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Revolta da Chibata: Viva o Almirante Negro!

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Em 1910, portanto há 105 anos ocorria a Revolta da Chibata que é um acontecimento memorável nos quadros das lutas do povo brasileiro. Naquele período, os marinheiros brasileiros eram punidos com castigos físicos. As faltas graves eram punidas com 25 chibatadas (chicotadas). Estes castigos, no caso da marinha brasileira, também tem ligação com a origem negra dos soldados de baixa patente, haja vista que a escravidão negra havia sido formalmente encerrada em 1888. Enquanto isso, a oficialidade era oriunda de ricas famílias da aristocracia branca. Os castigos físicos tinham, portanto, clara conotação racista e de classe. Esta situação gerou uma intensa revolta entre os marinheiros. 

 

 

O estopim da revolta ocorreu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado com 250 chibatadas, por ter ferido um colega da Marinha, dentro do encouraçado Minas Gerais. O navio de guerra estava indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na presença dos outros marinheiros, desencadeou a revolta, que começou no dia 22 de novembro de 1910. 

 

O motim se agravou e os revoltosos chegaram a matar o comandante do navio e mais três oficiais. Já na Baia da Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos marinheiros do encouraçado São Paulo.

  

O líder da revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante Negro), redigiu a carta reivindicando o fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para todos que participaram da revolta. Caso não fossem cumpridas as reivindicações, os revoltosos ameaçavam bombardear a cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil).

 

Diante da intrepidez dos revoltosos e da ameaça de bombardeio da capital do país, o militar e presidente Hermes da Fonseca aceitou o ultimato dos revoltosos. Porém, após os marinheiros terem entregues as armas e embarcações, o presidente solicitou a expulsão de alguns revoltosos. A insatisfação retornou e, no começo de dezembro, os marinheiros fizeram outra revolta na Ilha das Cobras. Esta segunda revolta foi fortemente reprimida pelo governo, sendo que vários marinheiros foram presos em celas subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local, onde as condições de vida eram desumanas, alguns prisioneiros faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na produção de borracha. O líder da revolta João Cândido foi expulso da Marinha e internado como louco no Hospital de Alienados. João Cândido morreu em situação de muita pobreza no Rio de Janeiro, em 1969.

 

A Revolta da Chibata é uma das muitas demonstrações de luta de nosso povo. Demonstra também como a reação e o Estado brasileiro sempre trataram as lutas populares com extrema violência e repressão feroz.

 

É dever dos lutadores de nossos dias não deixar que esta memória se perca, por isso indicamos essa linda música na voz de Elis Regina que homenageia o “Almirante Negro”. A música pode ser encontrada em: < https://www.youtube.com/watch?v=n6-i_XQsxCE >.



"O mestre sala dos mares*


Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro

[na figura de um bravo marinheiro]
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro

[conhecido como almirante negro]
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas

[e ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas]
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas

[jorravam das costas dos negros pelas pontas das chibatas]
Inundando o coração do pessoal do porão

[inundando o coração de toda tripulação]
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então

[que a exemplo do marinheiro gritava não!]

Glória aos piratas
Às mulatas, às sereias

Glória à farofa
à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história não esquecemos jamais

Salve o navegante negro

[salve o almirante negro]
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais

Mas salve
Salve o navegante negro

[salve o almirante negro]
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais

Mas faz muito tempo"


*A letra da música é de Aldir Blanc e João Bosco de 1974, ela foi censurada pelo regime militar, pois fazia referência a um episódio de luta do povo brasileiro e a João Cândido, na letra da música acrescentamos entre parêntesis a letra sem censura.

 

 

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