USP EM ESTADO DE SÍTIO

Reproduzimos aqui em nosso site matéria publicada pelo blog do Jornal A Nova Democracia que denuncia a recente militariazação da Universidade de São Paulo e a criminalização do movimento estudantil com a prisão de aproximadamente 70 estudantes que ocupam a reitoria exigindo o fim do convênio da Universidade com a Polica Militar. Este acontecimento, absurdo diga-se de passagem, remonta aos anos de chumbo da ditadura militar e demonstra escancaradamente para o povo o papel que não ha´ se quer um pingo de democracia neste velho estado brasileiro. Por outro lado aponta a necessidade para os estudantes de se prepararem cada vez mais para as maiores batalhas…. 


USP EM ESTADO DE SÍTIO

Por Rafael Gomes

 

“Você vem me agarra, alguém vem me solta

Você vai na marra, ela um dia volta

E se a força é tua ela um dia é nossa”

MPB4 – Pesadelo

 

Por volta das 5 horas da manhã de 8 de novembro, cumprindo ordens do gerenciamento Alckmin e do reitor José Grandino Rodas, um grande aparato policial sitiou a USP para reprimir e retirar, à força, os estudantes que ocupam a reitoria da universidade desde o dia 2 de novembro.

 

Encapuzados (eles podem?), sem identificação e fortemente armados, policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais – GATE e soldados da tropa de choque atacaram os ocupantes.

Simultaneamente, policiais cercaram o Conjunto Residencial da USP para impedir que os estudantes residentes saíssem das moradias para se juntarem aos manifestantes. Os policiais reprimiram os protestos dos moradores do conjunto com balas de borracha e bombas de efeito moral. Em resposta, os estudantes ergueram barricadas com bancos de concreto para deter a tropa de choque.

 

Os estudantes acusam a polícia de truculência durante o ato de desocupação. Uma jovem que tentou se desvencilhar dos policiais foi agredida e amordaçada, mantida presa em um cômodo. Também há denúncias de que os policiais tenham agredido vários estudantes, quebrado objetos da universidade e feito intimidações contra os ocupantes da reitoria.

Após a violenta ação policial, a PM apresentou garrafas dizendo se tratar de “coquetéis molotov” e os atribuiu aos ocupantes, o que foi veementemente negado pelos estudantes, que acusam a reitoria, o gerenciamento Alckmin e a PM de tentar criminalizar o movimento e imputar acusações de crimes comuns (crime ambiental, formação de quadrilha, desobediência civil e depredação de patrimônio público) quando se trata de uma luta política contra a presença policial na universidade e pela saída do reitor Rodas.

O resultado da selvageria: 73 estudantes detidos, obrigados a assinar o termo de flagrante. Primeiramente foi imposta uma fiança de mais de mil reais para a liberação dos detidos, valor posteriormente reduzido para R$ 545.

 

E em mais uma de suas demonstrações antidemocráticas o gerente estadual Alckmin chegou a dizer que “os estudantes da USP deveriam ter uma aula de democracia”, e para dar sua esperada “lição” enviou a polícia.

Domênico Colacicco, diretor do sindicato dos trabalhadores da USP, denunciou a situação dos estudantes presos. Eles estariam desde o momento da prisão sem água, proibidos de ir ao banheiro, sem direito a comunicação.

Centenas de estudantes fizeram uma manifestação em frente ao 91º DP, na zona Oeste de São Paulo, em solidariedade aos seus companheiros presos. O protesto teve início no campus e seguiu até a delegacia. Na tentativa de intimidar novamente a mobilização estudantil, a PM fez um cordão de isolamento. Indignados, os manifestantes gritavam palavras de ordem pela libertação dos presos e pela saída da PM do campus.

Como de costume, o monopólio das comunicações ataca o movimento estudantil da USP, omitindo suas justas reivindicações de saída imediata da PM do campus e do reitor João Grandino Rodas, responsável por inúmeras medidas contra a universidade como terceirizações, tentativas de privatização e dura repressão desencadeada contra estudantes, professores e funcionários.

Particularmente a revista Veja e a rede Globo desencadearam campanhas virulentas ao longo dos últimos dias na tentativa de desqualificar a luta estudantil, utilizando o pano de fundo do “consumo de drogas” e tachando os estudantes como “mimados revoltados”,  desinformando a população, buscando isolar o movimento e criminalizá-lo.

A luta dos estudantes da USP há muito ultrapassou os muros da universidade e prova, através de suas ações, que irá se sustentar até que suas reivindicações sejam atendidas.