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Ciência versus criacionismo

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A luta entre a teoria da evolução das espécies e a concepção criacionista da natureza há muitos anos ocupa um importante espaço no debate filosófico. Faz parte do confronto histórico entre materialistas e idealistas. Nos últimos anos porém, este debate tem adquirido algumas particularidades. Os defensores do criacionismo, que interpretam a Bíblia ao pé da letra e dizem que a origem do mundo natural se deu exatamente como é relatado na gênesis, tem procurado se embasar “cientificamente” para defender a veracidade de sua fé. Argumentam que não há confirmação da teoria da evolução e que, portanto, junto ao estudo do darwinismo, nas escolas do ensino médio, deveria ser ensinado a gênesis bíblica. Ou seja, que nas aulas de ciência se ensine a evolução e o criacionismo como duas hipóteses, ficando ao cargo do aluno optar pela qual ele acha mais verdadeira. Acontece que a teoria da evolução proposta por Charles Darwin em 1859, já foi confirmada inúmeras vezes por pesquisas científicas em todo o mundo, e no meio científico é unanimidade que seus fundamentos sejam verdadeiros. Ensinar o criacionismo como sendo uma teoria científica, ou mesmo como uma hipótese, é o mesmo que ensinar para os alunos do ensino fundamental que o nosso planeta é quadrado, ou que é o Sol que gira em torno da Terra.

Este contra-ataque dos criacionistas tem sido tanto no sentido de desmoralizar a teoria da evolução, como de conseguir mudanças concretas na legislação para que seus fins se realizem. O centro da reação criacionista encontra-se no Estados Unidos, aonde quase conseguiram aprovar uma emenda Constitucional que obrigaria o ensino da bíblia nas aulas de ciência. Trata-se da “emenda Santorum”, que foi rejeitada por poucos votos pelo congresso norte-americano. Este projeto conta com apoio de George Bush, do presidente do Senado e de membros da Suprema Corte norte-americana. Alguns estados, como Ohio e Kansas, chegaram a aprovar leis estaduais que instituíam o ensino do criacionismo nas escolas. Mas estas leis estaduais foram consideradas pela Suprema Corte como inconstitucionais, por ferirem a primeira emenda da constituição norte-americana, que proíbe o ensino de qualquer dogma dentro das escolas e universidades. Se aprovado estes projetos haveria um retrocesso histórico no sistema educacional do EUA, estariam retornando aos tempos medievais onde a educação era monopólio da igreja católica, estariam quebrando um dos mais importantes princípios educacionais das revoluções burguesas que foi o do ensino científico e laico, isto é, desvinculado de qualquer tipo de dogma religioso.

Aqui no Brasil, a reação criacionista tem ocorrido principalmente no Rio de Janeiro através das iniciativas do pseudopastor e rei da hipocrisia Antony Garotinho e sua fantoche a governadora Rosinha Garotinho. Estão tentando aplicar o mesmo projeto dos criacionistas norte-americanos, pressionando os professores de ciência a ensinar a gênese bíblica, e querendo tornar obrigatório o ensino religioso na rede pública de educação. Em São Paulo, na Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo) cerca de 4000 estudantes têm aulas que questionam a teoria de Darwin e estudam o criacionismo. A discussão deste tema é de grande importância para problemas filosóficos de fundo como o que é ciência, o que é verdade, e também para o desenvolvimento científico nacional.

A tentativa de impor o ensino do criacionismo nas escolas também possui uma forte conotação política. George Bush, um dos defensores desta proposta, tem vinculado seu discurso reacionário a um tipo de fundamentalismo cristão. Concepção que busca dar um significado moral e libertador às agressões do imperialismo ianque. Bush quer fazer o papel do profeta que lidera as Cruzadas contra os bárbaros, quer transformar as escolas em reprodutoras desta ideologia.

A teoria da evolução e o mito da criação

darwinnEm 1859, Charles Darwin publicou sua célebre obra “A origem das espécies pela seleção natural”, aonde explicou, pela primeira vez na História, os mecanismos que permitem a evolução dos seres vivos sem a ação de uma “inteligência superior”. A teoria da evolução, como ficou conhecida as idéias de Darwin, representou uma verdadeira revolução no pensamento humano, pois libertava definitivamente o estudo da biologia da dominação dos dogmas religiosos. Hoje para nós é bastante natural discutirmos a evolução da natureza, de estruturas simples como as bactérias até chegarmos ao nível de complexidade do ser humano. Todos nós já vimos nos livros de ciência do ensino fundamental a representação da transformação de um primata, de um Austrolopithecos em Homo sapiens. No entanto, na época de Darwin isto era praticamente inadmissível, faltavam até mesmo elementos para a estruturação de uma teoria coerente sobre a evolução.

Os mitos da criação existiram em todas as civilizações, variam de cultura para cultura mas todos procuram uma explicação para o surgimento do homem e da natureza. Os gregos, os incas, os chineses e mesmo os índios que habitavam o Brasil antes da chegada dos portugueses possuíam seus mitos. Destes mitos, o que se tornou mais conhecido mundialmente está contido no velho testamento, que conta da criação do mundo em sete dias por um Deus único. O velho testamento é a base das religiões cristãs, mulçumanas e judaicas, que compartilham o mesmo mito sobre a gênese. Toda esta crença penetrou profundamente na consciência social, de forma que foi bastante difícil para o homem se libertar do próprio mito por ele criado. Acontece que com o desenvolvimento das forças produtivas vai aumentando o domínio do homem sobre a natureza e, conseqüentemente, o desenvolvimento científico. As descobertas científicas feitas pelo homem de imediato se chocam com as rígidas concepções religiosas, pois a realidade encontrada pela ciência divergia fundamentalmente dos mitos religiosos. Não poderia ser diferente, como homens, há cerca de dois mil anos atrás poderiam compreender corretamente sobre a origem da vida e do universo? Os homens que escreveram a bíblia partiram dos conhecimentos adquiridos pela sociedade até aquela época, o desconhecido era preenchido por sua fantasia. Seria exigir demais que homens de dois milênios atrás, por mais geniais que fossem, conseguissem explicar fenômenos que somente hoje compreendemos.

Quando Darwin formulou a teoria da evolução ele questionou diretamente o mito da gênesis. Pois na Bíblia conta que Deus criou os animais tais como eles são hoje, lá também não consta sobre histórias de animais gigantescos que desapareceram, como os dinossauros. Para próprio o Darwin, que tinha forte formação religiosa, foi difícil chegar a uma conclusão que o mito bíblico estava errado, tanto que ele demorou 20 anos para publicar suas descobertas. No entanto, ele era um cientista e, como tal, não teve dúvida em publicar suas descobertas, por mais que estas se chocassem com antigos dogmas religiosos.

A teoria da evolução de Darwin, não foi a primeira descoberta científica que se colocou abertamente contra a interpretação dogmática da Bíblia. No salmo 104:5, está escrito “Deus colocou a Terra em suas fundações para que não se mova por todo o sempre”. Este salmo é resultado da observação empírica humana, pois aparentemente é o sol que gira em torno da Terra e não o contrário, aparentemente a Terra está parada e o sol se move todos os dias de leste para oeste. O cientista grego Ptolomeu, através de cuidadosas observações astronômicas, formulou um modelo geocêntrico onde a Terra seria o centro do universo. Nicolau Copérnico, que assim como Darwin possuía formação religiosa, a partir de complicados cálculos matemáticos descobriu que na verdade era a Terra que girava em torno do Sol. Galileu Galilei, defensor do modelo heliocêntrico, em 1610, com o desenvolvimento do telescópio pôde comprovar a teoria de Copérnico. Ele observou que em torno de Júpiter circulavam quatro satélites, comprovando que existiam corpos que não circulavam a Terra. Pela observação de Vênus, percebeu que este corpo observado da Terra possuía fases, como a Lua, o que só poderia ser explicado pelo modelo heliocêntrico. Galileu foi condenado pelo tribunal da Santa Inquisição por heresia em 1633; somente em 1980 a igreja Católica reconheceu o erro do processo.

Darwin não foi queimado na fogueira, mas suas descobertas foram ainda mais polêmicas do que as de Galileu, exatamente porque tocava o centro do mito da gênesis. Por isto é mais fácil as pessoas aceitarem que a Terra gire em torno do Sol, apesar de muitas vezes não compreenderem que o homem é o resultado de bilhões de anos da evolução da vida, que saltou de formas primitivas mais atrasadas do que as bactérias para o que somos hoje. O criacionismo aproveita-se do desconhecimento científico geral da sociedade para difundir suas idéias errôneas e sua interpretação dogmática da Bíblia, mas como veremos, não consegue encontrar nenhum argumento científico que desminta a teoria da evolução ou confirme a teoria da criação.

A teoria da evolução não é uma hipótese, é uma verdade científica

craniosAssim como hoje o homem tem como certo e comprovado que é a Terra que gira em torno do Sol, também certo está que o meio natural, animais, plantas e relevo, são produto de uma evolução que não cessa. Antes de Darwin ter formulado sua teoria, há muito tempo já se especulava sobre a evolução das espécies e da natureza. Esta visão dialética do mundo natural ganhou força no século XIX primeiramente através dos estudos da geologia. Os geólogos em suas pesquisas começaram a perceber que o solo era resultado de um processo de transformação. As escavações mostraram que o solo é formado por camadas, cada qual de materiais e características distintas, formadas em épocas e situações diferentes. Algumas descobertas, como a de conchas no alto da cordilheiras dos Andes, intrigava os geólogos, pois significava que aquele terreno de alguma forma já esteve no fundo de um oceano. Ao calcularem o tempo que demoraria para surgir formações como estas, viram que se daria na casa dos milhões de anos, contrariando a Bíblia que afirmava que Deus havia criado a Terra há seis mil anos.

Nestas mesmas escavações eram encontradas, em meio a pequenas formações rochosas, ossos ou esqueletos inteiros de seres que não habitam hoje o nosso planeta. O que era aquilo? Eram os chamados fósseis, animais ou plantas, que por um processo físico, que varia de acordo com o tipo do solo, foram conservados por milhões e milhões de anos. Na medida que as pesquisas prosseguiam, a quantidade e a variedade destes fósseis aumentava. Animais cada vez mais estranhos eram encontrados. Os fósseis foram as primeiras pistas de que a natureza viva não é estática, de que se encontra em movimento, em transformação. Os fósseis foram a confirmação de que os reinos animal e vegetal já foram bem diferentes em tempos remotos. O mais interessante era que na medida que se aprofundava uma escavação, quanto mais profunda era a camada geológica mais exóticos eram os fósseis. Não é preciso ser um perito em geologia para concluir que quanto mais profunda uma camada geológica, mais antiga ela é. A linha vertical formada pelos fósseis encontrados dava a exata noção de que além de ter existido animais diferentes na Terra, havia uma relação de ancestralidade, de desenvolvimento, de evolução destes seres. Ou seja, os animais não haviam somente se transformado, haviam evoluído. Seqüências completas de fósseis de animais bastante semelhantes foram encontrados, dando a exata dimensão da evolução das espécies.

Darwin quando saiu em uma expedição do navio inglês Beagle já conhecia as teorias evolucionistas. Inclusive fora chamado a participar da viagem para refutar tais “heresias”. No entanto, a viagem que durou cinco anos permitiu Darwin enxergar na natureza viva aquilo que os fósseis já demonstravam, isto é, a evolução das espécies. Nas ilhas Galápagos, próximo ao Equador, Darwin pôde observar que pássaros bastante semelhantes se adaptavam ao tipo de alimento que consumiam. Aqueles que comiam sementes possuíam um bico curto e duro, os que comiam insetos macios tinham o bico mediano, e os que bebiam néctar das flores tinham o bico fino e alongado. A evolução se tornou evidente para Darwin, os fósseis e a natureza confirmavam sua constante transformação; as especializações dos animais, sua adaptação ao meio mostrava que a vida se impunha ao meio natural, um triunfo só possível de ser explicado pelo processo evolutivo.

Entretanto, o mérito de Darwin não foi enxergar a evolução das espécies, muitos naturalistas do início do século XIX já haviam percebido. A genialidade de Darwin foi que ele conseguiu explicar o mecanismo pelo qual a vida evolui, que foi chamado por ele de Seleção Natural. Não basta perceber a evolução das espécies é preciso descobrir as leis que regem este processo. Isto fez Darwin ao descobrir o principal mecanismo da evolução.

Lembremos que Darwin chegou a conclusão da evolução das espécies ao observar a incrível capacidade dos seres vivos de se adaptarem ao meio. Acontece que esta adaptação não se dá de maneira mecânica, não é o esforço de um indivíduo que leva ao desenvolvimento da espécie. Para haver evolução das espécies são necessárias duas condições básicas: 1) deve haver variação de características entre os indivíduos de uma mesma população; 2) deve haver uma forma para que estas variações sejam transmitidas para a geração futura. São conclusões simples, mas fundamentais. Primeiro, por mais semelhanças que existam entre os indivíduos de uma mesma espécie, de uma mesma população, sempre haverá diferenças individuais, mesmo que imperceptíveis. Estas diferenças são a matéria prima da seleção natural e, portanto, da evolução. Em segundo lugar, não basta que haja diferenças individuais, para a seleção natural, só importam as diferenças que possam ser transmitidas.

bicosA matéria prima da seleção natural são as diferenças individuais hereditárias, mas o realizador desta seleção é o meio em que vive determinada espécie. Na natureza sobrevive o mais apto, o que não significa ser o mais forte, exemplo é a extinção dos dinossauros. Apto é o que melhor se adapta ao meio. Os indivíduos que melhor se adaptam ao meio viverão em média mais tempo do que os inaptos, como vivem mais tenderão a se reproduzir mais. Ao longo do tempo, tenderá a predominar em uma determinada população as características dos mais aptos. O meio seleciona naturalmente os mais aptos, mas isto não significa que a evolução seja uma acomodação ao meio, é na verdade a superação das adversidades. Por isto a seleção natural deve ser enxergada não como uma forma de conservação, mas sim de transformação, de evolução das espécies. A relação entre o meio e as diferenças individuais dos indivíduos é dialética, uma contradição que encerra grandes complexidades. Um meio favorável, pode se transformar em desfavorável repentinamente, transformando inaptos em aptos e vice-versa. Modificações no meio podem conduzir a uma divisão em grupos de uma mesma espécie, de modo que os indivíduos destes grupos não mais cruzem entre si, esta separação geográfica, por exemplo, pode dar origem a duas espécies distintas.

Um dos exemplos clássicos da seleção natural, observável pelo homem, é das mariposas Biston betularia que viviam em bosques próximos a centros industriais. Antes do século XIX uma característica marcante destas mariposas era a sua coloração cinza. Com o aumento da poluição, tanto as árvores, que antes também eram cinzas, como as mariposas ficaram negras. O que aconteceu? Uma primeira resposta foi que a fuligem que cobrira as árvores também cobrira as mariposas, mas como a vida de uma mariposa é relativamente curta não haveria tempo para ela se escurecer, o que descarta esta hipótese. Na verdade o que ocorreu foi um processo de seleção natural. Primeiro, havia diferença entre os indivíduos, isto é, antes da poluição existiam mariposas pretas e cinzas; porém como as árvores eram cinzas as mariposas desta cor se camuflavam melhor e não eram devoradas pelos pardais, já as pretas eram mais vulneráveis. Desta maneira, no grupo de mariposas predominavam as cinzas, pois elas sendo as mais aptas, em média, se reproduziam mais do que as pretas. Com a poluição as árvores ficaram pretas, o meio se alterou, tornando as mariposas pretas mais aptas e, portanto, com predominância na população. Recentemente, devido as políticas de controle de poluentes, as árvores do bosque voltaram a sua cor original, pelas leis da seleção natural podemos afirmar com segurança, se nenhum novo fator interferir, que irá predominar novamente as mariposas cinzas.

O grande mérito da teoria da evolução de Darwin é que ela explica todas as transformações dos seres vivos, todo o seu desenvolvimento, sem precisar usar o artifício de uma inteligência absoluta ou de uma intenção causal nas transformações. A seleção natural explica, desde o caso das mariposas, até o desaparecimento dos dinossauros e a transformação de um tipo de primata em Homo sapiens. E a evolução natural não ocorreu até um determinado período, ela sempre existiu, segue existindo e enquanto haja vida e meio continuará existindo. A teoria de Darwin representou uma revolução no pensamento humano, comparável mesmo à descoberta das leis econômicas e sociais feita por Marx e Engels. Darwin não alcançou a descoberta de que os genes eram constituídos por DNA (ácido desoxiribonucléico) feita no início da década de 1940 pelos cientistas O.T.Avery, C.M. Macleod M. McCarty. Está no código genético, no DNA a fonte da variação individual. A causa das mutações, ou os fatores que interferem nela, são questões ainda sem solução. Questões a serem resolvidas pela ciência e que de forma alguma invalidam a teoria de Darwin, que por si só, mesmo sem o conhecimento do mecanismo da hereditariedade, já explicava a evolução.

O debate pseudocientífico dos criacionistas

garotinOs criacionistas sempre combateram as teorias da evolução. Agora em seu contra-ataque reacionário, que visa impor seu dogma religioso como disciplina escolar, os criacionistas tentam utilizar uma linguagem científica. Não temos nada contra que as pessoas professem sua fé, inclusive se reúnam como forma de manifestar suas crenças, o que é inadmissível é procurar apresentar uma crença como tendo bases científicas. Na verdade os criacionistas rompem com o próprio princípio do mistério de sua religião, não se pode duvidar é preciso acreditar, mesmo sem provas. Esta é uma das grandes diferenças entre ciência e religião, para ser ciência tem que ser provado na prática, na explicação dos fenômenos que nos rodeiam, para religião não é preciso comprovação, basta a fé. Com o passar do tempo, e conseqüente desenvolvimento científico ficará cada vez mais difícil para as religiões se sustentarem, pois a realidade se revela cada vez como algo independente de uma força consciente que a regeria. A argumentação atual dos criacionistas já é uma constatação deste desenvolvimento já que as pessoas não aceitam mais simples dogmas, exigem uma explicação.

Porém, os criacionistas não estão interessados em um debate científico, por mais que muitos de seus defensores saiam por aí dizendo bravatas contra a teoria da evolução. Não estão preocupados em buscar a verdade, sua discussão não visa a investigação e sim a desmoralização da teoria darwinista e a imposição de seu dogma. Se estivessem interessados em um debate científico estariam dispostos a mudar seus pontos de vistas caso fossem convencidos do contrário. Mas estão dispostos a isto? Claro que não. Seus argumentos não se concentram na explicação de suas formulações, afinal já estão na Bíblia. O que fazem é aproveitar da ignorância científica das pessoas para dizer disparates contra a teoria da evolução. Outra tática deles é tocar em questões ainda não elucidadas pela ciência para dizer que a seleção natural é falsa. É claro que existem questões a serem descobertas e sempre haverá, o que não existe é problemas já resolvidos para toda a eternidade como apregoam.

O fato da teoria da evolução não responder a todas as questões, longe de lhe tirar o caráter de científico o reafirma. Uma teoria que responde a tudo de antemão não é uma teoria científica é um dogma. Uma das características de uma teoria científica é o chamado “princípio da falhabilidade”, para uma teoria ser científica ela tem que poder ser contestada, ter uma falha que se acontecesse a inviabilizaria.

Se um dia descobríssemos ossos humanos junto com ossos de dinossauros, na mesma estratificação geológica, cairia por terra a teoria da evolução. Portanto para uma teoria ser científica, verdadeira, ela não só tem que ser comprovada como também tem que poder ser contestada.

A teoria criacionista não é uma teoria científica, primeiro porque não é comprovada pela prática e, segundo, não pode ser contestada, é a chamada teoria blindada. Haveria algum argumento que os criacionistas tomariam como refutador de sua teoria e mudariam sua concepção? Não, porque o que eles defendem não é uma teoria científica é um dogma religioso. E uma coisa que não pode ser refutada é tão absoluta, tão transcendente, que nós poderemos viver sem tal coisa sem sentir a mínima falta dela, ou dele.

 

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