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Greves sacodem universidades paulistas

Vigorosos protestos têm tomado conta das Universidades em São Paulo. Desde ocupações de prédios, passeatas, atos e confrontos com a polícia até a deflagração de greves. A unidade entre estudantes, professores e funcionários na luta tem feito a reitoria e a gerência estadual de José Serra estremecerem de medo. Cada dia mais, cresce o protesto popular em defesa da democracia na Universidade e do ensino público de uma forma geral. Estudantes, professores e funcionários estão unidos em Greve!

 

23 de abril

Estudantes da USP fazem sua primeira Assembléia Geral do ano. Uma das deliberações, executada no mesmo dia, foi a de ocupar a sede do DCE – retirado pela reitoria em 2006.

27 de maio

Funcionários da Unicamp deflagram greve por reajuste salarial. Estudantes da Faculdade de Educação deflagram greve em apoio aos funcionários grevistas na USP e Unicamp. No dia seguinte (28) os funcionários da Unesp (campus Marília) também decidem pela greve.

4 de Junho

Professores da USP aprovam início da Greve para exigir a retirada da PM do campus e o fim das perseguições dentro da instituição.

Mais de 1.000 estudantes também aprovam Greve para exigir a retirada da polícia e se manifestarem contra o projeto de educação à distância (Univesp), além de outras reivindicações.

5 de maio

Funcionários da USP deflagram Greve reivindicando como ponto central o fim dos processos administrativos contra trabalhadores e estudantes (por conta da Ocupação da reitoria em 2007) e a reincorporação de Claudionor Brandão, funcionário da USP e diretor do SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP) demitido pela reitoria em dezembro de 2008.

1º de junho

A Polícia Militar invade o campus da USP para reprimir os trabalhadores que, exercendo seu direito de fazer greve, realizavam piquetes na porta dos prédios. Funcionários da Unesp (campus Ourinhos) deflagram greve.

9 de junho

Uma passeata dentro da USP com mais de 1.000 estudantes e trabalhadores é brutalmente reprimida pela Tropa de Choque da PM – 150 policiais participam da operação. Os estudantes respondem com pedras as bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha. Dezenas de estudantes ficaram feridos. 2 funcionários e 1 estudante são presos.

25 de maio

Estudantes e funcionários da USP ocupam a reitoria após serem impedidos de participar do Conselho de Reitores do Estado de São Paulo. A ocupação terminou no mesmo dia por ação dos oportunistas do pstu.

2 de Junho

A PM se retira do campus da USP.

Estudantes da UNESP ocupam diretoria da Faculdade de Ciência e Tecnologia.

Funcionários do campus Pirassununga votam pela greve.

10 de junho

Estudantes e professores da Unicamp decidem entrar em greve em solidariedade ao movimento grevista na USP e contra a repressão policial.

26 de maio

Estudantes da UNESP, campus Marília, deflagram Greve contra a Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) e a repressão, além de outras reivindicações.

3 de junho

A PM volta ao campus para reprimir estudantes, funcionários e professores em luta que realizavam piquetes na entrada dos prédios da Universidade, como forma de manter a Greve e pressionar a reitoria.


Combate ao oportunismo

Todo este cenário de aumento do protesto tem acontecido em meio à uma tenaz e implacável luta contra o oportunismo dentro dos movimentos – por um lado o oportunismo dos representantes do governo e, por outro, o oportunismo da oposição oficial ao governo (pstu e psol) que aparelham o DCE da USP.

Jogando a todo o momento para apaziguar os ânimos e impedir a resistência dos estudantes às agressões policiais, estes oportunistas atuam dentro do movimento como verdadeiros agentes da reitoria.

Mas foram atropelados! Seus berros afirmando que “não é momento para a greve” foram repudiados pela revolta dos mais de 1000 estudantes presentes na Assembléia.

Abaixo a ditadura

Todos os dias sentimos a falta de democracia dentro das Universidades. São estruturas autoritárias que sufocam a expressão e participação dos estudantes na gestão universitária. Desde as reuniões de curso até os Conselhos Superiores observa-se que o voto estudantil é praticamente simbólico, de tão pouco peso.

Mas particularmente nestes casos de efervescência da luta é que fica evidente a falsa democracia que vigora nas Universidades. A reitoria é obrigada a mostrar sua cara: revela-se sua função reacionária e seu papel de títere do governo. No caso da USP está bem claro que a reitora Suely é apenas uma marionete do governo Serra, executando todas suas ordens de repressão e perseguição administrativa.

bombasjpgO “Estado Democrático de Direito” cai por terra com uma invasão militar da Universidade para impedir o constitucional direito de greve dos trabalhadores - o último episódio de invasão da polícia na USP ocorreu em 1979 sob o fascista regime militar. Ou seja, a dita democracia que vivemos revela-se, na verdade, como uma genuína ditadura sobre os que lutam para defender seus direitos: é o que estamos vendo com a demissão política de Brandão (diretor do Sindicato); com a perseguição e processos contra dezenas de estudantes que ocuparam reitorias; e, agora, com prisões, balas de borracha e bombas de gás dentro da USP, contra os legítimos defensores do ensino público.

Ampliar a Greve

A forma mais concreta de fortalecermos a luta em defesa do ensino público é fazermos da greve paulista uma greve nacional da educação. Só com uma greve vermelha e combativa em todo o país será possível derrotar todas as medidas contra o ensino público (condensados na “reforma” universitária) e conquistar espaços verdadeiramente democráticos nas Universidades