Intifada carioca!

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Não foi apenas a bandeira da Palestina, altiva, que se fez presente hoje (novamente) na combativa manifestação do Rio de Janeiro. O espírito abnegado daquele povo, que não se deixa quebrar apesar de uma luta desigual, enfrentando muitas vezes apenas com sua bravura as hordas genocidas do invasor, parece ter se apoderado de cada um dos presentes a mais essa jornada de luta. Às cenas da tomada, com pedras e paus, do prédio da ALERJ, ou dos jovens que subiram no Caveirão impedindo seu avanço, se somaram hoje novas imagens que não devem em heroísmo às da luminosa nação do Oriente Médio. Hoje, sem dúvida, nas proximidades do Palácio Guanabara, éramos todos palestinos!

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Apesar do aparato repressivo de guerra, contando com cavalaria, jatos d’água, Caveirão, carros de combate do BOPE e muito gás e balas de borracha, apesar da covardia cometida contra populares que apenas externavam o apoio à juventude combatente, apesar do uso de armas letais, apesar do discurso terrorista dos monopólios de imprensa… apesar de tudo isso e mais um pouco o que se viu hoje não foi um massacre, e sim uma heróica resistência. Tremam gordos parasitas, que falam em simplicidade e caridade do alto de seus helicópteros e palácios: seus dias estão contados! Trema polícia covarde, capitães do mato do século XXI, arrogante no abuso sobre massas desarmadas, rapidamente posta a recuar frente à artilharia popular de coquetéis molotov! Tremam oportunistas, que têm coragem ainda de dizerem-se socialistas e revolucionários, enquanto praticam o mais podre e medroso pacifismo e eleitoralismo –merecendo cada vez mais o título de juventude Rede Globo! Tremam todos os inimigos jurados do povo, porque a bandeira da Rebelião, a bandeira da Revolução pede passagem. Como diz a bela canção revolucionária, “o risco que corre o pau corre o machado, não há o que temer; aqueles que mandam matar também têm que morrer”!

“Ei, Cabral: cadê o Amarildo?”

No ato em repúdio à chacina perpetrada pela Polícia Militar na favela da Maré, no último mês de junho, os moradores ergueram uma faixa onde se lia: “A PM que reprime na avenida é a mesma que mata na favela”. Poucos dias se passaram desse hediondo crime, e já outro toma conta do noticiário: trata-se do desaparecimento do morador da comunidade da Rocinha Amarildo Souza Lima, preso por policiais da UPP no dia 14 e que jamais retornou para casa. Em virtude disso, uma das palavras-de-ordem mais entoadas hoje foi justamente a que questiona o desaparecimento de mais essa vítima da violência policial. Nem no caso de Amarildo, nem no da Maré, se viu um centésimo da comoção que os monopólios de imprensa e “autoridades” demonstraram pela depredação de meia dúzia de lojas caras no bairro do Leblon.

Na verdade, essa PM é verdadeiramente especializada em crimes contra o povo – e sua atuação na repressão política é apenas a parte mais evidente disso. De janeiro de 1998 a setembro de 2009, somente no Estado do Rio de Janeiro, 10.216 pessoas foram assassinadas em suposto “confronto” com as polícias civil e militar, o que dá uma média de 2,4 assassinatos diários. A tal “liberdade de imprensa”, tão cacarejada pelas classes dominantes como um pilar da sua “democracia”, foi novamente posta a prova: dois jornalistas independentes, do coletivo Mídia Ninja, foram presos, e mais uma vez um repórter do jornal A Nova Democracia foi ferido, dessa vez com quatro balas de borracha. Outro jornalista da Agência France-Press foi ferido na cabeça por um golpe de cassetete. Há também relatos de uso de armas letais, e o número de feridos não está confirmado.

“Não adianta nos reprimir, esse governo vai cair!”

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Esse Sérgio Cabral fascista expressa realmente, com toda sua estupidez, a verdadeira face do Estado brasileiro para o povo. Todos se lembram de suas declarações ridículas acusando o movimento de bombeiros de vândalos, ou do seu secretário Beltrame dizendo que as mulheres das áreas pobres são “fábricas de produzir marginais”. Ou, mais recentemente, dizendo das manifestações contra o aumento das passagens que tinham um “ar político”, como se se tratasse de uma conspiração palaciana e não de um movimento de massas. Suas relações com a empreiteira Delta, com Eike Batista ou a utilização de helicóptero de luxo comprado com dinheiro público para passear com a família são apenas os menores dos hediondos crimes que ele e sua quadrilha praticaram nos últimos anos contra nosso povo.

Nada indica que as manifestações irão cessar. Se a massividade não é a mesma da vista em meados de junho, o que é natural, o nível de politização da população como um todo se eleva a um patamar sem precedentes na história recente, o que fica claro no repúdio dirigido à polícia de dentro dos carros ou do alto de prédios. Quanto mais repressão e terrorismo lançam contra as manifestações, mais admiração e disposição para a luta elas despertam em novas camadas da população. Afinal de contas, onde há opressão há também resistência!