Governo fascista chinês aplica repressão brutal contra estudantes na semana da celebração do natalício de Mao Tsetung

Veio à tona no último dia 26 de dezembro a notícia de mais uma prisão de um estudante na Universidade de Pequim. O estudante Qiu Zhanxuan é um conhecido dirigente maoísta, presidente da Sociedade Marxista da Universidade de Pequim.

A Sociedade Marxista da Universidade de Pequim organizou um ato e foi reprimido.

O estudante estava se dirigindo a celebração dos 125 anos do nascimento do Presidente Mao Tsetung na manhã do dia 26, quando foi agarrado por oito agentes policiais à paisana. Ele foi forçado a entrar em um carro e ficou por um dia inteiro nas mãos da polícia chinesa.

Dois dias após o ocorrido, no dia 28 de dezembro, um protesto de estudantes foi reprimido por guardas do campus da Universidade de Pequim. Cerca de 12 estudantes entraram em confronto com os guardas. E após, 8 estudantes foram levados para dentro de um prédio e lá ficaram até o final do dia. Entre eles estava o presidente do grupo, Qiu Zhanxuan. A principal pauta da manifestação era o rechaço à tentativa de dissolver a Sociedade Marxista daquela Universidade.

Ato no dia 28 de dezembro em repúdio à medida da Universidade de dissolução da organização estudantil.

Após a prisão de Qiu Zhanxuan na manhã do dia da celebração do natalício do Mao Tsetung, a administração da Universidade decidiu montar um “novo comitê” para gerir a Sociedade Marxista. A alegação para tal ação era que seu presidente, Qiu, não era qualificado para liderar a Sociedade, e que os membros dela “se desviaram das promessas feitas organizando diversas tividades que violaram as normas”.

Ação de estudantes em apoio à greve dos trabalhadores da JISAC.

Segundo os estudantes, a absurda medida, caso não fosse revogada, obrigaria a Sociedade Marxista a entrar na clandestinidade.

A Sociedade Marxista da Universidade de Pequim se organiza com o objetivo de estudar o marxismo, mas não apenas. Ela organizou e participou das missões em solidariedade a operários chineses grevistas no segundo semestre de 2018. O grupo tem se lançado vitoriosamente no vínculo com o movimento operário, aplicando o princípio marxista sutentando por Mao Tsetung de “se ligar às massas”.

A ação foi organizada pela Sociedade Marxista da Universidade de Pequim, importante organização estudantil.

Estudantes deflagram campanha de Solidariedade a operários em luta

A partir do mês de maio, os estudantes participaram da campanha em solidariedade às lutas dos trabalhadores da empresa Jasic Technology. Neste mês ocorreu a importante greve de operários desta empresa, em Shenzhen, província de Guangdong, no sul da China. A resposta do governo foi reprimir brutalmente os operários em luta. Sete foram demitidos e dezenas presos.

Militantes comunistas da geração da GRCP tomaram parte da campanha de solidariedade aos trabalhadores da JISAC.

O fato gerou grande comoção por parte do povo e levou à ações de solidariedade por parte de veteranos militantes comunistas que participaram da Grande Revolução Cultural Proletária e também de estudantes. Em 6 de agosto houve um ato neste município e os operários carregavam retratos de Mao Tsetung. Novos e velhos maoístas se uniram por toda a China em solidariedade aos operários em torno do Grupo de Solidariedade aos Trabalhadores da Jasic (JASIC Workers Solidarity Group, em inglês).

Operários, Estudantes e Militantes veteranos organizaram ato em apoio a trabalhadores.

A repressão atingiu também ao movimento estudantil organizado. Após os acontecimentos da greve, o governo incrementou a vigilância às Sociedades da Universidade de Pequim e de Nanquin. Ainda assim, em uma ocasião, grupos estudantis das duas universidades se uniram em uma campanha que exigia a imediata libertação dos operários.

Acuado, o governo chinês foi obrigado a reprimir também os estudantes. Outros estudantes de diferentes partes do país foram presos e sequestrado pelo governo chinês nos meses que se seguiram a estes acontecimentos.

Vídeo divulgado pela Sociedade Marxista da Universidade de Pequim

Atuação dos estudantes maoístas chineses representa séria ameaça ao sistema capitalista chinês

Junto aos operários em luta, estão estes estudantes chineses. E isto constitui um importante movimento de desmascarar o caráter de classe burguês do governo chinês. Desde as entranhas da ditadura fascista que se instaurou a partir do golpe que restaurou o capitalismo na China, perpretado por Teng Siao-ping em 1976, se desenvolve a luta do povo chinês por se ver liberto das garras da classe capitalista, agora organizada sob o Partido que se autodenomia “comunista”.

Foi o golpe restauracionista que possibilitou que todo o sistema econômico, político, o Estado chinês e o Partido Comunista mudasse sua cor: de estado socialista de 1949 até 1976 para um estado capitalista imperialista a partir de então. Se a China atual figura entre as maiores potências economicas imperialistas, isto se deve ao fato de que o estado chinês se sustenta numa superexploração da classe operária. Este sistema conta inclusive com trabalho escravo, salários miseráveis e todo tipo de benefício aos grandes monopólios transnacionais e também megaempresas chinesas.

Para sustentar tal sistema, o Estado chinês se vale da repressão aberta e da política de corporativização dos trabalhadores e de todo povo. Toda e qualquer iniciativa que se desvie da política de total controle do governo é reprimida brutalmente. Isto fica claro no caso da luta dos operários da JASIC por um sindicato independente e na luta dos estudantes por manter sua organização estudantil independente.

O povo chinês segue resistindo e lutando, como é a tendência com o aprofundamento da crise do sistema imperialista. E o movimento estudantil chinês, ao longo destes meses, tem se colocado ao lado do proletariado, enfrentando todo tipo de repressão, intimidação e nunca abrindo mão de seus princípios.

Nós, do MEPR, desde o Brasil saudamos a luta destes estudantes revolucionários. Nos juntamos à denúncia da repressão e em solidariedade à Sociedade Marxista da Universidade de Pequim e aos trabalhadores da JASIC.