Em fevereiro deste ano as massas do Haiti, país onde a maior parte da população sobrevive com menos de 1 dólar por dia, revoltadas com a fome, a miséria, a corrupção e repressão estatal, iniciaram uma rebelião onde quartéis policiais e instituições do Estado foram incendiadas. Em seguida houve enfretamentos entre o povo e as forças da repressão com cerca de 70 mortos e mais de 100 feridos. No dia 29 de fevereiro o EUA interviu diretamente com o desembarque de fuzileiros navais, continuaram os embates e Jean Bertran Aristide deixou o país, certamente com envolvimento dos norte-americanos, não é a primeira vez que os ianques promovem a queda de um governo no Haiti, o próprio Aristide foi deposto em 1991 e posteriormente reconduzido ao posto em 1994 pelos próprios ianques. Em seguida foi promovida a ascensão de um novo governo títere, Boniface Alexandre, que com toda certeza seguirá aplicando as medidas determinadas pelo imperialismo, tratava-se apenas de conter a revolta das massas canalizando-a para a conformação de um novo governo. Entretanto nada se alterou na vida das massas haitianas e os ingredientes que gestaram aquele levante continuam fermentando, por isto com o objetivo de consolidar seus planos de dominação o EUA em conluio com a França preparou uma intervenção militar através das "Forças de estabilização do Haiti" conformadas pela ONU com o já surrado pretexto de promover a pacificação.
Para execução desta ação o EUA conta com a ação destacada do governo de Luís Inácio. Foi mobilizado um efetivo de cerca de 1500 oficiais das forças armadas brasileiras, com a previsão de um gasto de 100 milhões de reais. No dia 31 de maio durante a cerimônia de embarque de 150 militares, posando de grande estadista Lula declarou: "A manutenção da paz tem um preço e este preço é o da participação. Estamos exercendo nossa responsabilidade no cenário internacional com o envio de tropas ao Haiti", ou seja, a mesma paz que o Estados Unidos leva ao povo Iraquiano e aos povos de todo o mundo.
Os reacionários monopólios de imprensa fizeram a intensa propaganda de que o governo Lula mandou as tropas para o Haiti por causa do interesse de uma vaga no conselho de segurança da ONU. Por mais que Luis Inácio aspire esta cadeira como forma de reconhecimento do trabalho servil do imperialismo ianque que tem desempenhado, este na realidade não é o motivo de fundo pelo qual a gerência petista envia tropas ianques ao Haiti. O motivo foi o mesmo que levou Lula a enviar um avião militar do projeto SIVAM para rastrear possíveis movimentações guerrilheiras no Peru, em agosto do ano passado. O mesmo motivo que também levou Castelo Branco, durante o gerenciamento militar, a enviar tropas brasileiras à República Dominicana. O motivo é o servilismo ao Estados Unidos.
A crise geral do capitalismo, que tem por base uma colossal crise econômica, tem elevado a cada dia o grau de exploração das massas populares dos países coloniais e semicoloniais, agravando de forma brutal as condições de vida de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Em conseqüência disso é cada vez maior o número de levantes populares e a América Latina tem sido palco de grandes embates entre as massas oprimidas e as classes reacionárias locais. Controlar e reprimir estas rebeliões é uma questão chave para a dominação norte-americana na América Latina.
Os exércitos dos países da América Latina estão a serviço dos ianques e servem para garantir a retaguarda dos Estados Unidos. Tropas brasileiras, argentinas e chilenas no Haiti possibilitam o envio de mais soldados norte-americanos para o Iraque. A descarada "União militar da América Latina" proposta por Lula se concretiza no Haiti, com a intervenção das tropas destes três países. E para isto Lula se coloca a postos e esmera-se para servir aos interesses imperialistas. Recebeu com muito gosto a incumbência de "comandar" as "Forças de paz" da ONU enviadas ao Haiti.
Este lacaio do imperialismo dá demonstra estar disposta a seguir à risca os ditames dos ianques. Dentro do nosso país segue decidido a implementar as contra-reformas não concluídas por FHC. Cumpre com todas as medidas econômicas ditadas pelo FMI, de arrocho sobre o povo brasileiro. A crise no país intensifica-se e os escândalos de corrupção, parte integrante deste velho Estado em decomposição, decorrentes das disputas entre as diferentes frações das classes reacionárias e grupos de poder pelo controle de máfias são cada vez mais comuns.
Os monopólios de imprensa alardeiam a discussão do salário mínimo, o aumento de 20 reais, como se fosse uma grande mudança da vida do povo este aumento, enquanto vai passando pelo congresso a lei de falências e o projeto de parceria público-privado. No campo prossegue a repressão e política de criminalização da luta camponesa enquanto que a "reforma agrária" demagogicamente prometida pelo governo encontra-se totalmente paralisada. Não é de se espantar que este governo se preste a promover a agressão imperialista contra outros povos.
Lula reiteradamente tem defendido uma ordem internacional baseada na ONU. Esta instituição não passa de organização dominada pelos imperialistas que a utilizam segundo seus interesses, tal declaração reflete o quanto este governo está alinhado com política de agressão imperialista e confirma que atuação das forças armadas brasileiras no Haiti será a de conter e sufocar a explosão social resultante da revolta das massas contra a injustiça, a fome e a degeneração a que estão submetidas. Fica claro que as viagens a outros países e as declarações de aproximação com outros povos não tem outro objetivo senão o de se promover internacionalmente. O governo Luís Inácio será o agente da repressão e do combate à justa rebelião das massas por sua libertação. Em sua condição de sabujo o oportunismo não tem a menor vergonha em servir ao imperialismo e reação mesmo que para isto tenha que matar , espoliar ou agredir os direitos de outros povos. O povo brasileiro, se encontra na mesma luta por libertar-se do jugo imperialista e é solidário ao sofrimento dos haitianos. Esta ação é um crime contra todos os oprimidos do mundo, o imperialismo pagará caro por mais esta violação e seus sabujos também.
Abaixo a agressão imperialista!
Fora serviçais e lacaios do imperialismo!
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