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A bancarrota do revisionismo cubano

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Reproduzimos abaixo o documento Bancarrota del revisionismo cubano, do Partido Comunista do Equador – Sol Rojo (Puka Inti), com a tradução de Lúcio Jr. tal como publicada no Blog da Redação do Jornal A Nova Democracia (http://www.andblog.com.br/).

O texto traz uma análise profunda da Revolução Cubana e seus desdobramentos. Consideramos sua leitura de grande importância para os revolucionários, principalmente entre a juventude, onde muitos identificam-se com a Revolução Cubana e a figura de Che Guevara. Entretanto a Revolução Cubana foi uma revolução de caráter democrático-burguês com uma direção pequeno-burguesa (posteriormente revisionista) e que não avançou em direção ao Socialismo, assumindo-o apenas de palavra e formalmente. Quanto a Che, em que pese seu heroísmo e abnegação, não conseguiu compreender e encarnar a ideologia científica do proletariado, na época marxismo-leninismo-pensamento mao tsetung (que posteriormente deveniu-se em marxismo-leninismo-maoísmo), e isso deu margem para concepções pequeno-burguesas, destacadamente o foquismo.

As limitações expressas na Revolução Cubana provocaram grave prejuízo às lutas revolucionárias na América Latina, servindo de retaguarda política e ideológica a diversos agrupamentos revisionistas e oportunistas e dando chancela a esses grupos, dentre os quais o próprio Partido dos Trabalhadores (PT) em nosso país. Cabe aos autênticos revolucionários compreender o verdadeiro caráter e o papel que cumpriu a Revolução Cubana a fim a afastar a confusão ideológica e o ecletismo e poder reafirmar o caminho correto da Revolução em nosso país e nos demais países semicoloniais e semifeudais: a Revolução de Nova Democracia Ininterrupta ao Socialismo!

 

 


A bancarrota do revisionismo cubano

 

Conforme prometemos na edição impressa de AND nº 176, publicamos na íntegra aqui no Blog da Redação o documento Bancarrota del revisionismo cubano, de autoria do Partido Comunista do Equador – Sol Rojo (Puka Inti). Este documento elucida, sob a luz da ciência do proletariado, o caráter da Revolução Cubana e a posição de classe de sua direção.

Nossas saudações ao companheiro Lúcio Jr. pelo seu trabalho de tradução do artigo para o português e seu envio a nossa redação.

1.Introdução

Nos últimos dias o cenário internacional tem estado marcado por informações inerentes às aparentes mudanças que se estão imprimindo na estrutura econômica, política e social de Cuba.

Sobre esse mesmo tema, a esquerda revisionista e oportunista do Equador tem saído ao “encontro” dessas notícias manifestando o “oportuno” dos mesmos considerando a virada que tem tomado a humanidade e que podem ser levados adiante, “sem que se perca a essência da revolução”. Os mais radicais falam que as mudanças que estão se dando em Cuba representam “um passo atrás na revolução”.

2.Nem um nem outro

O alcance da revolução cubana desde que ela foi proposta até nossos dias tem estado marcados por seu caráter democrático-burguês, com a particularidade que no caminho se incorporou ao discurso democrático uma linguagem socializante, pseudo-marxista, que por sua natureza arrastou o dito processo a transitar ao caminho revisionista. De nenhuma maneira isso nos coloca em posição de negar alguns avanços democráticos da revolução cubana, mas é imprescindível esclarecer que esses avanços definitivamente estavam muito distantes de ter fundamentos socialistas como torpemente estão sustentando seus dirigentes.

Dizer que a “Revolução” tenha dado “um passo atrás” é igualmente falso já que a Revolução Cubana jamais deu um salto “adiante” em torno da construção do socialismo nas condições históricas de sua aplicação manifesta como primeira instância como Ditadura do Proletariado para seguir mais adiante o caminho ao Comunismo.

Precisamente depois da segunda metade do século XX com o assalto ao Poder por parte da camarilha revisionista de Kruschev no XX Congresso do PCUS, já se atiçavam as diferenças entre o social-imperialismo soviético e o imperialismo estadunidense pelo controle do planeta. Enquanto que em Cuba o Movimento 26 de Julho era Nacionalista-Democrático, sujeito aos princípios inscritos nas aspirações que tinha a pequena burguesia e a burguesia nacional de romper laços com os grandes fazendeiros, os monopólios do açúcar, o turismo, a banca, se empreende com a revolução Cubana, listada entre as revoluções democráticas de velho tipo que pretendiam, entre outras coisas, abrir espaços de participação no circuito da produção nacional de atores econômicos constrangidos pelo imperialismo e sua burguesia servil. Vejamos alguns pontos de importância a respeito:

Em 26 de outubro de 1953, Fidel Castro assinalaria que o conteúdo da “revolução” em Cuba era nacionalista e democrático burguês, [conteúdo esse que] “que recupere a constitucionalidade e ponha em pé algumas reformas que ativem o crescimento econômico e fortaleçam aos industriais afetados pelo neocolonialismo, dando ênfase ao mercado interno”.

A maneira correta de ampliar os eixos programáticos desta revolução – não socialista - se reflete de maneira contundente em seu Programa: De acordo com o MANIFIESTO DE LA SIERRA, datado de 12 de junho de 1957, elaborado por Fidel Castro, este era o “programa revolucionário” do processo cubano:

1. Formação de uma frente cívico-revolucionária com uma estratégia comum de luta.

2. Designar desde agora uma figura chamada a presidir o governo provisório, cuja eleição exerça, por parte dos líderes oposicionistas, um papel de trazer a imparcialidade que ele já assinalou, estando a cargo do conjunto de instituições cívicas.

3. Declarar ao país que, dada a gravidade dos acontecimentos, não há outra solução possível do que a renúncia do ditador e a entrega do poder a uma figura que conte com a confiança e o respaldo majoritário da nação, expresso através de suas organizações representativas.

4. Declarar que a frente cívico-revolucionária não invoca nem aceita a mediação ou intervenção alguma de outra nação nos assuntos internos de Cuba. Que, em troca, respalda as denúncias que por violação de direitos humanos fizeram os emigrados cubanos diante dos organismos internacionais e pede ao governo dos Estados Unidos que tanto persistia no regime atual de terror e ditadura, suspenda todos os envios de armas a Cuba.

5. Declarar que a frente cívico-revolucionária, por tradição republicana e independentista, não aceitaria que governasse provisoriamente a república nenhum tipo de junta militar.

6. Declarar que a frente cívico-revolucionária acolheria o propósito de separar o exército da política e garantir a intangibilidade dos institutos armados. Que os militares nada têm que temer do povo cubano e sim da camarilha corrompida que os enviam para a morte em uma luta fratricida.

7. Declarar abaixo a promessa forma que o governo provisório celebrará eleições gerais para todos os cargos do Estado, as províncias e os municípios no término de um ano abaixo das normas da Constituição de 40 e o Código Eleitoral de 43 e entregará o poder imediatamente ao candidato que resulte eleito.

8. Declarar que o governo provisional deverá ajustar sua missão ao seguinte programa:

  • Liberdade imediata para todos os presos políticos, civis e militares.

  • Garantia absoluta para a liberdade de informação, para a imprensa radiofônica e escrita e de todos os direitos individuais e políticos garantidos pela Constituição.

  • Designação de prefeitos provisórios em todos os municípios, consulta prévia junto às instituições cívicas da localidade.

  • Supressão do peculato em todas suas formas e adoção de medidas que tenham a incrementar a eficiência de todos os organismos do Estado, estabelecimento da carreira administrativa.

  • Democratização da política sindical promovendo eleições livres em todos os sindicatos e federações de indústrias.

  • Início imediato de uma intensa campanha contra o analfabetismo e a educação cívica, exaltando os deveres e direitos que teve o cidadão com a sociedade e com a pátria.

  • Assentar as bases para uma reforma agrária que tenda para a distribuição das terras baldias e a converter em proprietários a todos os colonos, parceiros, arrendatários e meeiros que possuam pequenas parcelas de terra, sejam propriedade do Estado ou particulares, assim como tendo prévia indenização aos proprietários anteriores.

  • Adoção de uma política financeira sã que resguarde a estabilidade de nossa moeda e tenda a utilizar o crédito da nação em obras reprodutivas, aceleração do processo de industrialização e criação de novos empregos.

Como é evidente acima, no Programa da Revolução Cubana, em nenhuma parte se encontra alusão alguma ao Socialismo. O proletariado como concepção ideológica e política é totalmente inexistente.

O Manifesto se refere a uma “Frente Cívico-Revolucionária”. Não conhece nem entende que a sociedade está dividida em classes e que entre elas existem antagonismos irreconciliáveis que se manifestam como luta de classes, motor das sociedades. A concepção do “civil” está marcada por uma referência explícita ao não uniformado, não militar e nesse “balaio de gatos” metem todos, burgueses, latifundiários, operários, camponeses pobres, povoadores, etc. A versão moderna desta proposta brande o regime de Correa1 com o eufemismo burguês da “revolução cidadã”, como se todas as classes ao uníssono tivessem interesses comuns junto aos quais lutar.

Não se refere a uma classe específica que administre o novo governo em função de criar um novo Estado. Pelo contrário, referindo-se basicamente a uma “figura”, um indivíduo que mais pareceria ser sacado de desígnios religiosos ou messiânicos. Obviamente, o Messias era inevitavelmente ele, Castro.

É evidente que o caráter dessa revolução não passava de reformismo burguês, não compreendiam – porque não eram marxistas – a diferença substancial entre sistema de governo com sistema de Estado. Pretendiam separar o exército do político, desde sempre, por desconhecimento do que é o Estado e a que classe ele serve. Qual é o rol político do mesmo, de seus instrumentos, como entre outros, é o caso do aparato repressivo.

A reforma agrária foi igualmente tratada: expropriação de prédios não utilizáveis mediante prévia indenização de seus antigos proprietários. Da mesma maneira como mais de meio século depois está agindo no Equador o regime reformista de Correa. Quanta identidade não é casualidade, é o selo de classe que os aproxima. Não tem a intenção de destruir os latifundiários como classe se não evoluírem de tal maneira que se ajustem ao novo formato burocrático.

Desde logo que haverá quem sustentem que esta era uma proposta inicial que substantivamente evoluiu em “revolução socialista”. Não! Foi uma revolução democrático-burguesa dirigida pela pequena burguesia intelectual, que não foi impulsionada unicamente pelo Exército Rebelde e comandados por Castro e Guevara na Sierra Maestra (infantilidade do foco guerrilheiro), sem o que se apoiou em uma orgulhosa luta empreendida nas cidades pelos sindicatos, mineiros, estudantes e povoadores em general que sem correta direção política nos objetivos lutavam contra o regime tirânico do ditador desgastando-o nos combates urbanos, a paralisação da produção, situação nada estável da retaguarda inimiga, etc., para posteriormente a essa revolução adaptar-se a um discurso pseudo-marxista e mudar de revolução democrático-burguesa dirigida pela burguesia à revolução democrático-burguesa dirigida pelo revisionismo que nutre – e sustenta até a atualidade - a ditadura burguesa burocrática.

Pouco tempo depois do triunfo da revolução, Fidel Castro e E. Guevara decidiram precipitadamente visitar os Estados Unidos no sentido de apregoar que “a revolução cubana não é uma revolução comunista” que o espírito da mesma era democrática, sendo contra a ditadura de F. Batista. A direção cubana nunca se colocou objetivamente que o caráter da Revolução tinha que ser socialista, pelo contrário, devia ser democrática. Pela caracterização do país, semifeudal e totalmente submetido pelo imperialismo ianque o caráter necessário desta revolução que devia ser democrática, popular e anti-imperialista. A variante estava no fato de que aqueles que dirigiram a revolução estavam cheios de ideologia burguesa, relegando a responsabilidade do proletariado como força ideológica fundamental na condução da revolução e seu trânsito interrompido ao Socialismo.

O marco internacional em que se desenvolveu em seus primeiros tempos a revolução cubana e particularmente a maneira de como reagiu em segunda instância frente ao imperialismo ianque sob o estímulo da URSS, fez aprofundar alguns aspectos da revolução tais como a reforma agrária, a expropriação de importantes meios de produção da burguesia e dos latifundiários, etc. Algumas atitudes anti-imperialistas (direcionadas basicamente contra os USA) e sua “adesão verbal” ao marxismo-leninismo tenham desorientado a muita gente em Cuba e no mundo - inclusive em não poucos casos a nós nas décadas dos 60 e 70 do século passado ao não entender bem e objetivamente o processo cubano, tanto assim que circunstancialmente ao encontrar “ouvidos receptivos” no revisionismo da esquerda equatoriana Cuba se constituiu em principal estímulo destes para que precipitem seus tíbios intentos por “fazer revolução no Equador” sob o influxo ideológico (foco guerrilheiro, guevarismo, revisionismo, oportunismo) de Cuba, aspecto que se reflete na incoerência do manejo político, a subjetividade da proposta estratégica e sinceramente em um estrondoso fracasso ainda antes de começar.

Posteriormente a direção cubana representada por Fidel Castro acudiu ao chamado dos revisionistas soviéticos e assistiu à conferência da direção mundial revisionista em Moscou em 1965 para planejar a divisão do Movimento Comunista Internacional em benefício da corrente revisionista soviética e em detrimento ou a busca por “debilitar” a tendência correta que elaborava o Partido Comunista da China.

Foram precisamente os dirigentes cubanos os quais têm sustentado sua neutralidade na luta entre marxistas e revisionistas apregoando o ecletismo e o pragmatismo, expressões próprias do revisionismo e do oportunismo.

Foi o próprio Fidel Castro quem aproveitou a reunião de numerosos dirigentes revolucionários e a atenção do mundo sobre a Conferência Tricontinental para caluniar a Revolução Popular Chinesa e a seus dirigentes encabeçados por Mao Tsetung. E é que na confrontação ideológica entre o PCCh (Partido Comunista da China) e o PCUS (Partido Comunista da União Soviética) de onde se evidenciou ao Movimento Comunista Internacional o caráter revisionista e social-imperialista da URSS. Cuba estabeleceu sua posição, obviamente do lado revisionista, do PCUS.

Foram os dirigentes cubanos os que se negaram a assistir ao V Congresso do Partido do Trabalho da Albânia quando na Albânia se exercitava a Ditadura do Proletariado (Socialismo) na medida em que estes também combatiam o revisionismo Soviético.

A direção Cubana sustentava o pouco necessário de contar com o Partido Comunista para dirigir a revolução, sublinhando o papel que cumpre, determinante por certo, o proletariado e sua organização na revolução. Esta concepção oportunista se evidencia na mecânica de como se apresentou a Revolução Cubana. Primeiramente se fez a revolução aproveitando - acertadamente - o estado de ânimo e vocação de luta do povo cubano, se tomaram o Poder, depois se declararam “socialistas” e posteriormente construíram o Partido Comunista sobre a base de seu projeto burocrático.

Então, tem sido a direção cubana quem tem promulgado a linha “terceirista”, o foco guerrilheiro, negando o papel que cumprem as massas, desestimulando o papel destas e pretendendo negar o papel que cumprem como realizadoras da história para dar passo aos caudilhos, os imprescindíveis, os “super-homens”, da maneira como ressaltaram a “figura” de Che, Castro e outros que foram colocados sobre as massas e sobre a ideologia. É importante ressaltar que nenhum povo, grupo ou organização que se baseou na doutrina do “foco guerrilheiro” teve êxito em suas pretensões revolucionárias. Seus próprios mentores, incluindo Guevara, quem, ao não compreender primeiramente e de forma factual o caráter determinante que têm a participação das massas na Guerra revolucionária, morreu na Bolívia agarrado ao erro histórico.

Fidel sustentava que “as condições subjetivas em Cuba antes da revolução eram 7010 fuzis” (e as massas? E as contradições de classe? E o aspecto ideológico?) e arremetendo contra todo o critério marxista sustentava que “eu, sozinho, sou capaz de fazer a revolução no Brasil”, afirmações que refletem em síntese sua arrogância e concepção pequeno-burguesa da história, do papel do proletariado, da luta de classes e das perspectivas da revolução.

Amparados debaixo dos parâmetros teóricos e práticos que foram ditados no XX Congresso do PCUS e com ele a consolidação do revisionismo na ex-URSS, em Cuba se gerou a burguesia burocrática que substituiu com um formato econômico e político socializante ao regime déspota e repressivo dos setores burgueses mais recalcitrantes da ilha dirigidos por F. Batista. Posterior ao triunfo da revolução, Cuba se inscreveu na nova divisão internacional do trabalho que imprimiu a URSS e como requerimento estratégico na disputa entre as potências imperialistas de então.

Tem sido a direção cubana a que se tem apoiado cada vez mais nos pequenos proprietários do campo e da cidade sem preocupar-se com as repercussões políticas que tem este predomínio, base material do revisionismo. Não é raro que agora “tirem a máscara” e abertamente sustentem o projeto de “dar passo ao capitalismo” se nunca saíram dele, pelo contrário, o fizeram evoluir às condições particulares de sua revolução.

São eles quem criaram dependência umbilical com o revisionismo soviético abandonando o caminho dos seus próprios esforços, do próprio desenvolvimento industrial. O presidente Mao nos disse “Acaso não se pode temperar o aço no pátio traseiro da casa?”. Caído o revisionismo soviético era questão de tempo para que a direção cubana entrasse também em bancarrota arrastrando as massas desse país para viverem no esquecimento e na miséria que hoje vivem. Não é raro que desde a bancarrota revisionista da URSS os mandatários cubanos vaguem pelo planeta buscando novos imperialismos ou países capitalistas desenvolvidos a quem entregar-se para pretender argumentar condições para sustentar a ditadura burocrática na ilha.

A direção cubana sustentou a necessidade de diversificar a produção em função das necessidades das massas dando continuidade ao monocultivo da cana, meta de desenvolvimento econômico de Cuba que evidencia - entre outras coisas - o caráter feudal de sua economia (acaso os ianques não pensavam e faziam o mesmo em Cuba na época de Batista?). Produzir açúcar, negociá-lo por petróleo com a URSS em seu tempo, hoje com a Venezuela e os remanescentes, reexportá-los para captar divisas. Estimular o turismo colocando de joelhos as massas em condições servis ao capital estrangeiro pareceria ser a equação perfeita do pragmatismo pequeno-burguês.

Foi Fidel Castro quem tratando de se opor à grande tese marxista de que o “imperialismo e todos seus lacaios vistos em perspectiva são tigres de papel”, já sustentou estupidamente que: “Seria ridículo nos colocarmos a discutir o sexo dos anjos [se são galgos ou podencos], se são de papel ou de ferro”.

Sobre a posição de Cuba, no momento em que flertava com o imperialismo dizia: “Nós não vamos nos colocar na direita e nem na esquerda, nem ao centro… nos colocaremos mais adiante da direita e da esquerda”. Uma vez mais sua mentalidade eclética prevalecia desnudando sua condição de classe.

Sobre a necessidade da luta armada para a conquista do poder político, sustentava: “cada povo deve decidir sua via… que as escolham os povos e em alguns casos serão pacíficos e em outros o caminho da luta armada”. Quando fizeram a revolução em Cuba, para a direção revolucionária a luta armada era uma inegável necessidade. Agora, quando lhe convém, a luta armada é relativa e como se fosse pouco “optativa”. Eles sabem que a luta armada é uma via inevitável para destruir o velho poder, que dialeticamente não existe maneira alguma para prescindir desta forma de fazer política. Sua experiência, ainda que na sua condição de revisionistas, lhes ensinou que o imperialismo, a burguesia, os latifundiários, aqueles que detenham o poder confrontaram todo intento dos que pretendam derrotá-lo fazendo uso dos métodos mais cruéis, sanguinários e violentos. Esta declaração de Castro mais parece responder ao interesse de que o imperialismo não vincule a direção cubana aos processos do revisionismo armado em América Latina - fundamentalmente - que não deixam de ser uma “dor de cabeça” para os USA e seguir flertando com o imperialismo para ver que poderia conseguir deles.

Uma das expressões mais decisivas da direção cubana na voz de Fidel Castro foi quando sustentou ele que “o comunismo como sistema social, resolve o problema econômico e priva a liberdade; o capitalismo talvez mate de fome, o comunismo por extinção de liberdade”. Como pode falar um indivíduo que não conhece do socialismo e do comunismo acerca de suas virtudes ou seus defeitos? A direção cubana declama o caráter “socialista” de sua revolução e nem sequer creem nela, não estão convencidos de sua aplicação, de sua necessidade e inevitabilidade histórica. A “razão social determina a consciência do indivíduo”, assim como suas interpretações subjetivas.

Foi Fidel Castro quem sustentou que a luta ideológica que mantinha o marxismo-leninismo-maoísmo contra o revisionismo soviético não era mais do que uma “discussão bizantina”.

Quando uma hiena como Alan García assassinava o povo peruano e massacrava de maneira mais vil e matreira aos camaradas do Partido Comunista do Peru nas Luminosas Trincheiras de Combate; quando no Equador, León Febres Cordero desatava a repressão e se mostrava como um dos regimes mais reacionários da história do país, a direção cubana RECEBEU em seu país a estes dois delinquentes com todas as honras de “chefes de Estado” avalizando desta maneira seus comportamentos.

A China maoista não teve embate somente entre o imperialismo norte-americano, nas potências capitalistas, nos remanescentes do Velho Poder seus detratores e inimigos acérrimos, mas em seu tempo a direção cubana, respaldando ao revisionismo soviético, também combateu a China Popular. As contradições que se geraram entre China e a órbita comprometida com a URSS revisionista transcenderam a luta de duas linhas para estabelecer-se numa luta entre duas concepções antagônicas e irreconciliáveis como eram entre China e Cuba, antes como agora entre o marxismo-leninismo-maoísmo e o revisionismo. Hoje em dia não resulta surpreendente que a China capitalista com tendências imperialistas tenha estreita relação com os irmãos Castro e a burguesia burocrática cubana. A história da luta de classes na arena internacional mostrou o que significa, no momento em que se deslindaram os conflitos entre as direções destes dois países, eles conflitarem. Portanto, se hoje se reúnem, se alinham, afinal se identificam em seus meios, em seus propósitos, em sua natureza de classe. Na década dos 60 e 70 do século passado eram inimigos de classe, hoje são aliados revisionistas.

Fidel Castro, ademais de estimular as FARC em abortar a luta armada por considerá-la em relação ao resgate que fez a repressão dos detidos pela guerrilha colombiana, entre outros de Ingrid Betancourt e dos três agentes da CIA manifestou que “abria-se um capítulo de paz para Colômbia, processo que Cuba vem apoiando há mais de 20 anos como o mais conveniente para a unidade e liberação dos povos de nossa América, utilizando novas vias nas complexas e especiais circunstâncias atuais, depois do fim da URSS”. Resulta uma interpretação muito particular do “pai do revisionismo dos últimos anos”. Haveria que perguntar-se como o problema da paz e a resolução dos antagonismos de classe simplificam-se com a liberação de alguns prisioneiros de guerra, considerando que não são passos que adiantam as massas e sua classe fundamental: o proletariado, sem ações que venham do interesse do velho Estado e como contraparte uma guerrilha extraviada também no aspecto ideológico? Seria bom escutar Castro de que maneira a liberação dos retidos pelas FARC aporta a “unidade e liberação de nossa América” no marco de nova via para conquistar os objetivos dos povos. Se não é luta armada, qual é o caminho para a liberação? A integração latino-americana que agora apregoam com a ALBA2 que não é outra coisa que a associação de burgueses produtores? A via eleitoral ou parlamentar? Obvio que F. Castro dirá isso, sua condição de classe lhe dita o caminho e esse é o da pequena-burguesia, o do reformismo burguês, da restauração estatal, o do ecletismo, o caminho burocrático do qual ele é um inovador para a doída América.

Assim como estes muitos mais são os argumentos que podemos encontrar na prática social de Cuba para desnudar a inexistência de um projeto Socialista. Vale mencionar que o processo cubano manejado desde 1959 até a atualidade pela direção burocrata do hoje Partido Comunista de Cuba tem jogado um magro papel nas forças revolucionárias do mundo e muito particularmente da América Latina a abordar com suas concepções revisionistas a intencionalidade das massas por desenvolver a revolução e afastá-la dos corretos exercícios revolucionários que apontem o projeto histórico do proletariado e seus aliados.

Nós maoistas sempre valorizaremos em sua verdadeira dimensão o esforço e a luta estoica do povo cubano, não obstante não podemos perder a perspectiva de quanto daninha e anti-histórica tem sido a condução de suas lutas nas mãos do revisionismo castrista e guevarista, pois é sobre esse referente “revolucionário” sobre o qual preponderantemente a reação tem levantado calúnias e desinformação em relação ao verdadeiro caráter que deve ter uma revolução bem definida ideologicamente em torno do marxismo-leninismo, hoje marxismo-leninismo-maoísmo.

Há muito por fazer em Cuba. No que diz respeito ao socialismo, está tudo por fazer e o mais importante, retomar com uma Revolução que verdadeiramente transite ao socialismo, não sem antes varrer todo vestígio que o comprometa com qualquer imperialismo e a ditadura burguêsa burocrática.

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VIVA O MARXISMO-LENINISMO-MAOÍSMO!

COMBATER O REVISIONISMO!

AFORA O PODER, TUDO É ILUSÃO!

CONQUISTAR O SOL VERMELHO DA LIBERTAÇÃO: O COMUNISMO!


 



 

1- Rafael Correa: gerente de turno do Estado do Equador desde 2007 até a atualidade. (Nota MEPR)

 

2- ALBA: Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos. (Nota MEPR)

 

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