Comissão PRÓ-DA de Pedagogia organiza “Arraiá no C.E.” em defesa da Pós-Graduação no Centro de educação da UFPE

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No dia 22 de junho, às vésperas do São João, a Comissão Pró-DA de Pedagogia do Centro de Educação da UFPE organizou atividade cultural junina que integrou estudantes, professores e funcionários.  A Banda Sagarana, com muita criatividade, chegou para animar a festa. Tocaram cavalo-marinho, coco-de-roda, ciranda e muito forró. Teve até quadrilha organizada pelo Professor Everson de Artes que envolveram todos em uma grande roda no Hall do Centro. Estudantes do Conexões de Saberes, programa de extensão da UFPE, chegaram também pra contagiar, enquanto outros fantasiados, trouxeram comidas típicas para deixar a festa mais animada.

Em protesto contra a orquestra que estão armando contra a Pós-Graduação no Centro de Educação UFPE, um boneco gigante chegava vestido para o meio do povo, estampando a frase “Pós-Graduação no C.E: Pós-Graduação no C.E.: O que tu tens haver com isso? Não esCAPES!”

O MEPR apóia iniciativas como essa e defende que um movimento estudantil autenticamente popular e de luta, deve organizar todos os aspectos da vida dos estudantes, promovendo atividades que integrem e difundam a cultura genuinamente popular.

Abaixo segue manifesto feito por Professores e alunos em defesa da Pós.

 

PÓS-GRADUAÇÃO OU PÓS-SEGREGAÇÃO?

POR UMA POLÍTICA HUMANISTA, AUTÔNOMA E EDUCATIVA.

(UMA OUTRA PÓS É POSSÍVEL!)

Estudantes da graduação e da Pós, particularmente, leiam este manifesto. Diz respeito, também, a nós.

O Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da UFPE, deu um ultimato a 15 docentes: publicar até dezembro de 2011, em periódico1 B2.

Esta posição do Programa reflete a orientação da CAPES quanto ao seu modelo de “avaliação” imposto aos Programas de todo o País. Tal “orientação” quantitativista, racionalizadora e punitiva (e não avaliativa), contradiz a orientação do SINAES2 no qual a UFPE está inserida.

Arrai_UFPENa perspectiva da autonomia e da emancipação, o SINAES prega que “a avaliação educativa precisa questionar os significados da formação e dos conhecimentos produzidos em relação ao desenvolvimento do país, ao avanço da ciência e à participação ativa dos indivíduos que constituem a comunidade educativa na vida social e econômica”. A “autoavaliação institucional deve ter, portanto, um caráter educativo (..) devendo ser evitados rankings e classificações através de notas, menções e distintos códigos numéricos, alfabéticos e outros”.

Essa política de submissão, adotada pelo Programa, não é a melhor saída, pois obriga docentes-pesquisadores a canalizarem suas energias e criatividade aos veículos que hierarquicamente são definidos pelos burocratas de Brasília. A aprovação “por unanimidade” (por aqueles que sofrerão a punição), representa bem a debilidade psíquica que se encontram estes: para não serem identificad@s como incompetentes, participam da própria guilhotina. É jogar e legitimar o jogo que já define sua própria derrota injustamente

A expulsão dos docentes não garante a qualidade do Programa.

Há uma questão ética nesse debate, apesar de não acreditarmos nessa possibilidade: @s docentes envolvid@s nas decisões podem votar critérios e expulsões por interesses próprios. Por não “simpatizar” com tal ou qual, ou por melhorar seu currículo, ficando com os orientand@s daqueles/as que foram afastad@s.

O sofrimento e a geração de enfermidades são grandes problemas neste mercado de trabalho, decorrente dessa política desumana. Depressão, síndrome de pânico, doenças psicossomáticas, cânceres estão associadas à redução do universo humano à competição e à competência (quase sinônimos).

Defendemos que a discussão não deve se reduzir a critérios de punição, mas a discussão da finalidade, valores e missão do Programa. Está na hora deDefesa_da_ps_no_CE discutirmos “Pra que e Pra quem” serve um Programa de Pós-Graduação em Educação. Precisamos discutir a qualidade da formação que nós estudantes recebemos quanto aos aspectos intelectual, ético e político-pedagógico. Nós precisamos ser incluídos neste debate – não apenas da “avaliação punitiva”, mas quanto às decisões gerais e à própria existência deste Programa. O Programa precisa ser democratizado. Não é mais aceitável que os estudantes tenham apenas um representante no Pleno. Queremos uma forte ampliação na participação do Pleno, incluindo estudantes da graduação e servidores. Isto sim, em nosso entendimento, é condição para avaliação sistemática e permanente.

Não podemos esquecer que as decisões do Pleno da Pós, que é uma instituição pública, dizem respeito não somente aqueles que participam dele, mas a todos que sofrem seus efeitos: estudantes da graduação, pós-graduação, docentes, servidores técnico-administrativo e a sociedade em geral.

Esta medida, aprovada no Pleno da Pós, surtirá efeito na qualidade da democracia da instituição:

1) diminuindo o acesso dos estudantes da graduação à Pós-Graduação;

2) sobrecarregamento dos docentes com orientações, em medida que @s docentes que ficarem terão que assumir @s estudantes que perderam @s docentes pela expulsão;

3) ferindo o princípio da instituição: “A pesquisa como princípio educativo”;

4) ferindo a qualidade das orientações e do ensino com o sobrecarregamento dos docentes.

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Neste sentido, não podemos ficar assistindo decidirem sobre nossas vidas, como sempre tem acontecido. De que educação e política falamos, se nos omitimos ou somos coniventes com estas práticas? Julgamos indispensável construir movimentações públicas que coloquem o problema na agenda. Algumas ações já estão sendo encaminhadas. Junte-se a elas. Promovamos outras. Façamos realmente valer o discurso da democracia e de uma educação transformadora!

1A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) instituiu um ranqueamento das revistas científicas, identificando quais revistas poderiam ser publicadas: essas são classificadas/hierarquizadas como local, regional, nacional e internacional e quanto ao grau: A1, A2, A3, A4, B, C e D.

2 Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior(SINAES) . Este foi criado pela Lei n° 10.861, de 14 de abril de 2004. Já a Portaria MEC n° 2.051, de 09 de julho de 2004, regulamentou os procedimentos. Administrativos. A UFPE criou a CPA que tema responsabilidade de encaminhar a avaliação institucional. A CPA foi instituída pela Reitoria, através da Portaria de Pessoal (PP) (1.291/2004) designando como coordenadora a PROACAD, cinco docentes, um representante dos estudantes e um dos servidores técnico-administrativo.