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29º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia

O 29º ENEPe (Encontro Nacional dos/as Estudantes de Pedagogia) foi realizado de 19 a 25 de julho em Recife, PE. No total, foram inscritos mais de 1300 estudantes de vários estados das 5 regiões do país.

O início do Encontro foi marcado por muita dificuldade de organização: tumulto na distribuição dos alojamentos, alojamentos distantes e problemas com alimentação e de informações sobre o Encontro (horário e local das mesas e plenárias).

Entretanto, já no segundo dia, a realização de uma plenária com cerca de 150 estudantes possibilitou o debate e a solução destes problemas, com a divisão coletiva de tarefas, impulsionando a realização do Encontro.

Os debates

Em geral, as palestras e os debates foram bem aproveitados. O acúmulo de anos de luta contra o governismo e o oportunismo no movimento estudantil de pedagogia deixou acuados os militantes do PCdoB, PT e de outros grupos e possibilitou o avanço dos debates.

Um exemplo foi na mesa de “Conjuntura” quando um militante do PCdoB/ UNE foi defender o Pro-Uni (Medida da “reforma” universitária do governo, que repassa verbas para o setor privado – propagandeada diariamente pela mídia). A chuva de vaias que tomou conta do auditório possibilitou ao palestrante fazer apenas um comentário pequeno sobre o caso e dar continuidade ao debate, centrando não no conteúdo da medida (debatida há anos pelo MEPe), mas em como derrotar esta e outras medidas do governo, além de ampliar a discussão sobre a necessidade de transformar a sociedade e iniciar um debate sobre que educação queremos construir.

A clareza com que a maioria dos estudantes expressava sua posição contra a UNE e a “reforma” universitária, além do apoio aos movimentos populares, é fruto de anos deste combate entre governistas e oportunistas de um lado e, estudantes independentes e estudantes revolucionários, de outro.

Fato importante e elogiado por palestrantes e participantes foi a participação de uma delegação da Liga dos Camponeses Pobres do Nordeste. Os camponeses anunciaram em plenária que ficariam 2 dias participando do Encontro e sairiam para uma manifestação. Durante este período, a participação de camponesas em Mesas sobre a luta pela terra e sobre educação popular enriqueceu os debates, proporcionando reflexões e maior conhecimento da realidade.

Sem dúvida, este fato deixou um aprendizado para o MEPe que é o da importância de abrir lugar para movimentos populares e revolucionários e pessoas simples de nosso povo intervirem em espaços do movimento estudantil. Vários camponeses relataram que era a primeira vez que entravam numa Universidade – e nós sabemos que se não for o movimento estudantil, estes continuarão condenados a se manterem distantes dela.

Combater o governismo e o oportunismo e reorganizar o movimento nacional de pedagogia

Mesmo avaliando positivamente os debates e observando a participação expressiva com que os estudantes de pedagogia têm participado das lutas do movimento estudantil em geral (na USP e na Unicamp foram os estudantes de pedagogia os primeiros a entrarem em greve) é importante apontarmos as debilidades do movimento de pedagogia e então indicarmos sua solução.

Uma debilidade importante e que salta aos olhos é a desorganização do movimento a nível nacional. A maioria dos estados não fez Encontros Estaduais, o que tira de funcionamento diversas Executivas Estaduais e, por conseguinte, a Executiva Nacional.

Desta forma, os estados que sediam os FoNEPe´s e ENEPe´s acabam ficando sozinhos na organização do Encontro, não contando com a Executiva Nacional – como está previsto no estatuto.

Isto, além de dificultar a organização de eventos nacionais, acaba facilitando a atuação de governistas e oportunistas que, mesmo não sendo mais estudantes (existe um número expressivo destes estudantes que já se formou) continuam atuando na tentativa de aparelhar o movimento de pedagogia.

Por isso, é urgente brigarmos por cumprir uma das deliberações deste ENEPe, de construir Encontros Estaduais ainda neste 2º semestre de 2009.

Outro ponto importante de ressaltarmos é o aumento expressivo da despolitização das atividades nacionais, que visa esvaziar o debate político do Encontro e transformá-lo em festas, turismo e uso de drogas.

Esta é uma posição política de governistas e oportunistas que, perdendo seguidamente espaço dentro do movimento estudantil de pedagogia, estão atuando pela liquidação deste. Prova disto foi o aviltante “leilão de homens” organizado por uma militante do PT (UNE) sob a desculpa de “arrecadar dinheiro para o pagamento da dívida nacional da pedagogia” e a atuação de algumas delegações que praticamente não participaram dos debates do Encontro, pois foram convocadas sob o discurso de que o ENEPe é unicamente um espaço de festas e turismo e não de debates, troca de experiências e decisões do movimento estudantil.

Isto, longe de ser expressão da “alienação dos estudantes” (como queriam fazer passar alguns) é sim uma tática política destes estudantes ligados ao governo para destruir o movimento de pedagogia que há anos vem atuando contra o governo FMI-Lula.

As cenas inadmissíveis de assédio, machismo, desrespeito, brigas etc. são decorrência deste cenário de tentativa de deformação do ENEPe.

O Campo de Luta

Mas, além de reorganizar o movimento nacional de pedagogia – reestabelecer as executivas estaduais e a executiva nacional e a vida orgânica de todo o movimento – é preciso garantir que vigore a democracia dentro do movimento estudantil, ou seja, que sejam aplicadas as bandeiras e o plano de lutas aprovados pela maioria.

Para isso, é necessário manter o combate à UNE (PCdoB-PT), entidade representante do governo dentro do movimento estudantil, e também a outros setores que tentam aparelhar e utilizar para seus próprios fins o movimento de pedagogia.

O MEPR entende que somente o Campo de Luta da pedagogia, espaço amplo que reúne movimentos independentes e estudantes independentes, pode garantir a posição dos estudantes em luta.

Neste sentido, o MEPR propõe ao Campo de Luta se debruçar na tarefa de construir e impulsionar Encontros Estaduais que expressem a luta do movimento estudantil de pedagogia para rechaçar o velho movimento estudantil de UNE e outros governistas e oportunistas, e abrir caminho para o movimento de pedagogia combativo e independente.

O MEPR no 29º ENEPe

O MEPR participou ativamente do Encontro. Intervimos em quase todas as Mesas e plenárias, expondo nossas opiniões sobre vários temas e fazendo propostas.

Distribuímos um Boletim feito especialmente para o Encontro e atuamos com uma banquinha (com nossos jornais, livros, panfletos, revista etc.) do início ao fim. Centenas de estudantes passaram por nossa banquinha, compraram materiais e deixaram contato.

Já no penúltimo dia do Encontro realizamos, com vários estudantes, uma Reunião de Apresentação do MEPR. Embora a limitação do espaço e a ausência de recurso audiovisual a reunião foi muito proveitosa com muitas perguntas e contribuições.

Esperamos que os estudantes que conheceram e concordam com as bandeiras do Movimento, não percam tempo e ingressem nas nossas fileiras para intervir de forma mais organizada dentro do movimento estudantil, elevar o combate ao oportunismo e a propaganda da Revolução.

  • O próximo ENEPe será em Brasília (julho de 2010)
  • O próximo FoNEPe (Fórum Nacional das Entidades de Pedagogia) será em Minas Gerais (2º semestre/2009)

 

Reorganizar o movimento nacional da pedagogia!

Combater implacavelmente o governismo e o oportunismo!

Viva o Campo de Luta!