O golpe do Mepe nas eleições do Caped (Maceió) e a nota covarde da RECC (Goiânia)

O que é o Mepe? O Mepe é uma frente oportunista que atua na Pedagogia, composta por estudantes da chamada “esquerda” da Une, da RECC e da RP-AL. A RECC e a RP-AL, organizações autodenominadas anarquistas, durante os anos de 2012 e 2013, chegaram a participar do Campo de Luta, frente organizada pelo MEPR na Pedagogia contra o oportunismo da Une; no entanto, desde 2014, esses dois movimentos, apesar de sempre lançarem consignas contra o governismo, foram se aproximando cada vez mais do velho movimento estudantil brasileiro. Em 2014, a RP-AL apoiou o projeto de ENEPe apresentando pelo LPJ (Une); em 2015, a RP-AL e a RECC se uniram à UJC (Une) na tentativa de impedir a realização do ENEPe em Porto Velho; em 2017, RECC e RP-AL foram dirigidos pela UJC (Une) na tentativa derrotada de implodir o ENEPe em Petrolina. Em 2018, o Mepe fez seu 1º Encontro Nacional, em Maceió, no qual a plenária final contou com apenas 35 participantes e a maior delegação foi mobilizada pela UJS (pecedobê).

Essa é a curta história do Mepe. Mas, ademais de seu crescente oportunismo, nada se compara às suas ações na UFAL durante o ano de 2018, em sua vergonhosa gestão do Centro Acadêmico de Pedagogia, o Caped:

1. Em abril, de 2018, o Mepe, através do Caped, abriu um processo administrativo contra uma estudante recém ingressa na Pedagogia. Essa estudante, Tarsila Pereira, é militante do MEPR e membro da ExNEPe. Nesse processo o Mepe questionava a condição de aluna ouvinte de Tarsila nas turmas do 1º período;

2. No mesmo mês de maio, a reitoria da UFAL, atendendo ao processo do Mepe/Caped expulsou a estudante Tarsila, tendo a mesma sido retirada de sala pela coordenadora do curso de Pedagogia;

3. Em julho, a estudante Tarsila volta a estudar no curso de Pedagogia da UFAL, agora não mais como aluna ouvinte;

4. Após três meses sem gestão do Caped, o Mepe empossou uma comissão eleitoral que definiu o calendário e as regras das eleições;

5. Estudantes da UFAL, vinculadas à ExNEPe, juntamente com a companheira Tarsila, conformaram a chapa Pedagogia em Movimento, contra o imobilismo da antiga gestão do Caped. O Mepe conformou outra chapa que não chegou a soltar um panfleto sequer. Já a campanha da Pedagogia em Movimento sacudiu o Centro de Educação e conquistou inúmeros apoios entre os estudantes.

6. Nas vésperas das eleições, a comissão eleitoral montada pelo Mepe anunciou em um comunicado pela internet que as eleições do Caped estavam canceladas! Com medo da derrota, o Mepe deu um autogolpe, cancelando o próprio calendário eleitoral estabelecido por eles!

Tudo isso foi feito, como pode ser visto nas imagens, com o papel timbrado do Mepe! O autogolpe nas eleições do Caped é cara do Mepe: fraseologia de esquerda, slogans contra a Une, mas a prática é a mesma do velho movimento estudantil. Fizeram de tudo para impedir o trabalho do MEPR na UFAL e para sabotar a realização do 38º ENEPe Alagoas. E o que fizeram não foi por forças deles, foi se apoiando nos setores mais atrasados da burocracia universitária da reitoria e do centro de educação. Foram apoiados pelos senhores feudais dos departamentos e pelas igrejinhas mais reacionárias. A expulsão da estudante Tarsila, tramada pelos pelegos do Mepe, foi justificada pela reitoria da UFAL textualmente da seguinte forma: “para que a paz voltasse a reinar no ambiente acadêmico”.

Esse é o Mepe! Não puxou nenhuma luta na UFAL, nem em nenhuma outra parte do Brasil. O que fizeram nos dias 23 de novembro, Dia Nacional de Luta na Pedagogia, de 2016 e 2017? Nada! O que fizeram contra a falsa regulamentação da profissão do pedagogo? Somente cartazes virtuais de facebook.

A ExNEPe assumiu desde 2016 uma posição de luta ativa e classista; deixou de ser apenas uma entidade organizadora de encontros nacionais para ser uma entidade atuante no dia a dia das universidades. Em julho de 2018, ocorreu o 38º ENEPe, em União dos Palmares, Alagoas, com mais de 400 estudantes de todo o Brasil. No dia 02 de agosto, a ExNEPe organizou atos em todo o país contra a BNCC, e no dia 10, manifestações contra o corte de verbas da CAPES. Essa é a ExNEPe, combativa, classista e atuante, que o MEPR tem orgulho de ajudar a impulsionar. É contra essa ExNEPe de luta que o Mepe imobilista, com suas braçadas de afogado, tenta atacar. O Mepe tentou usurpar a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia, mesmo se unindo com todo rebutalho oportunista eleitoreiro de UJS e outros, foi fragorosamente derrotado. O velho movimento estudantil da Une, travestido de combativo foi totalmente desmascarado.

RECC-X9: deduragens vergonhosas e mentiras deslavadas

Na UFAL, o Mepe junto à reitoria expulsou uma estudante de luta, promoveu um vergonhoso autogolpe nas eleições do CAPEd, e em Goiânia a RECC tem a cara de pau de soltar uma nota acusando o MEPR de autoritarismo, aparelhamento, golpismo e outras mentiras mais. Em sua nota, a RECC protesta contra uma pichação “Abaixo o fascismo da RECC!”, que dizem ser de nossa responsabilidade. A nota da RECC, como demonstraremos, é uma sucessão descarada de mentiras, isso nos fez lembrar a frase de Goebels, ministro nazista, que dizia que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Se essa for a forma da RECC de travar luta política, então, a acusação de fascismo não lhes terá caído mal. O que certamente estão fazendo, é patrulha ideológica e querem encobrir esta prática repetindo em sua nota que não vão criminalizar ninguém

A RECC inicia sua nota retomando a história de luta da Pedagogia. Relembram as batalhas de 2006 contra as DCNs e dizem que foi neste ano a ruptura da ExNEPe com a Une. Iniciam sua nota expressando total desconhecimento da história da Pedagogia. Primeiramente, a ExNEPe rompeu com a Une em 2004, no ENEPe de Natal, quando a proposta apresentada pelo MEPR derrotou a UJS na plenária final. De lá para cá, todos os ENEPes reafirmaram essa posição. Em 2006, o que houve foi a histórica greve nacional da Pedagogia, que culminou num ato em Brasília, contra o Ministro da Educação do PT, Fernando Haddad, no qual 30 estudantes foram presos, dezenas deles processados. Todos estes eram militantes do MEPR!

Claro que essa parte da história a RECC não conta, primeiro porque não participou de nenhuma dessas lutas, segundo porque ao criminalizar o MEPR quer esconder nosso papel de vanguarda na ruptura da Pedagogia com o velho movimento estudantil da Une. Depois disso, a RECC inicia suas acusações vergonhosas: umas são deduragens puras, outras mentiras deslavadas. Todas cumprem um só papel: a criminalização do MEPR.

Dentre outras coisas a RECC nos acusa de “vitimização” e de estarmos “colhendo o que plantamos”. Eles não especificam qual vitimização e colheita são essas. Talvez estejam se referindo aos nossos companheiros que acabaram de ser condenados no processo dos 23 do Rio de Janeiro; talvez queiram dizer que estamos colhendo condenações com nosso plantio revolucionário. Se é a isso que se referem lhes dizemos o seguinte: olhem para a postura do companheiro Igor Mendes, punho erguido diante do carrasco, o juiz Itabaina; nós do MEPR nunca nos vitimizamos! Nem em 2006, quando os nossos foram presos no MEC, ou em 2003, após o ataque de molotovs ao consulado ianque no Rio, quando três companheiras e dois companheiros do MEPR foram para a prisão. Sobre colheitas e plantações, o que temos a dizer é que: “Quem semeia vento, colhe tempestade!” Bem-vinda, seja!

Talvez a referida vitimização, que a RECC nos acusa, seja a do caso da estudante Tarsila. Então a RECC acha normal que uma estudante ouvinte, de um movimento político revolucionário seja expulsa pela reitoria e pela coordenação de curso depois de um processo administrativo movido por um centro acadêmico? É se fazer de vítima denunciar esse absurdo? Absurdo é se calar diante de um ataque fascista como este! Não aceitaremos expulsões como essas de nenhum estudante, seja de qual movimento for. Não aceitaremos golpes vergonhosos como o dado pelo Mepe nas eleições do Caped; enquanto revolucionários é nosso dever denunciar práticas como essas.

Dentre suas mentiras deslavadas, a RECC acusa o MEPR: de “intimidação e espionagem assim como faz o Estado burguês”, de que enviamos “homens maoístas de outros estados para intimidarem mulheres do Mepe”, e de “autoritarismo e agressões psicológicas, verbais e físicas”. A primeira acusação não merece resposta, pois parece ter saído da cartola do Cabo Daciolo. Quanto as outras duas são acusações seríssimas, que a RECC repete sem nenhum fundamento, ou nenhuma comprovação. Repetem mentiras dos reformistas da UJC que diante da total derrota política contra o MEPR só lhes restaram falsas acusações de machismo. Mentiras sem fim no lugar da luta política aberta de posições, clima de torcida organizada no lugar do embate político, isso não tem outro nome: é fascismo. Aliás, sobre agressão física e violência sexual contra mulheres quem entende é a RECC que teve militantes seus formalmente acusados destas práticas horrendas.

Mas não só de mentiras vive a RECC, ela também acusa o MEPR de impulsionar na Pedagogia a campanha em defesa da vida e da saúde do Presidente Gonzalo. O Presidente Gonzalo, Dr. Abimael Guzmán, doutor em filosofia, dirigente máximo do Partido Comunista do Peru, é o preso político mais importante no mundo hoje. Está encarcerado nas masmorras peruanas há 26 anos e incomunicável desde 1992. Em 2016, a ExNEPe, em sua reunião em Petrolina, decidiu participar de uma campanha internacional em defesa da vida e da saúde deste revolucionário. Agora a RECC-X9 revela para os juízes Itabaianas de plantão que esta ação foi uma proposta do MEPR. Realmente RECC, isso deduragem, é patrulha ideológica, isso é prática fascista!

Em sua nota pública, a RECC acusa o MEPR de utilizar a ExNEPe como um “canal para fortalecer, apoiar o movimento camponês e aplicar a teoria maoísta”. Que serviço é esse RECC? Só faltam agora divulgarem no site de vocês o disque-denúncia do Rio de Janeiro para auxiliar o juiz Itabaiana em sua caçada contra o MEPR. O que vocês estão fazendo é muito sério. O processo no Rio de Janeiro é uma escalada fascista contra a juventude combatente e nosso movimento é um dos alvos principais. Após condenarem nossos companheiros por “formação de quadrilha armada”, agora preparam a condenação igualmente absurda dos jovens Caio e Fábio pela morte do cinegrafista da Band.

Combater o oportunismo e todas as formas de fascismo

Rechaçamos, portanto, o oportunismo do Mepe, suas práticas fascistas pós-modernistas na UFAL: a expulsão da estudante Tarsila e o autogolpe no Caped. Rechaçamos também a prática mentirosa e dedo-duro da RECC em suas acusações e criminalização do nosso movimento.

O MEPR é uma organização democrática revolucionária de estudantes, que passou a se organizar no ano de 1995, após as rupturas nos Congressos da Une e da Ubes. Durante esses mais de 20 anos de luta sempre estivemos na linha de frente de todas as lutas que participamos: desde a luta contra a cobrança de mensalidades nas escolas e universidades, quando vários de nossos companheiros foram expulsos por boicotarem essas absurdas cobranças (UFMG e UPE); até os grandes enfrentamentos da juventude combatente em 2013, nos principais centros urbanos do país. O auge dos levantamentos de 2013 teve seu pico no Rio de Janeiro, mas se iniciou com a luta contra o aumento das passagens em Goiânia e Porto Alegre, em maio daquele ano. Em Goiânia, o MEPR atuou, como sempre, na linha de frente! Os levantamentos de junho/julho de 2013 não nos pegou de surpresa, esperávamos há anos por um levante como aquele. E estávamos preparados! As expulsões, as prisões não nos colocam um pingo de medo. Os ataques do Mepe, as deduragens da RECC também não. Enfrentamos coisa muito pior. Enfrentamos durante os anos de 2002 à 2013 um duro cerco do oportunismo encastelado no velho Estado de PT e PCdoB, ou de suas filiais como o PSTU. Enfrentamos e derrotamos tudo isso. Esse foi nosso plantio, outros 2013 virão, e nossa seara será ainda mais vermelha!