente com a entidade.

Norte de Minas

O segundo semestre de 2004 representou um importante avanço na construção do movimento estudantil na região, obtivemos êxitos importantes na luta por romper com a concepção incorreta do movimento como grupo e nos ligamos mais às massas. No início do semestre passamos por um período de pouca atividade e foi pequena nossa atuação na greve dos professores da Unimontes. Ainda assim estabelecemos contatos importantes em torno da discussão da Reforma Universitária com companheiros do CA de História e com o novo CA de Agronomia da UFMG .

Nossa dificuldade se manifesta numa baixa politização do núcleo do MEPR, o que limita nossa tarefa de construção. Num momento onde a luta ideológica entre revolução e contra-revolução se agudiza, conseguimos romper a paralisia e participamos do Seminário de Luta Contra a “Reforma” em BH, reproduzindo a discussão aqui entre os companheiros mais próximos. Intervimos num debate sobre a “reforma” universitária promovido pela Unimontes e nossa fala foi aplaudida de pé ao denunciarmos os objetivos do PT e o papel desempenhado pela UNE.

Realizamos uma Escola Popular no início de outubro que serviu a nos aproximar mais dos companheiros, cumprindo um importante papel na propaganda de nossa linha. Debatemos a Revolução Agrária com a palestra de uma companheira da Escola Popular e fizemos um estudo sobre o histórico do movimento estudantil com a matéria de nosso jornal Estudantes do Povo 05. Muitos companheiros tiveram contato com nossa linha pela primeira vez, identificamos aí a insuficiência de nosso trabalho de propaganda, pois a divulgação do jornal ainda é débil entre os nossos companheiros.

A realização da Escola Popular nos possibilitou travarmos mais a luta e logramos conformar uma chapa para disputar o DCE na Unimontes, convocando de sala em sala os companheiros que se propunham a lutar contra a “reforma” universitária e romper com o velho movimento estudantil oportunista eleitoreiro. Esta foi uma grande vitória na luta por dar maior massividade ao movimento.

Na disputa eleitoral haviam 3 chapas: uma patrocinada pelo reitor com uma parcela grande do PT e PCdoB; a segunda, composta por outro setor do PT, apoiada principalmente pelo prefeito eleito; e, a terceira conformada em nossas passagens em sala, que era independente e tinha uma posição clara de luta contra a “reforma”.

Todos os companheiros do núcleo do MEPR participaram da chapa, e os companheiros da Unimontes que foram na Escola Popular tiveram participação ativa no processo. Esta não foi uma luta simples, foi a primeira vez que confrontamos abertamente com os oportunistas principalmente do PT, e este embate foi decisivo pois conformamos uma chapa democrática e desmascaramos o oportunismo. Mesmo não tendo vencido as eleições conseguimos 560 votos e conquistamos o apoio de muitos professores. Levantamos todo recurso da campanha em atividades dentro da faculdade fizemos panfletos, adesivos e camisas contando com nossas forças e dos nossos apoiadores.

Após as eleições para o DCE, que ocorreram cheias de fraudes e inclusive com movimento exigindo a impugnação da mesma, houve uma grande movimentação para formação das chapas para eleição dos CA’s, companheiros de nossa chapa se envolveram nas diversas chapas e 3 CA’s eleitos tem companheiros da chapa na cabeça.

A realização da Assembléia Regional fechou o ano com saldo vitorioso, em meio as dificuldades para conformar a nossa coordenação conseguimos realizar uma série de atividades de peso e nos aproximarmos mais das massas.

Avaliamos que nossa Assembléia não cumpriur plenamente seus objetivos por doi motivos: 1o) não logramos a conformação da Coordenação Regional e, 2o) ao realizarmos a AR em meio dia reduzimos a discussão e centramos na luta reivindicativa, não discutindo questões políticas importantes como a resistência iraquiana e a revolução agrária.

A vitória que obtivemos foi reunir companheiros em torno da proposta de construção do novo movimento estudantil, entre os presentes estavam os companheiros que mais se aproximaram durante o processo de eleição do DCE. As perspecitvas que se abrem são animadoras para conformar nossa Coordenação e elevar a qualidade e quantidade de nosso trabalho de organização dos grupos de base e de nossa propaganda.