Estudantes de medicina se levantam no Rio de Janeiro

 

UFRJ 16/05/08

Na última quinzena de maio os estudantes de Medicina do Rio fizeram diversos Atos na cidade do Rio e um em Niterói contra o caos instalado nos Hospitais Universitários.

 

No dia 16 e 30 de maio estudantes da UFRJ fecharam a Linha Vermelha durante o protesto. Os estudantes da UNIRIO fizeram Ato no dia 28 e também no dia 30, unificado com estudantes da UERJ, fechando o trânsito da zona norte do Rio. Ainda no dia 20, centenas de estudantes da UFF também foram para as ruas na cidade de Niterói.

 

No dia 30, durante o segundo protesto da UFRJ,  a tropa de choque da PM atirou bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra os estudantes.

 

Ao todo, milhares de estudantes, professores, funcionários e residentes participaram da mobilização.

 

Os Hospitais Universitários sofrem já há muito um processo de desmonte perpetrado pelos governos. E o processo de privatização da Universidade, de forma escondida ou escancarada, como a legalização das Fundações Privadas feita por Luiz Inácio em 2004, está intrinsecamente relacionada com este processo.

 

A institucionalização das “Fundações de Apoio” que são de “direito privado” representa uma derrota para a Universidade Pública. São Fundações que não estão submetidas legalmente  ao Conselho Universitário e, na prática, com esta estrutura independente da Universidade e administrando grande parte da verba, fazem o que querem. Tanto é que de tempos em tempos estoura mais um escândalo envolvendo estas Fundações com corrupção na Universidade. Basta vermos os recentes casos, como o da FINATEC, Fundação da UnB, em que rolava dinheiro até pra construir shopping center; ou o exemplo de corrupção via uso de cartão corporativo pela burocracia dirigente da UNIFESP, que veio à tona também nos últimos meses; ou mesmo, o relatório do TCU (tribunal de Contas da União), que analisou as fundações entre 2003 e 2007, que aponta várias Fundações Privadas em todo país com irregularidades envolvendo desvio de dinheiro público. O relatório aponta que no mínimo 29% das Fundações estão em funcionamento irregular.

 

As “Fundações de Apoio” não têm nenhum compromisso com a Universidade Pública, não têm interesse em atender demandas do povo, de forma gratuita e com qualidade. Assim, desmontam os serviços gratuitos nos Hospitais, estabelecem cobrança de taxas, roubam verbas públicas, vendem nossas pesquisas para o mercado, tudo para lucrar mais – pois dizer que são entidades “sem fins lucrativos” é piada pra boi dormir... E claro que isto tudo acontece com a conivência dos governos de turno e das reitorias títeres, que certamente garantem cargos rendosos nestas Fundações.

 

A institucionalização das Fundações Privadas é parte da aplicação da “reforma” Universitária do Banco Mundial aplicada pela gerência Luiz Inácio. Auxilia na lógica da “reforma” de fazer com que a Universidade busque seus próprios financiamentos, enquanto a verba pública vai sendo cortada. E qual grande empresa privada tem interesse que o Hospital da Unirio seja referência no tratamento de pessoas com HIV? Que o Hospital da UFRJ continue executando 90% dos transplantes de fígado realizados na cidade do Rio?

 

Quando grandes empresas colocam seu dinheiro, obviamente ditam suas regras. As pesquisas, e o uso da Universidade de forma geral, em vez de terem objetivo no interesse público passam a ter fins privados.

 

 

O caos do Hospital da UNIRIO

O setor de ortopedia do Hospital Universitário Gafrée Guinle (Unirio) está sem funcionários e sem funcionamento há mais de 2 anos – cerca de 120 cirurgias deixam de ser feitas todos os meses.  O Centro Cirúrgico, sem local adequado para funcionar, está instalado em área provisória há 20 anos (!!!) e apenas 50% das salas de cirurgia estão funcionando. O próprio diretor do Hospital, Marcos Areal, já denunciou que nem o ar-condicionado instalado é o adequado para impedir o risco de infecções no

unirio 

ambiente.

 

Além de ter Fundação envolvida em processo irregular pelo próprio relatório do TCU, na Universidade paira a dúvida de onde foram parar 14 milhões de reais – segundo denúncia de um candidato ao cargo de reitor.

 

A Unirio funciona atualmente com 2 Fundações Privadas, a FURJ e a FUNRIO.

 

Utilizando-se de eufemismo para dizer que a Fundação capta recurso privado para a Unirio, o estatuto da FURJ usa a expressão “proporcionando o intercâmbio...financeiro” no seu estatuto:

Denomina-se Fundação de Apoio à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, também simplesmente designada FURJ, a Pessoa Jurídica de direito privado instituída sob os auspícios da Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO, em 25 de junho de 2003, com prazo de duração indeterminado, como sua Fundação de Apoio.” (grifo nosso)

“A Fundação está localizada em um dos campus da Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO, proporcionando o intercâmbio social, cultural, econômico e financeiro entre entidades e organismos públicos e privados, em âmbito nacional e internacional.” (grifo nosso)

E para piorar a situação do Hospital Universitário Gafrée Guinle (UNIRIO) existe uma Fundação específica para o Hospital, trata-se da FUNRIO criada em 2001:

 

FUNDAÇÃO DE APOIO A PESQUISA, ENSINO E ASSISTÊNCIA À ESCOLA DE MEDICINA E CIRURGIA DO RIO DE JANEIRO E AO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GAFFRÉE E GUINLE, DA UNIVERSIDADE DO RIO DE JANEIRO doravante denominada simplesmente FUNRIO, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, com autonomia patrimonial, administrativa e financeira”

 

A situação da UFRJ

 

UFRJ - 30/05/08

A UFRJ por ser maior e ter mais recursos é alvo ainda maior da cobiça das Fundações Privadas, funcionando atualmente com 5 Fundações, a Fundação José Pelúcio, FUJB (Fundação José Bonifácio), COPPETEC, BIO RIO e a Fundação Charles Darwin, que ainda tem a ousadia de utilizar o nome deste renomado cientista.

 

A FUJB nem eufemismo utiliza, vai direto ao ponto: “As unidades executoras que desejarem submeter projetos de pesquisa a outros tipos de financiadores, como: empresas privadas e organismos internacionais, podem fazê-lo através da FUJB que entrará na condição de entidade proponente/gestora.” (retirado de www.fujb.ufrj.br)

Esta Fundação foi criada em 1975 e seu primeiro presidente foi ninguém menos que o senhor Octávio Gouvêa de Bulhões, primeiro ministro da Fazenda do gerenciamento militar.

A Fundação BIO RIO foi fundada na década de 80 e hoje ocupa uma área de 207.000 m² no campi do Fundão da UFRJ (área equivalente a 20 campos de futebol). Vale lembrar que enquanto a Fundação usufrui deste espaço, os estudantes não tem sequer Restaurante Universitário - e sua construção já foi votada.

Também a UFRJ está na lista das IFES que têm Fundações de Apoio envolvidas em desvio de dinheiro. O rombo que estas Fundações estão causando às Universidades é imensurável. Os Hospitais estão quase fechando as portas, como percebemos no depoimento do residente Felipe Victer: “Só estamos realizando cirurgias eletivas e, ainda assim, quando há material. Hoje falta até fio para sutura, além de uma série de outros materiais”, e na fala do diretor-geral do Hospital, Alexandre Cardoso: “Nós só estamos atendendo pacientes para reconsulta. Desde segunda-feira não recebemos pacientes novos. Se não pudermos oferecer atendimento de qualidade como sempre fizemos, não teremos condições de prosseguir. Essa responsabilidade é das autoridades universitárias”.

 

UFRJ - 30/05/08

Defender com unhas e dentes a Universidade Pública e Gratuita

O único caminho na defesa da Universidade é a organização e luta independente dos funcionários, professores e estudantes, principalmente. A principal luta hoje dentro da Universidade é por barrar a implementação da “reforma” universitária que está agravando cada vez mais os problemas que a Universidade enfrenta há anos. Faltam laboratórios, salas de informática; datashow praticamente não conhecemos, restam apenas velhos retro-projetores; a carência de professores e funcionários só aumenta pois não são realizados concursos públicos suficientes – a contratação tem dominado em detrimento dos concursos; os restaurantes universitários foram privatizados, cobram taxas ou não existem; o mesmo pode-se dizer das  creches e da Moradia Estudantil; não há passe-livre e as bolsas são baixas e insuficientes; os Hospitais estão caindo aos pedaços e a privatização tem avançado...

Os estudantes devem organizar sua luta de forma independente e combativa. Ir às ruas, parar o Conselho Universitário, ocupar reitoria, paralisar aulas, unificar todas as lutas visando à construção do único instrumento que pode derrotar esta contra-reforma na universidade: a Greve Geral!

 

É preciso ter claro que é importante fazermos atos e diversas formas de luta, mas no atual momento de ofensiva contra os direitos do povo somente uma grande e combativa greve pode derrotar as medidas do imperialismo para a Universidade.

 

Viva a luta independente dos estudantes!

Verbas Públicas e melhoria para os Hospitais Universitários! Fora Fundações Privadas!

Preparar a Greve Geral contra as “reformas” do imperialismo!

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