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Luiz Inácio vai à UERJ

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No último mês de dezembro, já no desligar das luzes de um ano extremamente turbulento no Rio de Janeiro, aonde o governo estadual (Pezão/PMDB) respondeu à grave crise econômica, política, social, ética, moral e militar com o incremento da guerra civil reacionária sobre o povo, além de levar às alturas sua política criminosa de sucatear para privatizar a UERJ, o ex-gerente de turno Luiz Inácio (PT) visita a universidade na última página de sua tentativa de rodar o país em sua “Caravana”. Todo movimento estudantil eleitoreiro movimentou-se para dar seu honroso apoio à preparação de mais uma campanha da farsa eleitoral a ser realizada, se a justiça burguesa o permitir (e não condená-lo), neste ano de 2018.

 Além de muito blá-blá-blá acerca de “golpe” e sua bravataria padrão, aprendida nos instituos ianques para “desenvolver um sindicalismo livre” (IADESIL¹, ligado à central sindical ianque AFL-CIO² e vinculada à CIOLS³), a sua ida à UERJ expressa um conjunto de fatos políticos que representam tanto o que foi o ano de 2017 mas também o que será o ano de 2018.

O ano de 2017 foi um ano marcado pela continuidade da grave crise que se encontra afundado o velho Estado brasileiro burguês-latifundiário. A briga entre os grupos de poder impôs ao povo a retirada brutal de seus direitos, com o cadáver político Temer vendendo até a Constituição e mudando a definição de trabalho escravo. Tudo para atender aos interesses do imperialismo ianque e continuar seguir no topo do velho Estado. Na educação, seguiram-se o corte de verbas e os ataques ao direito dos estudantes, com a proposta de André Sanchez (PT) de cobrar mensalidades nas instituições públicas e o projeto de lei da regulamentação da profissão do Pedagogo, além do caso da UERJ, aonde o governo federal chegou a exigir sua privatização. Assim, o velho Estado e seus representantes deram continuidade à política de decretar o fim do ensino público gratuito.

 

A UERJ viveu, sem dúvidas, seu pior ano, o governo não repassou o dinheiro referente ao pagamento de salários de servidores e ao custeio da universidade e ela se encontrou fechada por grande parte do ano. Um verdadeiro crime contra o ensino público! Contra isso, estudantes, professores e técnicos decretaram, ao longo de todo ano, uma grande resistência contra a política privatista. Com a Ocupação do Bandejão da UERJ, os estudantes levaram a cabo a mais importante luta em defesa da educação dos últimos anos. Presenciamos grandes mobilizações e crescente organização estudantil que mobilizou centenas em assembleias, reuniões e manifestações. E aonde estava o PT, unido ao seu carrapato eleitoreiro Pecedobê, no meio disso tudo? “Dirigindo” o Diretório Central dos Estudantes – DCE, fez coro com o discurso governo reacionário, deslegitimando a ocupação, não levantando nenhuma luta séria e pregando o imobilismo nos cursos aonde atua, colocando-se de joelhos frente aos ataques.

E o que Luiz Inácio quis com sua ida a UERJ, ao findar de um ano tão importante? Vejamos:

Ao mesmo tempo em que bradou coisas do tipo “foi preciso um presidente sem curso superior para investir na criação de universidades”, enganando os desavisados sobre sua política para a educação superior de torrar bilhões com o REUNI e PROUNI repassando a verba que deveria ir para ampliação de vagas e para a melhoria na estrutura das universidades para a iniciativa privada, alimentando tubarões do ensino como o grupo Anhanguera e Kroton (que durante o governo de Lula passou a ser um dos maiores grupos empresariais da educação do planeta), o operário padrão do FMI teve a coragem de, no estado do Rio de Janeiro, aonde a guerra civil reacionária chega às alturas, com a união de Policia Militar, Exército e Força Nacional de Segurança assassinando jovens das favelas diariamente, falar que para melhorar o problema da violência “você precisa ter polícia bem preparada, bem armada, bem treinada, com investimento em inteligência e com salário em dia. Mas você diminui mesmo é dando salário, emprego e educação para os jovens”. Além de mistificar o problema da violência reacionária que o velho Estado emprega para manter seu sistema de opressão e dominação sobre o campesinato, os operários, o povo negro das favelas e todos aqueles que se levantam, o apadrinhado de Sarney faz coro ao discurso de incrementar a capacidade de atuação da polícia! Ora, o mesmo que em 2010 havia dito que depois que a UPP foi implementada a polícia passou a “bater em quem tem que bater4 e que durante o seu gerenciamento de turno criou a Força Nacional de Segurança, que foi usada para reprimir brutalmente o movimento camponês que tomava as terras do latifúndio e para reprimir as greves operárias das obras do PAC, nada de novo em seu discurso.

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Escolha do país sede da Copa do Mundo de 2014, Luiz Inácio (PT), Sérgio Cabral (PMDB), Aécio Neves (PSDB) e Ricardo Teixeira (ex-presidente da CBF).

Luiz Inácio seguiu preparando terreno para acordões políticos. Ainda no ano passado, seu PT fez movimentações para se aliar com aqueles que votaram pelo impeachment de Dilma Rousseff em 6 estados (entre eles Renan Calheiros). Em visita à Baixada Fluminense, no município de Nova Iguaçu, ocorrida dias antes, se indignou com a prisão de Cabral e Garotinho, numa tentativa também de inocentar a si mesmo perante a crise do Rio de Janeiro e a prisão de ex-governadores. Após a Farra da FIFA, 2014, e o Massacre Olímpico, 2016, o Rio se encontra em grave crise, com uma indignação popular enorme e que é respondida pelo velho Estado a guerra civil reacionária contra o povo, além de súplicas à intervenção do governo federal. E quem preparou o terreno para esta situação foram justamente os governo anteriores. Mesmo antes de vir à tona essa situação e a prisão da quadrilha de Cabral, o “lulinha paz e amor” nunca mascarou seu apoio a este, estando inclusive no seu lado quando da escolha do Brasil e do Rio para sediar a Copa e os Jogos Olímpicos. E na ocasião da visita à UERJ, lula elogiou o governo de seu aliado Cabral.

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Eduardo Paes (PMDB), Sérgio Cabral (PMDB), Arthur Nuzman (ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, preso em outubro de 2017) e Luiz Inácio (PT) na escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas, em 2009.

O que faz questão de não falar, é que uma vez estourada a crise do estado do Rio de Janeiro, a população foi à luta em cenas memoráveis da batalha contra a privatização da ALERJ, nas greves gerais contra a quadrilha de Temer (somente na greve geral de abril de 2017 foram dezenas de ônibus incendiados). E, ao longo do ano passado, essa massa combativa enfrentou sem arredar pé da luta tanto a policia fascista quanto os capangas da CUT. Este últimos, além de trairem vergonhosamente as greves gerais, ainda chegou a espancar e denunciar para a polícia a juventude combatente que não aceitava sua linha oportunista nessas manifestações.

Em seu delírio de oportunista calejado, semelhante ao servo que se gaba e vangloria-se de sua relação submissa com o senhor, Luiz Inácio chegou a dizer que em seu governo “o FMI não entrou no país”. Ora, o que foi sua “Carta aos brasileiros”? Sua visita, em 2002, ao genocida Bush? Os elogios que Obama fez ao seu papel de lacaio? Sua política da “farra do crédito” que tanto engordou os bolsos dos banqueiros e dos monopólios internacionais?

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Luiz Inacio (PT) em visita ao genocída Bush, em 2002.

Finalmente, o discurso de Luiz Inácio teve dois objetivos: o de preparar o terreno para sua campanha na farsa eleitoral de 2018 e o de inflamar o caminho eleitoreiro no movimento popular e no movimento estudantil carioca. Se colocando como um “salvador da pátria”, mascara que o atual gerente Temer foi vice da chapa de Dilma Rousseff (sua “sucessora”), bem como que ele e Aécio, assim como os outros reacionários, são todos farinha do mesmo saco, integrantes da mesma quadrilha de inimigos do povo e aliados da grande buguesia, do latifúndio e do imperialismo, que “brigam” somente para ver quem seguirá enganando o povo nos próximos anos. Seu discurso também mistifica, propositalmente, a condição de país subjugado pelo imperialismo ianque para se colocar, uma vez mais, como o gerente de turno que vai cumprir à risca tudo o que impõe a cartilha do Banco Mundial e do FMI ao findar da próxima farsa eleitoral. Quer colocar os estudantes da UERJ de joelhos, na ilusão de que a farsa eleitoral das diferentes siglas do Partido Único das classes dominantes resolverá os graves problemas que há 10 anos os estudantes enfrentam.

Esta ilusão já foi varrida entre grande parte dos estudantes do povo que se colocaram de pé para lutar pela UERJ, defendendo com unhas e dentes uma educação pública e gratuita. Arrancando da REItoria, em 46 dias de ocupação, uma vitória importantíssima, a reabertura do Restaurante Universitário representou a disposição e a capacidade de luta sempre e quando se está disposto a travar uma luta consequente. A luta da UERJ não pede, mas exige que se abandone de vez as ilusões eleitoreiras. Só assim podemos avançar na organização dos estudantes em cada sala de aula, em cada curso, em cada andar, e seguir o caminho democrático-revolucionário de levantar as barricadas em defesa do ensino e não de servir aos planos do governo no meio dos estudantes.

E todos aqueles que sonham em vender os interesses dos estudantes por um prato de lentilhas, uma vaga na presidência, uma conquista de inocência em um julgamento ou qualquer outro interesse mesquinho, terão de enfrentar a Juventude Combatente, os estudantes do povo que não aceitam que ataquem a educação pública e gratuita e estão dispostos a declarar guerra contra todos aqueles que atacam seu sagrado direito de estudar e aprender!

Eleição NÃO! Revolução SIM!

Defender com unhas e dentes o direito à educação!

Rebelar-se é Justo!


 


Notas:

1 IADESIL (Instituto Americano de Desenvolvimento do Sindicalismo Livre) – responsável pela doutrinação da CIOLS, por onde passaram inúmeros dirigentes sindicais brasileiros que geriram o sindicalismo estatal em nosso país, entre eles, Luiz Inácio, o Lula.

2 AFL-CIO (American Federation of Labor — Congress of  Industrial Organizations) – a AFL surge em 1955 e é a maior central sindical do USA, enquanto a CIO, outra central do mesmo país, é menos expressiva. Essa junção sindical jamais escondeu suas origens contrarrevolucionárias e seu papel intervencionista.

3 CIOLS (Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres) – organização sindical impulsionada pelo imperialismo para fazer frente à crescente influência da Federação Sindical Mundial organizada e dirigida por sindicalistas comunistas e democráticos de todo o mundo. A CIOLS foi organizada por agentes dos serviços de inteligências dos países imperialistas para treinar sindicalistas no anticomunismo, infiltrar as organizações sindicais democráticas, sabotar a luta dos trabalhadores em defesa dos seus direitos e defender o capitalismo.

4 “O Rio de Janeiro não aparece mais nas primeiras páginas dos jornais pela bandidagem. O governo fez da favela do Rio um lugar de paz. Antes, o povo tinha medo da polícia, que só subia para bater. Agora a polícia bate em quem tem que bater, protege o cidadão, leva cultura, educação e decência”, disse Lula durante a inauguração da plataforma P-57, em Angra dos Reis (RJ). Na ocasião, em 2010, Luiz Inácio estava inaugurando uma plataforma em Angra dos Reis, ainda como presidente e 2 anos após a primeira UPP ser implementada na favela Dona Marta como política do ex-governador Sérgio Cabral, fato que também rendeu elogios às medidas de Cabral, chamando sua policia de “policia companheira”. (fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI178030-15223,00.html)


 

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