XI Fórum Nacional de Entidades de Pedagogia
O XI FoNEPe ocorreu na USP durante os dias
19, 20 e 21 de abril com participação de mais de 300 estudantes.
O Fórum evidenciou a necessidade dos
estudantes independentes derrotarem a UNE, entidade que
representa o governo dentro do movimento estudantil e vem
atuando na Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia
buscando entravar o desenvolvimento da luta. Prova disto foi a
pauta que não continha um ponto para debate sobre as ocupações
de reitoria que sacudiram o país, principalmente no final do ano
passado, na luta contra o decreto do REUNI. O que explica que o
primeiro FoNEPe após a onda de Ocupações de Reitoria não discuta
nada sobre esta luta – que foi a de maior importância em anos? O
FoNEPe é um espaço do movimento estudantil de pedagogia e por
isso tinha que priorizar este debate, mas a intervenção da UNE
no movimento fez com que a pauta do Fórum fosse mais
academicista, prejudicando o debate sobre o movimento
estudantil.
Todas as Mesas tiveram a mesma organização:
fala dos palestrantes seguida de, apenas, 10 falas de 2 minutos
dos estudantes(!). Esta forma não permite que façamos debates
aprofundados, diminuindo exageradamente as intervenções dos
estudantes. Na verdade, mesmo a intenção sendo de debates
essencialmente acadêmicos, alguns palestrantes fizeram falas
políticas, focando na luta, como no caso da primeira MESA (“Estado
e Políticas Públicas Educacionais”) onde os palestrantes
falaram sobre a luta contra a “reforma” universitária, o reuni,
destacadamente, e o peleguismo da UNE (União Nacional dos
Estudantes) e CUT (Central Única dos Trabalhadores) – ambas
controladas por PT/Pecedobê.
Em vez de termos debates sobre os problemas
pendentes no movimento estudantil, como o de prosseguir a luta
contra a aplicação do REUNI nas Universidades e de fazer um
balanço das Ocupações de Reitoria, o Fórum impôs tema e dinâmica
academicistas, contribuindo com a pauta que o governo vem
impondo.
A Plenária Final foi realmente um fracasso.
Militantes da UNE que não tinham participado de um minuto sequer
do Fórum apareceram só para tumultuar. Pedindo “destaque” em
dezenas de propostas e arrumando confusão conseguiram desgastar
a Plenária, arrastando-a por horas. Fugindo do debate político
maquiavam suas discordâncias como sendo apenas de ordem
ortográfica ou mesmo chegando ao cúmulo de defenderem que não
aprovássemos propostas já aprovadas em outros Fórums ou
Encontros. Utilizaram esta segunda tática durante a votação da
proposta contra a presença de tropas brasileiras no Haiti,
proposta que ataca o governo do PT – que não por coincidência é
o partido destes mesmos que sustentaram esta posição.
Estes estudantes governistas da UNE ao
invés de defenderem suas posições retrógradas ficam fugindo do
debate. Não têm coragem de defender o governo de seus partidecos.
Discordamos veementemente de suas posições,
mas achamos que seria mais proveitoso se defendessem abertamente
suas convicções: que defendessem a presença das tropas
brasileiras no Haiti, que defendessem a “reforma”, o decreto do
reuni, o governo, a UNE... Desta forma certamente teríamos um
debate mais interessante.
O desgaste foi tanto e o debate era tão
pouco que a Plenária começou a esvaziar. Pra piorar esta
situação o almoço foi servido fora da plenária enquanto esta
continuou. Resultado: restaram apenas os delegados e uns poucos
participantes enquanto a maioria dos estudantes estava
almoçando. Diante desta plenária esvaziada e burocratizada o
Campo de Luta decidiu por se retirar. Pouco depois, por falta de
quorum, a Plenária teve de ser encerrada.
Ponto importante de destacar foi a atuação
do Campo de Luta (formado no Enepe do Maranhão com o objetivo de
derrotar a UNE no movimento estudantil de pedagogia e de
garantir um movimento independente) durante o Fórum. O Campo de
Luta estava mais coeso e atuando com mais unidade, o que
representa um grande desenvolvimento. Entendemos que o Campo de
Luta deve continuar se fortalecendo como espaço para organização
da luta independente e combativa para desmascarar e derrotar a
atuação da UNE na Executiva Nacional dos Estudantes de
Pedagogia. Mesmo a Executiva estando tomada pelo oportunismo, o
movimento de pedagogia não pode parar. Por isso é imprescindível
que o Campo de Luta continue elaborando planos de lutas e
construindo a luta concreta em cada faculdade.
O XI FoNEPe serviu para mostrar ainda mais
a importância do Campo de Luta pro movimento estudantil, pois,
como vimos, as propostas de luta que existiam foram rechaçadas.
Ou seja, este FoNEPe terminou e o que os estudantes têm de
concreto para derrotar o “tão discutido” PDE? Nada! Por isso a
necessidade do Campo de Luta propor e aplicar um verdadeiro
plano de lutas que organize as atividades para este próximo
período.
Preparar a Greve Geral contra a “Reforma” Universitária!
Derrotar a UNE Governista, Oficial, Pelega e Reformista!
Viva o Campo de Luta!