Na segunda-feira, dia 2 de fevereiro, os moradores da favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, fizeram protesto fechando as ruas do bairro contra o assassinato de um morador pela polícia militar. A manifestação foi duramente reprimida pela Polícia e um intenso confronto se instalou.
O confronto com a polícia iniciou no fim da tarde e durou várias horas. Os moradores se defenderam usando paus e pedras, além de fogos de artifício, enquanto a polícia, com mais de duzentos homens armados, investia com carros blindados e lançava bombas de efeito moral.
Para dificultar a repressão policial os moradores ergueram barricadas com fogo na entrada da favela. Carros e pneus foram incendiados. Um jovem operário de 21 anos, Marcione dos Santos, está com uma bala alojada no ombro; outro morador, Derval da Silva, fotógrafo, também foi atingido no ombro. Quatro policiais também saíram feridos.
Num vídeo divulgado pelo monopólio televisivo, pode-se ver a indignação da mulher de Derval: “Ele é um pai de família, não é um bandido”. Este é o sentimento das pessoas de nosso povo, principalmente as que moram em bairros pobres e favelas, contra a política estatal de extermínio de pobres aplicada no Brasil.
O monopólio de imprensa logo se pôs a difamar o povo que ali protestava contra mais um, entre tantos, assassinatos de pobres cometidos pelas forças do Estado. As “reportagens” designavam os moradores de vândalos e, como sempre, diziam que o homem assassinado era bandido.
Ainda mais violento é o Estado que só aparece nas favelas para reprimir e matar o povo. Ninguém fala da falta de creches; do desemprego; da fome; do ensino; da precariedade habitacional, a que está submetida dezenas de milhares de pessoas nesta favela e outras milhões pelo país afora. Não falam, pois estes direitos do povo não são garantidos nem de longe pelo Estado. A única garantia que o velho Estado dá aos moradores de favelas é a da repressão policial constante. Tanto é que agora, após este protesto popular, ‘a polícia ocupará a favela por tempo indeterminado’ – como disse o secretário de segurança Ronaldo Mazargão. Em vez de polícia, por que não oferece emprego, habitação, saneamento básico entre outras necessidades (e direitos!) do povo?
Pesquisas feitas pelo Datafolha em 2007 apontam que a área de Vila Andrade, distrito no qual se insere a favela de Paraisópolis, registram alguns dos piores índices de São Paulo. O desemprego atinge a cifra de 25%, o que significa dizer que uma a cada quatro pessoas está desempregada.
O baixo índice de escolarização também mostra o grau de violência do Estado para com o povo: 54% dos moradores da região têm apenas o ensino fundamental, e o número de pessoas que ingressou no ensino superior é de míseros 7%.
47% dos moradores do distrito (o que significa falar em mais de 50 mil pessoas) ganham menos de dois salários mínimos por mês. Acaso isto não é violência? Podemos dizer que estas pessoas vivem em democracia?
A verdade é que a exploração e opressão as quais o povo está submetido, somado com a situação de miséria e com a crescente carestia de vida, representam uma violência brutal particularmente sobre os pobres. E é por isso que nós defendemos que o povo tem direito de se rebelar!
A única democracia que existe ali é para a polícia, que entra na favela e com o aval, legal ou ilegal do Estado, faz o que bem quer – prende, executa, tortura, seqüestra, rouba, enfim, cumpre seu nefasto papel de reprimir as massas trabalhadoras de nosso povo.
A tendência para o aumento do protesto popular em nosso país continua crescente e com ela se desenvolve célere a situação revolucionária. Esta rebelião na favela de Paraisópolis é mais um exemplo de que o povo, não suportando mais tanta injustiça, cada vez mais se lança na árdua luta contra este velho Estado.
A "democracia" no Brasil é bem representada na fotografia abaixo:
A marca da desigualdade: de um lado, condomínio luxuoso; de outro, a miséria na favela de Paraisópolis.
Abaixo o Estado policial-fascista!
Viva a Rebelião Popular!
Rebelar-se é justo!
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