RJ: PM atira contra estudante de odontologia da UFF e acusa-o de ser traficante

Campanha movida no Rio de Janeiro exige justiça para estudante da UFF.

Na última segunda (29) veio à tona mais um crime perpetrado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. O 7º Batalhão da PM (São Gonçalo) abriu fogo contra a população durante uma operação na comunidade do Brejal, localizado na região metropolitana do Estado do Rio. O crime ocorreu no sábado (27) e ao menos duas pessoas ficaram baleadas, entre elas o estudante negro do 3º período de Odontologia David Nobio da Silva, de 22 anos e Ramon de Souza Gregório.

Além de ser vítima de mais uma operação de guerra, ocorrida no contexto de prosseguimento e incremento da política militarização das comunidades do Rio de Janeiro do governo militar de Bolsonaro (PSL), os jovens foram acusados de homicídio, de portar armas, um rádio comunicador e uma quantidade de drogas. O que gerou ainda mais revolta foi o fato de o estudante David ter ficado 48 horas desaparecido.

Na segunda-feira, amigos do estudante resolveram ligar para a família para avisar que não o viam desde sábado. Foi então que se deu início a uma jornada para saber do paradeiro do jovem.

Foi informado à mãe do jovem pela delegacia de Alcântara que ele estava sob custódia no Hospital Estadual Alberto Torres. Foi então que a família soube do crime feito pela polícia contra o jovem, bem como da acusação forjada contra o mesmo.

É prática recorrente (e denunciadas há muito) da polícia do Rio de forjar falsos flagrantes, incriminando aqueles jovens baleados “por acidente”. Com isso, procura-se dar ainda mais cobertura jurídica para evitar investigações e punições para os assassinatos perpetrados pela PM contra a juventude pobre e negra das favelas e comunidades do Rio de Janeiro.

Tão logo se soube do revoltante crime, familiares, amigos, colegas de curso, diretores e reitoria da UFF se colocaram a disposição de iniciar uma campanha pelo desmascaramento da acusação contra David.

Em nota, o D.A. de Odontologia da UFF afirmou que “David sempre esteve ativo nas atividades acadêmicas da faculdade e que nunca esteve envolvido com práticas ilícitas, as quais está sendo incriminado. Em todos os momentos, mostrou ser um aluno dedicado, estudioso e disponível para ajudar os outros alunos da graduação. Sonhava em conquistar a aprovação para o curso de Medicina e passava horas estudando dentro da sala do Diretório”. Já a reitoria da UFF exigiu “profunda apuração do caso para que os responsáveis sejam identificados e processados”.

Nós do MEPR nos juntamos a campanha “Justiça Para David”. Exigimos a extinção das falsas acusações contra os jovens e a punição imediata para os assassinos da Polícia Militar que abriram fogo contra David e Ramon.