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Violência contra camponeses avança no Brasil

1 )Acampamento João Batista

ro_jovem_torturado No dia 12 de março camponeses do Acampamento João Bastista, localizado na cidade de Cujubim- RO, foram surpreendidos por um grupo de pistoleiros chefiados pela latifundiária Maria da Penha Della Libera que invadiu o local.

Os camponeses estavam tomando banho de rio e refugiaram-se assim que se deram conta da presença dos pistoleiros. Um jovem, entretanto, não conseguiu sair a tempo e foi pego pelo grupo que o levou até a sede da Fazenda e o torturou na busca de saber quem era o líder do acampamento.

O jovem camponês recebeu chutes, socos e pancadas com a espingarda (inclusive seu pescoço e peito estão com marcas da agressão) mas disse não saber quem era o líder.

pele Às 22 horas do mesmo dia a comissão de camponeses, que havia saído para denunciar o ocorrido, retornou ao Acampamento e se deparou com o grupo de pistoleiros juntamente com a família da latifundiária. Apontando as armas para o táxi que trazia a comissão, os parentes de Maria da Penha reconheceram Pelé (antiga liderança camponesa da região) e obrigaram-no a deitar no chão. Mas num momento de distração dos pistoleiros, Pelé conseguiu correr para a mata. O filho da latifundiária que portava uma pistola disparou 5 tiros e acertou 2 na perna de Pelé. Mesmo ferido, Pelé entrou na mata e só apareceu na tarde do dia seguinte em um acampamento vizinho. A latifundiária prometeu encontrar e matar Pelé.

2) São Joaquim do Monte

O caso que saiu à tona recentemente na mídia é mais um exemplo do caráter de classe burguês-latifundiário do Estado. Camponeses que acampavam nas fazendas Consulta e Jabuticaba, município de São Joaquim do Monte- PE, foram intimidados por 5 pistoleiros que exigiam a desocupação do latifúndio no último dia 21 de fevereiro.

saojoaquimdomonteQuando os pistoleiros iam atirar nos camponeses, estes reagiram e mataram 4 dos 5 que estavam lá. Com esta ação, que é de legítima defesa dos acampados, o monopólio de imprensa começou um verdadeiro estardalhaço exigindo a punição dos camponeses, tratando-os, como sempre, como se fossem bandidos. Ora, bandidos são os camponeses que lutam por um pedaço de terra para viver ou são os latifundiários e seus contratados que roubam terras e atiram contra trabalhadores?

Cotidianamente camponeses pobres são assassinados e nada se comenta. Todos os dias pobres são assassinados, seja no campo ou em periferias e favelas nas grandes cidades. Agora quando os que caem são do lado de lá, rapidamente a imprensa dos monopólios e o Estado se apressam para divulgar seu ódio e fazerem a “justiça” acontecer. A polícia mantém presos 3 camponeses (Aluciano Ferreira, Paulo Cursino e Severino Alves) que nem sequer foram julgados ainda.

Estado e latifúndio unidos contra os pobres

Resultado: A família da latifundiária e seu grupo de pistoleiros que torturaram e atiraram contra camponeses em Rondônia seguem impunes enquanto que os camponeses de Pernambuco, mesmo tendo provas (fotos) afirmando que os mortos eram pistoleiros e que agiram em legítima defesa, estão presos.

Esta situação de violência para com os camponeses pobres é diária. Além de sofrer a violência de não ter garantido um direito que é seu: o de ter um pedaço de terra para viver, os camponeses ainda são vítimas de perseguições legais, instrumentalizadas pelo próprio Estado e suas instituições, e ilegais, operadas por matadores de aluguel contratados pelo latifúndio.

Desta forma, os camponeses em luta são reprimidos pelas polícias e condenados pela Justiça: quando não são assassinados, são lançados nos presídios como se fossem criminosos. Quando não ocorre isto, são os próprios latifundiários que montam seus próprios braços armados e fazem sua “justiça” livremente – executam e torturam.

Assim sempre foi na história do país e é assim que continua até os dias de hoje. O Estado, como defensor da propriedade privada dos meios de produção, criminaliza a luta camponesa por um lado e, por outro, absolve todo tipo de atrocidade promovido pelo latifúndio – desde o roubo de terras até a constituição de bandos armados.

Esta situação coloca um único caminho para o avanço da democratização das terras no país: os camponeses devem tomar as terras do latifúndio e exercer sua violência justa para se defender e contrapor a violência injusta das forças do Estado e do latifúndio. Este velho Estado, estruturado no monopólio da terra, sempre classificará a luta pelo fim do latifúndio como crime, por isso há que denunciar suas ações antipovo e enfrentar sua força para se avançar na distribuição das terras.

O único caminho é lutar. Somente levando a cabo a Revolução, destruindo este velho Estado e construindo um Estado de Nova Democracia como condição transitória para o socialismo é que os camponeses terão seus direitos garantidos e assegurados.

 

Viva a Revolução Agrária!

Abaixo a criminalização da luta pela terra!

Liberdade para os camponeses Paulo, Aluciano  e Severino!

O povo quer terra, não repressão!