Sábado, 17 de outubro de 2009. O fascista secretário de segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, anuncia que três jovens assassinados no interior de um carro na entrada do Morro dos Macacos, zona norte do Rio, eram bandidos “engajados no confronto”. Após a revolta da família ser transmitida pela televisão o referido secretário e a cúpula da Polícia Militar vieram a público pedir “desculpas” e dizer que os amigos Marcelo da Costa Ferreira Gomes, 26 anos, Leonardo Fernandes Paulino, 27, e Francisco Ailton Vieira da Silva, 25, na verdade, eram todos trabalhadores.
Logo na quarta-feira, dia 21/10 mais um “equívoco”: após uma incursão da PM na favela de Vila Cruzeiro o estudante de 18 anos José Carlos Guimarães Junior, aluno do terceiro ano do colégio Estadual Gomes Freire de Andrade, é baleado no abdômen.
Esses dois fatos, embora inaceitáveis, não são exceção mas a verdadeira regra nas grandes cidades do nosso país. Em meio aos imensos bolsões de miséria que se multiplicam ao redor dos grandes centros cresce uma juventude completamente carente de qualquer perspectiva de vida, violentada pelo desemprego e pela brutalidade rotineira do velho Estado, lutando em meio à sacrifícios inacreditáveis pelo direito a sobreviver.
Entretanto, pelo fato de acontecerem logo após a patética propaganda a respeito do Rio ser a “cidade olímpica”, esses fatos são emblemáticos. Emblemáticos porque deixam claro que para o velho Estado ser um jovem morador de periferia é ser criminoso. A polícia militar do Rio de Janeiro é a que mais mata em todo o mundo. O índice de “autos de resistência” (mortos em suposto confronto com a polícia) da polícia carioca é o dobro do da polícia de São Paulo, apesar desta ser reconhecidamente violenta e de São Paulo possuir uma população bem maior que a do Rio de Janeiro.
Vale lembrar que o governador Sérgio Cabral declarou, há pouco tempo atrás, numa estúpida tentativa de ressuscitar o estúpido Malthus, que as favelas são uma “fábrica de marginais” já que a suposta alta natalidade dessas comunidades seria responsável pela criminalidade. Não é demais lembrar, também, que o sr. Luís Inácio acabou de prometer ao governo do Rio (devido aos “jogos olímpicos”) mais 100 milhões de reais para gastos com “segurança pública”, ou seja, para continuar derramando o sangue do povo trabalhador. Também ele, portanto, tem mancha de sangue em suas mãos.
Abaixo o extermínio da juventude pobre! Não podemos aceitar que jovens morram todos os dias pelo simples fato de serem pobres!Devemos ter claro, também, que não se trata de pedir de joelhos uma paz entre as classes (discurso das ONG’s) nem tampouco uma “humanização”da polícia (discurso do oportunismo) mas sim enxergar
que somente a rebelião do nosso povo, rebelião da qual a juventude pobre é parte decisiva, voltada a destruir o capitalismo burocrático em nosso país poderá acabar, de fato, com essa série de “enganos” e “balas perdidas” que, talvez por coincidência, atingem quase sempre o mesmo lugar...
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