Barrar o aumento, defender e ampliar o passe-livre estudantil!

Protestos_contra_o_aumento_iniciaram-se_em_junho_do_ano_passado

No último dia 30/01, em decreto, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, aumentou o valor das passagens  de ônibus de R$2,75 para R$3,00, contrariando o relatório técnico do Tribunal de Contas do Município que sugeria redução de vinte centavos no valor da tarifa. Com medo dos protestos, entretanto, e em decorrência de meses de mobilização da juventude carioca, instituiu, no mesmo decreto, o passe-livre universitário para estudantes cotistas, integrantes do PRO-UNI e todos aqueles que comprovarem ter renda familiar per capita de até um salário mínimo. O passe-livre passa a valer também nos fins de semana e feriados, inclusive para alunos do ensino básico. Apesar de limitado, trata-se de um dos raros direitos conquistados pela população nos últimos anos, não por acaso, após meses de luta radicalizada e incessante. Esse é o caminho que os jovens de todo o Brasil devem seguir.

 

Cabral, Paes e Dilma tremem diante do protesto popular

Na mesma semana o governador Sérgio Cabral, registrando os maiores índices de rejeição do país, anunciou que não haverá aumento nos trens, barcas e metrô, que são concessões estaduais. Pudera! Após pane na linha ferroviária que prejudicou 600 mil passageiros num único dia, em janeiro, Cabral sabe muito bem a revolta que teria de enfrentar. Entretanto, como é de praxe, a manutenção dos preços será “compensada” com novos subsídios às empresas, às custas dos impostos pagos pelo povo trabalhador.

No caso da Prefeitura, trata-se, evidentemente, da tentativa de equilibrar interesses inconciliáveis. Pressionado, de um lado, pela máfia dos transportes, principal doadora de campanha para prefeitos; por outro, pelos protestos, ameaçando seriamente a Copa e as Olimpíadas de 2016, Eduardo Paes tenta com esse decreto apaziguar o ânimo da luta. Doce ilusão! A ampliação do passe-livre para centenas de milhares de pessoas, a partir desse decreto, só comprova que é pela via da luta combativa e radicalizada que o povo consegue seus direitos. Assim foi no início dos anos 1990, quando os secundaristas conquistaram o passe-livre, após jornadas de luta massivas e radicalizadas; assim foi agora, com as já históricas jornadas de junho, que no Rio se prolongaram até outubro com a greve dos professores.

Conquistado com barricadas, cabe agora aos estudantes barrar o aumento das passagens e lutar pelo passe-livre irrestrito e integral, derrubando também a máfia dos transportes.

 

UNE/UBES chapas-branca sempre defenderam o meio-passe

Só mesmo a cara lavada de oportunistas pode justificar que nas páginas de UBES e UNE se busque vincular a ampliação do passe-livre no Rio a essas entidades carcomidas e sem nenhuma legitimidade entre a massa estudantil. Ao contrário: não só os partidos que integram essas empresas de carteirinha não são responsáveis por essa conquista como formaram o tempo todo o coro dos que acusavam a juventude combatente de “fascista”. Aliás, como se sabe, a posição desses burocratas sempre foi a de defender o meio-passe, agindo como verdadeiros porta-vozes das prefeituras e empresários entre a juventude.

E mesmo esse meio-passe nunca saiu do papel, apesar das intermináveis listas de abaixo-assinados, discurseiras e marchas pacíficas organizadas pela pelegada. Bastou, entretanto, que a juventude saísse as ruas, radicalizadamente, rompendo a camisa de forças imposta pelo oportunismo, para que viessem abaixo todas as desculpas “técnicas” a respeito da “impossibilidade” de conceder esse direito fundamental, sem o qual o acesso ao ensino superior é simplesmente impossível para a maioria dos jovens. Trata-se de um exemplo para a juventude de todo o país, exemplo de que direitos, ainda que limitados, só se conquistam e defendem com mobilização e luta!