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Milhões dizem Não à Farsa Eleitoral

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Milhões dizem Não! à farsa eleitoral!

Não podemos desprezar o peso do diuturno bombardeio movido, simultaneamente, pela máquina estatal, partidos políticos e monopólios de imprensa, ademais das igrejas, convocando a população a votar. Trata-se, realmente, de um massacre, intensificado na última semana de campanha. Diante disso, verificar o aumento do número de votos nulos, brancos e, sobretudo, abstenções, é sintomático de quanto a população brasileira não legitima, repudia mesmo, essa falsa democracia vigente em nosso país.

Vamos aos dados. Segundo o TSE, 16,41% das pessoas aptas a votar não compareceram às urnas no domingo, significando 22.735.725 de brasileiros (ou seja, quase 23 milhões de pessoas) que disseram não às eleições. Esse número indica crescimento de abstenções em relação às eleições municipais de 2008, quando o percentual de não-comparecimento atingiu a casa dos 14,53%. Interessante observar que cresce o número de abstenções apesar de ter aumentado exponencialmente o volume de dinheiro mobilizado nas campanhas, que esse ano foram 33% mais caras que as de 2008 (como mostramos em matéria anterior, já foram gastos até aqui R$ 1 bilhão de reais, quantia que até o fim do 2º turno pode atingir os R$ 3 bilhões).

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Os exemplos de Rio e São Paulo:

Há exemplos que são realmente expressivos. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, as abstenções atingiram a casa dos 20,45% dos votos (965 mil pessoas), cifra superior à votação do segundo colocado, Marcelo Freixo (PSOL), que obteve 914.082 votos. Os brancos e nulos atingiram os 507.323 votos.

Alguns apressados correram a dizer que, aí, essa alta abstenção deveu-se ao fato da eleição ter sido encarada, pelos eleitores, como já definida previamente, levando muitos a não votar. Trata-se de uma tentativa (entre muitas outras) de desqualificar e descartar as abstenções e brancos/nulos como meio de protesto, de não-legitimação das eleições. Esse argumento é derrubado se comparado com um outro caso concreto, exatamente oposto a esse, qual seja, a cidade de São Paulo. Aí, não só o montante financeiro-propagandístico mobilizado nas eleições dispensa comentários como, ademais, o pleito ocorreu num notório acirramento entre três candidatos. Pois bem: nessa circunstância, as abstenções atingiram os 18,5% dos eleitores, e os votos brancos/nulos outros 12,8%, totalizando 31,3% de não às eleições, ou, uma em cada três pessoas.

Não há outra razão, motivação para esses índices, que um protesto bastante claro quanto às “instituições democráticas” vigentes.

A manipulação das estatísticas e das mentes:

Existe, na verdade, um esforço concentrado no sentido de tornar os votos brancos e nulos, ademais das abstenções, como “marginais”. Ou, melhor dizendo, não podendo [e não querendo] interpretar cientificamente esses índices, que nas últimas eleições têm batido os 30% do eleitorado, os burocratas e pseudo-estatísticos governamentais simplesmente agem como se tais votos (ou seja, pessoas) não existissem. Ou seja, diante de uma realidade incômoda, simplesmente desconsidera-se essa realidade. Assim, além da propaganda diuturna sobre a “inutilidade” de anular o voto, de “jogar fora esse direito”, no momento de anunciar os resultados leva-se em conta apenas os votos válidos, desconsiderando não apenas as abstenções como também aqueles que se deram ao trabalho de ir votar nulo e branco, como se esse não fosse um ato político. O objetivo, na verdade, é esconder que as amplas “maiorias” dos eleitos simplesmente não existem, que tratam-se de escrutínios onde os ganhadores representam na maior parte das vezes menos de 30% da população.

Há outros dispositivos igualmente absurdos. Nessas eleições, por exemplo, o TSE não disponibilizou os dados de votos brancos/nulos agrupados por Estados e nacionalmente, como ocorria até 2008. Somente é possível verifica-los por município, o que obviamente dificulta uma análise global. Outro expediente absurdo foi o de colocar os votos em candidatos com pendência judicial devido à Lei da Ficha Limpa na conta dos votos nulos, até que se esclareça a questão, misturando e diluindo questões absolutamente distintas.

Esses recursos, na verdade, longe de obscurecer a realidade, só realçam o significado político das abstenções e votos nulos e brancos. Porque estes crescem na medida em que contra ele concentram seu fogo todos os partidos políticos eleitoreiros e meios de comunicação. Por que concentram seu fogo? Porque o que está em questão, claro, é a legitimação dessa velha ordem, se crê ou não o povo na lenga-lenga do “poder do voto”. Por isso a interpretação do ausentismo é fundamental, é uma batalha política importante, particularmente contra a esquerda reformista e oportunista, que se eleva cada vez mais como advogada dessa falsa democracia, como mercadora maior de ilusões que enganam cada vez menor número de pessoas.

O significado do rechaço:

Realmente, toda a esquerda eleitoreira, incorporada à velha ordem, interpreta o rechaço, o boicote eleitoral por parte das massas como “despolitização”, “desperdício”, etc. Além da legitimação das eleições, agregue-se a esse seu esforço uma tentativa de justificar seus resultados pífios, ano após ano. Na sua maioria brigam para atingir 1% dos votos; quando conseguem, como no Rio e em Belém, partir de uma base maior de votos, transformam suas campanhas em campeãs dos discursos de “gerenciar a cidade”, “ética na política” e coisas afins, campanhas que naturalmente dispensam a mais mínima conotação de socialistas e servem abertamente à reação para tentar frear a crise de legitimidade de suas eleições. E ainda assim, rasgando publicamente suas vestes de “esquerda”, não conseguem superar o índice de abstenções sequer, desconsiderando brancos e nulos.

Afinal, essa população que atinge a casa de mais trinta milhões de brasileiros, não tem pensamento político? Seu ato não está na esfera da ação política, não guarda nenhuma relação com a realidade? Essa é a forma oficial de abordar o problema, grosseira evidentemente. A abstenção, os votos brancos e nulos significam no mínimo indiferença e, na maior parte das vezes, rechaço aberto a essa falsa democracia. Trata-se de uma consciência que vai ficando cada vez mais nítida de que as eleições não significam nenhuma alteração nas suas vidas, por tratar-se de um jogo de cartas marcadas onde não há importantes diferenças qualitativas entre nenhum dos candidatos. Em toda abstenção há, de modo latente no mínimo, essas conclusões. Essa consciência demonstra muito mais maturidade, na verdade, por parte dessas pessoas, do que o eleitorado dos partidos oportunistas, que espera das eleições uma reforma das instituições do velho Estado –algo impossível sob o capitalismo, naturalmente.

Terminadas as eleições, silenciadas as máquinas eleitorais e os discursos de candidatos e “analistas políticos”, verdadeiras metralhadoras, fica ainda mais claro o papel das votações, ou seja, para as pessoas é flagrantemente evidente como a vida continua o seu curso, e as promessas acumuladas não são cumpridas. Aí também devemos manter nosso trabalho de propaganda e esclarecimento, que não espera nem precisa das eleições para ocorrer.  
 

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