UNE festeja repasse milionário do Estado
Dia 12 de agosto Luiz Inácio foi até a sede da UNE no Rio de
Janeiro, participar da festa organizada pelo próprio governo em
virtude do Projeto de Lei, enviado ao congresso, que reconhece a
atuação do Estado no incêndio da então sede estudantil em 1964.
A entidade governista, é claro, aproveitou a oportunidade para
defender o governo, pintá-lo de democrático, e, obviamente,
fazer muita propaganda eleitoral. Afinal, ninguém é ingênuo o
suficiente para acreditar que este projeto saiu agora, no
decorrer das eleições municipais, por mera coincidência.
Sim, reconhecer que o Estado brasileiro incendiou o prédio da
então entidade representativa dos estudantes é um passo à
frente. Mas ainda é pouco, pois o fato dos responsáveis serem
julgados por isso é outra história... Isto sequer foi
mencionado, para falar a verdade.
Ademais, este reconhecimento não passa de pura obrigação do
governo. Existem provas que comprovam o crime; todo o mundo sabe
que foi um ato intencional, político e criminoso do Estado
contra os estudantes. E o procedimento, nestes casos, é este:
reconhece-se o crime e julga-se os responsáveis. Mas, como dito,
esta é uma outra história; uma história em que o governo e a UNE
de hoje não querem tocar: fazem uma cena aqui e outra acolá, mas
nada de concreto.
A comemoração da presidente da Une até que é lúcida, contém
apenas um erro. Disse ela:
"O mesmo Estado que destruiu a sede das entidades estudantis,
tradicional reduto político e cultural da juventude brasileira,
está agora, 40 anos depois, reparando os danos causados,
devolvendo aos estudantes aquilo que lhes foi tirado e que lhes
é de direito."
Sim, é “o mesmo Estado” genocida, este que tem sua história
manchada de sangue das repressões contra o povo, que eles estão
defendendo. Aliás, não só defendem, mas participam de seu
gerenciamento – o pecedobê, partido da presidente da une, ocupa
cargos em ministério, na câmara, no senado etc.
O erro consiste em afirmar “devolvendo aos estudantes”.
Quando a sede da UNE foi queimada em 64, os estudantes que
ficaram sem o prédio eram os que lutavam ao lado do povo, em
defesa da educação pública e gratuita, que organizavam as lutas
estudantis. Os estudantes que estão na Une hoje são ligados ao
governo, não organizam as verdadeiras lutas (pelo contrário, são
contra estas), defendem a “reforma” universitária de Lula que
privatiza a nossa universidade, enfim, são estudantes que estão
do outro lado da moeda. Enquanto os estudantes brasileiros
ocuparam as 14 reitorias ano passado contra o REUNI (decreto da
“reforma” universitária), os tais estudantes da UNE estavam
defendendo e comemorando este mesmo decreto e, inclusive,
cobrando mais rapidez na implementação da “reforma”.

Presidente
da Une, Luiz Inácio e presidente da UBES: 2 empregados e 1
patrão
Ou seja, os estudantes que lutam hoje, assim como aqueles
estudantes nos anos 60, não têm prédio algum de volta. Quem terá
o prédio é o próprio governo que dirige esta sigla UNE. Em nome
de “reconstruir a sede dos estudantes” o governo vai realizar um
autoinvestimento: uma sede para os funcionários do governo,
estes diretores de UNE e UBES, dentro do movimento estudantil.
O mensalão de Lula aos seus
estudantes desta vez tem o respaldo da lei; vem com o nome de
indenização. Isto sem contar o repasse oficial, firmado neste
mesmo dia, de 2,8 milhões do Ministério da Saúde para a entidade
fazer “caravana”.
Abaixo a
UNE governista!