Os estudantes soviéticos

Artigo publicado na revista “Divulgação Marxista”, número 6, Setembro de 1946. Traduzido do disponível em “Cultura Proletária”.


 

Em 1938, a União Soviética tinha 716 universidades, colégios e outras instituições de educação superior com um núcleo estudantil de 601 mil pessoas. Este número supera ao de estudantes de colégios e universidades de 23 países europeus juntos, incluindo a França, Itália, Polônia, ademais do Japão.

 

Existem instituições de educação superior em cada uma das Repúblicas da União e Regiões Autônomas da União Soviética. Kirguistão, que não tinha uma só instituição de ensino superior antes da Revolução, agora tem quatro; Turquistão tem 5; Tayikistão também tem 5 e Kazaquistão 19. E cada uma destas instituições educativas conta com laboratórios modernos, salas de leitura e bibliotecas que são o último em temas de equipamento escolar.

 

Antes da Revolução Socialista de Outubro, os colégios e universidades da Rússia czarista tinham população escolar de 112.000 alunos, dos quais 35% eram filhos da nobreza e dos chefes de governo, 10% filhos de grandes empresários e comerciantes, 14,5% filhos de camponeses ricos. Portanto, 70,8% do alunado pertencia às classes dominantes, como filhos das grandes fortunas. O alto custo de admissão, além das limitações de classes e de normas estabelecidas fazia impossível aos trabalhadores dar uma educação superior aos seus filhos.

 

O governo soviético deu acesso às escolas de educação superior a todos os cidadãos da URSS. As portas dos colégios e universidades da União Soviética estão abertas para todos os graduados da escola secundária. Não existe a mínima limitação de nacionalidade, raça, condição social ou econômica nas instituições educativas soviéticas. As mulheres desfrutam dos mesmos direitos que os homens para ingressar em qualquer instituição de ensino superior na URSS. 43% dos estudantes de colégios e universidades são mulheres.

 

As somas estabelecidas pelo governo soviético para o desenvolvimento da educação superior aumentam ano após ano. Por exemplo, a soma assinada pelo Governo para o ensino superior aumentou de 86 milhões de rublos em 1934 a 219 trilhões de rublos em 1938.

 

Apesar do aumento enorme de instituições de ensino superior e da massa estudantil, o rápido desenvolvimento da economia nacional da URSS requer, contudo, um maior número de pessoas capacitadas em todos os campos do conhecimento.

 

As instituições de educação superior da URSS preparam cientistas em 178 ramos, entre ciência, tecnologia e artes. Entre as 716 instituições de ensino público soviéticos, 119 são institutos industriais, 29 institutos de transporte e comunicações, 84 escolas de agricultura, 71 escolas de medicina, 27 institutos econômicos, 11 escolas de direito, 24 universidades gerais, 211 institutos pedagógicos e de preparação de professores, conservatórios de música, institutos de literatura, arquitetura, etc.

 

Além das instituições regulares de educação superior, foi estabelecida na URSS uma nova classe de escolas de educação superior: academias ligadas a determinados ramos da indústria, do transporte, da agricultura, do comércio, etc. Estas academias, que estão sob direção dos Comissários do Povo correspondentes, são visitadas pelo pessoal executivo das fábricas, como por exemplo, diretores, subdiretores e superintendentes, por trabalhadores de estabelecimentos soviéticos que tenham uma ampla experiência prática, assim como trabalhadores stajanovistas, que desenvolvem novas e melhores formas de trabalhar. Três ou quatro anos na academia proporcionam uma educação geral e por sua vez uma formação especializada, de tal maneira que, quando um estudante termine a graduação, é um especialista de alta qualificação.

 

Aleksei Starranov, o famoso mineiro de carvão de Donbass, estudou na Academia Industrial “Stalin” em Moscou. Busijgin, forjados da fábrica de automóveis “Gorki”, la tecelã Eudokia Vinogradova, Tatiana Fiodorova, trabalhadora no Metrô de Moscou e muitos outros trabalhadores destacados da União Soviética foram também a estas academias industriais. A iniciadora do movimento stajanovista na agricultura, a camponesa coletivista Maria Demchenko, estuda atualmente na Academia Agrícola de Kiev. Outros destacados stajanovistas na agricultura estão ingressando também nas academias agrícolas, incluindo Pasha Kovardak, Konstantin Borin e Pasha Angelina. Todos estes estão dominando o conhecimento teórico, com o objetivo de melhorar e enriquecer sua ampla experiência prática.

 

Os estudantes que ingressas a estas academias não perdem o contato com seus lugares de trabalho anteriores. Todas as academias industriais enviam os seus estudantes ao trabalho prático duas vezes ao ano. Assim, por exemplo, Starranov, Busijgin e Borin, que são estudantes de academias industriais, puderam estabelecer novos registros na produção em seus antigos postos de trabalho, no transcurso de seus períodos de prática.

 

Como regra geral, os estudantes que são recebidos nestas academias desempenham cargos executivos. Por exemplo, o iniciador do movimento stajanovista na indústria ligeira, Nikolai Smetanin, que trabalhou na fábrica de sapatos “Skororrod” e estudou na Academia Industrial “Kirov” em Leningrado, é agora (1939) auxiliar do Comissário do Povo para a indústria ligeira. O iniciador do movimento stajanovista nas vias férreas, Piotr Krivonoss, foi nomeado diretor geral da linha férrea do Sul de Donets. Musinski, destacado stajanovista na indústria têxtil, foi eleito vice-presidente do Comitê Executivo Regional de Arrangel. O que se conhece como Universidade de Fábrica, é muito comum na URSS. Estas instituições de ensino superior técnico são estabelecidos pelas fábricas, e a elas vão os trabalhadores, os funcionários e outros empregados de uma fábrica, após as horas de trabalho. Especialistas altamente qualificados dos diferentes departamentos da fábrica dão conferências e conferem o trabalho prático dos estudantes. Assim como todas as demais instituições educativas da URSS, estas Universidades de Fábricas têm modernos laboratórios, aulas e bibliotecas muito bem preparadas. O trabalho prático se realiza nas oficinas e departamentos da fábrica em questão. Desta maneira, os trabalhadores que passam vários anos de formação nestas universidades se convertem em cientistas altamente qualificados – engenheiros e técnicos – ainda que muitos deles tenham entrado na universidade somente como trabalhadores. Entre as Universidades de Fábricas, o Instituto de Trabalho “Stalin”, de Leningrado, goza de um grande renome. Esta universidade preparou centenas de cientistas de primeiro nível em seus poucos anos de existência.

 

Os cursos por correspondência de ensino superior também fizeram muito pela preparação dos trabalhadores qualificados que o país necessita.

 

Estes cursos são seguidos gratuitamente em seu tempo livre por funcionários, técnicos e demais trabalhadores e empregados da fábrica que tenham recebido uma educação secundária.

 

Há em torno de 200.000 pessoas seguindo os cursos por correspondência de ensino superior na URSS. As pessoas que completam estes cursos conseguem um equivalente da educação comunicada nas escolas e universidades.

 

De acordo com o artigo 121 da Constituição da URSS, o ingresso nas escolas soviéticas, incluindo colégios e universidades, é gratuito. Mais de 88% do corpo estudantil nas instituições superior recebem salários do governo. Os salários são, geralmente, de 130 rublos por mês durante o primeiro ano de estudo e chegam a 200 rublos durante o último ano. Esta quantidade é o salário mensal de um trabalhador qualificado. Os estudantes das academias do Comissários do Povo recebem salários de 450 a 700 rublos por mês, uma quantidade correspondente ao salário mensal de um trabalhador altamente qualificado. Porém o Governo não reduz sua ação no que se refere a massa estudantil, na distribuição de salários. Todos os estudantes que solicitem habitação, a recebe gratuitamente do Governo, que gasta 10 milhões de rublos por ano na construção e manutenção das residências estudantis. Nas grandes cidades existem distritos inteiros compostos de residências estudantis chamadas “cidades estudantis”, construídas pelo Governo. Em Moscou, existem várias destas cidades, com uma população muito grande.

 

Junto a estas residências, se encontram restaurantes, lavanderias, cabeleireiros, etc cujos serviços são oferecidos aos estudantes a preços reduzidos.

 

Os estudantes têm direito à serviço médico e tratamento gratuitos. Ademais dos gastos na construção e manutenção das residências, o Governo também gasta grandes quantias por ano para proporcionar aos estudantes acesso à cultura, exporte, férias e lazer. Praticamente cada instituição de ensino superior tem um clube próprio para os estudantes, mantidos a custa do Estado e dos sindicatos. Os estudantes que estavam trabalhando em alguma empresa antes de entrar na instituição de ensino superior, mantêm seus direitos sindicais e são simplesmente transferidos para o sindicato que agrupa os trabalhadores da profissão ou ofício que corresponde a determinada escola ou instituição em particular. Os jovens, quando saem da escola secundária, entram diretamente em um instituto de ensino superior, e podem ser parte do sindicato de seus respectivos institutos. Os sindicatos dão entrada grátis para os teatros e concertos aos estudante, ou então entradas com preço reduzido.

 

Durante as férias (os estudantes soviéticos possuem férias duas vezes ao ano, dois meses no verão e duas semanas no inverno) os estudantes podem alojar-se em casas de repouso ou curar-se em sanatórios, caso seja o caso, a custa dos sindicatos. Muitos estudantes passam suas férias percorrendo as diferentes regiões do vasto território da União Soviética, com o fim de conhecer melhor seu país, e para familiarizar-se com sua beleza e suas riquezas naturais. Nestes casos, o Estado também ajuda os estudantes proporcionando-lhes reduções consideráveis no transporte, guias, na alimentação, etc.

 

A atenção proporcionada aos estudantes pelo Estado os permite dedicar toda sua atenção, sua solicitude e sua energia ao estudo.

 

Os estudantes se dedicam seus estudos nas instituições soviéticas de ensino superior de uma maneira radicalmente diferente do modo como estudavam os estudantes nos estabelecimentos correspondentes à Rússia czarista. A seguridade material dos estudantes, a grande capacidade do corpo docente, o fato de que os estudantes contam com serviços escolares e de literatura, criam todas as condições necessárias para a realização de um trabalho excepcionalmente fecundo por parte dos estudantes.

 

Um tipo conhecido de todas as velhas escolas da Rússia czarista era o “eterno estudante”, economicamente inseguro, em eterna caça de pequenas contribuições financeiras, levando uma existência de fome quase completa, sem nenhuma possibilidade de estudar com normalidade. Ano após ano este “eterno estudante” estava na mesma classe e, afinal, abandonava, por fim, a escola sem terminar os estudos.

 

As escolas da URSS, aonde os estudantes são acompanhados pelo Estado socialista em tudo o que necessitam, não existem estes tipos de “estudantes eternos” dos institutos de educação. O estudante soviético considera uma questão de honra estudar com todas suas forças e graduar-se no prazo estabelecido. É muito raro entre os estudantes soviéticos repetir um semestre, e neste caso, normalmente é resultado de uma razão especial, como uma enfermidade.

 

A emulação socialista está muito presente nas instituições soviéticas de ensino superior, da mesma maneira que está nas fábricas. Grupos de estudantes desafiam a outros; classes inteiras, departamentos e até universidades inteiras lançam metas recíprocas para situar a seus estudantes no quadro de honra, para ajudar o maior número de companheiros atrasados em seus estudos.

 

O corpo docente também se dedica voluntariamente a preparar estudantes dignos do quadro de honra.

 

As relações entre os estudantes e professores nas instituições soviéticas de educação superior são totalmente diferentes do que eram antes da Revolução Socialista. Anteriormente, os professores raramente se interessavam, quase não faziam nada, pelo trabalho dos estudantes, ou por quais razões podia ter um estudante para se atrasar nos estudos, se os estudantes entendiam os ensinamentos ou necessitavam mais ajuda de sua parte. Nas instituições soviéticas de educação superior, o corpo estudantil e o corpo docente são uma só família. Ambos estão igualmente interessados em que os estudantes recebam da escola o máximo que esta possa proporcionar-lhes, no que o estudante graduado seja um especialista soviético completamente preparado.

 

Os estudantes e os professores têm relações que se estendem depois do trabalho da classe.  Professores e instrutores participam de diversas reuniões estudantis, também passam suas férias com os estudantes. Tal unidade entre a massa estudantil e o corpo docente só pode servir para melhorar o trabalho educativo e à preparação dos estudantes, que encontram no professor ou instrutor a um camarada de maior idade.

 

Outra característica das instituições soviéticas de educação superior é seu estreito e inquebrantável contato com a indústria, o que se manifesta de várias maneiras, principalmente pela formação industrial bem organizada de estudantes, através do trabalho na prático. Cada instituição técnica e agrícola de ensino superior envia os seus estudantes a períodos de prática de dois meses e meio a três meses durante o ano. Os estudantes da escola técnica seguem certo treinamento prático durante o qual, em geral, se familiarizam com o ramo de indústria que devem seguir para completar seus estudos. Em seus trabalhos práticos, recebem uma formação mais especializada ainda, e aprendem o que devem saber sobre determinada máquina e suas propriedades. Por último, em seu último ano de estudo, trabalham na qualidade de engenheiros em suas sessões de prática, desempenhando muitas vezes a tarefa de auxiliar do líder de oficina.

 

Após terminar sua prática industrial, o estudante está obrigado a apresentar um informe ao professor, no que sintetiza suas experiências na prática do trabalho e recebe uma qualificação determinada para o trabalho que tem desenvolvido. Se não apresenta o informe, ou se for considerado não satisfatório, terá que repetir seu período de prática industrial.

 

Os estudantes são enviados às empresas de um determinado ramo da indústria para sua prática de trabalho, empresas que têm um equipamento de primeira classe e trabalham com os últimos avanços da técnica. O estudante recebe uma orientação acadêmica e metodológica por parte de chefes do departamento correspondente. Sua prática de trabalho na fábrica se encontra sob a supervisão dos melhores e mais qualificados técnicos da empresa determinada.

 

As teses e trabalhos dos estudantes estão estreitamente vinculado com as tarefas práticas do desenvolvimento econômico do país. Numerosas teses apresentadas pelos estudantes que se graduaram são postas em marcha, e, desta maneira, não são somente trabalhos acadêmicos, senão que, ao mesmo tempo, plano de trabalho prático. Depois de ser recebidas, os autores das teses participam geralmente de sua aplicação.

 

Por outro lado, os laboratórios e as aulas das instituições de ensino superior repercutem frequentemente diversos problemas que os apresentam a indústria e a agricultura.

 

Desta maneira, os estudantes também são postos em contato com suas futuras atividades práticas.

 

O trabalho de investigação científica levado a cabo por estes colégios é um fator importante na vida das instituições soviéticas de ensino. O corpo docente e o pessoal científico destas instituições chegam a mais de 40.000 pessoas, incluindo 5.000 professores e 11.500 professores auxiliares. A jornada de trabalho do corpo pedagógico científico das instituições de educação superior é de 5 horas, dedicando a metade deste tempo à investigação científica.

 

Cada departamento das instituições soviéticas de ensino superior conta com seus estudantes de pós-graduação. Há um total de mais de 10.000 estudantes de pós-graduação na URSS. Em 1938, 6.000 pessoas se inscreveram nos cursos para pós. Depois de três anos de curso, os estudantes graduados apresentam uma tesa, que devem sustentar, e logo recebem o grau acadêmico. Os cursos para pós-graduados geralmente são o objetivo de estudantes que se graduam com especial êxito em uma instituição de educação superior.

 

No trabalho de investigação científica que tem lugar nestas instituições solucionam-se os problemas apresentados pela indústria e a agricultura. Por exemplo: os estudantes graduados do Instituto de Metais Inoxidáveis de Moscou estão fazendo um excelente trabalho no campo de novas ligas (mescla de metais). As Escolas de Estruturas Subterrâneas do Instituto Ferroviário do Trem de Moscou participam na construção do metrô desta cidade.

 

Uma parte importantíssima da vida das instituições soviéticas de ensino é desempenhada pelas organizações estudantis: Partido comunista, Liga Comunista e Sindicatos. Os comitês do sindicato estudantil existentes em todas as instituições de ensino têm um papel ativo na vida acadêmica das escolas superiores. Eles mesmos se interessam pelo trabalho dos estudantes, eliminam qualquer coisa que dificulte qualquer estudante no estudo, estão atentos ao trabalho prático, prestam atenção às necessidades materiais dos alunos, os ajudam a passar suas férias de tal maneira que estas sejam úteis e interessantes.

 

Em 1939, 183.00 novos estudantes se matricularam nas universidades e colégios da URSS.

 

Os colégios e as organizações começam desde muito cedo a fazer grandes campanhas para atrair a novos estudantes.

 

O Museu Politécnico de Moscou organiza consultas para os jovens que terminam sua educação secundária, para a seleção de sua futura profissão. Estes jovens têm conversas informativas com professores e acadêmicos, maestros e instrutores das escolas secundárias, os quais lhes dão todo o tipo de informação acerca de suas instituições: estas reuniões se convertem em uma verdadeira tradição na escola secundária de Moscou.

 

O artigo 118 da Constituição da URSS estabelece que “Os cidadãos da URSS têm direito a trabalhar”. De acordo com isto, cada graduado de um instituto de ensino superior tem trabalho assegurado no seu campo de atividades. Seis meses antes de terminar seu último ano, o estudante já sabe aonde vai trabalhar, o salário que receberá e suas obrigações. O Estado determina, de acordo com um plano, o lugar aonde o graduado haverá de trabalhar. Por suposto, isto não significa de nenhuma maneira que o graduado esteja obrigado a trabalhar em uma determinada empresa. É um elemento da planificação, o método mais comum no trabalho de todas as instituições soviéticas. O jovem especialista, depois de graduar-se, firma um contrato com a organização corresponde ou empresa. Quando entra na fábrica ou estabelecimento filiado, o jovem especialista entra em um meio que já lhe é familiar. No vê nela nenhum competidor. Cada um o ajuda a assimilar seu trabalho o mais rapidamente possível. Em 1938, 93.000 estudantes foram recebidos nas escolas de URSS. Cada um deles foi colocado no trabalho correspondente a sua especialidade.

 

Durante o período do Terceiro Plano Quinquenal, a educação superior se desenvolverá em uma proporção ainda maior. Está previsto que o número de estudantes passe de 601.000 (1938) para 650.000 (1942).

 

A educação superior na URSS se estende e se desenvolve conjuntamente com o crescimento e desenvolvimento de toda a vida econômica e cultural do país.