Fora PM e Rodas da USP! Apoio incondicional à ocupação da REItoria e à greve geral na USP!

Abaixo o fascismo na USP!

Em assembléia realizada na terça-feira dia 8/11, com a participação de mais de 3000 estudantes, os alunos da USP decidiram entrar imediatamente em greve contra a prisão arbitrária e os processos contra os estudantes envolvidos na ocupação da reitoria e pela revogação do convênio USP-PM. Trata-se de uma resposta à altura, àqueles que pensam que as medidas repressivas podem conter a luta.

Cavalaria_na_USP

 

Nós do Movimento Estudantil Popular Revolucionário entendemos como um verdadeiro dever de todos os estudantes brasileiros o apoio incondicional à luta dos estudantes da USP. A ocupação, que com certeza deve ser caracterizada como histórica, foi mantida com firmeza apesar de toda campanha difamatória movida pelos monopólios de imprensa e organizações oportunistas. Mais uma vez o tal “Estado democrático de direito” revelou sua verdadeira face: para cumprir a reintegração de posse, segundo Nota Pública dos presos políticos da USP, foram mobilizados mais de 400 homens da Tropa de Choque, Cavalaria, helicópteros, carros especializados e inclusive foi fechado o Portão 1, mantendo os estudantes presos dentro do campus. Ao todo 73 estudantes foram presos e acusados de crimes de depredação do patrimônio público, crime ambiental, descumprimento de ordem judicial e formação de quadrilha.

Nem o regime militar ousou ir tão longe! Na invasão do Exército às dependências da UnB, por exemplo, em 1968, tida como uma das mais violentas perpetradas pelos milicos, 60 estudantes foram presos. Número inferior ao dos estudantes presos agora na USP, portanto. E, lembre-se, também os militares diziam defender a “democracia”, contra “pequenos grupos autoritários”, etc, etc. Não é aqui nenhuma coincidência. Inclusive os monopólios de imprensa que agora atiçam a repressão contra os estudantes da USP, como Globo, Veja, Folha de São Paulo e asseclas, são rigorosamente os mesmos que aplaudiram o golpe de abril de 64.

Tropa_de_Choque_na_USPTrata-se do velho critério hipócrita de dois pesos e duas medidas. Quando os estudantes se opõem à presença da polícia na universidade, quando recorrem à ocupação da REItoria pelo simples fato de que as outras vias de debate estão completamente vedadas à comunidade acadêmica e sobretudo aos estudantes, são “antidemocráticos”, “vândalos”, “drogados”, etc; quando a polícia militar prende estudantes no interior da universidade, arromba portas e agride os jovens, quando o reitor-interventor  João Grandino Rodas impõe o convênio com a PM assassina, demite funcionários e move processos contra lutadores, aí, nesse caso, trata-se da “normalidade”, das “vias democráticas”, etc. Importante lembrar que Rodas ficou em segundo lugar na eleição para a reitoria da USP, quando foi derrotado pelo professor Glaucius Oliva, do Instituto de Física. Rodas foi empossado por José Serra, valendo-se da prerrogativa da lista tríplice, numa inversão que não ocorria desde o governo de Paulo Maluf ainda sob o regime militar.

Pois muito bem, se essa é a via “legal e democrática”, abaixo essa legalidade e democracia burguesas, que nada mais são que a paz dos cemitérios, o direito do povo aceitar calado às chicotadas que lhes impõe!

 

Viva o direito de resistência! Rebelar-se é Justo!

Ocupao_na_USP_foi_exemplo_de_combatividadeO povo em geral, e também os estudantes, têm o direito à rebelião, o direito de não aceitar  decisões contrárias aos seus interesses. Supostamente a Universidade possui autonomia, ou seja, é dever da administração acadêmica esgotar todos os recursos internos de diálogo, mas isso jamais ocorreu. Assim que iniciou o movimento de ocupação os monopólios de imprensa começaram uma verdadeira campanha orquestrada de satanização do movimento estudantil, desinformando a população com o claro intuito de legitimar a desocupação violenta da reitoria. Na verdade, é a velha estratégia de inverter a situação real: os estudantes da USP, que defendem sua universidade da privatização e da gestão obscurantista de Rodas, que não foi democraticamente eleita, são apresentados como “invasores”, ao passo que a Tropa de Choque da Polícia é “convidada” e inclusive instigada a invadir a universidade. Os estudantes são bandidos, e a polícia militar de São Paulo, que somente em 2010 cometeu 495 autos de resistência (ou seja, assassinatos registrados como “resistência seguida de morte”) é a “redentora” da USP.

Trata-se de uma opinião completamente obscurantista, fascista mesmo. A velha desculpa de que a polícia está na USP para “proteger as pessoas” foi desmentida de maneira flagrante pela própria desocupação arbitrária da REItoria: a polícia está na universidade para intimidar, espionar e reprimir o movimento estudantil.

Charge_de_Latuff_sobre_a_USPE aqui cabe à pergunta: que devem os estudantes fazer? Ficar de braços cruzados esperando que a “opinião pública” mude? Esse é o caminho apontado pelos oportunistas, que sempre dizem que “não é o momento”, que devemos “preparar melhor as condições”, e outras lenga-lengas por todos conhecidas. Devemos dizer com todas as letras que isso nada mais é do que aceitar a mordaça que colocam em nós os governos de plantão e a imprensa amestrada. A única forma de polarizar a opinião pública é, em primeiro lugar, manter uma posição firme e inflexível na luta, porque se não há luta evidentemente não será possível que haja apoio à mesma; em segundo lugar, fazer propaganda entre a população, diretamente, sem intermediários, com cartazes, manifestações públicas, panfletagens em praças e sinais de trânsito, etc. Todos os métodos de luta contra a arbitrariedade e a fascistização da universidade são justos e devem ser utilizados! As ocupações de reitoria que se encerram com a ordem de reintegração de posse são já um método atrasado de luta, que não responde aos anseios dos estudantes e ao quadro de crise crônica da educação pública em nosso país. Aceitar as ordens de reintegração de posse como o limite “natural” às ocupações é simplesmente transferir a democracia interna e a independência do movimento estudantil e da própria universidade para as mãos do Poder Judiciário, que é um comprovado inimigo das lutas do nosso povo.

 

Não aos plebiscitos, eleições e acordões! Greves e ocupações são o único caminho!

Além da disposição de resistência, o outro aspecto mais importante da luta na USP foi o fato de os estudantes se organizarem por fora da estrutura completamente burocratizada do DCE e das direções oportunistas de PSOL e PSTU, que de boca defendem o “novo movimento estudantil” mas de fato são completamente aparelhistas e traidores da luta conseqüente. A prática é o critério da verdade, e portanto devemos julgar as entidades e organizações políticas não apenas nem principalmente pelo que pronunciam, mas por sua atitude concreta diante dos acontecimentos.

Assemblia_decidiu_pela_greve_imediata

O fato, indiscutível, é que essas organizações se opuseram à ocupação do prédio da FFLCH e, depois, da REItoria. Não é novidade nenhuma, aliás: já na histórica ocupação de 2007 defenderam por mais de 10 assembléias consecutivas a desocupação, ao passo que nacionalmente se apresentavam como “porta-vozes” da mobilização. Se lemos os comunicados do DCE da USP (dirigido pelo PSOL) e do PSTU vemos uma denúncia da repressão no campus, lógico, porém ressalvas e mais ressalvas à ocupação da REItoria. É cristalino: defendem apenas as mobilizações que podem controlar. Em nome de “esperar a opinião pública”, como dissemos mais acima, evitam por todas as vias tomar uma posição clara sobre os acontecimentos, preocupados em manter a imagem de uma “esquerda bem comportada” que possa angariar alguns votinhos nas próximas eleições. Pretender “retificar”, corrigir, criticar o movimento das massas, ao invés de impulsiona-lo, essa é historicamente a postura adotada pelo oportunismo visando deslegitimar a luta. Sem falar do velho apelo à “unidade”, que nada mais é que o apelo à submissão de fato dos estudantes às entidades burocratizadas, a renúncia à luta em nome de um consenso rebaixado e sem princípios.

Há dois caminhos em disputa atualmente no movimento estudantil brasileiro, não em teoria, mas na prática: de um lado o caminho da ocupação da REItoria na USP e a disposição de resistência demonstrada pelos estudantes, caminho de luta que também é trilhado pelos estudantes e professores da Universidade Federal de Rondônia, que mantém greve e ocupação da REItoria e já enfrentaram prisões de ativistas e tentativas de reintegrações de posse; de outro lado, o caminho da conciliação, o caminho já desacreditado de promover marchas à Brasília e plebiscitos, além de convocar unidade de ação com a UNE governista.

Entendemos que cada vez mais estudantes escolherão marchar pelo caminho da luta. Não só aqui como em todo o mundo a tendência de rebelião dos povos e da juventude se acentua, como vemos no Norte da África, Grécia, Chile e demais países. Essa é a tendência, ao passo que o oportunismo e a conciliação são apenas uma contracorrente, que será cada vez mais varrida pelos estudantes em luta e pelos próprios acontecimentos, que exigem cada vez mais audácia e menos covardia.

 

 VIVA A GREVE GERAL NA USP E NA UNIR!

ABAIXO A PRISÃO E PROCESSOS CONTRA OS ESTUDANTES!

FORA RODAS-PM!

REBELAR-SE É JUSTO!