“Não vai ter copa!” X “Não vai ter golpe!”

Reproduzimos abaixo duas matérias publicadas na edição nº167 do jornal A Nova Democracia a fim de ilustrar a nossa compreensão sobre a situação política atual, demonstrando que não passa de disputa entre grupos de poder pelo controle do velho Estado genocida a atual polarização, amplamente fomentada e instigada pelo monopólio de imprensa, Rede Globo à cabeça, que coloca de um lado os corruptos (mas só os do PT) e do outro os “defensores da ética e da moral na política”, os primeiros travestidos de “esquerda” e os últimos cada vez mais declaradamente fascistas. Quando, na verdade, a real polarização, as reais contradições na nossa sociedade são as que opõem camponeses, operários, pequena e média burguesias (burguesia nacional), ou seja, o povo brasileiro em geral contra o velho Estado burguês-latifundiário, serviçal do imperialismo, principalmente ianque, todo seu sistema político podre e corrupto e sua farsa eleitoral.

 Ampliar o protesto popular! Defender nossas escolas e universidades públicas e todos os nossos direitos ameaçados por este Estado fascista e seus gerentes de turno! Impulsionar a Revolução Agrária!


“Não vai ter copa!” X “Não vai ter golpe!”

 

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As jornadas de protesto popular iniciadas em junho de 2013 foram as maiores manifestações de massas já vistas no Brasil. Nunca tanta gente se pôs em movimento e ousou contestar o arbítrio do velho Estado em questões que foram desde a tarifa do transporte público até a defesa do direito de manifestação.

A juventude combatente se apresentou e enfrentou destemidamente as forças de repressão, num ímpeto incontrolável, que deixou em pânico as classes dominantes e os gerentes do velho Estado, bem como todos os membros das diversas siglas do Partido Único. Particularmente o oportunismo eleitoreiro de PT, pecedobê, Psol, PSTU e corriola, quando perceberam a impossibilidade de dirigir as manifestações com suas pautas reformistas e eleitoreiras, passaram a atacar, sem sucesso, as manifestações, tachando-as de fascistas, unicamente porque não estavam sob suas asas.


Mesmo durante as jornadas de 2013, passou a ganhar corpo a consigna de“Não vai ter copa!”, com que as manifestações prosseguiram vigorosas, denunciando a roubalheira na construção dos estádios, as mamatas para a Fifa, as remoções de populações pobres para favorecer a especulação imobiliária, etc.

Desde o início, o “Não vai ter copa!” foi bombardeado de todos os lados, pela impossibilidade de sua realização cabal, principalmente pelos oportunistas, que então não hesitavam em vestir a camisa da CBF e gritar que os defensores do “Não vai ter copa!” eram “golpistas de direita”. Não faltaram intelectuais a soldo do PT para definir os protestos como fascistas. Os que protestavam, entretanto, tratavam de denunciar e desmoralizar o gerenciamento oportunista, conseguindo ampla repercussão entre os movimentos populares, até internacionalmente.

O GOLPE DO OPORTUNISMO

É praxe desse oportunismo eleitoreiro mais seboso atacar tudo que a ele se opõe como golpista, querendo passar imagem de governo popular mesmo quando opera e implementa as políticas mais violentas e discricionárias das classes dominantes.

Ao mais leve sinal de instabilidade, os atuais gerentes de turno do velho Estado saem a gritar “É golpe! É golpe!”. E isso faz parte do modus operandioportunista desde sempre. O objetivo disso é coagular em torno de si as ovelhas desgarradas, descontentes com o “governo”, mas temerosas de “algo pior”.

Pois bem, 2013 evidenciou algo claro para os verdadeiros democratas e revolucionários há muito tempo: que o PT e seus puxa-sacos não eram mais capazes de mobilizar massas para defender sua gerência.

A oposição eleitoreira, na velha disputa entre grupos de poder, em intensa luta por retornar à gerência do velho Estado, se valeu dessa fragilidade e, diante da crise econômica, intensificou seus ataques por todos os lados, culminando no atual processo de impeachment que ora assistimos.

E como sempre falta originalidade ao oportunismo, seus publicitários tiveram a “brilhante” ideia de parafrasear a palavra de ordem “Não vai ter Copa”, convertendo-a em “Não vai ter golpe!”.

Ao que tudo indica, porém, não obterão o mesmo sucesso, já que a tendência principal é que Dilma, Lula e o PT serão mesmo apeados do poder através de julgamento político no congresso, assim como Collor, que depois foi inocentado no STF, lembram?

Então onde está o golpe? Ora, o golpe está justamente em convocar sua militância e gente temerosa com a “perda da democracia” para defender um governo que ataca diariamente os direitos trabalhistas, aprova leis antipovo, arrocha salários, desnacionaliza a economia, corta verbas para a educação, etc., e que se espojou na corrupção como todos os outros. E pra quem acha que está ruim, aguarde a prometida contrarreforma previdenciária que esse governo pretende aprovar.


Terroristas são o velho Estado e seus gerentes


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Parece não ter fundo o poço em que afunda o atual gerenciamento de turno do velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro, encabeçado pelos oportunistas eleitoreiros de PT, pecedobê e cia.

A sanção por Dilma Rousseff, no último dia 16 de março, da chamada “lei antiterror” é mais um ingrediente na imensa crise política, já que se soma a outras tantas medidas antipovo que comprovam que o gerenciamento do oportunismo nada tem de “esquerda” ou “popular”.

Sintomaticamente da putrefação em que se encontra todo o sistema de poder e de governo, a aprovação da lei antiterror no senado, semanas antes da sanção de Dilma, marcou uma afinação perfeita entre a situação e a “oposição”, que no mesmo dia também aprovou a desnacionalização do pré-sal, a grande bandeira ufanista do PT em campanhas eleitorais.

Tratando do texto em si, Dilma vetou alguns artigos aprovados pelo senado, por serem muito “amplos e vagos” e ensejarem “penas injustas”. O congresso, entretanto, pode derrubar esses vetos e devolvê-lo ao texto originalmente aprovado, uma geringonça apresentada pelo PT e emendada pelo PSDB.

Em suma, mesmo constando do texto que “movimentos sociais” não estarão sujeitos a essa lei, é do conhecimento de todos que este é um conceito que se aplica especificamente aos movimentos chapa-branca ou àqueles que fazem uma oposição domesticada ao governo.

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO FASCISMO

Nenhuma novidade. O jornal A Nova Democracia tem afirmado que a aprovação desta lei nada mais é que a institucionalização do fascismo praticado pelo velho Estado brasileiro. Vem se somar a um imenso arcabouço jurídico criminalizador da pobreza e das lutas populares.

E quando o Estado não pode invocar as leis, sempre há um policial disposto a impor a pena capital nas favelas e bairros proletários das cidades grandes e pequenas Brasil afora.

E o que dizer dos 23 ativistas populares presos e perseguidos políticos das manifestações de 2013 e 2014, que até hoje respondem por crimes “comuns” como formação de quadrilha, porte de arma, dano ao patrimônio, etc?

Sobretudo, aos defensores da velha ordem e atuais apologistas do Estado democrático de direito vem bem a calhar uma legislação que enquadre qualquer movimento contra o establishment que use recursos diferentes da sabujisse habitual e dos métodos do oportunismo eleitoreiro, já que foi mesmo nas jornadas de protesto popular de 2013 que se desvendou uma força ainda muito desorganizada, mas que representa a grande novidade na política nacional, a Juventude Combatente fora do controle de qualquer sigla do Partido Único.

É sobretudo contra essa juventude que se dirige mais essa legislação antipovo.