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O fascismo e a manipulação do caso Santiago Andrade

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Por ocasião do julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) do recurso do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) no processo sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade que ocorre nesta terça 27 de setembro, reproduzimos o artigo O fascismo e a manipulação do caso Santiago Andrade, escrito pelo ativista e ex-preso político Igor Mendes e publicado no Blog da Redação do Jornal A Nova Democracia (http://www.andblog.com.br/).


Vimos há algumas semanas o monopólio da imprensa voltar à carga a respeito do caso Santiago Andrade. Mesmo o maior dos desavisados consegue perceber que bastaram os protestos contra Michel Temer ganhar vulto para que os inimigos das mobilizações populares tornassem a exigir penas “mais severas” e repressão implacável contra a juventude combatente.

 

A reação conta, para cumprir com seu funesto desígnio, com o concurso da falsa esquerda. Esta, ou silencia sobre a brutal repressão aos protestos, ou faz todo tipo de concessões à opinião pública reacionária. Essa atitude fica bem exemplificada pela resposta de Gregório Duvivier a uma crítica que lhe foi dirigida pela filha de Santiago: “Eu não disse que os assassinos do Santiago eram inocentes. Eu estou falando da violência da polícia, que mata milhares de Santiagos por dia nas periferias”.

Ora, Gregório, em primeiro lugar Caio e Fábio estão soltos porque até mesmo o Poder Judiciário foi obrigado a reconhecer como absurda a acusação de homicídio que lhes era imputada pelo Ministério Público, a Polícia e a Rede Globo. Como bem salientou o grande criminalista Nilo Batista, dentre vários outros argumentos, “se o nosso Delegado resolvesse fazer uma reconstituição do fato – a mídia gostaria muito – poderíamos verificar empiricamente se um rojão lançado naquelas condições, do solo, implica um curso causal dominável. A irrepetibilidade do fato confirmaria seu caráter casual”. Tratou-se, enfim, de um acidente e não de um homicídio doloso triplamente qualificado como a versão do monopólio de imprensa tentou impor.

Em segundo lugar, a lógica que culmina nos assassinatos dos pobres nas favelas é a mesma que justifica a repressão a toda e qualquer manifestação popular: as forças policiais e militares têm como função primordial a repressão do povo, o “inimigo interno”. O término do regime militar não pôs fim à ditadura contra as massas populares. Pode-se dizer, inclusive, que a repressão incrementou-se, o que fica comprovado pelas estatísticas de assassinatos em supostos “confrontos” – os famigerados autos de resistência – e encarceramentos, que nos fazem possuir atualmente a quarta maior população presa do mundo.

De fato, se quisermos apontar um responsável pelo que ocorreu com Santiago, este foi o “governo” de Sérgio Cabral, que tinha como política exclusiva para lidar com os protestos a famosa tríade “tiro, porrada e bomba”. A propósito, no mesmo dia em que o cinegrafista da TV Bandeirantes foi atingido, morreu atropelado o vendedor ambulante Tasnan Acioly, que fugia da repressão desatada pela Tropa de Choque. Sobre isso, não vimos uma linha sequer nos jornais.

Também tem parcela de responsabilidade a emissora, pois seu funcionário cobria um evento sabidamente conflituoso sem qualquer equipamento de proteção individual. A esse respeito as “entidades de classe” jornalísticas emudecem, assim como sobre todos os estudos que comprovam que os maiores agressores de jornalistas em exercício profissional são as forças policiais.

Teria muito mais a dizer. Mas o essencial é isto: nas figuras de Caio Silva e Fábio Raposo, bem como dos demais ativistas processados, a reação pretende atemorizar a desqualificar todos aqueles que têm ido para as ruas a partir de junho de 2013. A sua defesa é, portanto, uma batalha ideológica chave para não permitir que a opinião pública fascista e a repressão consigam prevalecer.

 

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