Paul Robeson: Para Você, Querido Camarada

Para Você, Querido Camarada

Originalmente publicado em New World Review, Abril de 1953. Créditos: “MIA”

Não há história mais rica da experiência humana que os velhos contos, poemas e canções folclóricos de um povo. Em muitos deles, os heróis são sempre totalmente reconhecíveis humanos – apenas em dimensões maiores e mais abrangentes. Assim é com o folclore Russo, Chinês e Africano.

Em 1937, uma animada platéia de cidadãos de Moscou: trabalhadores, artistas, jovens, camponeses de cidades distantes lotaram o Teatro Bolshoy. Eles estavam esperando a apresentação do Teatro Nacional de Uzbek, liderado pela premiada Tamara Khanum. Era uma grande orquestra com instrumentos antigos e modernos. Quão excitante seria a mistura da música de uma rica cultura de Moussorgsky, Tchaikovsky, Prokofiev, Shostakovich, Khrennikov, Gliere com aquela bela música de Uzbek, vinda de tão orgulhosa e antiga civilização!

De repente todos se levantam e começam os aplausos. As crianças acenavam, animadas.

No camarote à direita, sorrindo e aplaudindo o público – assim como artistas no palco – estava o grande Stálin.

Eu me lembro das lágrimas começando a surgir lentamente e eu também sorrindo e acenando. Aqui estava um homem que parecia abraçar a todos. Tão gentilmente – eu jamais esquecerei o sentimento de bondade e o sentimento de segurança. Aqui estava aquele que era sábio – o mundo, e especialmente o mundo socialista, foi feliz em ter essa liderança. Eu levantei alto meu filho Paul para que ele acenasse o líder mundial, seu líder. Paul Jr. Havia entrado na escola em Moscou, na terra dos Soviets.

A incrível apresentação começa, revelando novas maravilhas a cada mudança – conjunto e individual, vocal e orquestra, clássico e danças regionais de impressionante originalidade. Poderia isto ser possível poucos anos antes, em 1900, em 1915, – quando essas pessoas viviam a semi-servidão, sua expressão cultural era proibida, sua rica herança quase perdida baixo a opressão czarista?

Então aqui se testemunhou um mundo de arte, uma cultura nacional em forma, socialista em conteúdo. Aqui estava um povo bastante comparável com alguns povos tribais da Ásia, com os orgulhosos Yoruba ou Basuto do Oeste e Leste da África, porém agora a vida deste povo florecia de uma nova maneira dentro do caminho socialista de 20 maduros anos sob a liderança de Lenin e Stálin. Agora em toda esta área de desenvolvimento das minorias nacionais – em comparação com os grandes russos – Stalin tem desempenhado um papel decisivo.

Eu estava atrasado para viajar – para ver com meus próprios olhos o que acontecia com os assim chamados no Ocidente (na Inglaterra, na Bélgica, França, Portugal, Holanda) “povos atrasados”. Os Africanos, os Indianos, muitos dos povos Asiáticos eram considerados tão atrasados que talvez séculos tivessem que se passar para que os colonos passassem a fazer parte da sociedade moderna.

07 Nov 1950, Washington, DC, USA — 11/7/1950-Washington, DC- Photo shows a general view of the celebration at the Russian Embassy tonight to mark the 33rd Anniversary of the October Revolution. Negro singer Paul Robeson, unofficial guest at the party, can be seen, center, in front of Soviet Premier Joseph Stalin’s portrait. Not one American official was noted among the 1,000 guests who jammed the mansion. — Image by © Bettmann/CORBIS

Porém na União Soviética, Yakuts, Nenetses, Kirgiz, Tadzhiks têm respeitado e ajudado a avançar com inacreditável rapidez nesta terra socialista. Sem promessas vazias, tal qual os negros continuam a ouvir nos Estados Unidos, mas atos. Por exemplo, a transformação do deserto do Uzbequistão em férteis campos de algodão. Um velho amigo meu, Mr. Golden, treinado sob Carver em Tuskegee, desempenhou um papel de destaque na produção de algodão. Em 1949, vi sua filha, agora crescendo em uma universidade – uma orgulhosa cidadã soviética.

Hoje na Coréia, Sudeste da Ásia, na América Latina e na Índia Ocidental, no Oriente Médio, na África, qualquer um vê dezenas de milhões de oprimidos dos povos coloniais se insurgindo em direção à liberdade. Quanta coragem! Quanto sacrifício! Quanta determinação em não descansar até a vitória!

E posicionados contra eles a combinação de forças do assim chamado Ocidente Livre, liderados pelos gananciosos, com fome de lucro e mente de guerra, industriais e barões das finanças da nossa América. A ilusão de um “Século Americano” cega eles do presente imediato, do fato de que a civilização passou eles para trás. De que agora vivem em um século dos povos. Que a estrela brilha no Leste da Europa e do mundo. Povos coloniais hoje olham as Repúblicas Socialistas e Soviéticas. Eles vêem como, com o grande Stálin, milhões como eles próprios encontraram uma nova vida. Eles vêem ainda, guiado e auxiliado pelo exemplo da União Soviética, liderados por Mao Tsetung, uma nova china acrescentando seu poder para o verdadeiro e expansivo estilo de vida socialista. Eles vêem antigas nações semi-coloniais do Leste Europeu construindo a nova Democracia Popular, baseada no poder popular com o povo trilhando seu próprio destino. Então muito desse progresso se edifica pela magnífica liderança, teórica e prática, dada pelo seu amigo Joseph Stálin.

Eles cantaram, cantam e seguirão cantando sua consagração (praise), em canções e histórias. Slava, slava, slava Stalin, glória a Stálin. Para sempre estará seu nome sendo honrado e querido em todas as nações.

Em todas as esferas da vida moderna a influência de Stálin atinge largo e profundo. Desde a primeira até sua última obra, extremamente discernido e abrangente, ao longo dos anos, suas contribuições para a ciência de nossa sociedade mundial continuam tendo valor inestimável. Uma fala com respeito a Marx, Engels, Lenin e Stálin – os fundadores do presente e futuro mais ricos da humanidade.

Sim, através de sua profunda humanidade, por seu largo conhecimento, ele deixa a nós uma rica e monumental herança. Mais importante, ele traçou a direção de nossa presente e futura luta. Ele apontou o caminho da paz, da coexistência amigável, da troca mútua das contribuições científicas e culturais, do fim da guerra e da destruição. Quão conscientemente, quão pacientemente ele trabalhou pela paz e ainda aumentou a abundância, com profundas bondade e sabedoria. Ele deixa dezenas de milhões em todo planeta curvados em dolorosa tristeza.

Porém, como bem conhecido, a luta continua. Então, inspirado por seu nobre exemplo, vamos levantar nossas mãos lentamente, porém com orgulho em frente à luta pela paz, por uma vida rica e que valha a pena para todos.

Nas palavras inspiradas de Lewis Allan, nosso compositor progressista:

To you Beloved Comrade, we make this solemn vow
The fight will go on—the fight will still go on.
Sleep well, Beloved Comrade, our work will just begin.
The fight will go on—till we win—until we win.