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O Acordo de Paris e a questão da ecologia

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Divulgamos a seguir um documento do Partido Comunista Maoísta da França a respeito do Acordo de Paris e o grande alarde que se fez em relação à postura do arquireacionário Trump ao não compactuar com dito acordo. Saudamos a consequente análise feita pelos companheiros revolucionários da França ao traçarem uma linha demarcatória entre os falsos e demagógicos discursos imperialistas de "proteção do meio ambiente" e a posição materialista sobre a ecologia, isto é, as diversas relações entre o Homem e o seu meio, e a defesa de que conjunto da população mundial, particularmente dos povos e nações oprimidos e das classes exploradas de nossa Era, possam usufruir das riquezas naturais de que dispõe o nosso planeta.

Ao retomar este debate, aproveitamos para resgatar o que afirmamos em nosso artigo Desmistificando o aquecimento global:

 
"Na verdade, se abstrairmos inclusive a discussão técnico-científica sobre o tema e levarmos em consideração as implicações políticas a que esta tese do “aquecimento global” tem conduzido, como uma sanha furiosa dos países imperialistas contra as reservas naturais dos países semicoloniais, desde as mais sofisticadas técnicas de bombardeio ideológico (como as superproduções hollywoodianas), passando pela ação de todo tipo de ONG’s “ambientalistas” até as ações mais furiosas e descaradas, como o inaceitável “crédito de carbono” ou expulsão, através de governos fantoches, de milhões de camponeses e povos nativos – sobretudo das florestas tropicais, as com mais rica biodiversidade, das quais a maior e mais poderosa é a floresta amazônica – tudo isso já seria suficiente para nos levar à conclusão do que exatamente está por trás desse discurso “ecológico”. Aliás, não são poucos os setores que tentam apresentar-se como “progressistas” e que apregoam aos quatro ventos a luta em defesa do “meio ambiente” como novo fator decisivo da história da Humanidade em substituição, portanto, da luta de classes.

Do ponto de vista gnoseológico, ou seja, da teoria do conhecimento, este tem sido e será também palco de uma luta das mais importantes na atualidade entre o materialismo e o idealismo e, dentro do campo materialista, entre as concepções do materialismo conseqüente, ou seja, o dialético, e as diferentes escolas de materialismo inconseqüente, mecanicista."

O nosso texto completo pode ser lido aqui.


 

O Acordo de Paris e a questão da ecologia

Partido Comunista Maoísta - França
Retirado do Blog DazibaoRojo (dazibaorojo08.blogspot.com)

Donald Trump, presidente da principal potência econômica do mundo anunciou que, de acordo com sua promessa de campanha, seu país se retiraria do acordo climático de Paris negociado na "COP21"; O acordo, que se supõe estar dirigido a lutar contra o aquecimento global limitando os gases de efeito estufa em particular, foi apresntado por países signatários como um grande avanço ecológico.

Entretanto, esse acordo não era nem sequer obrigatório: era um compromisso baseado na boa vontade, um conceito totalmente abstrado nas relações internacionais, onde se supõe que cada país faça o melhor possível, sem sanções em caso de frasso. As relações entre os Estados burgueses se baseiam nas relações de Poder.

As reações internacionais tem sido, naturalmente, muito negativas, com China, Rússia e maioria dos países europeus condenando a decisão do EUA. Contudo, será o Acordo de Paris o ponto central para salvaguardar o planeta? Este acordo salvará os mares afetados pela contaminação e sobrepesca? Prevê a substituição nuclear? Este acordo aborda o assunto do desmatamento, protegendo a biodiversidade, assegurando a qualidade da água? Naturalmente, não. Este é um pacto de princípios que permite hoje aos países imperialistas apresentarem-se como defensores da Terra, ainda que contribuam cada dia com a devastação do meio ambiente e assim degradar nossas condições de vida.


A visão burguesa de ecologia

Recordemos que a questão ecológica chegou ao debate público dos países ocidentais desde os anos 80. Este é um problema recente, tomado muito desigualmente pelas massas. Os autoproclamados representantes da ecologia na França estão vinculados à pequena burguesia progressista, são os Los Verdes que agora são aliados do Europe Ecologie. Estes partidos fizeram durante muito tempo a opção de servir como auxiliares do Partido Socialista [partido oportunista do último presidente francês, Sarkozy - Nota do MEPR].

Uma parte da burguesia não escapou a essa tendência. Eles necessitam apresentar-se como modernos e ocupar este novo mercado, como as energias verdes ou os alimentos orgânicos, por exemplo, que são mercados extremamente rentáveis. Porém se bem a questão ecológica é um assunto global, as fronteiras não tem importância aqui. Esta parte "verde" da burguesia produziu uma visão de ecologia nociva, incapaz de responder aos problemas de hoje. Esta ecologia burguesa está centrada sobre dois temas:

Delegação. A ecologia deve ser deixada aos cientistas, técnicos, políticos competentes, seria um campo muito "sério" para se mobilizar de verdade o povo sobre estes assuntos. Isto cria um verdadeiro menosprezo de classe: as massas seriam insensíveis aos problemas ecológicos, idiotas, comeriam mal voluntariamente, se vestiriam através das indústras mais desumanas, etc.

Moralismo. Logicamente, este menosprezo de classe produz uma ecologia moralista, na qual cada pessoa é responsável por seu comportamento: esta é a teoria do beija-flor, estabelecendo nossas opções de comida, roupa, transporte ao centro de produção, em resumo, nossas opções de vida. Como se o desmatamento ou a destruição dos oceanos pudessem ser controlados uma vez que cada ser humano entedesse que é necessário fechar a torneira enquanto se escova os dentes.

Assim, é fácil entender que a salvação não se deve buscar desta forma. Pior ainda, este conceito de ecologia é desastroso, desviando a preocupação legítima para os problemas individuais e abstratos e negando-se a tomar medidas contra o perigo.

A ecologia materialista

Para nós, comunistas, cada problema deve colocar-se sobre a base de uma leitura materialista do mundo. Consideramos que as ideias não produzem fatos, senão que as ideias surgem dos fatos materiais. Nosso materialismo se opõe ao seu idealismo.

Por que Donal Trump rechaça o Acordo de Paris contra o conselhos dos principais lideres empresariais do EUA? Se pode ver de imediato que os discursos reduzidos aos malvados capitalistas sobre a dimensão agressiva do presidente não são úteis para explicar esta decisão.

Quais são os fatos? Donald Trump representa a confrontação de duas linhas dentro da burguesia estadunidense: o isolamento econômico em lugar de fortalecer os vínculos de interdependência com as economias europeias e asiáticas (principalmente chinesa). Depende, portanto, de certos setores, como da indústria petroleira que realiza cálculos a curto prazo. Nesta situação, Donald Trump deve demonstrar a seus partidários que defenderá seus interesses, e inclusive que vai contra os objetivos a longo prazo de outras companhias estadunidenses.

O presidente do Estados Unidos é tão diferente dos chefes de Estado e das empresas que defendem o Acordo de Paris? Claro que não. Nenhum deles pode realmente afrontar os problemas ecológicos que ameaçam o planeta, porque colocar-se estes problemas significaria opor-se ao modo de produção capitalista.

Posto que se exclui esta opção, tentam temporizar tanto quanto seja possível, adotando a técnica do avestruz: os fatos estariam sujeitos às ideias, e afirmar que o aquecimento global não existe, ou que o crescimento americano é a solução para tudo, bastaria para resolver os problemas. Tal atitude hoje em dia é absolutamente criminosa e deve ser considerada como tal.

Nossa visão de ecologia é muito diferente: se baseia em fatos materiais, na participação ativa das massas na transformação revolucionária do modo de produção. Afirmamos que hoje, como antes, só a planificação da produção socialista a nivel global pode nos permitir sair do pesadelo capitalista e do ecocídio que gera. E esta afirmação planteia a questão do poder: só tomando o poder para as massas sob direção da classe operária através da Guerra Popular, se resolverá este problema.

Qual é a nossa visão de ecologia? É uma visão global, a qual necessariamente se constrói a escala global. Responde às necessidades reais da nossa classe: viver decentemente, desfrutar a natureza sem degradá-la, produzir razoável e racionalmente para satisfazer as necessidades de cada pessoa. Também implica o desenvolvimento de uma visão científica do mundo que nos rodeia, através de uma educação igualitária e não reservada à elite, fazendo possível compreender os desafios da ecologia e sua relação com a luta de classes.

O capitalismo, por sua própria natureza, se funda na anarquia da produção, isto é, na livre concorrência que se supõe autoregulada, uma concepção absolutamente idealista da economia que desarma os povos frente às catástrofes petroleiras, o aumento dos níveis de água ou escandalos agroalimentares (agricultura infame, GMO, pesticidas, etc.)

Colocar-se a questão da ecologia hoje é colocar-se a questão da transição para o socialismo, isto é, estabelecimento de um sistema adaptado às exigências do nosso século, eficiente e humano, a serviço do povo e não do capital.

 

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