Quem reeduca quem?

Baixe o Texto Completo em PDF: Quem reeduca quem?


 

É com enorme satisfação e júbilo revolucionário que publicamos o texto “Quem reeduca quem?”. Obra produzida pelo Grupo de Redação de Crítica Revolucionária de Shanghai no auge da Grande Revolução Cultural Proletária, sendo traduzida por nós a partir da versão em espanhol publicada no livro “Enseñanza y revolución – Mao Tse-tung y otros autores” pela Editorial Anagrama em outubro de 1976.

c05

O documento que se segue é de grande importância a todos aqueles que lutam por uma educação que sirva ao povo, na perspectiva da construção da nova sociedade socialista. Trata-se de contundente crítica feita pelas massas chinesas dirigidas pelo Partido Comunista da China e guiadas pelo presidente Mao Tsetung, ao revisionismo soviético kruchevista no campo da educação, a partir de uma minuciosa analíse científica da obra Pedagogia da autoria de N. A. Kairov, verdadeiro tratado do ensino revisionista na URSS, editado logo após o XX Congresso do PCUS.

A questão principal que se coloca é a luta pela defesa do poder nas mãos do proletariado, pela continuidade da ditadura do proletariado até o comunismo,  o que leva os autores a polemizarem e esclarecerem o ponto de vista marxista sobre uma série de questões cruciais à educação revolucionária, tais como: O que é a educação e o ensino,  as diferentes teorias do conhecimento nas sociedade de classes, o significado histórico da educação burguesa, a relação entre o estado e a educação, entre outros.

Desta forma, “Quem reeduca quem?” possui importante valor histórico, político e, sobretudo, ideológico, pois expressa a luta de milhares de massas chinesas por fazerem a revolução no ensino, contribuindo para a construção do construírem o comunismo na China e a revolução proletária mundial, nesta que foi a mais avançada experiência histórica do proletariado e demais classes exploradas a construção da luminosa sociedade do futuro.


“Quem reeduca quem?”

(crítica ao livro de N. A. Kairov, Pedagogia)

A “decisão do Comitê Central do Partido Comunista da China sobre a Grande Revolução Cultural Proletária”1, elaborada por meio da direção pessoal do Presidente Mao Tsetung, diz: “Reformar o antigo sistema de educação assim como os antigos princípios e métodos de ensino é uma tarefa extremamente importante para Grande Revolução Cultural Proletária atualmente em marcha”. Neste momento devemos prosseguir esta tarefa ” extremamente importante” formulada pelo Presidente Mao.

c06Uma importante tarefa da revolução proletária no ensino é a necessidade de persistir na crítica revolucionária de massas, por meio do pensamento de Mao Tsetung2 a fim de liquidar a influência perniciosa da linha revisionista contra-revolucionária introduzida no ensino pelo renegado Liu Shao-chi, agente do inimigo e traidor da classe operária. Os fundamentos teóricos desta linha se encontram no tratado Pedagogia3 da autoria de N. A. Kairov, “eminente” obra do ensino revisionista na URSS. O primeiro capítulo da edição de 1956 mostra que tal tratado contribui para a realização das “novas tarefas no campo da educação definidos pelo XX Congresso4” dos revisionistas soviéticos e que apontam todas ao mesmo objetivo: a restauração do capitalismo.  Pouco depois do começo da revolução socialista na China, Liu Shao-chie seus agentes no campo da cultura e da educação – Lu Ting-yi   e seus sequazes – designaram tal obra de Kairov como manual de ensino para as escolas de formação de professores do país.

Buscavam, desta forma, se opor a linha proletária do Presidente Mao. Em 1957 enviaram o mesmo Kairov a Pekin e Shangai, especialmente para permiti-lo difundir sua absurda teoria. Nesta ocasião, Liu Shao-chi o recebeu pessoalmente e teve uma entrevista “de peito aberto ” com o mesmo. Em 1958 nossos professores e estudantes revolucionários, seguindo a linha revolucionária proletária do presidente Mao, impulsionaram a revolução no ensino e criticaram despiedosamente a Kairov e sua Pedagogia. Lu Ting-yi saiu na defesa de Kairov e tratou de sabotar este potente movimento revolucionário, afirmando num grande estalido que Pedagogia era um “livro socialista”. Ao expor a lei da luta de classes durante o período socialista, o Presidente Mao disse: “O proletariado quer transformar o mundo segundo sua própria concepção de mundo e a burguesia segundo a sua. Portanto, a este respeito, não está decidido quem prevalecerá, se o socialismo ou o capitalismo.” Quem reeduca quem? Devemos transformar as velhas escolas burguesas segundo a concepção do Presidente Mao sobre a educação proletária ou permitir que o sistema pedagógico de Kairov reine em nossas escolas? Trata-se de uma luta encarniçada entre o proletariado e a burguesia na frente da educação. Neste sentido, é indispensável analisar e criticar a obra Pedagogia de Kairov, com a ajuda do marxismo, do leninismo e do pensamento-maotsetung, para desenvolver em profundidade a revolução no ensino.

Dois pontos de vistas diametralmente opostos sobre a educação

O que é a educação?

No primeiro capítulo de seu tratado Kairov responde claramente: “a educação é um fenômeno puro da humanidade”. Esta definição anula completamente uma realidade fundamental, a saber, que na sociedade de classes a educação é um fenômeno da luta de classes. Não se trata em absoluto de “receber uma educação apropriada para ser homem”. A educação responde sempre a necessidade de uma classe de manter seu domínio. É uma necessidade da luta de classes e não do homem como noção abstrata. Uma classe, seja qual for, educa sempre a educação jovem segundo sua própria concepção de mundo e sua linha política, no objetivo de formar seus sucessores e consolidar seu domínio. Depois de conseguir o poder o proletariado deve transformar a educação, instrumento de dominação da burguesia, em um instrumento para suprimir este domínio e eliminar de uma vez por todas a burguesia e demais classes exploradoras e transformá-la em uma importante posição, por meio da qual “o proletariado deve exercer em todos os setores sua ditadura sobre a burguesia no nível da superestrutura, inclusive nos diversos setores da cultura”. Através da educação proletária devemos formar entre os operários, os camponeses pobres e médios, e os combatentes do Exército Popular de Libertação, trabalhadores instruídos que tenham consciência socialista, para consolidar a ditadura do proletariado e levar até o fim a revolução e a construção do socialismo. Não permitiremos nunca destruir, por meio de nenhum pretexto, o claro caráter de classe desta educação.

Kairov, elevado as nuvens por Lu Ting-yi, que o qualifica de pedagogo “socialista”, definiu desta maneira a essência de sua educação: é a “velha geração que transmite seus conhecimentos e suas experiências a geração jovem”. Portanto, as escolas socialistas tem como tarefa primordial ensinar a seus alunos conhecimentos gerais, profundos e exatos, sobre a natureza, sociedade e o desenvolvimento do pensamento humano.

Como um papagaio, Lu Ting-yi repetia: “a definição de educação é muito clara: transmitir conhecimentos e assimilar conhecimentos. Isto é o que entendo por educação.”

Trata-se verdadeiramente disto?