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Por universidades e escolas que sirvam ao povo

As Universidades e Escolas em nosso país, como em todas do sistema capitalista, têm como objetivo formar “intelectuais”, profissionais, técnicos “prontos para o mercado”, prontos para reproduzir, defender e ampliar os lucros dos grandes capitalistas monopolistas e latifundiários, não são comprometidas com o progresso geral dos que trabalham e produzem na sociedade. No caso do Brasil, como em todos os países dominados pelo imperialismo, a situação é ainda mais grave pois, além de tudo isso, a universidade acaba desenvolvendo e aplicando somente tecnologias a serviço dos monopólios e não direcionada aos interesses de nosso país. Tanto as universidades públicas como as particulares são dirigidas e gerenciadas pelo governo e são parte integrante do Estado - portanto fazendo parte dos vários instrumentos de poder que possuem as classes dominantes. Seria ingenuidade acreditar que existe algo de imparcial, aleatório, espontâneo ou desinteressado no estudo e na pesquisa acadêmica.

Precisamos ter claro o verdadeiro papel que o Estado determina à universidade cumprir. A cada dia nos cursos aparecem matérias como Psicologia do Trabalho – com um conteúdo que visa formar psicólogos que sirvam de capatazes e melhor condicionem os operários . No curso de História não se ensina nada sobre a luta do povo brasileiro, ao contrário, repassa-se as mais rebuscadas “teorias’, que tentam comprovar uma característica pacífica do povo brasileiro. Nos chamados cursos de exatas, os centros de pesquisa vêm se transformando em filiais dos grandes monopólios dentro das universidades. Só existem verbas para pesquisas direcionadas e gerenciadas por empresas como FIAT, GM, VOLKS, GESSI-LEVER, etc....

A ciência é a incessante busca pela verdade; é conhecer a realidade e compreender o movimento e o desenvolvimento da matéria em suas infinitas formas. A produção cientifica exige liberdade para conhecer, e neste sistema todo o conhecimento está aprisionado pela  terrível e inexorável lógica da busca do lucro máximo. Quando se pesquisa a cura de uma doença, o burguês pensa não em  descobrir algo que sirva a humanidade mas sim, no lucro que a venda do remédio o irá dar. As pesquisas não buscam entender o desconhecido e sim comprovar o que o mercado deseja e o que é melhor para os seus lucros. Exemplo disto são as inúmeras pesquisas realizadas por “respeitados” centros norte-americanos, com suas estatísticas positivistas, que sempre levam a resultados totalmente contraditórios demonstrando que são manipulações feitas por grupos econômicos interessados em vender tal ou qual bugiganga. E ainda mais, estas pesquisas de encomenda são anunciadas na TV como grandes descobertas científicas. O grande capital é inimigo de toda a produção de conhecimento que ameace seu poder e seus lucros. A burguesia é inimiga da verdade. Conhecer a realidade desta sociedade de exploração e miséria em que vivemos é para ela uma grande ameaça.

Porém, dentro da universidade se encontra também uma grande contradição: os professores progressistas e principalmente a grande massa de estudantes que se opõem às intenções e objetivos do capital. Os estudantes ingressam na universidade ávidos em conhecer e aprender a ciência. Ingressam, em sua maioria, nos diversos cursos acadêmicos com a expectativa de ajudar de alguma forma o nosso povo. Quando um estudante entra no curso de Direito, quais são sua aspirações? Fazer justiça em nosso país. E em medicina? Resolver os problemas da saúde. E em História , Ciências Sociais, etc.? Transformar a sociedade.

Mas, logo depois dos primeiros períodos, os estudantes deparam-se com uma triste realidade. Toda a sua empolgação passa e sua vontade de mudança acaba ou diminui. Também pudera. Os currículos e as aulas são desligados da realidade e totalmente desestimulantes; deparamo-nos com discussões e aulas idealistas (distantes da realidade objetiva), que fogem da confrontação e da disputa de opiniões. Os debates quase não existem, pois segundo os intelectuais burgueses relativistas “não existe verdade, existem verdades e cada um tem a sua; então para que discussão?’’. A universidade acaba sendo um mundinho fechado, totalmente distante da realidade e da sociedade, presa as eternas reflexões acadêmicas e sem nenhum objetivo prático; cultuam a mediocridade para servir ao mercado e ao lucro do capital.

Dentro disso, principalmente na área de humanas, se assiste a um ataque sistemático ao marxismo. Ser marxista e ser revolucionário significa ser tachado dos piores adjetivos pelos pedantes intelectuais burgueses. Do alto de seus pedestais “permitem” até que você seja um marxista, desde que não queira fazer revolução. Toda a falsidade da democracia da Universidade aparece nesta questão dos currículos: existe um boicote organizado e proposital ao estudo do marxismo. Boicote consciente, pois sabem que é justamente o marxismo que mantém aceso o espírito revolucionário que, insistentemente tentam apagar de todos os estudantes. Retornamos à Idade Média. Como os clérigos antigos faziam, os “acadêmicos” patrulham as idéias e julgam mil vezes em seus “tribunais da Inquisição” o marxismo, queimando em suas fogueiras da anti-ciência.

A ciência por essência é revolucionária, seu objetivo é conhecer  para avançar e transformar; fazer ciência é descobrir leis, estudar as contradições e compreendê-las, para agir em sua superação. Transformar é fazer revolução.

Devemos combater toda esta falsa ciência burguesa, denunciar todo o seu comprometimento com o capitalismo. Devemos nos afastar de todo o subjetivismo e relativismo que impera na área de humanas e que transforma o estudo da história da sociedade e do pensamento num mero debate de querelas, como por exemplo “existimos ou não?”. Não podemos aceitar o positivismo que transforma o estudo das ciências naturais em mera coletagem de dados estatísticos, que acaba fragmentando os ramos da ciência, destruindo sua relação e conexão material. Querem nos passar como altamente científico os atuais currículos, extremamente especializados, nos quais, por exemplo, um sujeito passa a vida estudando a “influência das barbas dos camarões nas ondas do mar”.

Só a serviço da revolução podemos desenvolver a ciência em toda a sua plenitude. Somente sendo revolucionários podemos ser cientistas, pois ser revolucionário é a única condição de não termos nenhum compromisso com este velho mundo decadente, apodrecido e disfarçado em um invólucro moderno. Só assim nos livraremos de todo o idealismo e poderemos ingressar no instigante caminho infinito do conhecimento.

Por isso devemos ser estudantes do povo, para nos formarmos como professores populares,  médicos do povo, advogados do povo, agrônomos do povo, técnicos do povo, ou seja, sermos cientistas e intelectuais que estão a serviço da luta popular. Assim estaremos a serviço da construção do poder popular; esta é uma perspectiva para os estudantes que significa libertação, pois nos dá a possibilidade de exercermos nossa verdadeira profissão, trabalhando da forma que queríamos ao entrarmos na universidade. Portanto é nossa tarefa transformarmos a universidade em área liberada para a ciência; temos de transformar estes velhos currículos em novos currículos, que estejam a serviço da nova sociedade, do povo e não a serviço dos grandes burgueses e latifundiários. Negamo-nos a utilizarmos nossa capacidade intelectual para gerar lucros e mais miséria e opressão.

Para que consigamos realizar estas tarefas, devemos transformar em luta geral dos estudantes a questão da democratização dos currículos, mobilizando-nos para nos contrapormos a todas as concepções anti-cientificas. A experiência nos comprova que muitos querem estas transformações. Exemplo disso são as poucas matérias dadas por professores marxistas: faltam vagas e sobram alunos. Se assim é, podemos realizar cursos paralelos, convidando estudantes para o estudo do marxismo. Inundemos a universidade de cursos alternativos para debatermos o marxismo sem falsificações; estudemos as perspectivas da revolução brasileira e encontremos soluções para os problemas da vida de nosso povo. Transformemos a universidade num local do desenvolvimento da ciência e da técnica, onde os estudantes se formem para colocarem-se a serviço do povo e de sua luta. Façamos com que a universidade burguesa seja um problema para seu sistema; façamos com que as idéias e contradições aflorem, para arrombarmos os muros da universidade – criando o caos nas idéias para que daí surja o novo mundo e as novas idéias.