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Mercedes Sosa, uma voz Latino-Americana

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Mercedes_Sosa_interpreta Domingo, 04 de Outubro de 2009: falece em Buenos Aires, aos 74 anos de idade, Haydée Mercedes Sosa. Argentina, cantora, ativista política, Mercedes Sosa pode ser definida como sendo, acima de tudo, uma cidadã latino-americana. Alguém que cantou e ao seu modo enfrentou as mazelas dessa parte do mundo que tanto amamos, cantou e inspirou aos povos que lutaram e lutam pelo ardente sonho de libertação.

Carreira:

Nascida em Tucumán, noroeste da Argentina, iniciou sua carreira em 1950 (com 15 anos de idade) ao vencer o festival de canto em uma emissora de rádio local. Desde esse momento a jovem Mercedes já se identificava com a música folclórica de seu país. Preocupada em retratar a vida do seu povo não se propõe a cantar as fúteis modinhas norte-americanas tão em voga à época, e conquista rapidamente o reconhecimento entre os povos indígenas da Argentina.

Na década de 60, no momento em que se produz na Argentina um modismo em torno da música folclórica, La Negra (apelido ganho por Mercedes devido aos seus traços indígenas, a pele morena e os longos cabelos negros) integrará o movimento conhecido como Nova Canção, uma corrente da música folclórica que propunha colocar o acento na vida cotidiana do homem argentino, com suas alegrias e inquietações e que, por isso mesmo, terá um forte sentimento antiimperialista.

Como acontece com todo artista que opta por cantar e estar ao lado do povo, a carreira de Mercedes Sosa só pôde chegar ao amplo conhecimento do público após longas batalhas, e como fruto de seu próprio talento e esforço. Junto com seu marido, Manuel Oscar Matus, apresentava-se sobretudo nas Universidades aonde os estudantes acolhiam aquela música com grande entusiasmo. Seu primeiro álbum, “Canciones con Fundamento”, é lançado por um selo independente. E é somente em 1965 que, através do Festival Nacional de Folclore de Cosquín, adquire o reconhecimento nacional.

mercedes_volta_do_exlioSuas músicas, claro, não tocavam nas rádios argentinas do fim da década de 60, submetido que estava este país a um regime militar. E é nessa virada entre as décadas de 1960/1970 que Mercedes Sosa leva mais a fundo o caráter político de suas canções. Em 1971 grava um álbum em homenagem à grande cantora chilena Violeta Parra ( uma das artistas que melhor interpretou a vida e a luta do povo) e em 1972 outro álbum intitulado “Hasta la Victoria” que, como o próprio título já sugere, tinha um forte compromisso com as transformações sociais. Em 1976 instala-se novamente um regime militar na Argentina e em 1979 Mercedes Sosa é revistada em pleno palco durante um show e, juntamente com toda a sua platéia, é levada presa pelos militares. Permaneceu no exílio até 1982.

Durante sua carreira realizou inúmeras parcerias com artistas populares latino-americanos, dentre eles muitos brasileiros. Gravaram com La Negra intérpretes como Chico Buarque, Milton Nascimento, Fagner, Beth Carvalho, e vários outros.

Significado:

A subjugação social e econômica de um povo sempre foi, ao longo da história, acompanhada e complementada pela subjugação cultural. Ou melhor, pela tentativa de subjugação. A América Latina, oprimida há mais de cinco séculos pelas botas imundas dos europeus colonizadores e, posteriormente, pela infame dominação do imperialismo inglês e ianque, sempre teve sua vasta e rica cultura popular atacada com ódio pelos seus inimigos saqueadores.

Artistas populares, gênios da arte, da literatura e da música existem aos milhares e milhões entre as massas populares. As histórias guerreiras dos diversos povos latino-americanos, e sua luta secular por libertação, representam um inesgotável manancial de inspiração artística. No entanto, onde estão? Por que os jovens simplesmente não conhecem, na sua imensa maioria, a verdadeira cultura popular e nacional e vivem a cultivar as diferentes modas cantadas em inglês, importadas pelas gravadoras transnacionais, enquanto os verdadeiros artistas do povo têm que fazer verdadeiros milagres para não morrer de fome?

Isso não é à toa. Isso acontece porque a dominação imperialista é inimiga dos povos oprimidos em todos os aspectos da sua vida, e em todos esses aspectos desenvolve-se uma luta desesperada entre opressão e libertação. Não é casual que intérpretes como Mercedes Sosa se afirmaram em um momento em que em todo o mundo se dava um auge das lutas das massas contra a dominação e na América Latina, em particular, existia um forte movimento de resistência à dominação ianque e aos regimes militares lacaios instalados por eles na região.

E, se por um lado, a opressão gera os horrores da humilhação, da espoliação, da agressão ela também gera o seu contrário, isto é, as mais belas e heróicas páginas dos que não se dobram e enfrentam de punho erguido, corajosamente, essa opressão. E sempre que houverem revolucionários decididos a, lado a lado com seu povo, lutar para varrer toda opressão existirão romancistas, pintores e cantores para fazer dessa luta os mais belos poemas e canções.

A voz pungente e talentosa de Mercedes Sosa é única e soará inabalável para todo o sempre. O desejo de liberdade que a motivou, entretanto, seguirá pulsando nos corações de todos os latino-americanos e, como não poderia ser diferente, nesse sentido, temos certeza de que outras Mercedes Sosa a nossa América Latina em chamas cantarão.


 

Me Gustan Los Estudiantes

(Violeta Parra)

Que vivan los estudiantes,

jardín de nuestra alegría,

son aves que no se asustan

de animal ni policía.

Y no le asustan las balas

ni el ladrar de la jauría.

Caramba y zamba la cosa,

qué viva la astronomía!

Me gustan los estudiantes

que rugen como los vientos

cuando les meten al oído

sotanas y regimientos.

Pajarillos libertarios

igual que los elementos.

Caramba y zamba la cosa,

qué vivan los experimentos!

Me gustan los estudiantes

porque levantan el pecho

cuando les dicen harina

sabiéndose que es afrecho.

Y no hacen el sordomudo

cuando se presente el hecho.

Caramba y zamba la cosa,

el código del derecho!

 

Me gustan los estudiantes

porque son la levadura

del pan que saldrá del horno

con toda su sabrosura.

Para la boca del pobre

que come con amargura.

Caramba y zamba la cosa,

viva la literatura!

Me gustan los estudiantes

que marchan sobre las ruinas,

con las banderas en alto

pa' toda la estudiantina.

Son químicos y doctores,

cirujanos y dentistas.

Caramba y zamba la cosa,

vivan los especialistas!

Me gustan los estudiantes

que con muy clara elocuencia

a la bolsa negra sacra

le bajó las indulgencias.

Porque, hasta cuándo nos dura

señores, la penitencia.

Caramba y zamba la cosa,

qué viva toda la ciencia!

Caramba y zamba la cosa,

qué viva toda la ciencia!



 

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