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Em meio à crise: A REVOLUÇÃO SE LEVANTA!

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Companheiros e companheiras,

Na edição número 191 do Jornal A Nova Democracia, o professor Fausto Arruda afirmou em artigo primoroso, intitulado A agonia do capitalismo burocrático que:

    A crise geral de decomposição do capitalismo burocrático no Brasil, em meio de profunda e aguda crise imperialista mundial, lançou à superfície uma crise política sem precedentes na qual as diferentes frações das classes dominantes se enfrentam numa espiral de violência, no qual cada uma se serve dos aparatos que controla na máquina do velho Estado para aplastar seu contendente. Daí a feroz e interminável luta entre estruturas dos chamados “três poderes”, e a divisão crescente nos partidos de seu apodrecido sistema político, nos monopólios da imprensa — por exemplo, Rede Globo joga para derrubar Temer e O Estado de São Paulo se bate por sustentá-lo — impactando a opinião pública.

    A crise seguirá se aprofundando e a situação de hoje poderá parecer calmaria frente ao seu agravamento. Todas as forças políticas, da direita, do centro e da esquerda estão interpretando e organizando sua intervenção política e muita água ainda passará por baixo da ponte até um desfecho mais definitivo desta crise. Todavia, apesar de moribundo, o capitalismo burocrático e seus regimes políticos corruptos permanecerão insepultos arrastando o país e o povo para calamidades terríveis. Só a Revolução Democrática, Agrária e Anti-imperialista poderá arrasar com eles e estabelecer uma nova ordem, Nova Democracia e o Brasil Novo. E esta custará uma luta prolongada e cruenta.

Estamos em total acordo com a análise realizada pelo professor Fausto Arruda. Vemos se acirrar, em plena luz do dia, o que as classes dominantes locais não conseguem mais esconder: a divisão profunda e crescente entre os seus diferentes grupos de poder, tendo como base a crise econômica do capitalismo burocrático, não possui perspectiva de estabilização política ou recuperação econômica a curto e médio prazos. Não conseguem mais dominar como antes, até porque, as massas também não aceitam mais seguir sendo exploradas como antes.

O imperialismo se preocupa e tenta manejar com esta situação, buscando impor uma "faxina" na casa, com a Lava Jato e outras operações "anticorrupção", que dê nova roupagem ao velho Estado, uma fachada de renovação, uma reestruturação burguesa. Neste cenário, figuras como Dória, representando o que os analistas do imperialismo têm chamado de "nova classe política" se destacam com grande apoio dos monopólios de imprensa, além dos próprios autoproclamados "vestais da moral e da ética", representantes do judiciário corrupto e antipovo, que também se apresentam como alternativas do velho Estado para gerir os expúrios negócios da burguesia e do latifúndio em nosso país, a serviço do imperialismo.

Enquanto esta disputa entre os "três poderes" e seus diferentes grupos de poder se desenvolve, Temer busca desesperadamente não cair da trêmula pinguela no lamaçal e mostrar serviço pro imperialismo como peça ainda dentro no jogo. Na reunião G20, enquanto os maiores criminosos do planeta se reuniam e em meio a protestos antiimperialistas radicalizados de milhares de manifestantes de toda a Europa, Temer afirmou o disparate de que não há crise econômica no Brasil, e que "basta ver os dados" (mas, quais?) da economia para perceber isto. Disse estar "tranquilíssimo" quanto a crise política do país, seguindo a linha de seu patrão Donald Trump, de afirmar mentiras como se fossem verdades, o que denominam pomposamente de "pós-verdades" (na qual não importa se o que se diz corresponde com a realidade, mas apenas se possui eficácia no convencimento dos outros). De todo modo, preferiu não pagar pra ver se sua linguagem tinha sido de fato eficaz e voltou mais cedo ao Brasil, apressado e com medo de perder o trono pra Rodrigo Maia, presidente da Câmara.

Seguindo as ordens dos ianques, apressou a aprovação da famigerada reforma trabalhista em acordo com as rapozas velhas de sua "base aliada", parte da qual já aponta pra debandada. No vale-tudo da política burguesa, o bandido Temer lançou mão do 'troca-troca' de senadores na comissão da famigerada reforma trabalhista, para garantir sua rápida aprovação; da compra descarada de deputados com aprovação de novas emendas parlamentares; e quiz fazer bonito pro agronegócio, impulsionando o programa de legalização da grilagem de terras. Sem falar no acordão com a "oposição" oportunista e bem comportada, que já enrolou as bandeiras do "Fora Temer" e na última Greve Geral, no dia 30 de junho, não fez mais que meros shows pra tentar enrolar suas bases com a balela de "ato político-cultural" – toda a semelhança com o Congresso da Une eleitoreira não é mera coincidência!

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Porém, as classes dominantes enganam-se se pensam que terão "estabilidade" política com tais medidas. Nem do ponto de vista das classes dominantes, uma vez que o intuito do imperialismo neste campo é seguir a linha da "faxina", muito menos do ponto de vista das massas, já que a aplicação destas contra-reformas trarão maior sangria, exploração e arrocho, consequentemente mais revolta popular.

A tão alardeada "volta do crescimento" econômico também é uma farsa. O imperialismo não se recuperou até hoje da crise que transbordou em 2008 nos EUA e que estourou na Europa nos anos seguintes. Medidas de "austeridade" foram impostas em diversos europeus, como Portugal, Espanha e Grécia, e quais foram suas consequências? Mais miséria para o povo, e mais lutas radicalizadas. A situação dos imigrantes segue agudizando as contradições entre o proletariado e a burguesia nos países imperialistas centrais da Europa, e também nos EUA o desemprego gigantesco intensifica a luta de classes. Mais guerras de rapina imperialistas foram intensificadas, em países como Iraque, Afeganistão, Síria, e mesmo aí os invasores não têm o que comemorar, diante da resistência das massas que não se dobra.

Diante deste cenário, não há perspectiva de recuperação econômica para os países dominados da América Latina e demais continentes, como um todo. As medidas de retirada de direitos, corte de verbas de setores sociais, privatização generalizada servirão para aumentar a remessa de lucros para o capital financeiro internacional, as "metrópoles" da atualidade, principalmente para o imperialismo ianque. Mas não consistirão em elevação das condições de vida de nosso povo, como o governo vem anunciando. Ao contrário, o cenário que se avizinha é de muito sofrimento para o povo e contra isto só resta uma coisa: organizar o povo para a Revolução!

Nem "reformas", nem eleição!

Nesta situação de crise aguda, qual solução? Todos se perguntam hoje, é preciso mudar, mas como fazer? Qual o caminho?

Mais uma vez, o oportunismo eleitoreiro se apresenta para cumprir seu papel histórico de defesa do Estado burguês-latifundiário e tenta canalizar o sentimento de revolta e necessidade de mudança das massas para o velho e já conhecido caminho eleitoral. Apostam todas as suas fichas em 2018, buscando desviar as massas do caminho da luta, e se apresentando mais uma vez como voluntários do imperialismo para tentar dar sobrevida ao capitalismo burocrático no Brasil.

Assim, a falsa polarização entre grupos de poder e frações das classes dominantes, ou entre "PT-PSDB/PMDB", tão propagada pelos monopólios de imprensa, não são mais que expressão destas disputas intestinas do mesmo organismo podre. Porém, as massas cada vez mais não se iludem! O gerenciamento do oportunismo no centro do velho Estado encerrou um ciclo da luta de classes em nosso país e todas as siglas do partido único, os ditos "representantes" do povo das diversas siglas eleitorais, já passaram pela gerência do país e não fizeram mais que reforçar seu caráter semicolonial e semifeudal.

Em todas as gerências de PSDB, PT e PMDB o latifúndio foi o fiel balança e escudeiro do velho Estado. Como exemplo disto, basta destacar o papel que Kátia Abreu cumpriu na defesa do governo de Dilma Rousseff e agora o que Blairo Maggi cumpre com Temer. O acordão de Temer com latifúndio ficou claro com o recente impulso da legalização da grilagem de terras, anunciado no início de julho, como forma de tentar manter o apoio político desta claque ao seu governo em frangalhos.

É bom lembrar que esta política do latifúndio foi iniciada nas gerências Lula-Dilma, o que é mais uma mostra do quanto todas as frações e silgas do partido único servem às classes mais reacionárias do país. Sob a consígna oportunista de "desenvolvimentismo popular", os governos do PT reeditaram as teses desenvolvimentistas da CEPAL, às quais ganharam aderência da maioria das organizações e partidos ditos marxistas nos anos 60 e 70, na América Latina. Como afirmou o professor Fausto Arruda, "Sem questionar a aliança da grande burguesia compradora-burocrática com o latifúndio, atados com o imperialismo, elas [as teses da Cepal e as organizações que as defendiam] serviam a sua conservação."

Assim, está claro que tanto as contra-reformas privatistas, iniciadas nos últimos anos e impostas agora pelo atual governo, quanto o chamado caminho "desenvolvimentista" burguês-latifundiário, defendido por diferentes partidos revisionistas, não apontam solução alguma para o povo brasileiro, apenas reforçam o domínio e saqueio imperialista de nossa nação e a exploração de nosso povo.

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O povo quer Revolução!

O que significou o revezamento de todas as siglas do Partido Único na gerência do velho Estado nestas três últimas décadas pós-"redemocratização", senão a demonstração cabal de que todos eles, sem exceção alguma, nao só aceitou como serviu e buscou fortalecer esta santa aliança reacionária dos exploradores de nosso povo?

Em 2013, a resposta da juventude combatente foi clara: são todos exploradores do povo! De lá pra cá, arpofunda-se e amplia-se a luta combativa das massas, a radicalização dos protestos, a justa revolta popular!

Agudiza-se, assim, em toda a sociedade, a luta entre os dois caminhos para o povo brasileiro: o burocrático, semicolonial e semifeudal, que as eleições burguesas ajudam a legitimar X o caminho democrático, revolucionário, antifeudal e antiimperialista da Revolução Democrática!

Nesta disputa as massas vão se definindo cada vez mais, impulsionando parte por parte suas lutas. Basta ver o avanço das tomadas e retomadas de terras por camponesas e indígenas, os crescentes protestos combativos das massas nas cidades, o acachapante boicote às eleições farsantes no último ano. Os estudantes têm tomando posição de classe em todo o país. Tudo isto demonstra o que já afirmamos: as classes dominadas não aceitam mais seguir sendo exploradas! O povo se organiza e se levanta para a Revolução!



 

RVI