UNE/Pecedobê: dois anos de servilismo ao governo

une_tarsoEm 2004, os palacianos da UNE superaram todos os limites de seu servilismo, além de árduos defensores da contra-reforma passaram a grande impulsionadores e pivôs de todos os projetos do governo. Primeiro defendendo com notas e declarações, logo lançando uma campanha ou bandeira que acomode e dê respaldo a um projeto governista.

Fruto direto de seu governismo e de sua defesa aberta da privatização da educação, perderam grande parte do espaço que tinham nas universidades, praticamente desapareceram das universidades públicas. Desprezados pela grande maioria dos estudantes onde atuavam, buscaram abrigo nas instituições privadas.

Mesmo concentrando suas forças nas faculdades privadas, as principais lutas desenvolvidas por estudantes da rede particular, não só não tiveram a participação da UNE, como foram lutas contra a reforma e contra a entidade. Exemplo disto foi a manifestação da PUC-SP que vinha com imensas faixas dizendo “Abaixo a reforma universitária!”.

No dia 11 de agosto enquanto estudantes de todo o país organizavam paralisações, manifestações contra a reforma, a UNE ia em uma colorida passeata a Brasília cobrar agilidade na aprovação da reforma, ato que se encerrou com uma festiva celebração com o Ministro da Educação Tarso Genro.

Combinado com a defesa do projeto, a Une mostrou mais uma vez ser a menina dos olhos do governo, se lançando em uma campanha pela institucionalização do ensino pago, o que caiu como uma luva para o MEC, que necessitava de legitimidade para a compra de vagas no ensino privado com dinheiro público, do PROUNI. Imposto o Prouni por medida provisória, o PC do B deu prosseguimento ao seu papel de cão de guarda do governo. Respondeu a criticas feitas pelo ex-Ministro da Educação Paulo Renato ao Mec, antes mesmo do ministério se pronunciar rebatendo todos ataques feitos.

O cúmulo da hipocrisia, vem com a “campanha de caça aos tubarões” sob o slogan de “estudante não tem medo de tubarão” alegando estar contra os grandes empresários da educação. Pura falácia, os palacianos do Pecedobê/Une durante todo mandato Luiz Inácio, foram justamente quem mais defendeu a regularização do ensino privado, bem como a compra de vagas ociosas do PROUNI que salva os tubarões de prejuízos e a isenção fiscal do PROUNI”.

Após o recesso parlamentar de fim de ano, diretoria nacional da UNE se reuniu em SP, de onde saiu a analise de conjuntura do movimento estudantil, intitulada “Apenas começamos”, documento que reafirma que: o grande desafio da Une é fazer que as possibilidades de mudanças apresentadas com o governo lula se concretizem”“.

Fruto da mesma reunião saiu a análise de conjuntura nacional, com titulo “Organizar a luta e a esperança para mudar o Brasil”, onde explicitam no ponto três: “Estamos entre aqueles que lutam pelo sucesso do governo Lula, na rota das transformações econômicas sócio políticas e culturais… Queremos que este campo vença as eleições presidenciais de 2006”.

Ao lado da Une lutando pelo sucesso do governo estão grandes burgueses e latifundiários, como o oligarca José Sarney, o monopolista José de Alencar, bem como uma extensa bancada de latifundiários assassinos, o ex-presidente do Banco de Boston Henrique Meirelles, assim como os EUA, o FMI e o BM que ao lado do PC do B apostam todas as suas fichas na administração Luiz Inácio, e também torcem para que ele se reeleja em 2006.

Diferentemente do primeiro ano de governo onde os pelegos reduziam sua atuação a simples propaganda e defesa do Governo, o segundo ano foi marcado pela radicalização do governismo do Pecedobê, tanto que no Rio chegaram a invadir com a PM um encontro de estudantes independentes, que se realizara na UERJ, e traçaria os rumos das lutas pelo passe e contra a reforma.

O Pecedobê poupando esforços do MEC, encaminhou a Brasília um pedido reivindicando que um projeto iniciado pelos militares na década de 60 fosse relançado, o Projeto Rondon que, em 67 cumpriu o objetivo de garantir o controle do estado e reprimir os camponeses da região de Rondônia.

Seu relançamento não cumpre papel diferente, sob o pretexto de cuidar da preservação do meio ambiente, logo o projeto cumprirá seu objetivo de empreender mapeamento e repressão contra o Movimento Camponês.

Completando sua análise de conjuntura, a Une ainda revela sua preocupação com a repulsa geral de trabalhadores e estudantes e reafirma a necessidade do governo reconstruir a sua relação com os movimentos sociais, a fim de retomar seu prestígio.É com este objetivo que em um esforço conjunto com a Rede Globo e a Fundação Roberto Marinho, a Une lança o projeto Memória do Movimento Estudantil, tentando utilizar o combativo passado da entidade para dar legitimidade as suas ações governistas, bem como tentar resgatar a imagem de figuras que estão na linha de frente da privatização como o reacionário José Dirceu e todo o bando de renegados, e dedo duros que hoje compõem o governo. Se reúnem com o mais reacionário monopólio de comunicação do país, dizendo querer resgatar a história do movimento estudantil. Vejamos só, logo a Rede Globo que em toda sua história dedicou seus jornais contra o povo, publicando matérias contra as manifestações da década de 60, que estampava em seus jornais fotos de estudantes procurados pelo regime militar.

Estes dois anos foram a comprovação prática do que estava indicado há tempos, a Une atua como fiel aliada do governo e grande inimiga dos estudantes.