1º Ato Contra o Aumento das Passagens no Rio de Janeiro e golpe governista em plenária unificada

No dia 5 de janeiro de 2015 ocorreu o 1º Ato Contra o Aumento das Passagens no Centro da cidade do Rio de Janeiro, contando com a presença de por volta de mil pessoas, que saíram do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) em direção a Cinelândia.

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 O ato saiu do IFCS, pois nessa data estavam marcados duas plenárias, de um lado a da Frente Independente Popular (FIP-RJ), que tem vanguardeado a campanha de liberdade de todos os presos políticos e pela extinção de todos os processos, do outro lado o IV Encontro Contra o Aumento das Passagens, espaço surgido para a discussão da mobilidade urbana e do passe livre. Como forma de articular as pautas e massificar ambas as lutas, resolveu-se unificar as plenárias, buscando assim construir um calendário de atividades integrando a questão das passagens e da liberdade de todos os presos políticos.

 

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  Porém, a plenária unificada contava com a presença de diferentes correntes políticas, muita delas antagônicas entre si, indo do governismo, passando pelos diferentes matizes do oportunismo eleitoreiro chegando à existência da juventude combatente e combativa representada pela FIP e ativistas independentes. Tendo em vista essa composição e conhecendo a prática consequente dos membros da FIP de rechaço ao Estado burguês-latifundiário e seus gerentes – sejam eles municipais, estaduais ou federal – os elementos governistas e oportunistas proporão logo no início da plenária a realização de um ato e suspenção desta. Essa proposta antecedeu a intervenção conjunta dos membros da FIP, que fizeram a proposta de expulsão de TODOS os elementos governistas (PT/Pecedobê/UJS/UNE) por entender que estes são a direita! Que na cidade de São Paulo o aumento foi decido pela gerência petista! Além disso, essa corja nada tem feito de substancial para o povo em 12 anos a frente do velho Estado, seja no que diz respeito à habitação, educação, saúde e transporte, seja da falácia do seu projeto (falido) de “reforma agrária” ou na intensificação da criminalização e repressão dos movimentos populares no campo e na cidade.

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 Observando essa medida como um golpe, nós do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) em conjunto com outros integrantes da FIP intervimos e denunciamos essa tática rasteira, que visava cessar qualquer tipo de debate e minar a organização da luta na cidade. Entretanto, a mesa composta por integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) não encaminhou a proposta de expulsão, passando para a discussão do trajeto do ato.

 Gostaríamos de deixar registrado e demarcado em linhas bem definidas a nossa inestimável indisposição e repulsa de compormos um espaço de discussão, que conta com as presenças lastimáveis de PT/Pecedobê e a entidade aparelhada e burocratizada por estes: a UNE, onde ambos contribuíram e contribuem para a desmobilização, despolitização e cooptação do movimento popular a nível nacional, direcionando-o para seus fins meramente eleitoreiros, traindo o povo.

 Diante desse cenário e em baixo de uma forte chuva que se abatia sobre o Centro da cidade, a manifestação tomou as ruas, fazendo muita agitação política, onde mais uma vez a juventude combatente se fez presente, entoando um tom combativo ao ato, cantando palavras de ordem contra o aumento das tarifas dos transportes públicos e desmascarando a gerência PT/Pecedobê que persiste em tentar se camuflar de “esquerda” apesar de seu caráter fascista, como também incorporando outras importantes bandeiras como a liberdade de todos os presos políticos do campo e da cidade e a denúncia da farsa eleitoral e a defesa do caminho revolucionário como forma de transformação real das condições de vida de nosso povo.

 A cada dia que passa está mais claro a necessidade do movimento popular dar um passo a frente, cindir-se do governismo e oportunismo. Esse passo não é apenas necessário, mas imprescindível para o desenvolvimento da luta popular, pois os elementos governistas/oportunistas retardam o povo, acorrentando a sua disposição de combate, aprisionando a sua rebeldia, impedindo o seu caminhar e entravando o seu desenvolver.

 Conclamamos a TODOS e TODAS a assumirem a importante tarefa de combater implacavelmente o governismo e o oportunismo, tarefa fundamental para a própria conquista de direitos, pois o que garantiu historicamente os poucos direitos que o povo têm acesso foi a pressão popular através do caminho combativo e combatente, acuando gerencias municipais, estaduais e federal.

 Convocamos a TODOS e TODAS a se incorporarem a campanha pela liberdade de Igor Mendes e todos os presos políticos da cidade e do campo, a defesa dos direitos de livre manifestação e organização e a luta contra o aumento das tarifas dos transportes públicos, lembrando que em junho de 2013 o aumento das tarifas foi barrada pela intensificação do levante popular, que caracterizou-se pela luta combativa e livre das ilusões do caminho institucional-parlamentar, mostrando que a luta é difícil e prolongada, mas a vitória é sempre possível e um dia há de chegar!

 Liberdade imediata para Igor Mendes e todos os presos políticos da cidade e do campo!
Se não abaixar a passagem do busão, eu vou pular roleta e vai ter rebelião!